{"id":7347,"date":"2010-03-19T15:32:57","date_gmt":"2010-03-19T15:32:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/com-a-presenca-de-mulheres-de-todo-o-pais-mmm-encerra-jornada-de-10-dias\/"},"modified":"2010-03-19T15:32:57","modified_gmt":"2010-03-19T15:32:57","slug":"com-a-presenca-de-mulheres-de-todo-o-pais-mmm-encerra-jornada-de-10-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7347","title":{"rendered":"Com a presen\u00e7a de mulheres de todo o Pa\u00eds, MMM encerra jornada de 10 dias"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>\u201dBoa tarde, Osasco. Estamos aqui para dizer que se a m\u00eddia n\u00e3o mostra porque estamos em marcha desde o dia 8, viemos falar para voc\u00eas que o feminismo \u00e9 a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres\u201d. <\/P><br \/>\n<P>Foi assim que as cerca de tr\u00eas mil manifestantes anunciaram a chegada ao centro do munic\u00edpio da grande S\u00e3o Paulo, no in\u00edcio da tarde desta quinta-feira (18). A cidade foi a \u00faltima pela qual passou a 3\u00aa A\u00e7\u00e3o Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), antes de terminar na pra\u00e7a Charles Miller, diante do est\u00e1dio do Pacaembu, com um grande ato pol\u00edtico. <\/P><br \/>\n<P>Por dez dias, companheiras de diversas etnias e de todos os estados do Pa\u00eds percorreram mais de 100 km no Estado paulista passando por Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundia\u00ed, V\u00e1rzea Paulista, Cajamar, Jordan\u00e9sia e Perus. <\/P><br \/>\n<P>Com o tema \u201cSeguiremos em marcha at\u00e9 que sejamos todas livres\u201d, a mobiliza\u00e7\u00e3o constru\u00edda por entidades como a CUT, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), celebrou os 10 anos da Marcha e debateu os eixos que comp\u00f5em a a\u00e7\u00e3o: autonomia econ\u00f4mica das mulheres, o acesso a bens comuns e servi\u00e7os p\u00fablicos, a paz e a desmilitariza\u00e7\u00e3o e o fim da viol\u00eancia contra as mulheres. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Por que n\u00e3o vai pilotar fog\u00e3o?<BR><\/STRONG>Um sol forte recebeu a imensa onda lil\u00e1s organizada em duas gigantescas filas indianas. Pelas vias principais de Osasco, elas entregavam panfletos explicando a origem e a motiva\u00e7\u00e3o da passeata e tratavam de cada bandeira de luta. \u201cO machismo \u00e9 a causa da viol\u00eancia contra n\u00f3s. Queremos pol\u00edticas p\u00fablicas para coibir essa pr\u00e1tica e o fim da impunidade\u201d, afirmou S\u00f4nia Coelho, militante da MMM, que em sua interven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m defendeu a legaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do aborto \u201ccomo \u00faltimo recurso daquela mulher que n\u00e3o pode ou n\u00e3o deseja ter um filho em determinado momento da vida.\u201d <\/P><br \/>\n<P>Munidas de bandeiras, cartazes, cabos de vassoura transformados em baquetas e latas e tambores fazendo as vezes de instrumentos musicais, elas encerraram a primeira parte do trajeto na esta\u00e7\u00e3o Comandante Sampaio, rumo \u00e0 Barra Funda, de onde partiriam para o Pacaembu. <\/P><br \/>\n<P>Uma composi\u00e7\u00e3o exclusivamente destinada \u00e0s marchantes aguardava enquanto passavam pelas catracas. Antes de prosseguir a viagem, a maquinista Andr\u00e9ia Melo contou o preconceito que enfrenta quase que diariamente no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. \u201cJ\u00e1 ouvi diversas vezes passageiros dizendo \u201cpor que n\u00e3o vai pilotar fog\u00e3o?\u201d, ainda mais quando h\u00e1 atraso, isso quando n\u00e3o falam \u201ctinha que ser mulher\u201d ao ver que sou eu a maquinista\u201d, explica ela, respons\u00e1vel por transportar uma m\u00e9dia de 10 mil pessoas diariamente. <\/P><br \/>\n<P>Por volta das 16h30, as manifestantes, separadas por estados nos vag\u00f5es, partiram rumo \u00e0 \u00faltima parada.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Sem comida n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Pouco antes das 17h, de m\u00e3os dadas elas subiram as escadas da esta\u00e7\u00e3o Barra Funda. Nesse trecho, companheiras que n\u00e3o puderam fazer parte da caminhada se uniram \u00e0 batalha e outras ganharam visibilidade. <\/P><br \/>\n<P>A chegada \u00e0 pra\u00e7a Charles Miller foi emocionante. Muitas se abra\u00e7avam e a sempre citada comiss\u00e3o de cozinha pode cantar o grito de guerra: \u201ccomida \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, sem comida n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o\u201d. <\/P><br \/>\n<P>Direto do Rio Grande do Norte, a assistente social Cl\u00e1udia Lopes coordenou uma equipe de volunt\u00e1rias composta por 80 mulheres fixas e outras 20 que se revezavam na prepara\u00e7\u00e3o dos alimentos. A cada caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o e jantar, a correria era imensa para preparar duas mil refei\u00e7\u00f5es. \u201cVolto para casa com a sensa\u00e7\u00e3o de tarefa cumprida\u201d, comentou. <\/P><br \/>\n<P>Os n\u00fameros da manifesta\u00e7\u00e3o deixam clara a grandiosidade da passeata: al\u00e9m das 100 mulheres que cozinharam, outras 200 cuidaram da limpeza, inclusive nos alojamentos, e mais 60 eram respons\u00e1veis por oferecer todo o suporte necess\u00e1rio. Foram consumidas cinco toneladas e meia de legumes, seis toneladas de carne, duas toneladas de arroz, uma tonelada de feij\u00e3o e 200 quilos de farinha de mandioca. Na estrada, foram 50 mil copos de \u00e1gua e no alojamento, 200 mil litros. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>A luta agora \u00e9 na base<BR><\/STRONG>Nos discursos em cima do carro de som, as lideran\u00e7as apontavam que a pr\u00f3xima miss\u00e3o ser\u00e1 difundir tudo que aprenderam nos locais onde viviam. <\/P><br \/>\n<P>\u201cO ideal de que seguiremos em marcha at\u00e9 todas sejamos livres deve virar realidade em nossas vidas e reverberar nos espa\u00e7os onde vivemos\u201d, lembrou Bernadete Monteiro, da executiva nacional da Marcha Mundial de Mulheres. <\/P><br \/>\n<P>\u201cNossos temas n\u00e3o s\u00e3o das mulheres apenas, mas de todos que querem construir uma sociedade livre e com justi\u00e7a social\u201d, disse Etelvina Maccioli, representando o MST e a Via Campesina. <\/P><br \/>\n<P>Em nome das ind\u00edgenas das tribos Macuxi, Cariri, Patax\u00f3 H\u00e3h\u00e3h\u00e3e, Tupinamb\u00e1 e Bar\u00e9, presentes na marcha, Iranilde &#8221;Olga&#8221; Barbosa, destacou a import\u00e2ncia da jornada no embate di\u00e1rio. \u201cS\u00e3o nas nossas bases, onde somos violentas e onde a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena v\u00ea seus direitos serem desrespeitados, que o combate recome\u00e7a. Em 2005, quando participei da 2\u00aa a\u00e7\u00e3o internacional, conseguimos fortalecer a luta e espero que o mesmo aconte\u00e7a agora.\u201d <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Enquanto n\u00e3o houver igualdade, a marcha continua<BR><\/STRONG>Secret\u00e1ria de Meio Ambiente da CUT e tamb\u00e9m representante da Contag, Carmen Foro, ressaltou que o movimento feminista sai fortalecido. \u201cDeixamos nossas casas e nossos afazeres porque acreditamos que podemos mudar o mundo. Vamos seguir em marcha at\u00e9 que tenhamos o fim da viol\u00eancia, a reforma agr\u00e1ria para fortalecer a agricultura familiar, a divis\u00e3o sexual do trabalho, sal\u00e1rio justo e para que todas tenham direito a decidir sobre o pr\u00f3prio corpo. Cada uma de n\u00f3s voltar\u00e1 para o lugar onde vive e construir\u00e1 um feminismo mais forte.\u201d<BR>&nbsp;<BR>A Secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, afirmou que a mudan\u00e7a exige unidade. \u201cNesses 10 dias mostramos que somos capazes n\u00e3o apenas de organizar as mulheres, mas tamb\u00e9m a classe trabalhadora e promover a transforma\u00e7\u00e3o do mundo para um modelo feminista e socialista. Por\u00e9m, sozinhas n\u00e3o vamos chegar a lutar algum e por isso a CUT comp\u00f5e desde o in\u00edcio a Marcha Mundial de Mulheres. Acreditamos em um outro modelo de desenvolvimento mais justo, solid\u00e1rio e igualit\u00e1rio.\u201d <\/P><br \/>\n<P>A seguir, a Secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, S\u00f4nia Auxiliadora, lembrou da rela\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais com o poder p\u00fablico paulista. \u201cFoi muito importante a luta ter passado pelas cidades de um Estado marcado pelo neoliberalismo, pelo capitalismo e pela falta de di\u00e1logo. Vivemos numa sociedade muito diversificada e ao mesmo tempo, extremamente desigual. Por isso, a CUT tem lutado para que o lugar da mulher n\u00e3o seja atr\u00e1s de um fog\u00e3o, mas sim na pol\u00edtica e no movimento sindical.\u201d<\/P><br \/>\n<P>Coordenadora nacional da MMM, Nalu Farias, mostrou a satisfa\u00e7\u00e3o com a comemora\u00e7\u00e3o no ano do centen\u00e1rio da declara\u00e7\u00e3o do Dia Internacional da Mulher. \u201cEstamos muito orgulhosas porque celebramos de forma digna os 100 anos do 8 de mar\u00e7o e resgatamos o passado de nossas antepassadas socialistas. Nos 10 anos da marcha, quisemos construir um campo de movimento das mulheres onde coubessem todas e consolidamos esse desejo, al\u00e9m de exercer uma vis\u00e3o cr\u00edtica ao modelo opressor do racismo, do patriarcado, do machismo, da homofobia, da lesbofobia e do desrespeito ao meio ambiente\u201d, afirmou.<\/P><br \/>\n<P>Por fim, da mesma forma que Rosane, ela tamb\u00e9m enalteceu a necessidade de aproximar todos os defensores da liberdade no mundo. \u201cNeste 18 de mar\u00e7o, mais 50 pa\u00edses est\u00e3o encerrando esse movimento internacional e uma de nossas bandeiras \u00e9 a defesa da soberania dos povos. A verdadeira integra\u00e7\u00e3o regional entre Caribe e a Am\u00e9rica Latina s\u00f3 acontecer\u00e1 quando houver a soberania da mulher. Enquanto existir uma \u00fanica oprimida, violentada ou explorada, seguiremos em marcha.\u201d (Luiz Carvalho)<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201dBoa tarde, Osasco. 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