Terceirização ilegal e fraudulenta ameaça jogar quase 200 trabalhadores na rua e precarizar ainda mais as condições de trabalho e o atendimento ao consumidor da CPFL. Ato do Sinergia CUT aconteceu nesta segunda (25)
Insegurança no presente, incerteza no futuro. É esse clima de tensão e estresse que diariamente afeta os mais de 200 trabalhadores e trabalhadoras do Call Center da CPFL há tempos. E não é pela atividade rotineira de sempre bem atender às reclamações e dúvidas dos consumidores com competência e paciência.
É que há anos, a direção da CPFL insiste em terceirizar a atividade fim, nem que para isso tenha que recorrer a práticas duvidosas ou ilegais. Nos últimos tempos, a situação piorou com a criação da “terceira” CPFL Atende em Ourinhos e Araraquara. Mais recentemente, o clima ficou pesado com as informações de que a empresa decidiu acabar com o Call Center de Campinas e demitir todo mundo até o dia 05 de novembro próximo.
“Terceirização fraudulenta”Para a direção do Sinergia CUT, a prática da CPFL é ilegal. “É uma tentativa fraudulenta de burlar a legislação, o contrato de concessão e decisões judiciais para gastar menos e aumentar lucros em cima da precarização das condições de trabalho e em detrimento do bom atendimento à população”.
A CPFL Energia vem fraudando a legislação ao criar uma outra empresa, a CPFL Atende, para incorporar as atividades do Call Center de Campinas. “Essa atitude constitui uma afronta direta à Justiça, que em várias oportunidades decidiu que o teleatendimento é atividade fim e proibiu a terceirização”, destaca o Sindicato.
Resumindo: a CPFL criou a sua própria empresa de terceirização de mão de obra para a atividade de teleatendimento para também burlar a legislação trabalhista, o acordo firmado com o Sindicato e o contrato de concessão. Tudo para pagar salários bem mais baixos e nenhum benefício aos trabalhadores terceirizados.
Desemprego e precarização“A obsessão pelo lucro faz com que a CPFL jogue na rua centenas de trabalhadores qualificados e com direitos garantidos afrontando decisões judiciais que impedem a terceirização de atividades fim, a CLT, o contrato de concessão e até a Constituição Federal”, afirma a direção do Sinergia CUT.
Só até o início deste ano, o Call Center já havia reduzido de 350 para 240 os trabalhadores treinados e especializados, quando parte das ligações foi transferida para a “terceira”. A redução de pessoal também provocou excesso de horas extras e acúmulo de trabalho.
Diante da gravidade da situação e das informações de bastidores, o Sinergia CUT cobrou oficialmente a direção da CPFL, através de carta enviada ao novo diretor de RH, Alfredo Bottone. Além de apontar que a terceirização das atividades do Call Center é ilegal, o Sindicato solicita esclarecimentos imediatos através de reunião urgente.
Queda de qualidadeSem falar na queda da qualidade do atendimento à população. Desde que parte das ligações foram transferidas para a CPFL Atende, várias denúncias apontam que os serviços foram extremamente prejudicados. “As reclamações dos consumidores só vem aumentando, não só pela falta de conhecimento especializado mas também na demora no atendimento”, destaca o Sindicato.
Por tudo isso, o Sinergia CUT não vai economizar energia e mobilização para impedir o fechamento do Call Center. “Vamos até as últimas consequências para garantir o emprego dos trabalhadores, a qualidade do atendimento e a legalidade de a atividade fim ser responsabilidade do quadro próprio. Aliás, legalidade que uma concessionária de serviço público deveria respeitar desde sempre”.