Paulistano ficou 12 horas no escuro em 2009

17 fevereiro 15:43 2010

Com alta de 29,35%, foi o pior índice de qualidade da Eletropaulo desde 1999, quando o país enfrentou crise no sistema elétrico



A AES Eletropaulo, responsável pelo abastecimento de energia elétrica na capital paulista, deixou seus clientes no escuro no ano passado por 11,9 horas -crescimento de 29,35% em comparação a 2008.
Esse foi o pior índice de qualidade da empresa desde 1999, quando o país enfrentou uma crise no sistema elétrico. Naquele ano, foram 15,9 horas no escuro, de acordo com os números da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica).



Essas 11,9 horas são o tempo médio que os consumidores ficaram sem energia em 2009 na área de concessão da Eletropaulo, contabilizando várias regiões da cidade e diferentes períodos sem abastecimento.
Anteontem, a concessionária voltou a enfrentar problemas de fornecimento, o que deixou sem luz cerca de 15 mil pessoas na região central de São Paulo, incluindo parte da av. Paulista, das 17h às 23h06. Uma escola suspendeu aulas, e até um shopping fechou as portas.



O problema foi causado, segundo a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), pelo rompimento de dois cabos subterrâneos após um curto-circuito. Exames serão feitos para descobrir o que provocou esses defeitos elétricos, mas está descartada, em princípio, a hipótese de sabotagem.



O Procon de São Paulo abriu ontem um novo procedimento para apurar o desabastecimento de energia, que pode acabar em multa à empresa. O governo está insatisfeito com a série de problemas na capital e estuda medidas mais enérgicas.



A investigação aberta ontem é a segunda iniciada só nesta semana contra a Eletropaulo. Cada uma pode culminar em multa de até R$ 3 milhões.



Na segunda-feira, uma apuração foi instaurada para apurar a falta de energia na semana passada por até 24 horas em determinados bairros da capital, como Vila Madalena, Perdizes, Santana, Pinheiros e Itaquera.



A Eletropaulo informou que essa demora se deveu à dificuldade de acesso e, também, pela demora da prefeitura e dos bombeiros em retirar árvores que caíram sobre a rede. Para o secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, as explicações não convenceram.
Já para o diretor de Energia Elétrica da Arsesp, Aderbal Penteado, responsável pela fiscalização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), está tudo certo. ‘A mim, convenceram’, disse.
Sobre o incidente de anteontem, a empresa disse que o cabo rompido -afirma ter sido só um- foi enviado para análise. Sobre a queda nos índices de qualidade, não se manifestou ontem (leia texto nesta página).


(Rogério Pagnan)



OUTRO LADO


Empresa não se manifesta sobre piora do serviço


A Eletropaulo não comentou a queda de qualidade dos serviços prestados. Em documento apresentado ao governo do Estado no início da semana, ela diz que a ‘performance foi afetada pelo volume de chuvas maior que o histórico, principalmente a partir de julho de 2009’.
De acordo com o diretor de Energia Elétrica da Arsesp, Aderbal Penteado, apesar do crescimento indesejado das horas no escuro de 2009, os índices são inferiores à média nacional (16,3 horas em 2008 -os do ano passado não estão fechados). ‘Se continuarem a crescer, vamos endurecer as coisas’, disse.



Penteado afirmou ainda que a Eletropaulo é uma empresa séria e que os eventos ocorridos neste mês são ‘coisas que acontecem’.


Manutenção mais bem feita teria evitado apagão, dizem analistas


Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que uma melhor manutenção na área onde passam linhas de transmissão da Eletronorte poderia ter evitado o apagão que atingiu 11 Estados das regiões Norte e Nordeste na quarta-feira.



O professor do Departamento de Energia e Automação Elétricas da USP, Luiz Cera Zanetta Júnior, diz que na faixa onde passam as linhas deveria haver limpezas periódicas, o que impediria o contato com árvores nas proximidades. ‘Mas seria prudente aguardar o resultado das investigações’, afirma.



De acordo com explicação da Eletronorte, uma árvore foi a causa para o desligamento da linha entre as subestações de Colinas do Tocantins (TO) e Miracema (TO). Os galhos da árvore se aproximaram do cabo da transmissão o suficiente para romper o isolamento elétrico do ar, provocando um curto.



Para o engenheiro eletricista José Antônio Feijó de Melo, da ONG Ilumina, a Eletronorte precisa explicar por que houve também o desligamento das linhas que fazem a interligação dos sistemas do Norte com o Nordeste e do Nordeste com o Sudeste do país.



A Eletronorte afirma que as árvores sob as linhas são podadas periodicamente e que não houve falha de manutenção no caso do apagão.

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