{"id":6893,"date":"2009-08-04T14:02:52","date_gmt":"2009-08-04T14:02:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/10%c2%ba-concut-por-uma-nova-ordem-mundial\/"},"modified":"2009-08-04T14:02:52","modified_gmt":"2009-08-04T14:02:52","slug":"10%c2%ba-concut-por-uma-nova-ordem-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=6893","title":{"rendered":"10\u00ba CONCUT: por uma nova ordem mundial"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Primeiras mesas de discuss\u00f5es ocorreram na tarde de segunda (03) e continuam durante toda esta ter\u00e7a. Mas abertura oficial do 10\u00ba CONCUT somente no in\u00edcio desta noite (04)<BR><\/STRONG>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <BR>&#8216;Agora sim parece microfone da CUT&#8217;. Foi com essa frase que Artur Henrique, presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores, abriu na segunda-feira (03) o primeiro dia do 10\u00b0 Congresso da entidade, que ocorre durante toda a semana no Pavilh\u00e3o Branco do Expo Center Norte, na cidade de S\u00e3o Paulo. Marcado para come\u00e7ar \u00e0s 14h, alguns contratempos, como o microfone que n\u00e3o funcionava, atrasaram a abertura. <\/P><br \/>\n<P>Foi \u00e0s 14h45 que teve in\u00edcio a mesa &#8216;O Desenvolvimento Necess\u00e1rio P\u00f3s-Crise&#8217;, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de Ladislau Dowbor, economista e professor da PUC-SP, Lais Abramo, diretora da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho do Brasil (OIT) e o ministro Luiz Soares Dulci, chefe da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. <\/P><br \/>\n<P>As atividades dos dois primeiros dias fazem parte de uma Confer\u00eancia Internacional e na plateia estavam delegados de diversos pa\u00edses, Honduras, Nig\u00e9ria, Bol\u00edvia e Venezuela, entre outros. O objetivo da primeira mesa foi discutir alternativas de desenvolvimento a partir da crise global visando tra\u00e7ar estrat\u00e9gias para um novo modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo. &#8216;O FMI sugere as mesmas medidas para o fim da crise: reduzir gastos p\u00fablicos. Apesar de terem sido eles um dos respons\u00e1veis, est\u00e3o dando receitas para acabar com ela&#8217;, declarou o presidente da CUT. <\/P><br \/>\n<P>Quem deu in\u00edcio \u00e0 discuss\u00e3o foi o economista Ladislau Dowbor, que trouxe uma nova forma de pensar a riqueza dos pa\u00edses. De acordo com ele, a medida do Produto Interno Bruto de cada pa\u00eds, o PIB, responde a um modelo de desenvolvimento que n\u00e3o \u00e9 mais aceit\u00e1vel. &#8216;O c\u00e1lculo que fazemos \u00e9 simplesmente errado por n\u00e3o contabilizar florestas, reservas de \u00e1gua doce. Todos n\u00f3s buscamos o aumento do PIB como se fosse o objetivo. Mas h\u00e1 um movimento planet\u00e1rio de redefinir como a gente calcula o progresso humano.&#8217;. <\/P><br \/>\n<P>O professor afirma que todo o sistema de evolu\u00e7\u00e3o do consumo s\u00f3 funciona para um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. Segundo ele, ocorre uma articula\u00e7\u00e3o entre a concentra\u00e7\u00e3o de renda e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. &#8216;S\u00e3o vis\u00f5es estruturais que nos ligam \u00e0 crise. S\u00e3o Paulo anda a 14 km por hora, a velocidade das carro\u00e7as no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, e achamos que isso \u00e9 progresso. Enquanto isso, dois ter\u00e7os do planeta tem acesso a apenas 6% do produto mundial&#8217;, dados alarmantes sobre a realidade global. <\/P><br \/>\n<P>Para ele, &#8216;s\u00e3o os homens do dinheiro que est\u00e3o em crise&#8217;, j\u00e1 que as estat\u00edsticas mostram uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel do modelo econ\u00f4mico vigente: &#8216;atualmente morrem 10 milh\u00f5es de crian\u00e7as por motivos rid\u00edculos, como a falta de saneamento b\u00e1sico. Isso n\u00e3o \u00e9 crise? A soja rende muito d\u00f3lares, mas 200 hectares criam um emprego. Precisamos repensar os processos econ\u00f4micos.