O presidente da FTIUESP/STIEEC, Gentil de Freitas, reiterou que as instituições que dirige são contra qualquer tipo de repasse do patrimônio público à iniciativa privada referindo especificamente ao leilão da hidrelétrica de Três Irmãos, que ocorreu na manhã de hoje (28/03) na BM&FBovespa e teve como vencedor o Consórcio Novo Oriente. Na sua avaliação, apesar da entrada do capital privado, a participação de Furnas (que é estatal, subsidiária da Eletrobras, e faz parte do consórcio vencedor) demonstra que o governo federal quer ampliar o negócio do ramo de energia no País.
“O problema foi a Cesp (geradora de energia controlada pelo governo do Estado de São Paulo) não renovar a concessão e ganhar muito dinheiro em cima do consumidor”, disparou Freitas, que também é do Sinergia CUT. Ele explicou que o Consórcio Novo Oriente é um grupo formado pelo Fundo de Investimento em Participações (FIP) Constantinopla, com 50,1% de participação e que conta com cinco acionistas (três deles do setor de energia e dois do mercado financeiro, cujos nomes não foram revelados), e por Furnas, que detém os 49,9% restantes.
Postos mantidos “A boa notícia para o trabalhador de Três Irmãos é o comprometimento por parte da porta-voz de Furnas de que todos os postos de trabalho serão mantidos nessa fase de transição e que serão convocados trabalhadores mais experientes de Furnas para reforçar a operação”, explicou Freitas.
Isso porque, apesar de deter menos de 50% das ações, Furnas é quem irá operacionalizar Três Irmãos e o FIP fará a injeção de investimentos, sendo, assim, o primeiro consórcio a vencer a primeira hidrelétrica que vai operar sob a égide da nova lei 12.783, de janeiro de 2013, que regulamentou a renovação ou a extinção das concessões que vencem até 2017.
Cesp lucrou A concessão de Três Irmãos venceu em novembro de 2011 e o governo federal incluiu a usina na nova regra para renovação das concessões do setor elétrico. Com isso, a atual operadora, a Cesp não quis renovar a concessão dentro desses novos critérios, e tentou impedir a realização do leilão.
“O governo do Estado de São Paulo produz energia a R$ 30 o megawatts (MW) e vem vendendo a R$ 822; um lucro absurdo que vem sendo repartido entre os acionistas”, afirmou Freitas. “Quem paga essa conta é o consumidor.” Este ano a previsão de distribuição de dividendos da CESP é de R$ 1 bilhão, lembrou o sindicalista.
Negócio a ser ampliado O Consórcio Oriente, segundo o dirigente Freitas, anunciou que pretende participar dos leilões das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que não tiveram suas concessões renovadas e terão a operação mantida com a CESP até 2015. “A empresa tem lucrado muito por não ter aderido à nova regra que prevê a redução tarifária à população”, diz Freitas.
Foto: Roberto Claro
Apitaço O ato de protesto – apitaço – em frente à BM&FBovespa teve início às 9h de hoje, junto com o Sinergia CUT, STIEEC e a FTIUESP estiveram presentes no evento o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Levante Popular – Juventude, Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (SINDSEP), Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Federação Única dos Petroleiros (FUP), Confederação Nacional do Ramo Químico – CNQ, Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT/SP).
As entidades defenderam que a energia deve ser mantida sob controle do Estado, por ser um setor estratégico ao desenvolvimento do país. O Consórcio Oriente operará ao preço teto estabelecido pela Aneel de R$ 31,623 milhões/ano.
***** Mais informações sobre a Usina Três Irmãos poderão ser conferidas na próxima edição do jornal do Sinergia CUT.