Em nota, a ANAMATRA diz que, na contramão de outros países, governo retira dos trabalhadores condições mínimas para enfrentamento ao coronavírus, para a manutenção de básicas condições de subsistência e saúde
Publicado: 23 Março, 2020 – 12h16 | Última modificação: 23 Março, 2020 – 12h25
Escrito por: Redação CUT
Na manhã desta segunda-feira a ANAMATRA – Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – emitiu um parecer público repudiando a Medida Provisória nº 927/2020, publicada pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) como medida para enfrentar a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
Os juízes afirmam que, na contramão de medidas protetivas do emprego e da renda que vêm sendo adotadas pelos principais países atingidos pela pandemia, a MP nº 927, de forma inoportuna e desastrosa.
“A MP destrói o pouco que resta dos alicerces históricos das relações individuais e coletivas de trabalho, impactando direta e profundamente na subsistência dos trabalhadores, das trabalhadoras e de suas famílias, assim como atinge a sobrevivência de micro, pequenas e médias empresas, com gravíssimas repercussões para a economia e impactos no tecido social”, diz trecho do documento.
Os juízes também ressaltam que os poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário – e a sociedade civil são corresponsáveis pela manutenção da ordem constitucional.
“Em momentos como o presente é que mais se devem reafirmar as conquistas e salvaguardas sociais e econômicas inscritas, em prol da dignidade da pessoa humana e do trabalhador e da trabalhadora, do desenvolvimento sócio-econômico e da paz social”, finalizam o documento.
Leia a nota da ANAMATRA na íntegra:
A ANAMATRA – Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho -, representativa de quase 4 mil magistrados e magistradas do Trabalho de todo o Brasil, vem a público manifestar seu veemente e absoluto repúdio à Medida Provisória nº 927/2020, que dispõe sobre “medidas trabalhistas” a serem adotadas durante o período da pandemia Covid-19 (“coronavírus”).
Brasília, 23/03/2020.
Noemia Porto – Presidente da ANAMATRA