Depois de exonerar representantes da CUT e outros movimentos sociais do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, governo faz primeira reunião de “clube de amigos”
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, faz nesta segunda, 21, sua primeira reunião sob o governo Temer.
Sem a presença de representantes da CUT, do MST e de outros movimentos sociais que se opuseram à derrubada da presidenta eleita, todos exonerados do Conselho. Também foram exonerados integrantes como o ator Wagner Moura, o capitão Nascimento, que igualmente se opôs ao processo de impeachment, definido por ele como “golpe”.
O Conselhão foi criado em 2003 pelo governo Lula, como instrumento para fomentar o debate de ideias e o encaminhamento de propostas ao executivo federal. Desde seu início, teve composição plural, com empresários, acadêmicos, artistas e militantes sociais. Inclusive, com a presença de pessoas que não haviam votado em Lula. A função de conselheiro não é remunerada, cabendo ao governo apenas as despesas de transporte.
Só amigos
A nova composição reúne, quase integralmente, defensores das propostas do governo Temer, como diminuição do papel do Estado e austeridade fiscal. Ou, então, defensores do papel preponderante das organizações não-governamentais na condução de políticas sociais.
Notas dissonantes – ou talvez nem tanto – são os nomes de dirigentes da Força Sindical, UGT e Nova Central no atual Conselhão. Também dissonante, mas em outra chave, é o nome da pesquisadora Tania Bacelar, conhecida por suas posições progressistas.
Já emblemática é a presença de Benjamin Steinbruch, que defendeu em entrevista à TV, em 2014, que os trabalhadores não precisam de uma hora de almoço e que poderiam manejar máquinas e comer sanduíches ao mesmo tempo. Benjamin, criador de cavalos de corrida e empresário, falava naquele momento como presidente em exercício da Fiesp. Chama a atenção igualmente a presença de lideranças do setor farmacêutico e de medicina privada.
Os integrantes da CUT e de outros movimentos foram exonerados e souberam da decisão pelo Diário Oficial. Para o presidente da Central, Vagner Freitas, que compunha o conselho a convite da presidenta Dilma, essa ação do governo Temer demonstra “que é um governo que não dialoga com a sociedade e monta um grupo de amigos para tentar ganhar uma aparência de legitimidade que na verdade não tem”.
Para o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, a atual composição do Conselho o tornará ineficaz, pois é justamente a diversidade de opiniões que pode encaminhar políticas novas.
Me ajudem com a reforma da Previdência?
Temer deixou claro, em fala na abertura da reunião desta segunda, que sua prioridade é implementar uma reforma da Previdência que retire direitos e aumente a dose de sacrifícios dos trabalhadores e trabalhadoras, e pediu ajuda aos conselheiros:
“Quero dizer também que esse ajuste fiscal só estará semicompleto com a Reforma da Previdência, cuja primeira proposta estamos finalizando e remeteremos ao Congresso Nacional antes do fim do ano. É uma reforma que gera muitas angústias, mas quero dizer que vamos conduzir o processo com muito diálogo”.
Pra que serve
No seu início, o Conselhão foi muito criticado pela imprensa e por parte do Congresso Nacional, que acusavam Lula de tentar, com sua criação, esvaziar as funções do Legislativo. Os fatos não confirmaram os temores.
Sem caráter deliberativo, o Conselhão pode apenas propor soluções. Inicialmente ligado ao Ministério do Planejamento e à Casa Civil, o CDES conseguiu alguns avanços concretos.
Entre eles, a criação de um Fórum Nacional da Previdência que, após meses de debate, com a participação de trabalhadores, empresários, representantes do governo e da academia, decidiu por não fazer uma reforma que retirasse direitos e que ainda subscreveu, por unanimidade, a vinculação do piso previdenciário ao salário mínimo.
