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STF abre inquérito para apurar omissão de Pazuello em Manaus. Aras poupa Bolsonaro

Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já é formalmente investigado pela Polícia Federal. Pedido do STF dá prazo inicial de 60 dias para concluir investigações

STF abre inquérito para apurar omissão de Pazuello em Manaus. Aras poupa Bolsonaro
26 janeiro 12:30 2021 Redação CUT

O ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, acatou nesta segunda-feira (25) o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, e autorizou a abertura de inquérito contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pela condução na crise em Manaus, no Amazonas, que vive uma situação dramática devido à falta de oxigênio para pessoas internadas com Covid-19.

Pazuello agora é considerado formalmente investigado e o prazo inicial das investigações, que fica a cargo da Polícia Federal, é de 60 dias.

A capital amazonense entrou em colapso pela falta de cilindros de oxigênio e com pacientes morrendo asfixiados em unidades de saúde. Pazuello, no entanto, sabia da ameaça da falta do insumo em 8 de janeiro, seis dias antes de o sistema mergulhar no caos. Foi devido a essa informação que ele e sua equipe foram para Manaus, no dia 9. Na ocasião, o ministro incentivou o uso de um aplicativo do próprio ministério, já retirado do ar depois da denúncia, que prescrevia o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a cloroquina.

A petição do procurador Aras poupa, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) de suas responsabilidades, já que o Pazuello faz tudo que o capitão manda. O procurador também determinou a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar eventual omissão do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e da prefeitura de Manaus, comandada pelo recém-empossado David Almeida (Avante).

Lewandowski determinou que Pazuello esclareça as ações tomadas em relação à situação do sistema de saúde de Manaus, cinco dias após ser intimado e que sejam enviados os autos à autoridade policial “para fins de adoção das medidas investigativas que entender cabíveis, sem prejuízo do requerimento posterior pelo Ministério Público Federal (MPF) de outras que se revelarem necessárias. ”

O ministro trouxe informações colocadas pelo procurador-geral que apontam a demora de Pazuello a agir diante da crise.  Lewandowski não tirou férias e segue trabalhando normalmente durante o recesso do tribunal, já que é relator das principais ações que tratam do enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

“A Constituição Federal prevê que compete a esta Suprema Corte ‘processar e julgar, originariamente’, os Ministros de Estado, ‘nas infrações comuns e nos crimes de responsabilidade’”, destacou Lewandowski em sua decisão.

“Assim, atendidos os pressupostos constitucionais, legais e regimentais, determino o encaminhamento destes autos à Polícia Federal para a instauração de inquérito, a ser concluído em 60 (sessenta) dias, conforme requerido pelo Procurador-Geral da República, ouvindo-se o Ministro de Estado da Saúde”, continuou o ministro.

Aprofunda o desgaste

A abertura do inquérito contra Pazuello aprofunda o desgaste do governo federal. Os constantes adiamentos envolvendo a campanha de imunização e a negociação de insumos para a vacina pesam para o abalo da imagem do ministro, nomeado para o cargo, segundo Bolsonaro, por sua “experiência em logística”.

Sob pressão, o general viajou a Manaus no último sábado (23), sem data para voltar e afirmou que deve ficar na capital do Amazonas por “o tempo que for necessário”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu, nesta segunda-feira (25), a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação do ministro durante a pandemia.

“Em relação ao ministro, eu não tenho dúvidas que já tem crime. Eu não tenho dúvida nenhuma”, afirmou Maia.

Escrito por: Redação CUT

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