Consequências nefastas da privatização são tema de debate na Reunião Colegiada do Sinergia CUT

Consequências nefastas da privatização são tema de debate na Reunião Colegiada do Sinergia CUT
18 setembro 16:25 2017 Elias Aredes Junior

Fazer uma retrospectiva do processo de desmonte de setor energético nos últimos 30 anos e sugerir estratégias de luta foram os motes principais do Debate “Privatização da CESP, Furnas e Eletronorte- Atualização de cenários e calendário de lutas”,  realizado na tarde de sábado durante a Reunião Colegiada na sede do Sindiquinze, em Campinas.

A palavra inicial ficou a cargo do diretor do Sinergia e da Ftiuesp, Wilson Marques de Almeida, que tratou de fazer uma reflexão sobre as medidas tomadas no setor, incluindo o governo Collor, que segundo ele, começou o desmente do setor e que pode ser arrematado agora com a entrega do Sistema Eletrobrás.

Em contrapartida, dentro desta necessidade de troca de ideias, o dirigente do Sinergia CUT lamentou acontecimentos “estranhos” e que impedem uma apuração ainda maior dos desmandos do setor.“Desde o fim do governo Fernando Henrique, passando  pelos governos Lula e Dilma todos os dados tarifários desapareceram. Não tinha nos arquivos do antigo DNAE ou da Aneel os dados que compunham a tarifa”, denunciou  Wilson Marques.

Ele chamou atenção ao fato de que nos últimos anos ocorreu uma tentativa de recomposição da finalidade da energia como propriedade social e com benefícios diretos a população. “Dilma criou alguns mecanismos dar o retorno de alguma forma de regulamentação do poder executivo no setor elétrico. No dia 07 de setembro de 2012, por exemplo ela reduziu a conta de luz”, relatou. “No governo Lula, tivemos construção de linhas de transmissão e hidrelétrica, com associação entre governo e iniciativa privada”, completou.

Todos os esforços, na visão de Wilson Marques, foram destruídos com o governo ilegítimo, determinado agora a privatizar e vendê-las a preço de banana. “O calendário deles está lento por causa da crise política mas a intenção é privatizar as distribuidoras até o dia 31 de dezembro deste ano e depois o sistema Eletrobras até 31 de dezembro de 2018, ou seja, ainda dentro deste governo”, completou.

Componente do Movimento dos Atingidos por Barragem, Luis Dalla Costa afirmou que não se pode perder de vista o cenário e a engrenagem do setor elétrico no Brasil. “Quem manda no setor elétrico é o capital financeiro”, disse Costa, sem medo de encaminhar uma proposta de resistência. “Temos que construir o direito do atingido pela barragem, mas tem que ser em uma sociedade alternativa ao capitalismo. Se não lutar por mudança na estrutura da sociedade, os capitalistas vão violar os meus direitos”, completou.

De acordo com ele, o foco é trabalhar a energia elétrica como fator de inclusão social e os movimentos sociais e centrais sindicais, segundo ele, já desempenham um papel importante.“Queremos dizer que é muito positivo o fato da CUT ter feito congresso e com pauta para não pensar somente a questão salarial, mas a questão do país é o projeto”, disse Dalla Costa.

Segundo ele, ninguém pode cair no erro de considerar o atual governo desprovido de estratégia e de apoio robusto para fazer aquilo que desagrada o povo brasileiro. “O Temer está sendo inteligente porque na base popular ele não tem apoio e então ele adota medidas extremas para agradar ao capital, que é o nosso inimigo de classe. Assim eles protegem até o final do governo dele”, afirmou o palestrante, que aposta em reviravolta em médio e longo prazo. “Quem possamos construir um governo que recupere a soberania para que em um ano ou daqui quatro anos a gente recupere o setor elétrico deste país. Riqueza extraordinária (energia elétrica) tem que ficar nas mãos do povo brasileiro. Não devemos nos conformar com a derrota”, arrematou.

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