Confira o artigo opinativo do Sinergia CUT a respeito das declarações do governador Geraldo Alckmin ao Jornal Folha de São Paulo
As declarações do governado Geraldo Alckmin publicadas no jornal Folha de São Paulo na última quinta, 09 de junho, referentes aos danos causados à população do estado de São Paulo pela falta de energia, são estarrecedoras. Ao dizer que a Eletropaulo não tem “condições mínimas” de operar com segurança em dias de chuva, que não tem condições de atendimento rápido ao usuário e, ao mesmo tempo, de prevenir problemas causados por tempestades, o governador parece ter sido acometido por algum sério problema de memória.
Mas os trabalhadores do setor energético do estado de São Paulo, prejudicados com as precárias condições de trabalho enfrentadas nos dias de hoje, fazem questão de lembrar: o desmonte do setor elétrico no estado paulista fará nos próximos dias aniversário de 15 anos. No dia 26 de junho de 1996 a maioria da base tucana aprovou a lei que autorizou a venda das empresas energéticas.
O governador Geraldo Alckmin poderia muito bem assoprar estas 15 velinhas e deixar o salão no escuro com a faca, que retalhou o setor energético, na mão. Foi ele quem presidiu o Programa Estadual de Desestatização do governo Covas que privatizou as quatro distribuidoras (CPFL, Eletropaulo, Bandeirante e Elektro), duas geradoras (AES Tietê e Duke Energia), três distribuidoras de gás natural (Comgás, Gás Brasiliano e Gás Natural) e a transmissora CTEEP. Este foi o patrimônio liquidado por U$$ 11 bilhões.
A lógica de quem defende a privatização de serviços prestados pelo estado é justamente essa: desfazer-se das responsabilidades. Será que antes de privatizar as empresas energéticas do estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin não pensou que a lógica do capital afetaria os serviços essenciais? E que quem pagaria seria a população? Alckmin e os parlamentares tucanos que aprovaram a lei que autorizou a venda de todas as energéticas sabiam.
E não foi só na capital que a falta de energia causou transtornos e perdas. Em Campinas, devido à tempestade que atingiu a região, na terça 07 de junho, alguns bairros chegaram a permanecer 48 horas sem energia. Consumidores se quer conseguiam fazer a reclamação, pois as linhas telefônicas da CPFL Energia estavam todas ocupadas. A empresa não admite, mas a demissão de 135 trabalhadores do quadro próprio no Call Center de Campinas reflete justamente a precarização do trabalho e também do atendimento à população.
A estratégia da holding foi a de criar uma empresa dentro do próprio grupo, deslocando a prestação de serviços para Araraquara e Ourinhos, onde os trabalhadores ganham a metade do valor que recebiam os atendentes do Call Center da sede, que foi desativado em novembro do ano passado. O Sinergia CUT obteve vitórias na Justiça, mas a empresa insiste em recursos para manter a lógica do lucro a qualquer preço.
Para se ter uma idéia, o padrão internacional de qualidade determina um trabalhador para cada 600 consumidores. No Brasil, essa proporção é de um para 700. Hoje na CPFL Energia, a proporção é o dobro do que o padrão internacional recomenda. Ou seja: faltam trabalhadores para garantir a qualidade das condições de trabalho e dos serviços prestados.
Não cansaremos de repetir essa história. Diferentemente do governador, os trabalhadores energéticos de São Paulo não esquecem a história recente do Brasil. Os problemas enfrentados hoje pela categoria são resultado das ações privatistas dos governos tucanos, que tentam agora, se livrar da pecha de privatizadores. No início de junho, o PSDB apresentou duas propostas de emendas constitucionais (PECs) proibindo as privatizações da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. PECs de aparências para tentar apagar a memória do povo paulista.
Jesus Francisco Garcia
Presidente do Sinergia CUT – Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo