{"id":7332,"date":"2010-03-12T15:31:57","date_gmt":"2010-03-12T15:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/pib-do-brasil-acima-de-eua-alemanha-e-japao\/"},"modified":"2010-03-12T15:31:57","modified_gmt":"2010-03-12T15:31:57","slug":"pib-do-brasil-acima-de-eua-alemanha-e-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7332","title":{"rendered":"PIB do Brasil acima de EUA, Alemanha e Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Brasil est\u00e1 preparado para ter crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, afirma presidente da CUT&nbsp;<BR><\/STRONG>&nbsp;<\/P><br \/>\n<P>Como j\u00e1 era esperado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009 alcan\u00e7ou \u00edndice pr\u00f3ximo a zero. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a retra\u00e7\u00e3o de 0,2% significa que o Pa\u00eds sofreu muito menos com a crise do que na\u00e7\u00f5es como Estados Unidos (PIB de -2,4%), Alemanha e Jap\u00e3o (ambas com -5%). <\/P><br \/>\n<P>&nbsp;CUT cobrou agenda positiva, ao contr\u00e1rio de outras centrais. A aposta do governo do presidente Lula na expans\u00e3o do mercado interno e no Estado como indutor do desenvolvimento, atuando por meio da redu\u00e7\u00e3o de impostos, da oferta de cr\u00e9dito atrav\u00e9s dos bancos p\u00fablicos e do investimento em infraestrutura, mostrou-se acertada. <\/P><br \/>\n<P>Por\u00e9m, \u00e9 preciso lembrar que nem todos apostavam nessa sa\u00edda. Alguns, inclusive representantes de trabalhadores, defenderam uma agenda negativa que inclu\u00eda a flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos e a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios. <\/P><br \/>\n<P>Em entrevista ao Portal Mundo do Trabalho, o Presidente Nacional da CUT, Artur Henrique, fala sobre o PIB, a luta da CUT pelo desenvolvimento cont\u00ednuo e destaca o embate pol\u00edtico por um modelo de desenvolvimento inclusivo e democr\u00e1tico. <\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Portal Mundo do Trabalho \u2013 Apesar da queda de 0,2%, o PIB brasileiro foi o sexto maior entre os pa\u00edses do G20 (grupo das principais economias mundiais). Como voc\u00ea avalia esse \u00edndice?<\/EM><\/STRONG><BR>Artur Henrique \u2013 Para quem previa uma cat\u00e1strofe, o resultado \u00e9 desanimador e isso se deve a um conjunto de fatores. Primeiro, a postura das centrais sindicais, especialmente da CUT, em cobrar durante a crise, principalmente a partir de setembro de 2008, uma agenda positiva por parte tanto de empres\u00e1rios quanto do governo. N\u00f3s precis\u00e1vamos enfrentar a crise fortalecendo o mercado interno e isso dependia de algumas a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 v\u00ednhamos debatendo como valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, as pol\u00edticas p\u00fablicas e sociais implementadas pelo governo Lula e a libera\u00e7\u00e3o e aumento do cr\u00e9dito. <\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Inicialmente, os bancos privados dificultaram o acesso ao cr\u00e9dito. Como foi poss\u00edvel reverter essa situa\u00e7\u00e3o?<\/EM><\/STRONG><BR>Artur \u2013 As centrais sindicais tiveram que pressionar muito o governo para que liberasse o cr\u00e9dito compuls\u00f3rio que ficava retido no Banco Central (BC). E mesmo quando o BC liberou, os bancos privados passaram a segurar esse dinheiro, emprestando apenas para quem tinha risco pr\u00f3ximo de zero, como grandes empresas, excluindo assim as micro e pequenas. Quem teve de intervir na economia, n\u00e3o apenas como indutor, mas tamb\u00e9m executor do desenvolvimento foi o Estado brasileiro, pressionado pela CUT e pelas demais centrais sindicais. A partir da\u00ed, passamos a ver a Caixa Econ\u00f4mica, o Banco do Brasil, programas como Minha Casa, Minha Vida, o PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento), a redu\u00e7\u00e3o de impostos com contrapartida de gera\u00e7\u00e3o de emprego incentivando o investimento em infraestrutura. A CUT sempre afirmou, ao contr\u00e1rio de outras centrais, que a crise era grave, mas que o Brasil tinha condi\u00e7\u00f5es de enfrentar de forma diferente por conta do enorme mercado interno. Tudo isso foi formando uma onda de otimismo contra uma imprensa que vendia uma agenda negativa. <\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Quem esteve ao lado da CUT nessa iniciativa?<\/EM><\/STRONG><BR>Artur \u2013 N\u00f3s tivemos apoio de muitos empres\u00e1rios no Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (CDES) e do governo para implementar essas pol\u00edticas, que fizeram o Brasil entrar mais tarde nessa crise e sair mais cedo. Quando olhamos hoje o resultado do PIB pr\u00f3ximo de zero, voc\u00ea pensa que o Pa\u00eds n\u00e3o cresceu, mas observa os pa\u00edses da Europa e mesmo em alguns pa\u00edses na \u00c1sia voc\u00ea observa uma situa\u00e7\u00e3o muito mais delicada. Na m\u00e9dia, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia descreu -4% em rela\u00e7\u00e3o a 2008, todo mundo sofreu com a crise. O Brasil sofreu menos e est\u00e1 preparado para ter um crescimento econ\u00f4mico em 2010 que eu espero seja longo, sustent\u00e1vel, de 5% a 6%. <\/P><br \/>\n<P><BR>&nbsp;<STRONG><EM>Brasil precisa discutir modelo de desenvolvimento pr\u00f3prioQuais os problemas que o Brasil ainda precisar resolver para crescer a longo prazo?<\/EM><\/STRONG><BR>Artur \u2013 Estamos vivendo um momento muito rico para discutir o modelo de desenvolvimento que queremos. Os modelos existentes no mundo at\u00e9 ent\u00e3o foram todos derrubados. Caiu o muro de Berlim, e com a crise de setembro de 2008, caiu o muro de Wallstreet. Aquela id\u00e9ia de que o mundo s\u00f3 tinha um modelo em que o mercado iria resolver todo os problemas tamb\u00e9m ruiu. O papel do Brasil e da Am\u00e9rica Latina \u00e9 demonstrar que podemos criar formatos democr\u00e1ticos, que n\u00e3o apostem apenas em crescimento econ\u00f4mico, mas em desenvolvimento com inclus\u00e3o social, distribui\u00e7\u00e3o de renda, valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho e preocupa\u00e7\u00e3o com sustentabilidade ambiental. Nesse debate, fica cada vez mais claro que precisamos garantir o pleno emprego para poder dar conta de colocar a quest\u00e3o do trabalho no centro do debate do modelo de desenvolvimento. <\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Em rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o, qual a import\u00e2ncia da redu\u00e7\u00e3o da jornada?<BR><\/EM><\/STRONG>Artur \u2013 N\u00e3o d\u00e1 mais para ter uma sociedade onde as pessoas vivam para trabalhar. Devemos ter uma sociedade em que as pessoas tenham mais tempo para lazer, para cultura, para viver com a fam\u00edlia. Por que um estudante no Brasil precisa come\u00e7a a trabalhar com 17 anos de idade para aumentar a renda de sua fam\u00edlia e n\u00e3o considerar a educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim da universidade tamb\u00e9m como sendo trabalho? O per\u00edodo de estudo em um col\u00e9gio ou universidade p\u00fablica deve ser considerado como se estivesse trabalhando para o conjunto da sociedade. Claro que estou falando sobre uma sociedade ideal, sobre controle de qualidade da educa\u00e7\u00e3o no Brasil e n\u00e3o esse modelo em que aprova o piso salarial, mas o professor precisa trabalhar em quatro lugares diferentes para ter um sal\u00e1rio decente, sem tempo de preparar a aula. Queremos um projeto de desenvolvimento a longo prazo e por isso estamos discutindo a Plataforma de Desenvolvimento da Classe Trabalhadora. <\/P><br \/>\n<P><BR><EM><STRONG>&nbsp;Precisamos de uma reforma pol\u00edticaVoc\u00ea acha que o parlamento j\u00e1 foi convencido da import\u00e2ncia da redu\u00e7\u00e3o da jornada?<BR><\/STRONG><\/EM>Eu acho que n\u00e3o. Se o Michel Temer colocar o projeto da redu\u00e7\u00e3o da jornada em vota\u00e7\u00e3o, n\u00f3s teremos 90% dos votos, porque nenhuma dos candidatos daquela Casa vai votar contra os trabalhadores em ano eleitoral. Podemos ter alguns parlamentares, a minoria, comprometidos com os trabalhadores, mas a grande maioria foi financiada por empresas privadas e na hora de escolher entre trabalhadores e empresas privadas, se n\u00e3o houver uma grande press\u00e3o da classe trabalhadora, v\u00e3o escolher quem paga a campanha. Hoje, a disputa que temos no Congresso \u00e9 entre nossa capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e a capacidade de financiar a campanha eleitoral. Enquanto n\u00e3o houver reforma pol\u00edtica que fa\u00e7a com que os candidatos se elejam a partir de suas propostas e com financiamento p\u00fablico, viveremos essa situa\u00e7\u00e3o. A luta \u00e9 muito desigual porque o n\u00famero de deputados e senadores vinculados aos trabalhadores \u00e9 muito menor do que aqueles vinculados ao agroneg\u00f3cio, ao sistema financeiro. Esse pessoal n\u00e3o quer que os trabalhadores avancem. <\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Depois da aposta do governo Lula no Estado indutor do desenvolvimento ainda h\u00e1 espa\u00e7o para quem defende o Estado M\u00ednimo no Brasil?<\/EM><\/STRONG><BR>Artur \u2013 Esse debate j\u00e1 n\u00e3o deveria ser o principal, mas por conta de uma parte da m\u00eddia ele ainda persiste. O Estado deve ser ao mesmo tempo indutor, regulador, executor e promotor do desenvolvimento. O exemplo dos bancos p\u00fablicos que eu citei e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) investindo na iniciativa privada mostram que o papel do Estado executor \u00e9 fundamental. N\u00e3o aquele Estado centralizado, que decide tudo, mas principalmente planejador. Quando voc\u00ea ouve analistas econ\u00f4micos na linha do Sardenberg (comentarista da TV Globo) falarem sobre pa\u00edses como Portugal, It\u00e1lia e Gr\u00e9cia, que foram muito mais afetados pela crise do que o Brasil, eles sempre culpam o que chamam de gastan\u00e7a do Estado, porque eles t\u00eam uma vis\u00e3o de que o Estado n\u00e3o pode ter sistema de prote\u00e7\u00e3o social. Eles acham que essa prote\u00e7\u00e3o deve caber apenas a quem ganha um, dois, tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos e o resto da popula\u00e7\u00e3o que se vire para ter educa\u00e7\u00e3o privada, pagar um plano de sa\u00fade. <\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>A CUT defende o inverso?<\/EM><\/STRONG><BR>Artur \u2013 N\u00f3s queremos um sistema de seguridade social, de educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade que sejam universais e de boa qualidade. Mas, para isso voc\u00ea precisa ter funcion\u00e1rios p\u00fablicos contratados e com ganhos e estrutura compat\u00edveis com sua fun\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds todo. Quando eu ou\u00e7o gente do governo dizer que devemos segurar o gasto p\u00fablico \u00e9 sinal de que n\u00e3o est\u00e3o vendo isso como investimento. Hoje temos necessidade de ter projeto porque destru\u00edram o Estado brasileiro durante o governo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. A vis\u00e3o tucana \u00e9 de que devemos ter menos Estado, menos pol\u00edtica p\u00fablica. Eles utilizam argumento de que n\u00e3o s\u00e3o contra Estado, mas sim de que \u00e9 necess\u00e1rio diminuir o gasto p\u00fablico. \u00c9 o mesmo que falar que o Incra deve ter menos gente para fazer reforma agr\u00e1ria, que o Minist\u00e9rio do Trabalho tem que ter menos fiscal para combater quem vai contra a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. O que eles querem \u00e9 totalmente diferente do que queremos.<\/P><br \/>\n<P align=right>&nbsp;<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil est\u00e1 preparado para ter crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, afirma presidente da CUT&nbsp;&nbsp; Como j\u00e1 era esperado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009 alcan\u00e7ou \u00edndice pr\u00f3ximo a zero. 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