&#8217; <\/P><br \/>\n<P>Sobre o tema do desemprego, Lais Abramo, diretora da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho no Brasil (OIT), afirma que a crise do trabalho j\u00e1 existia antes da crise financeira internacional. Segundo ela, no final de 2007 eram 195 milh\u00f5es de pessoas desempregadas no mundo e, segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, metade dos que trabalhavam eram pobres, ganhando menos de 2 d\u00f3lares ao dia, e quase 20% ganhava menos de 1 d\u00f3lar ao dia. Esses dados apontam a precariedade do mundo do trabalho e algo mais grave ainda: o fato de trabalhar n\u00e3o ser suficiente para ter acesso \u00e0 cidadania. \u00c9 por isso que Lais afirma que a resposta \u00e0 crise n\u00e3o deve ser uma volta ao status quo anterior. <\/P><br \/>\n<P>Ela tamb\u00e9m falou sobre o Pacto Mundial pelo Emprego, uma iniciativa da OIT para enfrentar os efeitos da crise. &#8216;Trata-se de uma resposta da perspectiva do trabalho decente, um modelo mais eq\u00fcitativo e com mais justi\u00e7a social&#8217;. Lais mencionou an\u00e1lises sobre os pacotes de est\u00edmulo fiscal feitos desde que a crise financeira teve in\u00edcio: do valor total de d\u00f3lares que foram utilizados desde setembro de 2008, apenas 9,2% foi destinado \u00e0 assist\u00eancia social de fam\u00edlias pobres e apenas 1,8% a programas de cria\u00e7\u00e3o de emprego. &#8216;Quando h\u00e1 uma crise, a recupera\u00e7\u00e3o do emprego \u00e9 muito mais demorada do que a da bolsa de valores e muitas vezes nesses momentos em que s\u00e3o feitos reajustes da produ\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel do emprego nunca volta a ser o mesmo n\u00edvel pr\u00e9-crise&#8217;. <\/P><br \/>\n<P>O Pacto da OIT trata-se de um conjunto de alternativas que devem ser analisadas de acordo com a realidade de cada pa\u00eds, mas define alternativas como o aumento do investimento de infra-estrutura e dos bens p\u00fablicos, a valoriza\u00e7\u00e3o do mercado interno, a garantia do fluxo de cr\u00e9dito para pequenas e m\u00e9dias empresas, e a extens\u00e3o do seguro desemprego e do sal\u00e1rio m\u00ednimo, recursos que v\u00e3o direto para as m\u00e3os do trabalhador. <\/P><br \/>\n<P>Para o ministro Luiz Dulci, os programas sociais, al\u00e9m de serem justos, t\u00eam tamb\u00e9m um papel macro-econ\u00f4mico porque contribuem para dinamizar o mercado interno. &#8216;As pessoas que recebem a transfer\u00eancia de renda n\u00e3o compram t\u00edtulos da bolsa de Nova York, elas compram alimentos, vestu\u00e1rios. As pequenas e m\u00e9dias empresas contrataram, durante a crise, 700 mil novos trabalhadores, as mesmas que s\u00e3o beneficiadas pelo dinheiro que circula gra\u00e7as aos programas sociais.&#8217;. \u00c9 por isso que, como afirmou o ministro, Lula proibiu sua equipe de utilizar a express\u00e3o &#8216;gasto social&#8217;, passando a utilizar a palavra investimento. <\/P><br \/>\n<P>Dulci encerrou a mesa de debates lembrando a nova ordem mundial. Para ele, a crise \u00e9 uma oportunidade para resgatar o papel da esquerda. &#8216;As condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o dadas para uma ofensiva ideol\u00f3gica. A gente teria que voltar a ter orgulho de ser esquerda. O mundo que criou as Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00e3o existe mais, o G8 acabou. O movimento sindical internacional deveria ser mais ousado, mais juvenil, para exigir o seu lugar nas discuss\u00f5es econ\u00f4micas mundiais. Deveria reivindicar um assento no G20. Precisamos recuperar uma certa ousadia, tem algumas boas e velhas t\u00e1ticas de greve que talvez sejam \u00fateis no momento atual. Como pode ser reestruturada a nova ordem do mundo sem o movimento sindical?&#8217;, finalizou o ministro, com veia de sindicalista. <EM>(Luana Lila)<\/EM><\/P><br \/>\n<P>&nbsp;<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiras mesas de discuss\u00f5es ocorreram na tarde de segunda (03) e continuam durante toda esta ter\u00e7a. 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