{"id":7153,"date":"2009-12-14T13:48:41","date_gmt":"2009-12-14T13:48:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/compromisso-com-o-futuro\/"},"modified":"2009-12-14T13:48:41","modified_gmt":"2009-12-14T13:48:41","slug":"compromisso-com-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7153","title":{"rendered":"Compromisso com o futuro"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Confira o artigo da Ministra da Casa Civil e chefe da Delega\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e0 15\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, publicado no jornal O Estado de S. Paulo<\/STRONG><BR><\/P><br \/>\n<P>Dilma Rousseff*<\/P><br \/>\n<P>A 15\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, que termina esta semana em Copenhague, \u00e9 daqueles momentos em que a Hist\u00f3ria nos desafia ao m\u00e1ximo. A crise do aquecimento global exige respostas firmes, conjuntas e consequentes, por parte de todos os pa\u00edses e governos. Limitar o aumento da temperatura neste s\u00e9culo a no m\u00e1ximo 2\u00b0C, reduzindo as emiss\u00f5es de gases que provocam efeito estufa, \u00e9 um objetivo poss\u00edvel e necess\u00e1rio. Para alcan\u00e7\u00e1-lo, temos de firmar um compromisso urgente dos pa\u00edses industrializados, sem exce\u00e7\u00f5es, com a redu\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias emiss\u00f5es e com a garantia do financiamento \u00e0s a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias nos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/P><br \/>\n<P>Deter o aquecimento global \u00e9 uma responsabilidade comum, mas diferenciada em rela\u00e7\u00e3o ao papel de cada pa\u00eds ou grupo de pa\u00edses, al\u00e9m de estar vinculada \u00e0s realidades espec\u00edficas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social de cada um. N\u00e3o se podem cobrar sacrif\u00edcios iguais de quem participou desigualmente do processo de desenvolvimento industrial e acumula\u00e7\u00e3o de riqueza ao longo de s\u00e9culos. Copenhague ser\u00e1 um avan\u00e7o se os pa\u00edses que acumularam riqueza, historicamente, \u00e0 custa da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, colocarem na mesa metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. N\u00fameros robustos, \u00e0 altura do desafio comum e da d\u00edvida acumulada com o planeta. <\/P><br \/>\n<P>Coerentemente, a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima estabeleceu que os pa\u00edses industrializados devem adotar metas absolutas de redu\u00e7\u00e3o para o conjunto de suas economias. E os pa\u00edses em desenvolvimento devem definir a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias em setores por eles determinados, em intensidade mensur\u00e1vel. Espera-se que at\u00e9 2020 os pa\u00edses mais ricos reduzam suas emiss\u00f5es de CO2 em 40% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 1990, que respeitem o Protocolo de Kyoto e que mantenham um fundo p\u00fablico permanente para financiar a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento. Estes pa\u00edses precisam ser apoiados para ter oportunidade de crescer e atender suas demandas sociais, sem agravar a situa\u00e7\u00e3o ambiental.<BR>Gra\u00e7as \u00e0s a\u00e7\u00f5es que adotamos internamente e \u00e0 persist\u00eancia com que conclamamos os demais pa\u00edses a um esfor\u00e7o compartilhado de controle do clima, o Brasil deixou de ser parte do problema do aquecimento global para se tornar respeitado como impulsionador de solu\u00e7\u00f5es negociadas. Temos a matriz energ\u00e9tica mais limpa e renov\u00e1vel entre as maiores economias do mundo. Usinas hidrel\u00e9tricas, biocombust\u00edveis e outras fontes renov\u00e1veis respondem por 45,9% de toda a energia consumida no Brasil. A m\u00e9dia mundial \u00e9 de 87,1% de utiliza\u00e7\u00e3o de fontes f\u00f3sseis, como petr\u00f3leo e carv\u00e3o, contra 12,9% de fontes renov\u00e1veis. Nos pa\u00edses da OCDE, a m\u00e9dia piora para 93,7% de fontes f\u00f3sseis, que agravam o efeito estufa.<BR>Nossa matriz energ\u00e9tica limpa n\u00e3o caiu do c\u00e9u. \u00c9 o resultado do esfor\u00e7o de gera\u00e7\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas e na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis renov\u00e1veis. Fontes h\u00eddricas garantem 86% da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade no Brasil. Nos \u00faltimos 30 anos, a utiliza\u00e7\u00e3o de etanol combust\u00edvel, anidro ou hidratado, evitou a emiss\u00e3o de mais de 850 milh\u00f5es de toneladas de CO2 \u00e0 atmosfera. <BR>O governo do presidente Lula valorizou e ampliou esse patrim\u00f4nio nacional. Com a entrada em opera\u00e7\u00e3o de novas usinas, acrescentamos 22 mil megawatts \u00e0 oferta de energia hidrel\u00e9trica, entre 2005 e 2008. E contratamos mais 6.874 megawatts gerados por fontes alternativas, especialmente biomassa, o que corresponde \u00e0 capacidade de gera\u00e7\u00e3o