{"id":7441,"date":"2010-05-18T16:40:29","date_gmt":"2010-05-18T16:40:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/luta-pela-reducao-da-jornada\/"},"modified":"2010-05-18T16:40:29","modified_gmt":"2010-05-18T16:40:29","slug":"luta-pela-reducao-da-jornada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7441","title":{"rendered":"Luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><o:p><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><STRONG>ABC abre Dia Nacional de Mobiliza\u00e7\u00f5es e Paralisa\u00e7\u00f5es com demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade classista<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>No p\u00e1tio da Mercedes-Benz, a partir das cinco da manh\u00e3, a primeira das atividades do Dia Nacional de Mobiliza\u00e7\u00f5es e Paralisa\u00e7\u00f5es da CUT, em defesa da redu\u00e7\u00e3o da jornada semanal de trabalho, foi realizada e acompanhada com aten\u00e7\u00e3o por aproximadamente 6 mil trabalhadores que j\u00e1 conquistaram, no m\u00ednimo h\u00e1 mais de 10 anos, a desejada jornada semanal de 40 horas. Individualmente, talvez nem precisassem se preocupar com o assunto.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>Traduzida como solidariedade, essa participa\u00e7\u00e3o foi um dos destaques da assembl\u00e9ia realizada em S\u00e3o Bernardo na manh\u00e3 desta ter\u00e7a. Desde que a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 sacramentou a redu\u00e7\u00e3o da jornada de 48 para 44 horas, diversos acordos foram fechados por categorias bem organizadas, o que resultou em casos como o de 70% dos metal\u00fargicos e metal\u00fargicas da base do ABC paulista, que trabalham menos que o previsto pela legisla\u00e7\u00e3o. No entanto, essa n\u00e3o \u00e9 a realidade da maioria da classe trabalhadora brasileira. Setores como com\u00e9rcio, servi\u00e7os e constru\u00e7\u00e3o civil, para citar alguns, continuam cumprindo jornadas mais extensas.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal>&nbsp;Artur Henrique, presidente da CUT&#8217;Por isso \u00e9 t\u00e3o importante essa solidariedade de classe, essa demonstra\u00e7\u00e3o de unidade em torno de uma bandeira comum. Mobiliza\u00e7\u00f5es como a de hoje for\u00e7am, empurram outras empresas e setores e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores&#8217;, elogiou o presidente da CUT, Artur Henrique, sobre o caminh\u00e3o de som. &#8216;Esse tipo de ousadia, de ir contra a opini\u00e3o de amplos setores do empresariado, \u00e9 que nos faz avan\u00e7ar&#8217;, completou.<BR>Presidente da CUT-SP e trabalhador da Mercedes, Adi dos Santos Lima lembra que os mensalistas daquela f\u00e1brica conquistaram as 40 horas em 1990 e os horistas, em 1999. &#8216;Nosso lema aqui \u00e9 40 horas semanais, horas extras nunca mais&#8217;, diz. Ele explica que os 12 mil trabalhadores e trabalhadoras da Mercedes em S\u00e3o Bernardo, por terem experimentado os benef\u00edcios da redu\u00e7\u00e3o da jornada, compreendem como essa conquista ser\u00e1 importante quando estendida a todos, depois de aprovada a proposta de emenda constitucional que trata do tema: &#8216;Por isso esse engajamento&#8217;.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>Outra raz\u00e3o \u00e9 a consci\u00eancia de que jornadas desiguais para cada regi\u00e3o do Pa\u00eds emperram acordos coletivos nacionais e facilitam a vida de empres\u00e1rios que querem explorar a m\u00e3o-de-obra e apostar na estrat\u00e9gia da guerra fiscal, completou S\u00e9rgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC. &#8216;A maior concorrente da Mercedes no Brasil \u00e9 a Volkswagen Caminh\u00f5es, em Resende, no Rio. L\u00e1 os trabalhadores recebem um ter\u00e7o do sal\u00e1rio daqui e a jornada \u00e9 de 44 horas. Isso aprofunda os desequil\u00edbrios regionais e pode ser usado pelos patr\u00f5es como um fator de intimida\u00e7\u00e3o contra aqueles que conseguem condi\u00e7\u00f5es mais justas e dignas de vida e de trabalho&#8217;, afirmou.