{"id":7238,"date":"2010-01-26T10:53:06","date_gmt":"2010-01-26T10:53:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/empresas-desaprovam-as-novas-regras-do-governo-para-punir-quem-nao-investe-em-seguranca-no-trabalho\/"},"modified":"2010-01-26T10:53:06","modified_gmt":"2010-01-26T10:53:06","slug":"empresas-desaprovam-as-novas-regras-do-governo-para-punir-quem-nao-investe-em-seguranca-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7238","title":{"rendered":"Empresas desaprovam as novas regras do governo para punir quem n\u00e3o investe em seguran\u00e7a no trabalho"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Justi\u00e7a d\u00e1 liminar contra regra trabalhista. Governo ir\u00e1 recorrer<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Empresas e entidades de setores patronais, como o Sindit\u00eaxtil (sindicato paulista da ind\u00fastria t\u00eaxtil), come\u00e7am a obter liminares da Justi\u00e7a para escapar das novas regras para o c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) -antigo Seguro Acidentes do Trabalho-, que passaram a vigorar a partir deste m\u00eas.<BR>Essa contribui\u00e7\u00e3o incide sobre a folha de pagamento e \u00e9 cobrada de cerca de 1 milh\u00e3o de empresas em todo o pa\u00eds. Estimativa do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia \u00e9 de uma arrecada\u00e7\u00e3o de R$ 8,1 bilh\u00f5es com essa contribui\u00e7\u00e3o no ano passado e de uma despesa de R$ 14,2 bilh\u00f5es.<\/P><br \/>\n<P>Com o objetivo de premiar as empresas que investem na seguran\u00e7a do trabalho e de punir as menos preocupadas com preven\u00e7\u00e3o de acidentes e doen\u00e7as ocupacionais, o Conselho Nacional de Previd\u00eancia Social criou o FAP (Fator Acident\u00e1rio de Preven\u00e7\u00e3o), um multiplicador, que varia de 0,5 a 2, para ser aplicado sobre al\u00edquotas de 1%, 2% e 3% da contribui\u00e7\u00e3o ao RAT incidente sobre a folha de sal\u00e1rios das empresas.<BR>Essas al\u00edquotas de 1%, 2% e 3% s\u00e3o estabelecidas a setores, considerando o risco que oferecem aos trabalhadores. E o FAP -criado pela lei 10.666 de 2003 e regulamentado por decretos, portarias e resolu\u00e7\u00f5es- \u00e9 determinado a cada empresa e varia de acordo com os registros de doen\u00e7as, acidentes e mortes no ambiente de trabalho.<\/P><br \/>\n<P>Projel Engenharia Especializada Ltda, Fresenius Hemocare Brasil Ltda (produtos m\u00e9dicos e hospitalares), Coats Corrente Ltda (t\u00eaxtil) e Caliendo Metalurgia e Grava\u00e7\u00f5es Ltda. s\u00e3o exemplos de empresas que obtiveram liminares da Justi\u00e7a para n\u00e3o adotar o FAP. <BR>O Sindit\u00eaxtil obteve liminar em favor de 108 empresas associadas durante plant\u00e3o judici\u00e1rio em dezembro e espera a confirma\u00e7\u00e3o. A Fiesp (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo) tamb\u00e9m entrou com pedido de liminar na Justi\u00e7a e aguarda decis\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>Para empresas e entidades que foram \u00e0 Justi\u00e7a, n\u00e3o ficou transparente como o minist\u00e9rio definiu os setores que pagam 1%, 2% e 3% de contribui\u00e7\u00e3o ao RAT e como estabeleceu o multiplicador a ser aplicado a cada empresa. O minist\u00e9rio n\u00e3o teria divulgado o ranking de setores que oferecem mais e menos riscos aos empregados, o que, para elas, \u00e9 outra falha.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;Essas novas regras t\u00eam problemas. A maioria das entidades passou a pagar al\u00edquota maior sem saber a raz\u00e3o. A Fiesp pagava al\u00edquota de 1% e agora pagar\u00e1 3%. A federa\u00e7\u00e3o j\u00e1 recorreu \u00e0 Justi\u00e7a contra o RAT e o FAP&#8217;, diz H\u00e9lcio Honda, diretor titular do Departamento Jur\u00eddico da Fiesp.<\/P><br \/>\n<P>A liminar favor\u00e1vel \u00e0 Projel foi concedida pelo juiz federal Jos\u00e9 Henrique Prescendo, da 22\u00aa Vara Federal de S\u00e3o Paulo.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;A al\u00edquota determinada para o setor da Projel \u00e9 de 3%, e o FAP, de 1,64, o que significa que a contribui\u00e7\u00e3o da empresa, que era de 3%, passou para quase 5% sobre a folha de pagamento. A empresa, no entanto, s\u00f3 registrou dois afastamentos por doen\u00e7a de trabalho e nenhum acidente no per\u00edodo considerado (abril de 2007 a dezembro de 2008). A ideia do FAP \u00e9 boa, s\u00f3 que ningu\u00e9m sabe como s\u00e3o feitos os c\u00e1lculos&#8217;, diz Juliano Di Pietro, advogado da Projel.<BR>A liminar favor\u00e1vel \u00e0 Fresenius Hemocare foi concedida pelo juiz federal substituto Douglas Camarinha Gonzales, da 7\u00aa Vara Federal de S\u00e3o Paulo; a da Coats, pelo juiz federal Jo\u00e3o Batista Gon\u00e7alves, da 6\u00aa Vara Federal de S\u00e3o Paulo.<\/P><br \/>\n<P>Emerson Casali, gerente executivo de Rela\u00e7\u00f5es do Trabalho da CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), diz que a confedera\u00e7\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 filosofia de premiar quem investe em sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho e de onerar quem n\u00e3o investe.