Durante a quarta reunião, empresa apresenta contraproposta. Sindicato rebate e reforça que quer ampliar direitos
A quarta rodada de negociação entre os representantes da CPFL Energia e dirigentes do Sinergia CUT aconteceu na tarde desta terça-feira (22), sem avanços concretos. Logo no início da reunião, a CPFL apresentou uma proposta que, na avaliação dos sindicalistas, reduziria direitos dos trabalhadores.
A proposta apresentada pela empresa foi a seguinte:
• Requalificação profissional: reduzir a Comissão de Representantes dos trabalhadores, que passariam dos atuais 11 para apenas três, com reuniões trimestrais em vez de mensais.
• Menor aprendiz: incluir no Acordo Coletivo as regras para menores aprendizes, que teriam um salário de R$ 622.
• Quadro Mínimo: a CPFL quer a extinção da cláusula do quadro próprio mínimo
• Contratação de ajudante de eletricista: segundo a empresa, o objetivo das contratações seria o de auxiliar os técnicos na recuperação de energia. O salário dos ajudantes seria de R$ 900.
• Organização Sindical: a CPFL propôs a liberação de um dirigente para cada mil trabalhadores, e mais um por fração de 500.
A contraproposta apresentada pelo Sinergia CUT foi:
• Requalificação Profissional: aumentar de 1% para 2% da folha a verba destinada à requalificação, com avaliação através de uma comissão formada por dois representantes da CUT, um da Força Sindical, um do Sindicato dos Engenheiros e um do CRE.
• Menor Aprendiz: para o Sindicato, o trabalhador enquadrado como aprendiz não pode exercer nenhuma atividade profissional, mas somente estagio, devendo ter preferência no processo de contratação ao final do mesmo.
• Extinção do quadro mínimo: o Sinergia CUT bateu forte na política de desemprego da empresa e não concorda com a extinção dessa cláusula. O Sindicato também reforçou que a contraproposta dos trabalhadores aumenta o Quadro Mínimo e acaba com a rotatividade.
• Praticante de eletricista: a contraproposta é que a contratação não seja de ajudante, mas de praticante, com aumento do piso proposto pela empresa e com funções previamente acordadas e discriminadas no Acordo Coletivo. Mais: vencido o prazo de vigência de um ano, o trabalhador deve ser enquadrado como eletricista.
Outras reivindicações do Sindicato
Além disso, o Sinergia CUT ressaltou outros itens importantes para os trabalhadores nessa “primeira etapa” da negociação:
• Solicitou que a empresa dê retorno às reivindicações sobre a alternância de função, hora extra, uniformes, direito de recusa, contratação de trabalhadores, ferramentas, intrajornada e EPIs.
• Quanto a mérito e promoção, a proposta é aumentar a verba para 2% da folha e estabelecer a obrigatoriedade do feedback aos trabalhadores.
• Foi solicitado à empresa a imediata atualização da Tabela do PCS, o que não ocorre desde 2007.
• Retomada imediata do Programa de Incentivo à Aposentadoria.
• Redução na participação dos trabalhadores na Fundação CESP (AMH), de 30% para 25%, como acontecia no passado, já que os trabalhadores passaram a bancar os 30% com o objetivo de criar um fundo de subsidio ao PES (FURPES). Como a CPFL não cumpriu o acordo com o Sindicato, não é justo que os trabalhadores continuem a pagar os 30% e a empresa mantenha apenas os 70%.
• Reduzir a participação dos trabalhadores para R$ 0,01 no VA/VR.
• Primarização de algumas atividades, entre elas STC e leitura.
• A empresa deverá apresentar ao Sindicato o Projeto Tauron e o projeto de implementação de novas tecnologias.
Nova rodada de negociação acontece na próxima quinta-feira (24), às 9h. Até lá, o Sinergia CUT realiza assembleias informativas nos locais de trabalho. Fique ligado!