Na quarta rodada, a empresa apresenta a proposta final, mas mantém pacote com maldades. Apesar do avanço parcial, o Sindicato quer continuar negociando por não concordar com quatro pontos críticos da proposta
Durante a quarta rodada, realizada em 6 de junho, a Elektro/EKCE/EKTTs retirou da sua proposta quatro maldades do pacote: previdência privada, termo de quitação anual e banco de horas. Mas não houve consenso com relação a outros quatro itens da proposta, considerada como sendo “fi nal” pela empresa. O Sindicato não concorda com os seguintes pontos abaixo:
Empresa condiciona pagamento
A negociação destes itens é fundamental para o Sindicato. Só que a Elektro condicionou o pagamento da PLR 2019 à aprovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), considerando que isso é “indivisível”. Além disso, condicionou o pagamento dos valores do adiantamento da PLR e o reajuste salarial em 27 de junho só após a aprovação desse pacote até 18 de junho.
Mas, é preciso lembrar que o ACT tem vigência até 2022 e a PLR 2019 com a antecipação em julho já está garantida. Além disso, apenas os itens econômicos do Acordo estariam abertos para negociação, o que não foi respeitado pela empresa. Esse prazo limite é preciso ser avaliado com muita cautela. Isso porque ao mudar o plano de saúde este ano, a empresa sinaliza para a mudança no próximo ano do plano de previdência, afetando tanto ativos como aposentados e seus agregados.
A proposta da empresa
► Vigência: prorrogação do ACT por mais um ano (2022-2023). ► Reajuste: 4,66% pelo IPCA nos salários, pisos e demais itens econômicos, inclusive VA/VR/Cesta. ► Cesta: redução de 1 ponto percentual na participação (de 9% para 8%). ► Gift Card: reajusta para R$ 250 em dez/2019. ► VA/VR: redução da participação do VA para R$1 até a faixa 4 e para as demais faixas, redução de 1 ponto percentual; ► Fim do pagamento quinzenal: inclusão da forma de pagamento (parcela única, dia 25 de cada mês) na cláusula 47, com discussão e implementação para abril de 2020. ► 13º salário: antecipa para janeiro (1ª parcela) e novembro (2ª parcela) a partir de 2020. ► Seguro de vida: implementa o Seguro de Vida e altera a cláusula 16 do Acordo Coletivo. ► Calendário de Compensação: uniformiza um calendário de compensação para pontes e feriados. ► Horário Flexível: implanta opcionalmente, no almoço na Sede, o horário flexível de 30 minutos. ► Home Office e Teletrabalho: introduz no ACT a previsão de trabalho em casa e remoto. ► Call Center: veja no verso. ► PCDs: flexibiliza contratação de pessoas com deficiências. ► Aprendizes: Internaliza-os na folha de pagamento. ► Plano de Saúde: encerra o plano da FunCesp e vai para o Bradesco. ► Plano Odontológico: encerra o plano da FunCesp e vai para OdontoPrev Bradesco. ► Contribuição sindical: desconto na folha
Histórico As negociações começaram com a Elektro/EKCE/EKTTs em 16 de maio. Depois disso, foram realizadas mais três rodadas, nos dias 23 e 30 de maio e, esta última, do dia 6 de junho. O Sinergia Campinas entregou uma Pauta de Reivindicações enxuta, solicitando reajuste de salários e benefícios pelo ICV Dieese e 2% de aumento real, PLR para 2020 e prorrogação do ACT até 2023.
Só corrigir os salários e benefícios pelo IPCA não atende a reivindicação dos trabalhadores pois não prevê aumento real. E as conquistas e os direitos consagrados do ACT foram frutos de muita mobilização. Por isso, é preciso lutar para manter o que foi conquistado ao longo dos anos. O Sinergia CUT realiza assembleias nesta semana. Participe! Porque… Só a luta te garante!
PLR não é moeda de troca
Com relação à PLR 2019, a Elektro/EKCE manteve a fixação de um limitador de três folhas de pagamento no montante a ser distribuído. Também continua a condicionar o pagamento da antecipação à assinatura de Termo Específico de PLR 2019 e à conclusão da negociação salarial da data-base.
Vale ressaltar que o argumento da empresa para o limitador continua o mesmo. Segundo ela, é para um alinhamento com as demais empresas do Grupo. O Sinergia CUT entende que o Acordo Coletivo é vigente até 2022 e a PLR 2019 com a antecipação em julho já está garantida.
O Sindicato não concorda na posição da empresa de condicionar o pagamento da antecipação da PLR 2019 à aprovação do ACT até 18 de junho. Isso é, no mínimo, uma forma de pressionar os trabalhadores a aprovar no afogadilho o Acordo e sem explicar, por exemplo, as mudanças no Call Center (veja abaixo). Tudo em troca da PLR.
Nas assembleias desta semana, o Sinergia CUT também debaterá com os trabalhadores a PLR 2019. Participe!
Novo Call Center fere emprego e NR 17
Com uma mudança feita à revelia do Sindicato, a Elektro simplesmente apresenta o seu projeto de implantação em Campinas de um “Call Center Corporativo”. A iniciativa já de pronto, segundo o Sindicato, fere a NR 17, que estabelece parâmetros para a adaptação das condições de trabalho. Os trabalhadores de call center não podem ter jornada superior a seis horas e salário abaixo do piso. (veja na tabela abaixo)
Queremos discutir melhor essa proposta que também não garante o emprego dos atuais atendentes.
Cenário proposto
✔Escala 5×2, com 7h12m por dia, respeitando o limite de 36h semanais. Os trabalhadores têm uma hora de almoço fora da jornada, ficando, assim, 8h12m na empresa; ✔Agentes de Relacionamento distribuídos em três níveis; ✔Criação de plano de carreira (maior motivação e melhoria no clima); ✔Diferenciação salarial por nível/senioridade; ✔Valorização dos agentes que se destacam e que atendem múltiplos canais (receptivo e ativo); ✔Utilizar senioridade para priorizar benefícios (agendamento e substituição de férias, participações em RIs, treinamentos…).
Só a luta te garante!