Durante audiência no TRT em São Paulo, CPFL e Sintius envolvem outras entidades e jogam mais de quatro mil trabalhadores em cenário de dissídio coletivo
Manobra perigosa. É assim que a direção do Sinergia CUT define o resultado de uma audiência de instrução e conciliação entre representantes da CPFL Energia e do Sindicato dos Urbanitários de Santos (Sintius).
‘Uma manobra em que a empresa e um sindicato que representa 300 trabalhadores da Piratininga na Baixada Santista jogam em um cenário de dissídio coletivo os mais de 4 mil trabalhadores de toda a holding’, avalia o Sinergia CUT.
Para entender o casoTodo mundo sabe que, na última rodada de negociação, realizada na sexta (26) da semana passada, a ‘proposta final’ da CPFL Energia foi rejeitada pela bancada dos trabalhadores, representados por várias entidades sindicais. A proposta rejeitada só aumentou o reajuste de 5,11% para 5,5%. Os negociadores da holding encerraram a reunião sem marcar nova rodada.
Conforme divulgado no Boletim 991, o Sinergia CUT decidiu então realizar assembleias deliberativas em todos os locais de trabalho, de segunda (29) a quarta (1°), para ratificar a rejeição da proposta da CPFL e reivindicar a reabertura imediata da negociação. Tudo para manter a coerência histórica do Sinergia CUT, que aposta na negociação direta para solução de conflitos.
Saída pela JustiçaPois bem. O Sintius resolveu trilhar um caminho diferente: marcou greve para a última terça (30), levando a CPFL Piratininga a entrar com uma ação cautelar junto ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2a Região, em São Paulo.
Com pedido de liminar, a ação da CPFL tinha como objetivo garantir os serviços essenciais à população. O TRT convocou então uma audiência de instrução e conciliação para a tarde da última segunda-feira (29). E o cenário de dissídio coletivo começou a ser desenhado.
Acordo irresponsávelO Sinergia CUT teve conhecimento da ata da audiência só no dia seguinte. A ata traz dois trechos que chamaram a atenção da direção do Sindicato.
O primeiro: ‘As partes concordam que para integrar o pólo ativo sejam incluídas as demais empresas do Grupo a saber: CPFL Comercialização Brasil S/A; Companhia Paulista de Força e Luz; CPFL Geração de Energia S/A’.
E em seguida: ‘As partes concordam também que para integrar o pólo passivo sejam incluídos os Sindicatos elencados na petição ora apresentada em número de 10, cujas denominações e endereços estão discriminados’.
Além disso, CPFL e Sintius concordaram em participar de mais uma audiência, com a presença de todas as entidades sindicais. A audiência acontece nesta quarta-feira (1°), às 13h, em São Paulo.
Como assim?A pergunta que não cala: como podem CPFL e Sintius envolver as demais entidades sindicais em uma manobra que pode prejudicar todos os trabalhadores? É esse prejuízo que o Sinergia CUT tentará reverter diante do TRT. Aguarde informações.