de meia Itaipu. Criamos o Programa do Biodiesel e obrigamos, por lei, a adi\u00e7\u00e3o do \u00f3leo vegetal ao diesel consumido no pa\u00eds. Incentivamos a produ\u00e7\u00e3o dos autom\u00f3veis com motores flex &#8211; que j\u00e1 s\u00e3o 94% dos carros vendidos hoje no Pa\u00eds. <BR>O Brasil, al\u00e9m do mais, acaba de dar a mais vigorosa resposta ao desafio de reduzir e conter o hist\u00f3rico processo de desmatamento da Amaz\u00f4nia &#8211; maior fonte de emiss\u00e3o de CO2 em nosso territ\u00f3rio. A \u00e1rea de floresta derrubada caiu de cerca de 28 mil quil\u00f4metros quadrados em 2004, para 7 mil quil\u00f4metros quadrados em 2009. \u00c9 o melhor resultado desde 1988, quando o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) come\u00e7ou a mensurar o desmatamento. O resultado deste ano confirma a sequ\u00eancia de redu\u00e7\u00f5es consistentes, iniciada em 2005. \u00c9 o fruto da vigil\u00e2ncia permanente, da repress\u00e3o ao com\u00e9rcio ilegal de madeira e de pol\u00edticas que valorizam a preserva\u00e7\u00e3o da floresta.<BR>O Brasil est\u00e1 no grupo de pa\u00edses dos quais se esperam a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias para mitigar a emiss\u00e3o de poluentes, mas n\u00e3o est\u00e3o obrigados a fixar metas de redu\u00e7\u00e3o. N\u00f3s decidimos ir al\u00e9m disso e apresentamos, em novembro \u00faltimo, a meta de reduzir as emiss\u00f5es em nosso pa\u00eds, entre 36,1% e 38,9%, at\u00e9 2020. Vamos deixar de emitir cerca de 1 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 equivalente (t CO2 eq), cumprindo um programa de a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias assim definido:<BR>&#8211; Reduzir em 80% o desmatamento na Amaz\u00f4nia e em 40%, no cerrado (corte de 669 milh\u00f5es t CO2 eq).<BR>&#8211; Adotar intensivamente na agricultura a recupera\u00e7\u00e3o de pastagens, integra\u00e7\u00e3o agricultura-pecu\u00e1ria, plantio direto na palha e fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio (corte de 133 a 166 milh\u00f5es t CO2 eq). <BR>&#8211; Ampliar a efici\u00eancia energ\u00e9tica, o uso de biocombust\u00edveis, a oferta de hidrel\u00e9tricas e fontes alternativas como biomassa, e\u00f3licas, pequenas centrais hidrel\u00e9tricas, e o uso de carv\u00e3o de florestas plantadas na siderurgia (corte de 174 a 217 milh\u00f5es t CO 2 eq). <BR>A iniciativa brasileira reanimou as expectativas de sucesso em torno da Confer\u00eancia do Clima, que estavam amea\u00e7adas pela retic\u00eancia de atores fundamentais, notadamente Estados Unidos e China. Imediatamente, outros pa\u00edses responderam com metas volunt\u00e1rias em graus variados. E pela primeira vez na hist\u00f3ria das negocia\u00e7\u00f5es sobre clima, os Estados Unidos apresentaram uma meta de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<BR>\u00c9 importante ter n\u00fameros na mesa, mas eles devem ser avaliados por seu alcance efetivo. Tomando como refer\u00eancia os n\u00edveis verificados em 1990 &#8211; como fazem os signat\u00e1rios do Protocolo de Kyoto &#8211; a proposta dos Estados Unidos equivale a cortar meros 4% de suas emiss\u00f5es. \u00c9 decepcionante, para um pa\u00eds que responde por 29% das emiss\u00f5es globais. Ser\u00e1 igualmente decepcionante se a Uni\u00e3o Europeia fixar objetivos abaixo das expectativas alimentadas nos \u00faltimos anos. E ser\u00e1 totalmente frustrante se Copenhague der respostas financeiramente limitadas e institucionalmente incertas para o apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento. Circunst\u00e2ncias da economia mundial n\u00e3o justificam o abandono do planejamento multilateral adequado, de longo prazo e com respeito \u00e0 soberania dos pa\u00edses. <BR>O Brasil vai a Copenhague como o pa\u00eds que j\u00e1 promoveu a maior redu\u00e7\u00e3o em suas emiss\u00f5es de CO2. Fomos al\u00e9m de nossas obriga\u00e7\u00f5es e apresentamos, pioneiramente, metas volunt\u00e1rias e ousadas para 2020. Fizemos nossa parte; esperamos o mesmo dos demais. N\u00e3o podemos nos conformar com n\u00fameros mesquinhos, que n\u00e3o levem em conta o estoque acumulado no tempo nem os \u00edndices per capita de emiss\u00e3o de CO2 de cada pa\u00eds. O futuro n\u00e3o nos perdoar\u00e1 se desperdi\u00e7armos esta oportunidade de tornar o mundo melhor, ambientalmente mais seguro, para n\u00f3s e para os que vir\u00e3o depois. <\/P><br \/>\n<P>*Ministra da Casa Civil e chefe da Delega\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e0 15\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira o artigo da Ministra da Casa Civil e chefe da Delega\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e0 15\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, publicado no jornal O Estado de S.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7153"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7153\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}