{"id":7858,"date":"2010-12-09T16:10:34","date_gmt":"2010-12-09T16:10:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/93-dos-analfabetos-ganham-menos-de-2-salarios-minimos-mostra-ipea\/"},"modified":"2010-12-09T16:10:34","modified_gmt":"2010-12-09T16:10:34","slug":"93-dos-analfabetos-ganham-menos-de-2-salarios-minimos-mostra-ipea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7858","title":{"rendered":"93% dos analfabetos ganham menos de 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos, mostra Ipea"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>Estudo divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) mostra que 93% dos analfabetos ganham menos de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. A renda \u00e9 um dos principais fatores que definem a taxa de analfabetismo no Brasil, segundo o estudo, que analisa a evolu\u00e7\u00e3o do analfabetismo e do analfabetismo funcional no pa\u00eds no per\u00edodo de 2004 a 2009. O estudo considera a popula\u00e7\u00e3o de 15 anos ou mais.<\/P><br \/>\n<P>\u201cO analfabetismo das pessoas que ganham at\u00e9 um quarto de sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 20 vezes maior do que entre aqueles que ganham acima de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos\u201d, disse o t\u00e9cnico em planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas Sociais (Disoc) do Ipea, Paulo Corbucci.<BR>H\u00e1 grande diferen\u00e7a tamb\u00e9m entre aqueles que vivem em regi\u00f5es rurais e em cidades. Segundo o estudo, entre residentes de \u00e1reas rurais, a taxa aproximava-se de 23%, em 2009, enquanto a de moradores das cidades estava pouco acima de 7%.<\/P><br \/>\n<P>\u201cEm geral, primeiro, (a popula\u00e7\u00e3o rural) n\u00e3o tem acesso \u00e0 escola. Isso \u00e9 um legado hist\u00f3rico nosso. Voc\u00ea tem a implanta\u00e7\u00e3o (de escolas) em \u00e1reas rurais mais recente, de umas d\u00e9cadas para c\u00e1. Quando a gente pensa no Brasil at\u00e9 1950, voc\u00ea praticamente n\u00e3o tinha isso. <\/P><br \/>\n<P>Obviamente, as pessoas que est\u00e3o l\u00e1 s\u00e3o pessoas que n\u00e3o tiveram acesso e que pelo tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 demandado n\u00edvel de escolaridade. Isso vem sendo intensificado pelo fato de que, com o aumento da idade e com a falta de acesso, amplia a quantidade de analfabetos na \u00e1rea rural\u201d, disse Corbucci.<\/P><br \/>\n<P>Segundo o pesquisador, cerca de 1.500 munic\u00edpios do total de 5.565 do pa\u00eds n\u00e3o t\u00eam oferta de alfabetiza\u00e7\u00e3o para adultos. Esses locais est\u00e3o, principalmente, no Norte e Nordeste e em regi\u00f5es rurais.<\/P><br \/>\n<P>S\u00e3o estados dessas regi\u00f5es que t\u00eam as maiores taxas de analfabetismo mesmo apresentando queda das taxas de 2004 a 2009. O estado com maior taxa de analfabetismo do Nordeste \u00e9 Alagoas, com 20,8%, e o estado do Norte com maior taxa \u00e9 o Acre, com 12,7%. Enquanto isso, h\u00e1 estados como o Amap\u00e1, destaque na regi\u00e3o Norte, com taxa de 1,5%, e o Distrito Federal, com 2,5%.<\/P><br \/>\n<P>\u201cAs desigualdades est\u00e3o encobertas pelas taxas m\u00e9dias, seja de regi\u00e3o, da popula\u00e7\u00e3o total e, principalmente do Brasil. A taxa no Brasil j\u00e1 \u00e9 elevada, 9,7% \u00e9 muito maior que taxas de Argentina, Chile, Uruguai, apesar de serem bem menores e terem hist\u00f3ria de coloniza\u00e7\u00e3o diferente\u201d, afirmou.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Plano<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Para Corbucci, o pa\u00eds precisa de um plano nacional de alfabetiza\u00e7\u00e3o, que deveria estabelecer parceria das tr\u00eas esferas de governo, federal, estadual e municipal, e da sociedade civil.<\/P><br \/>\n<P>Primeiro, \u00e9 preciso fazer um cadastro dos analfabetos, com nome, local de resid\u00eancia e condi\u00e7\u00e3o de vida. Depois disso, \u00e9 necess\u00e1rio analisar por que eles se mant\u00eam analfabetos. \u201cPode ser oferta, renda, inefic\u00e1cia do curso. A gente precisa radiografar o problema. Para depois atacar o problema\u201d, afirmou Corbucci.<\/P><br \/>\n<P>As altas taxas de analfabetismo t\u00eam grandes implica\u00e7\u00f5es \u00e0s pessoas e ao pa\u00eds, de acordo com o pesquisador. \u201cTemos muita gente adulta, trabalhando e analfabeta. Isso compromete a produtividade, a qualidade do processo pol\u00edtico no pa\u00eds e obviamente tem implica\u00e7\u00f5es negativas para cada um no pa\u00eds\u201d, afirmou.<\/P><br \/>\n<P>Segundo o estudo do Ipea, a condi\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 intermedi\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. A taxa de 9,7% est\u00e1 muito abaixo de algumas das piores do mundo, como Paquist\u00e3o e Mo\u00e7ambique (46%) e Nig\u00e9ria (40%), mas acima de pa\u00edses como M\u00e9xico (7,1%), China (6,3%) e Argentina (2,3%).<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Analfabetismo funcional<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Segundo o estudo, o analfabeto convencional \u00e9 aquele que n\u00e3o consegue ler e escrever um bilhete. J\u00e1 o analfabeto funcional tem dom\u00ednio &#8216;rudimentar&#8217; da l\u00edngua. Ele l\u00ea e escreve, mas n\u00e3o entende e n\u00e3o consegue contextualizar o texto.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;O analfabetismo funcional n\u00e3o \u00e9 necessariamente um mal. \u00c9 um passo intermedi\u00e1rio para a garantia da escolaridade a todos. O grande problema do Brasil, de fato, \u00e9 a desigualdade&#8217;, disse Milko Matijascic, chefe da assessoria t\u00e9cnica da presid\u00eancia do Ipea.<EM> (Fernanda Nogueira)<\/EM><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) mostra que 93% dos analfabetos ganham menos de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. A renda \u00e9 um dos principais fatores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7858"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7858"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7858\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}