<BR>&#8216;S\u00f3 que, na pr\u00e1tica, as novas regras n\u00e3o foram nessa dire\u00e7\u00e3o. O RAT aumentou para dois ter\u00e7os dos setores, at\u00e9 para as empresas que n\u00e3o t\u00eam registro de acidente de trabalho. Foi criada uma f\u00f3rmula para reduzir o desconto para quem n\u00e3o registrou acidente&#8217;, afirma.<\/P><br \/>\n<P>A CNI estima aumento de R$ 5 bilh\u00f5es na arrecada\u00e7\u00e3o com a contribui\u00e7\u00e3o ao seguro acidente neste ano com as novas regras. &#8216;A arrecada\u00e7\u00e3o deve chegar a R$ 13 bilh\u00f5es neste ano, sendo que o governo disse que n\u00e3o iria elevar encargos das empresas com as mudan\u00e7as.&#8217;<BR>(F\u00e1tima Fernandes)<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Governo cita alta em acidentes e decide recorrer<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P><BR>O Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia informa que vai recorrer \u00e0 Justi\u00e7a por meio da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o, da PGNF (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e de seu departamento jur\u00eddico para anular eventuais liminares favor\u00e1veis \u00e0s empresas que discordam das novas regras para cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o ao RAT (Riscos Ambientais do Trabalho).<BR>&#8216;Estamos preparados para nos defender. O uso do multiplicador [o FAP, Fator Acident\u00e1rio de Preven\u00e7\u00e3o] era para ter se iniciado em 2003, o que n\u00e3o aconteceu por conta de discuss\u00f5es sobre metodologia, agora conclu\u00eddas. \u00c9 \u00f3bvio que as empresas com muitos acidentes de trabalho v\u00e3o reclamar das novas regras&#8217;, afirma Remigio Todeschini, diretor do Departamento de Pol\u00edticas de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a Ocupacional do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia.<BR>O multiplicador, segundo ele, far\u00e1 com que as empresas prestem mais aten\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho, j\u00e1 que a contribui\u00e7\u00e3o ao RAT ser\u00e1 menor para aquelas que registram menos acidentes e mortes e maior para aquelas que t\u00eam mais acidentes.<BR>&#8216;S\u00f3 uma pequena parte das empresas pagar\u00e1 mais. Isso quer dizer que essas empresas precisam investir mais em sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho&#8217;, afirma Todeschini.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Saldo<\/STRONG><BR>Nos c\u00e1lculos do minist\u00e9rio, cerca de 880 mil empresas ser\u00e3o beneficiadas com o FAP e cerca de 73 mil pagar\u00e3o mais de contribui\u00e7\u00e3o. Esse quase 1 milh\u00e3o de empresas est\u00e1 dividido em 1.301 setores e contribui ao RAT com al\u00edquota menor (1%) ou maior (3%), dependendo dos riscos que oferece aos seus trabalhadores.<BR>Levantamento do minist\u00e9rio, baseado em informa\u00e7\u00f5es das pr\u00f3prias empresas, mostra que o n\u00famero de acidentes no trabalho cresceu nos \u00faltimos anos no pa\u00eds. Em 2006, foram registrados 512 mil acidentes; em 2007, 659 mil, e, em 2008, 747 mil.<BR>O setor de com\u00e9rcio e repara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos liderou em 2008, segundo o minist\u00e9rio, o ranking de acidentes de trabalho por ramo de atividade -foram 99.571 acidentes. Em seguida est\u00e3o os setores de alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas (69.660), sa\u00fade e servi\u00e7os (52.559), transporte e armazenagem (50.281), constru\u00e7\u00e3o (49.191), presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os (49.025) e produtos t\u00eaxteis (30.462).<BR>Todos os setores que n\u00e3o recolhem tributos pelo sistema simplificado, o Simples Nacional, devem recolher a contribui\u00e7\u00e3o ao RAT, o que inclui entidades patronais e de trabalhadores, como sindicatos e federa\u00e7\u00f5es.<BR>&#8216;As al\u00edquotas s\u00e3o baseadas nas informa\u00e7\u00f5es sobre mortalidade, invalidez e acidente de trabalho e de trajeto dadas pelas pr\u00f3prias empresas. Quando cai um avi\u00e3o com representantes de empresas, por exemplo, essas mortes s\u00e3o contabilizadas e tamb\u00e9m interferem na al\u00edquota de contribui\u00e7\u00e3o. O Brasil est\u00e1 atrasado 30 anos na cobran\u00e7a individual da contribui\u00e7\u00e3o ao seguro de trabalho.&#8217;<\/P><br \/>\n<P><STRONG>No exterior<BR><\/STRONG>A cobran\u00e7a dessa contribui\u00e7\u00e3o em pa\u00edses como Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Argentina, Col\u00f4mbia, Espanha, M\u00e9xico, Canad\u00e1 e Chile \u00e9, em m\u00e9dia, de acordo com Todeschini, quatro vezes maior do que a do Brasil.<BR>&#8216;Na tarifa coletiva, o teto m\u00e1ximo da al\u00edquota nesses pa\u00edses \u00e9 de 11,9%, em m\u00e9dia. No Brasil \u00e9 de 3%&#8217;, diz.<BR>Segundo Todeschini, o deficit da Previd\u00eancia na conta de benef\u00edcios acident\u00e1rios pagos decorrentes de aposentadoria \u00e9 de R$ 30,3 bilh\u00f5es.<BR>&#8216;Queremos cobrar mais das empresas com maior n\u00famero de acidentes, o que \u00e9 justo&#8217;, afirma. (FF)<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Justi\u00e7a d\u00e1 liminar contra regra trabalhista. 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