Em 16 de dezembro passado, a geradora anunciou que haverá nova eleição para representante dos trabalhadores no Conselho de Administração
A partir de 1º de janeiro de 2016, a Brasiliana passou por uma reestruturação societária, onde foi criada uma nova empresa chamada AES Tietê Energia em substituição à AES Tietê. O grupo americano AES e a BNDES Participações S.A (BNDESPar), juntamente com acionistas minoritários, são os controladores dessa “nova” empresa.
Surpresa
Diante disso, as entidades sindicais foram convocadas pela geradora em 16 de dezembro passado para uma reunião. Na ocasião, foi anunciado que, em função do processo de reestruturação, será preciso fazer uma nova eleição para o Conselho de Administração (CA), cujo mandato estava previsto para 2014-2017.
Com isso, os eleitos democraticamente pelos trabalhadores em janeiro de 2014 perderam o mandato, antes mesmo de seu término legal. Segundo a nova empresa, os órgãos competentes e fiscalizadores não permitem a simples recondução dos atuais Conselheiros.
Além de nova eleição, foi informado também às entidades sindicais que o mandato dos Conselheiros representantes dos trabalhadores passaria dos atuais três para dois anos, atendendo a atual realidade de mercado.
Repúdio
O Sinergia CUT e as demais entidades sindicais repudiaram a interrupção do mandato do conselheiro. Mas, diante da impossibilidade da mudança desse cenário e, sendo necessário um novo processo eleitoral, os sindicatos indicaram, em 18 de dezembro passado, membros para participação na Comissão Eleitoral. É ela que irá coordenar todo o processo durante os meses de janeiro e fevereiro.
Na ocasião, o Sindicato ressaltou que esta vaga foi uma conquista dos trabalhadores nos mais de 120 dias de ocupação da Assembleia Legislativa na luta contra a privatização das empresas do setor elétrico paulista. Portanto, no entendimento do Sinergia CUT, a empresa não deveria intervir neste processo.
O Conselho de Administração é formado por dez membros efetivos e nove suplentes. Dos titulares, sete são indicados pelo acionista controlador, um pela BNDESPar, um indicado pelos trabalhadores e um membro independente.
Histórico
Vale lembrar que AES Tietê, que é fruto de uma cisão da Cesp, foi privatizada em 27 de outubro de 1999. De lá para cá, outras reestruturações acionárias já ocorreram, sem alteração societária.
Em 2003 eram 25 os controladores da AES Tietê, sendo que vários tinham suas sedes nas Ilhas Cayman. Naquele ano, houve uma reestruturação do controle acionário da empresa, que passou a ser controlada apenas pela AES Brasil e pelo BNDESPar.
Agora, nesta nova reestruturação, a AES Tietê deixou de existir e foi criada a AES Tietê Energia. A geradora também foi retirada da holding Brasiliana.
Nova empresa O objetivo de criação dessa nova empresa é ampliar o mercado do setor de energia, diversificando a produção de energia por meio do investimento em usinas termoelétricas e fotovoltaicas (energia solar).
Os trabalhadores Segundo os controladores, a reestruturação societária não irá trazer prejuízos aos trabalhadores, nem nos processos de trabalho nem nos acordos coletivos, que permanecem com a mesma vigência.
“O Sindicato espera que esta reorganização societária traga melhores condições de trabalho, mais e melhores empregos e expectativa de crescimento profissional dos trabalhadores. Estamos de olho!”, conclui a direção do Sinergia CUT.