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>&nbsp;Em Diadema, onde a partir das 7 horas houve outra mobiliza\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o da jornada, incluindo paralisa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas horas, os trabalhadores da ind\u00fastria de autope\u00e7as ainda trabalham 44 ou, na melhor das hip\u00f3teses, 42 horas.&nbsp; Trabalhador da Dana h\u00e1 10 anos, Jos\u00e9 In\u00e1cio Ara\u00fajo, o Caramujo, conta que a empresa s\u00f3 diz aceitar a redu\u00e7\u00e3o da jornada de segunda a sexta se os trabalhadores toparem trabalhar aos s\u00e1bados, a despeito dos protestos e greves que a base j\u00e1 realizou. &#8216;Assim os trabalhadores n\u00e3o querem. Por isso \u00e9 importante que a mudan\u00e7a seja sacramentada na lei&#8217;, disse Caramujo, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor do Sindicato.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>Se n\u00e3o bastasse a diferen\u00e7a de tratamento a trabalhadores do mesmo setor e da mesma regi\u00e3o, o descompasso entre a jornada nas montadoras e nas f\u00e1bricas de autope\u00e7as tem outro componente negativo. \u00c9 mais dif\u00edcil otimizar a cadeia produtiva, combinando os turnos de trabalho entre as diversas f\u00e1bricas, o que reduz a competitividade. Esta palavra \u00e9 muito cara aos empres\u00e1rios, por\u00e9m s\u00f3 \u00e9 lembrada por eles na tentativa de desqualificar a luta dos trabalhadores e trabalhadoras.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>Mais que incoer\u00eancia, o discurso empresarial \u00e9 falso. Artur Henrique lembra que nos \u00faltimos 20 anos a produtividade da ind\u00fastria acumulou ganhos superiores a 100%, enquanto a redu\u00e7\u00e3o da jornada traria um aumento de custo inferior a 2% para as empresas, algo que seria assimilado com facilidade. &#8216;H\u00e1 mais de 20 anos, eles faziam as mesmas amea\u00e7as. A redu\u00e7\u00e3o de 48 pra 44 ia trazer desemprego, perda de competitividade e outras trag\u00e9dias. A redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o produziu nada disso. Agora, eles v\u00eam dizer que a jornada menor est\u00e1 na contram\u00e3o das tend\u00eancias internacionais, porque tem pa\u00eds \u00e0s voltas com desemprego, aumento da jornada. Pois eu quero dizer que estamos indo mesmo na contram\u00e3o&#8217;, provocou. &#8216;Na contram\u00e3o ao conquistarmos uma valoriza\u00e7\u00e3o consistente para o sal\u00e1rio m\u00ednimo, nos aumentos reais de sal\u00e1rio, na defesa das pol\u00edticas sociais, tudo contra a opini\u00e3o dos conservadores. Por isso o Brasil vem dando um exemplo ao mundo de como superar a crise internacional com gera\u00e7\u00e3o de empregos e aumento no consumo, puxado pela renda&#8217;.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR><STRONG>Boas not\u00edcias<\/STRONG> <BR>&nbsp;O presidente do Sindicato dos Qu\u00edmicos do ABC, Paulo Lage, ao falar na assembl\u00e9ia em Diadema, em frente \u00e0 f\u00e1brica da TRW, anunciou que na pr\u00f3xima segunda-feira os trabalhadores da Basf de S\u00e3o Bernardo v\u00e3o votar acordo que prev\u00ea uma jornada de 36 horas.&nbsp; &#8216;Isso \u00e9 mais uma mostra de que nossa luta vale a pena. Mas apesar de algumas categorias conseguirem acordos como esse, temos de garantir a mudan\u00e7a constitucional. S\u00f3 assim deixaremos de estar \u00e0 merc\u00ea dos patr\u00f5es e da conjuntura econ\u00f4mica&#8217;, afirmou.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>S\u00e9rgio Nobre tamb\u00e9m tinha uma boa not\u00edcia. Segundo ele, a gr\u00e1fica que roda a &#8216;Tribuna Metal\u00fargica&#8217;, jornal do sindicato, ainda adotava a jornada de 44 horas, cumprindo conven\u00e7\u00e3o coletiva do sindicato dos gr\u00e1ficos. &#8216;Os trabalhadores vieram me cobrar. Pois bem, amanh\u00e3 estamos assinando acordo da redu\u00e7\u00e3o da jornada e vamos contratar mais dois trabalhadores, que v\u00e3o se juntar aos 11 que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1&#8217;, anunciou. No sindicato, os trabalhadores j\u00e1 fazem 40 horas.