Já Dilma, em seu primeiro mandato, esvaziou o conselho. Tentou reorganizá-lo em seu segundo mandato, mas o movimento pró-impeachment já caminhava sólido. (Isaías Dalle)
Confira a composição do novo Conselho:
Abílio Diniz, empresário Ana Maria Machado, escritora Ana Maria Malik, médica Andréia Pinto, ambientalista Anielle Guedes, empresária Anna Chiesa, professora de Saúde Pública Antonio Neto, sindicalista Ariovaldo Rocha, empresário da indústria naval Armando Castelar, professor da FGV Armando Valle, empresário e sindicalista do setor patronal de eletrodomésticos Benjamin Steinbruch, empresário e liderança da Fiesp Bernardinho, técnico de vôlei Chieko Aoki, empresária do setor hoteleiro Cláudia Sender, presidenta da Latam Claudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Dieese Dan Ioschpe, presidente do Sindpeças Deusmar Queiroz, empresário do setor de farmácias Dorothea Werneck, ex-ministra do governo Sarney e professora Edson Bueno, presidente da Amil Eduardo Eugênio, presidente da Firjan Eduardo Navarro, executivo da Telefonica Eliana Calmon, jurista Elizabeth de Carvalhaes, executiva do setor madeireiro Fábio Coelho, vice-presidente da Google Brasil Francisco Teixeira, historiador Gaudêncio Torquato, jornalista e consultor do PSDB George Teixeira, dirigente empresarial do setor de comércio Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul e diretor da Abimaq Gilberto Peralta, dirigente sindical patronal do setor de indústrias de base Gisela Batista, engenheira do setor de energia eólica Guilherme Afif Domingos, diretor do Sebrae e ex-ministro do governo Dilma Helena Nader, presidenta da SBPC Humberto Mota, dirigente da Associação Comercial do RJ Jackson Schneider, presidente da Embraer Jaime Lerner, arquiteto, ex-prefeito de Curitiba Janete Vaz, bioquímica e empresária do setor de medicamentos João Carlos Di Genio, empresário do setor de educação, fundador da rede Objetivo João Carlos Marchezan, empresário do setor de máquinas agrícolas Juruna, dirigente da Força Sindical João Martins, presidente da Confederação Nacional da AgriculturaJoel Malucelli, empresário Jorge Abrahão, dirigente do instituto Ethos Jorge Gerdau, empresário Jorge Paulo Lemann, empresário José Calixto, dirigente da Nova Central José Carlos Martins, presidente da Câmara da Indústria da Construção Civil José Júnior, do instituto AfroReggae José Márcio Camargo, professor de economia na PUC-RJ José Roberto Afonso, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Josue Gomes da Silva, empresário, filho do ex-vice-presidente José Alencar Laércio Cosentino, empresário do setor de tecnologia da informação Lia Hasenclever, economista Lino de Macedo, psicólogo Luiz Carlos Monteiro de Barros, consultor e ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações nos governos FHC Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco Luiz Moan, dirigente da Fiesp ligado ao setor automotivo Luiz Helena Trajano, presidenta do Magazine Luiza Luzia Laffite, psicóloga, especializada na primeira infância Marcos de Marchi, presidente da Elekeiroz e dirigente patronal do setor químico Marcos Molina, dirigente da Marfrig Marcos Vinícius Coêlho, ex-presidente da OAB, defensor do fracassado movimento Cansei e advogado de Michel Temer Marina Berenice Dias, advogada Marie Anne Van Slyus, professora da USP na área de genética Marina Cançado, psicóloga e coordenadora do projeto Travessia Marina Grossi, presidenta do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável Milton Gonçalves, ator Monica de Bolle, economista Murilo de Aragão, advogado Nizan Guanaes, publicitário Paula Bellizia, dirigente da Microsoft do Brasil Paulo Skaf, presidente da Fiesp Pedro Passos, dirigente da Natura Pedro Wongtschowski, presidente do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) Raí, ex-jogador de futebol Reginaldo Arcuri, presidente do grupo de medicamentos FarmaBrasil Renata Vilhena, presidenta da Associação Brasileira de Recursos Humanos Renato Alves Valle, empresário, concessionário de rodovias Ricardo Balesteri, presidente do Observatório do Uso Legítimo da Força ex-secretário nacional de Segurança do governo Lula Ricardo Morishita, professor Ricardo Patah, presidente da UGT Roberto Justus, publicitário Roberto Rodrigues, consultor político Robson Andrade, presidente da CNI Rose Bone, professora de engenharia industrial na Federal do Rio Ruth Monteiro, dirigente da Força Sindical Sérgio Gallindo, empresário do setor de telecomunicações Solange Ribeiro, presidenta do grupo Neoenergia Sônia Guimarães, professora de Física no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) Tânia Bacelar, professora da Federal de Pernambuco Teresa Amaral, historiadora Viviane Senna, fundadora do Instituto Ayrton Senna Zeina Latif, economista da XP Investimentos