{"id":7030,"date":"2009-10-26T18:28:15","date_gmt":"2009-10-26T18:28:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/cientista-social-coordenadora-da-campanha-da-reducao-da-jornada-de-trabalho-tem-estudo-premiado-pela-capes\/"},"modified":"2009-10-26T18:28:15","modified_gmt":"2009-10-26T18:28:15","slug":"cientista-social-coordenadora-da-campanha-da-reducao-da-jornada-de-trabalho-tem-estudo-premiado-pela-capes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=7030","title":{"rendered":"Cientista social coordenadora da campanha da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho tem estudo premiado pela Capes"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>O estudo &#8216;Tempos de trabalho, tempos de n\u00e3o trabalho&#8217;, da cientista social Ana Cl\u00e1udia Moreira Cardoso, ganhou o pr\u00eamio Capes de melhor tese na \u00e1rea de sociologia em 2008<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><BR>&nbsp;O estudo Tempos de trabalho, tempos de n\u00e3o trabalho, da cientista social Ana Cl\u00e1udia Moreira Cardoso, ganhou o pr\u00eamio Capes de melhor tese na \u00e1rea de sociologia em 2008. Supervisora de forma\u00e7\u00e3o do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Ana Cl\u00e1udia&nbsp; est\u00e1 coordenando a campanha da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Nessa entrevista concedida ao Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC, ela afirma que n\u00e3o existe separa\u00e7\u00e3o entre tempo de trabalho e de n\u00e3o trabalho e que &#8216;cada vez mais o trabalhador tem dificuldade de tirar tempo livre para ficar com a fam\u00edlia&#8217;. A tese foi elaborada a partir de pesquisa realizada entre os trabalhadores na Volks de S\u00e3o Bernardo, o que n\u00e3o o impedir\u00e1 de se identificar com essa situa\u00e7\u00e3o, seja trabalhador do setor p\u00fablico ou privado. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Quais suas motiva\u00e7\u00f5es para fazer a pesquisa?<\/STRONG> <BR>Uma foi profissional, pois desde 1998, com a medida provis\u00f3ria criando o banco de horas, o Dieese retomou a discuss\u00e3o sobre o tempo e a jornada de trabalho. Outra motiva\u00e7\u00e3o foi pessoal, pois o tempo \u00e9 algo que a gente vivencia tanto, mas reflete muito pouco sobre ele. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o, pois a gente n\u00e3o tem tempo de pensar no tempo, na divis\u00e3o das 24 horas do dia. Tanto que achamos normal trabalhar 11 anos e folgar s\u00f3 um ano, achamos normal trabalhar doente. O tempo, na verdade, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o da sociedade. <BR>A reorganiza\u00e7\u00e3o produtiva n\u00e3o beneficiou o trabalhador? <BR>O discurso da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e organizacional era o de liberar o trabalhador do tempo do trabalho. Com menos tempo para produzir, o trabalhador teria mais tempo para viver a vida dele. Mas, n\u00e3o foi isso o que aconteceu e o trabalhador percebeu dois lados ruins para ele. Para quem est\u00e1 empregado, a inova\u00e7\u00e3o gerou intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, um trabalho mais intenso, com ritmo mais acelerado, com menos pausas, com mais horas extras. Por outro lado, aumentou o n\u00edvel do desemprego. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Como os trabalhadores reagem a isso?<\/STRONG> <BR>Os trabalhadores da linha reclamam da combina\u00e7\u00e3o da polival\u00eancia com o banco de horas. Com o banco, o trabalhador \u00e9 chamado quando a demanda \u00e9 alta. Se n\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da multitarefa, \u00e9 sempre colocado numa fun\u00e7\u00e3o em alta. Ele sempre vai estar no momento e na fun\u00e7\u00e3o em alta, nunca vai ter per\u00edodo de calmaria. Mesmo porque as empresas t\u00eam sempre menos trabalhadores que o necess\u00e1rio. Com o just in time, houve uma redu\u00e7\u00e3o da porosidade do tempo. O trabalhador n\u00e3o precisa esperar nada, est\u00e1 tudo ali, e ele n\u00e3o tem tempo para respirar. Isso numa empresa em que o Sindicato est\u00e1 presente e \u00e9 super atento. Imagine nas empresas que n\u00e3o tem um Sindicato presente! <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E para o trabalhador fora da linha?<\/STRONG> <BR>Acontece o mesmo. Os trabalhadores na ferramentaria, por exemplo, reclamam que t\u00eam de fazer todas as fun\u00e7\u00f5es do setor. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o param, com a agravante que, com a terceiriza\u00e7\u00e3o, as ferramentas chegam com defeito e eles gastam mais tempo com elas. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E as mulheres?<\/STRONG> <BR>As mulheres da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinham tempo de ir ao banheiro e come\u00e7aram a criar o h\u00e1bito de fazer o mesmo nos finais de semana. Com isso, passaram a ter problemas de sa\u00fade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 as trabalhadoras da produ\u00e7\u00e3o. Uma gerente de banco falou a mesma coisa, que durante o dia n\u00e3o conseguia parar de trabalhar para ir ao banheiro. As secret\u00e1rias tamb\u00e9m tiveram o tempo intensificado. Hoje, elas trabalham para quatro ou cinco gerentes e n\u00e3o t\u00eam tempo de trabalhar e revisar, pois sempre t\u00eam outra coisas a fazer. Nas diferentes \u00e1reas existe o processo generalizado de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho. O capital quer que o trabalhador seja produtivo nas 40 horas semanais, na jornada inteira. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Quais as consequ\u00eancias da intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho?<\/STRONG> <BR>Ela acarreta v\u00e1rias coisas. Primeiro, um processo de adoecimento como gastrite, ins\u00f4nia, press\u00e3o alta, depress\u00e3o. Doen\u00e7as dif\u00edceis de serem consideradas do trabalho. E quando o trabalhador sai da f\u00e1brica ele continua a pensar no trabalho por medo de perder o emprego. Fica pensando o que pode fazer para melhorar o desempenho dele. Por isso mesmo, no seu tempo livre, ele vai se qualificar. S\u00e3o trabalhadores com 42, 45 anos que voltam \u00e0 faculdade. A dificuldade \u00e9 grande, ele tem fam\u00edlia, tem filhos. Na verdade, ele corre atr\u00e1s do t\u00edtulo e n\u00e3o do conhecimento como condi\u00e7\u00f5es de subir na carreira. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E nas f\u00e9rias? <BR><\/STRONG>A maioria n\u00e3o consegue tirar f\u00e9rias no tempo em que querem. Cada vez mais o trabalhador tem dificuldade de tirar o tempo livre para ficar com a fam\u00edlia. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Como \u00e9 a jornada brasileira?<\/STRONG> <BR>No Brasil, temos uma das maiores jornadas do mundo, e \u00e9 aqui que se pode fazer o maior n\u00famero de horas extras. Al\u00e9m disso, o trabalhador gasta um tempo absurdo no transporte e ainda precisa estudar. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E quando o trabalhador se aposenta?<\/STRONG> <BR>Os aposentados n\u00e3o sabem o que fazer com o tempo livre, pois eles passaram a vida toda sem isso. Eles ficam perdidos. \u00c9 uma coisa estranha, pois n\u00e3o tiveram o h\u00e1bito do tempo livre. Alguns voltam a trabalhar, as vezes menos pelo dinheiro mas para ter algo para fazer. Muitos, na aposentadoria, est\u00e3o super doentes, com a coluna destru\u00edda, com problemas card\u00edacos. <BR>A maioria dos que trabalham diz que seu projeto \u00e9 se aposentar, mas para daqui a 10, 15 anos. Na verdade, eles n\u00e3o t\u00eam projeto de futuro. <BR>O tempo de trabalho, quando \u00e9 muito grande, toma o tempo todo que o trabalhador n\u00e3o consegue pensar coisa diferente. Ele n\u00e3o tem a perspectiva de fazer algo diferente. N\u00e3o sabe o que fazer. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E a redu\u00e7\u00e3o da jornada para 40 horas?<\/STRONG> <BR>A campanha pela redu\u00e7\u00e3o da jornada ser\u00e1 eterna. As inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e organizacionais v\u00e3o continuar e cada vez mais vamos precisar de menos trabalhadores para produzir mais com menos tempo. O que fazer com os desempregados? Mandar para o campo de concentra\u00e7\u00e3o? A redu\u00e7\u00e3o da jornada tem de continuar. De acordo com M\u00e1rcio Pochmann, se todos os trabalhadores ativos do mundo trabalhassem, a jornada seria de tr\u00eas horas di\u00e1rias. Afinal, ele tem de se apropriar da riqueza que produz.<\/P><br \/>\n<P>&nbsp;<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo &#8216;Tempos de trabalho, tempos de n\u00e3o trabalho&#8217;, da cientista social Ana Cl\u00e1udia Moreira Cardoso, ganhou o pr\u00eamio Capes de melhor tese na \u00e1rea de sociologia em 2008 &nbsp;O<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7030"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7030"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7030\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}