Sinergia CUT realiza cerimônia de retomada de seu Coletivo de Mulheres

Sinergia CUT realiza cerimônia de retomada de seu Coletivo de Mulheres
28 março 21:56 2018 Nice Bulhões

Evento, realizado nesta quarta-feira (28), contou com a participação de dirigentes sindicais, trabalhadoras (es) e autoridades políticas

A cerimônia de retomada do Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT realizada nesta quarta-feira (28), na sede da entidade sindical, contou com a participação de dirigentes sindicais, trabalhadoras (es) e autoridades políticas. A criação deste instrumento visa ampliar e fortalecer a participação das mulheres na luta da categoria energética. Com o nome Marielle Franco, o Coletivo homenageia a luta e a história da vereadora morta a tiros, no centro do Rio de Janeiro, no último dia 14.

A abertura do evento foi feita pelos presidentes Edmar Feliciano, do Sinergia CUT, e Carlos Alberto Alves, do Sinergia Campinas. “Esta retomada é fundamental neste momento difícil para a classe trabalhadora, em especial para as mulheres, diante da antirreforma trabalhista”, disse Feliciano. “As mulheres têm um papel fundamental na transformação da sociedade”, afirmou Alves, que entende que o Sindicato precisa ser um local que dê voz à luta das mulheres e “não ficar apenas na retórica”.
Os dois presidentes assinaram uma carta intitulada Da invisibilidade à ousadia: construir poder e organização das mulheres energéticas de São Paulo, que fala das lutas das mulheres energéticas paulistas e cita alguns nomes. O documento foi distribuído no início da cerimônia. Vários sindicalistas estiveram presentes, como o ex-presidente da CUT Artur Henrique da Silva Santos e o ex-diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) Vicente Andreu Guillo.

A coordenadora do Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT, Rosana Gazzolla Fávaro, explicou que este instrumento visa traçar estratégias e planejar o engajamento feminino nas ações desenvolvidas pelo Sindicato. “Vamos buscar aumentar nossa força para atuação com mais filiações. Buscaremos inserir cláusula de igualdade de oportunidades nos ACTs, realizaremos encontros e seminários para formação e informação das mulheres com assuntos como os direitos das mulheres, assédio, entre outros. Mais do que sempre, precisamos nos unir e agir”, afirmou. “A luta é nossa!”

Para Cibele Granito Santana, o Coletivo também foi retomado para estimular a participação feminina nas atividades políticas do Sinergia CUT. “Não basta estarmos representadas apenas em números ou cotas de gênero; as mulheres energéticas precisam estar incluídas nos processos de organização, mobilização e luta, para que possam interferir nas políticas sindicais e junto às empresas do setor.”

Segundo Deise Capelozza, primeira mulher a ser eleita para presidir um sindicato do setor de energia de São Paulo, o Sinergia Gasista, muitos Coletivos de Mulheres vêm sendo criados em diversas categorias. “Estamos retomando este projeto para trabalhar as políticas e prioridades que dizem respeito às mulheres.”

Autoridades presentes

Coordenadora do Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT, Rosana Gazzolla Fávaro (blusa branca) e secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana

 

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana, as mulheres são as que mais sofrem com os retrocessos nas políticas públicas e em áreas essenciais como saúde e educação. “Isso porque somos nós que vamos atrás de vaga em creche, de mais saúde e mais educação.”

Acrescentou que a PEC do teto (Proposta de Emenda Constitucional 55), por exemplo, vai afetar a vida de toda a população brasileira, ao estabelecer o congelamento dos gastos públicos nos próximos 20 anos, mas principalmente a vida das mulheres, já que irá aprofundar a desigualdade de gênero. Márcia aproveitou para lembrar que a CUT lançou a Jornada de Luta das Mulheres em Defesa da Democracia e dos Direitos e que tem a intenção de trazer para Campinas. “Que esta retomada do Coletivo aprofunde ainda mais o debate sobre o golpe e a retirada de direitos que tem afetado a vida das mulheres.”

A deputada estadual Márcia Lia (PT) lembrou que uma presidenta, uma mulher, foi tirada do governo porque não atendeu aos interesses do mercado. “Ela caiu, mas caiu de pé, como muitas de nós. Mas, enfrentamos as dificuldades.” Para ela, essa retomada do Coletivo veio em momento primordial diante da grave crise política, econômica e institucional.

O vereador Pedro Tourinho (PT/Campinas) lembrou que o movimento sindical é dominado por homens e que, por isso, a retomada do Coletivo é importante até “para atualizar as nossas práticas e para lutar contra esse golpe machista”. Veja as fotos na galeira do site.

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