Trabalhadores suspendem mobilização de um dia para aguardar nova rodada na sexta (19). Sem avanços, a saída é greve
Até o momento foram quatro rodadas e nenhuma garantia aos trabalhadores do grupo Rede Energia de que a reivindicação de Política de Emprego será antendida. Na quarta rodada, realizada na segunda (15), a empresa finalmente apresentou uma proposta, mas chegou a retirá-la da negociação diante do pedido do Sinergia CUT para incluir a Política de Emprego no ACT.
Na reunião, os negociadores propuseram reajuste salarial de 7,22% (INPC), sem aumento real. O mesmo reajuste seria aplicado no benefício para auxílio creche que passaria de R$ 275 para R$ 294,86.O Piso Salarial também teria o mesmo reajuste, passando de R$ 910 para R$ 996,18, assim como o Adicional de Km que sairia dos atuais R$ 120 para R$ 128,66. Já para VA/VR, o reajuste seria de 9,86%, passando de R$ 540 para R$ 608,48. O auxílio farmácia passaria de R$ 100 para R$ 107,22 e a Gratificação de Férias seria de R$ 2.262,34, o que significa também 7,22% de reajuste para os dois benefícios.
Apesar dos avanços da rodada, a empresa não aceita discutir o quadro mínimo de pessoal e o percentual de rotatividade com critérios para estabelecer uma Política de Emprego. O grupo propõe no máximo a discutir uma proposta de indenização em caso de demissão.
Confira imagens de assembleias
Estado de greve As negociações continuam em nova reunião marcada para a próxima sexta-feira (19), às 9h30, em Assis. Por isso, durante assembleias realizadas na última terça (16), os trabalhadores das quatro distribuidoras (Bragantina, Vale Paranapanema, Nacional e Caiuá), decidiram suspender a mobilização de um dia para aguardar os resultados da nova rodada. Acatando os encaminhamentos do Sindicato, também não deliberaram sobre a última proposta do Rede Energia e decidiram aprovar Estado de Greve até o próximo dia 22.
É nesse dia que acontecem novas assembleias e, se não houver avanços na Política de Emprego, os trabalhadores devem retomar o Plano de Lutas e entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 23. É a única saída para pressionar a direção do grupo, atualmente sob intervenção da Aneel, a cumprir o compromisso firmado com o Sinergia CUT, de abrir negociação para implantar uma Política de Emprego, entre outras pendências, desde o ano passado.
Não às demissões O objetivo é impedir demissões injustas ou em massa – como aconteceu na sede em São Paulo nos meses de janeiro a março deste ano, quando foram desligados mais de 150 trabalhadores – diante da instabilidade administrativa e do futuro incerto das distribuidoras, destaca a direção do Sindicato. “A situação vivida é insustentável há meses, atingindo a saúde psicológica dos trabalhadores. Antes, os problemas eram consequência da gestão temerária dos antigos controladores, o que acabou levando o grupo à decadência financeira. Agora, quem ignora as reivindicações da categoria é justamente o interventor nomeado, Sinval Gama, que deveria solucionar os problemas criados pela má gestão anterior”, denuncia a entidade.
Falência, intervenção e precarização Vale lembrar que, depois da intervenção, no final do ano passado a CPFL Energia, junto com a Equatorial, manifestou interesse na compra do grupo, que atua também em Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Para a direção do Sinergia CUT, diante do imobilismo do interventor, a situação ficou insustentável. “A sensação é de que essa gestão transitória está tirando o corpo fora desde o final do ano passado e deixando de cumprir compromissos assumidos para garantir aos trabalhadores direitos previstos em Acordo Coletivo, além de criar um clima de intranquilidade que ameaça a segurança no trabalho e a qualidade da energia que chega à população”.
Por emprego decente Para reverter esse clima temerário e forçar o Rede Energia a negociar de fato, a reação dos trabalhadores foi dar início a um Plano de Luta em todas as empresas paulistas, com assembleias, manifestações e protestos.
A pauta de reivindicações entregue ao grupo tem 72 itens, mas é o 6º tópico que se tornou uma questão de honra para os trabalhadores: “As empresas não promoverão dispensas sem justa causa que não decorrerem do descumprimento de obrigações contratuais ou que não se fundarem em motivo disciplinar, previamente comprovado para o Sindicato, reconhecendo os dispositivos de proteção à relação de emprego da Convenção 158 da OIT”. Essa é a cláusula de Política de Emprego, principal bandeira da CS 2013 nas empresas do grupo Rede Energia.