{"id":7067,"date":"2009-11-09T16:09:20","date_gmt":"2009-11-09T16:09:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/igualdade-de-remuneracao-uma-realidade-ainda-distante-para-as-mulheres\/"},"modified":"2009-11-09T16:09:20","modified_gmt":"2009-11-09T16:09:20","slug":"igualdade-de-remuneracao-uma-realidade-ainda-distante-para-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7067","title":{"rendered":"Igualdade de remunera\u00e7\u00e3o: uma realidade ainda distante para as mulheres"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Confira o artigo escrito por Rosane Silva, secret\u00e1ria nacional da Mulher Trabalhadora da CUT&nbsp; e Patr\u00edcia Pelatieri, t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o DIEESE-CUT<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>No Brasil, as mulheres v\u00eam conquistando de maneira significativa seu espa\u00e7o no mercado de trabalho. Entre 1998 e 2008, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho cresceu 42% (em 1998 eram 27,6 milh\u00f5es de mulheres ocupadas em 2008 eram 39,2 milh\u00f5es), segundo os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por domic\u00edlio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), divulgados recentemente. <\/P><br \/>\n<P>Entretanto, os dados da PNAD mostram tamb\u00e9m que apesar desse crescimento da m\u00e3o-de-obra feminina no mercado de trabalho brasileiro, ainda estamos longe da igualdade de direitos entre homens e mulheres. <\/P><br \/>\n<P>Mesmo com o recente crescimento econ\u00f4mico e com as pol\u00edticas de Governo destinadas a reduzir as desigualdades, as diferen\u00e7as salariais e de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho relacionadas a g\u00eanero e etnia continuam sendo significativas no Brasil. <\/P><br \/>\n<P>Quando olhamos o mercado de trabalho, a maioria dos indicadores dispon\u00edveis mostra as mulheres em condi\u00e7\u00f5es menos favor\u00e1veis que a dos homens. <\/P><br \/>\n<P>No entanto, essas desigualdades n\u00e3o s\u00e3o explicadas pela escolaridade: conforme os dados da PNAD 2008, aproximadamente 60% das mulheres ocupadas tinham, pelo menos, o ensino m\u00e9dio. Na verdade, observou-se que as diferen\u00e7as entre os rendimentos de homens e de mulheres eram maiores entre os mais escolarizados. A remunera\u00e7\u00e3o das mulheres com curso superior era, em m\u00e9dia, 40% inferior a dos homens. <\/P><br \/>\n<P>Os homens ganham mais que as mulheres em todas as faixas de idade, n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o, tipo de emprego ou de empresa, em m\u00e9dia 30% a mais quando considerado a mesma idade e n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. <\/P><br \/>\n<P>Estas diferen\u00e7as de remunera\u00e7\u00e3o est\u00e3o relacionadas \u00e0 forma de como as mulheres entram no mercado de trabalho, assim como a sua perman\u00eancia. A manuten\u00e7\u00e3o dessas desigualdades \u00e9 propiciada pelas rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero, que tem base na divis\u00e3o sexual do trabalho, que divide e hierarquiza o papel de homens e mulheres em nossa sociedade, reservando a estas a posi\u00e7\u00e3o de inferioriza\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o aos homens. Baseado neste modelo desigual de sociedade que o empresariado justifica, em parte, sua posi\u00e7\u00e3o retrograda ao que se refere a igualdade de oportunidades. <\/P><br \/>\n<P>Os dados de aposentadoria e pens\u00e3o retratam o passado da desigualdade de remunera\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e significam hoje uma velhice mais pobre para as mulheres. Embora as mulheres sejam 56% das pessoas benefici\u00e1rias de aposentadorias e pens\u00f5es no Brasil, elas recebem apenas 47% da renda total distribu\u00edda por aposentadorias e pens\u00f5es. Isto significa um beneficio m\u00e9dio menor para as mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens. <\/P><br \/>\n<P>Se por um lado podemos comemorar a amplia\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho formal, por outro verificamos que este aumento n\u00e3o significou a supera\u00e7\u00e3o das desigualdades. Os contratos de trabalho femininos continuam sendo mais flex\u00edveis e mais rotativos, centrados nos setores de com\u00e9rcio e servi\u00e7os. <\/P><br \/>\n<P>Muitas vezes tenta-se justificar o processo de flexibiliza\u00e7\u00e3o, rotatividade e informalidade do trabalho feminino por suas responsabilidades &#8216;naturais&#8217; com a fam\u00edlia e a casa, o que poderia significar sua n\u00e3o disponibilidade integral \u00e0 empresa. N\u00e3o \u00e9 a toa que as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas do ass\u00e9dio moral no trabalho, justamente por n\u00e3o poderem disponibilizar-se a fazer horas-extras, j\u00e1 que acumulam a dupla jornada. Vale salientar que a tarefa para com o &#8216;cuidado&#8217; e o trabalho dom\u00e9stico, ainda \u00e9 responsabilidade quase que exclusiva das mulheres. <\/P><br \/>\n<P>Para rompermos com este circulo vicioso da discrimina\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante retomarmos o debate sobre a necessidade do compartilhamento das responsabilidades com o cuidado humano entre homens, mulheres, Estado e sociedade. <\/P><br \/>\n<P>As mulheres, assim como os homens, precisam de mecanismos eficazes que possibilitem o exerc\u00edcio do trabalho com dignidade e prote\u00e7\u00e3o. E \u00e9 neste sentido que a ratifica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba156 da OIT, sobre trabalhadores\/as com responsabilidades familiares, \u00e9 uma pauta urgente e estrat\u00e9gica para o conjunto da classe trabalhadora. Esta Conven\u00e7\u00e3o possibilita questionar as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero em nossa sociedade na medida em que pauta o compartilhamento do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado familiar. Sendo assim, n\u00e3o pode ser vista como uma quest\u00e3o espec\u00edfica das mulheres, deve fazer parte da agenda geral da CUT. <\/P><br \/>\n<P>Cabe aos governos a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas no sentido de possibilitar \u00e0s mulheres maior dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 sua vida profissional, e a n\u00f3s do movimento sindical &#8211; homens e mulheres &#8211; fica a responsabilidade de impedir a implanta\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de precariza\u00e7\u00e3o e flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho, tendo as mulheres como protagonistas deste processo. <\/P><br \/>\n<P>*Rosane Silva, secret\u00e1ria nacional da Mulher Trabalhadora da CUT e Patr\u00edcia Pelatieri, t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o DIEESE-CUT <\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira o artigo escrito por Rosane Silva, secret\u00e1ria nacional da Mulher Trabalhadora da CUT&nbsp; e Patr\u00edcia Pelatieri, t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o DIEESE-CUT No Brasil, as mulheres v\u00eam conquistando de maneira significativa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7067"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7067\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}