<BR>O banc\u00e1rio Vagner Freitas, secret\u00e1rio de Finan\u00e7as da CUT Nacional, esteve presente. &#8216;Ainda h\u00e1 trabalhadores em busca de uma organiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o consistente quanto a dos metal\u00fargicos do ABC. O patronato brasileiro, que s\u00f3 quer explorar nossa classe, se aproveita disso. E esse Congresso Nacional conservador, que reflete o empresariado, emperra os avan\u00e7os. Por isso essa mobiliza\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 t\u00e3o significativa&#8217;, disse.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>&#8216;Se dependermos s\u00f3 da maioria dos deputados, a redu\u00e7\u00e3o da jornada n\u00e3o passaria. Por isso temos levado essa bandeira para as ruas, para for\u00e7ar e pressionar a mesa diretora do Congresso a encaminhar o projeto para vota\u00e7\u00e3o&#8217;, afirmou Carlos Grana, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Metal\u00fargicos.&nbsp; Tal press\u00e3o deve ser exercida tamb\u00e9m na pr\u00f3xima quinta-feira, 20, quando o presidente da C\u00e2mara, Michel Temer (PMDB-SP), far\u00e1 uma visita ao Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>O deputado federal Vicentinho (PT-SP), afirmou \u00e0 assembleia diante da TRW que far\u00e1 discurso em plen\u00e1rio ainda hoje, em Bras\u00edlia, para mais uma vez cobrar a aprova\u00e7\u00e3o da PEC 231\/95, do qual \u00e9 relator. A PEC, al\u00e9m de reduzir a jornada, aumenta para 75% a remunera\u00e7\u00e3o da horas extras, como forma de limit\u00e1-las. &#8216;A gente se esgoela, a gente se esfor\u00e7a&#8217;, relatou Vicentinho, &#8216;mas \u00e0s vezes naquele Congresso parece que eles acham que a gente n\u00e3o representa ningu\u00e9m. Os danados dos empres\u00e1rios e seus representantes s\u00f3 querem ganhar, ganhar, e se recusam a investir no que h\u00e1 de melhor em qualquer empresa: os trabalhadores e trabalhadoras&#8217;, disse. &#8216;Tem deputado que t\u00e1 em cima do muro. Fiquem de olho&#8217;.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>Artur Henrique tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia de caprichar no voto este ano: &#8216;Se tiv\u00e9ssemos mais parlamentares comprometidas com a classe trabalhadora, n\u00e3o ter\u00edamos tantas dificuldades para aprovar projetos de mudan\u00e7a&#8217;.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal>&nbsp;Em defesa da redu\u00e7\u00e3oEles aprovam &#8211; Tatiane Aparecida de Oliveira, 27 anos, trabalha no setor de pintura de chassis de \u00f4nibus da Mercedes e disse o melhor das 40 horas \u00e9 poder curtir seu filho de dois anos de idade. &#8216;Se fosse com 44 horas e mais extras, eu sairia daqui \u00e0 noite&#8217;, contou Tatiane, que trabalha das 6h \u00e0s 15h.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal><BR>Valdemir Sena, 48 anos, trabalha h\u00e1 cinco na usinagem da mesma empresa, e diz que sua vida mudou muito desde que saiu da emprego anterior. &#8216;Era pauleira. Tinha as 44 horas e mais duas extras todo o dia, e no s\u00e1bado era das 7 da manh\u00e3 \u00e0s quatro da tarde. Hoje eu tenho um novo horizonte, consigo planejar&nbsp; e ter uma perspectiva de futuro. Levo meus tr\u00eas filhos para a escola, acompanho os estudos deles&#8217;, contou. &#8216;Minha filha mais velha est\u00e1 fazendo Senai, e eu descobri essa possibilidade&nbsp; pra ela depois que entrei aqui&#8217;.<\/P><br \/>\n<P style='MARGIN: 0cm 0cm 10pt' class=MsoNormal align=right><EM>(Isa\u00edas Dalle)&nbsp;&nbsp;&nbsp; <BR><\/P><\/EM><\/o:p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ABC abre Dia Nacional de Mobiliza\u00e7\u00f5es e Paralisa\u00e7\u00f5es com demonstra\u00e7\u00e3o de solidariedade classista No p\u00e1tio da Mercedes-Benz, a partir das cinco da manh\u00e3, a primeira das atividades do Dia Nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7441"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7441"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7441\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}