Dirigentes e trabalhadores participam de debate com Pochmann

Dirigentes e trabalhadores participam de debate com Pochmann
07 junho 08:21 2013 Lílian Parise

Economista fala sobre transformações no mundo do trabalho na abertura da Reunião Colegiada Ampliada

Com uma platéia de mais de 90 dirigentes sindicais, o economista Márcio Pochmann abriu a 4ª Reunião de Diretoria Colegiada Ampliada do Sinergia CUT na tarde desta quinta-feira (06), em Campinas. Doutor em Economia, professor da Unicamp, pesquisador do Cesit e presidente da Fundação Perseu Abramo, Pochmann abordou o tema Transformações no Mundo do Trabalho, com foco “principalmente na conjuntura atual, não com a preocupação de ordem estrutural, mas a partir de uma estratégia que tem reflexos  na vida dos trabalhadores e do país”.

Assim, o economista abordou questões como a crise do capitalismo e seus impactos no dia-a-dia dos trabalhadores e do movimento sindical, a necessidade de entender e enfrentar os desafios colocados atualmente para o Brasil, além da preocupação de olhar sempre para o futuro e as oportunidades a partir de políticas públicas.

Crise do capitalismo

“Nos últimos anos, vivemos uma reestruturação profunda do capitalismo, com uma saturação e uma crise mundial que apontam para o fim da bipolaridade e da guerra fria. Desde a queda do muro (de Berlim), essa nova era de reestruturação aponta mudanças como a consolidação de empresas transnacionais e uma lógica perversa. Não são mais os países que têm empresas, mas são as empresas que têm países”, alertou o economista logo no início da palestra.

E completou: “Isso mudou toda a estrutura de competição mundial, a partir do momento em que poucas grandes corporações fazem investimentos em inovação tecnológica e dominam as cadeias produtivas globais, colocando em xeque ainda o Estado democrático, já que também financiam eleições e influenciam governos em vários países. Cria-se assim, um verdadeiro cenário de desgovernança”.

Depois de abordar vários momentos que transformaram a economia mundial, impactando trabalhadores e mercado de trabalho, Pochmann analisou a crise de 2008 que “pegou o capitalismo sem nenhuma capacidade para formular um modelo alternativo”.

Explicou a crise que abateu os países da Europa e principalmente os Estados Unidos, que vivem um momento de grande desigualdade e desemprego,  destacando que mesmo países governados por partidos de esquerda repetem atualmente o receituário neoliberal. “Os chamados grandes países agora apostam nas exportações e reduziram as importações e isso tem reflexos nos países em desenvolvimento, chamados de países baleias, incluindo o Brasil”.
 

 

Investir em infraestrutura
Em seguida, abordou os atuais cenários econômico e social brasileiros que, depois de três décadas sem nenhum sinal de desenvolvimento sustentável, alcançou um nível de expansão que animou a economia entre 2004 e 2010, com reserva de dólares e pagamento da dívida externa histórica. “Viramos até credores do FMI e isso deu uma certa tranquilidade ao país”, destacou. “Além disso, houve elevação da renda da base da pirâmide social, com aumento do salário mínimo, ampliação do crédito popular e redução de impostos, entre outras iniciativas do governo que estimularam a distribuição de renda e o aumento de consumo, o que fez girar a economia, com aumento da produção e geração de empregos”, concluiu Pochmann.

Um ciclo importante, mas não de longo prazo. “Por isso é preciso investimento no que sustenta o crescimento brasileiro para os próximos dez e vinte anos. Sem dúvida, são investimentos em infraestrutura, repensando o papel estratégico do Estado na saúde, educação, habitação, energia. Tudo de olho no futuro, já que temos mais de 500 anos de história e menos de 50 anos de democracia, o que historicamente é muito pouco”.

Sindicatos para o futuro
Diante de tantos novos desafios nas relações dentro das empresas, com várias e modernas artimanhas para envolver os “colaboradores”, o economista destacou a importância de refletir e de repensar também o papel dos sindicatos nesse momento, para a definição de uma nova agenda que considere as transformações do mundo do trabalho e atraia mais trabalhadores para a luta sindical.

“Vivemos o fim da era do novo sindicalismo. Estamos em uma fase de experimentalismo. O que não podemos fazer é ficar na zona de conforto. É preciso diagnosticar e redescobrir o elemento de ligação com os trabalhadores nos locais de trabalho. É preciso agir e organizar a classe trabalhadora para o futuro. E isso é uma questão de tomar decisões”, concluiu para, em seguida, responder às inúmeras perguntas dos dirigentes e militantes do Sinergia CUT.

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