{"id":6872,"date":"2009-07-16T10:32:27","date_gmt":"2009-07-16T10:32:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/v-enacom-hora-de-avancar\/"},"modified":"2009-07-16T10:32:27","modified_gmt":"2009-07-16T10:32:27","slug":"v-enacom-hora-de-avancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=6872","title":{"rendered":"V Enacom: hora de avan\u00e7ar!"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>De quarta (15) a sexta (17), Sinergia CUT participa do Encontro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT. Pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o!<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>A Central \u00danica dos Trabalhadores de in\u00edcio na noite de quarta (15) ao seu V Encontro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o (Enacom), que vai at\u00e9 a sexta-feira (17). O encontro \u00e9&nbsp;potencializado neste ano pela 1\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o (Confecom), convocada pelo presidente Lula para o come\u00e7o de dezembro.<\/P><br \/>\n<P>Na entrevista abaixo, a secret\u00e1ria nacional de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT, Rosane Bertotti, destaca o significado destes eventos para afirmar o protagonismo da classe trabalhadora na luta pela democratiza\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es e da pr\u00f3pria sociedade brasileira, defendendo o controle social das concess\u00f5es p\u00fablicas como elemento central. A dirigente cutista tamb\u00e9m denunciua a postura arbitr\u00e1ria e reacion\u00e1ria do Supremo Tribunal Federal &#8211; que se posicionou pelo fim da Lei de Imprensa e do diploma para jornalistas &#8211; e condena a proposta do PL-29 de abertura indiscriminada ao oligop\u00f3lio estrangeiro das telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Qual a sua expectativa em rela\u00e7\u00e3o ao V Enacom?<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>As melhores poss\u00edveis. Vejo a realiza\u00e7\u00e3o do Encontro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT como a continuidade de um intenso processo de amadurecimento pol\u00edtico e ideol\u00f3gico, da compreens\u00e3o do nosso papel enquanto agentes de transforma\u00e7\u00e3o.&nbsp; Claro, se j\u00e1 havia uma determina\u00e7\u00e3o de realizarmos o Enacom, ela foi multiplicada com a convoca\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o. A Confecom&nbsp; coloca na ordem do dia a regulamenta\u00e7\u00e3o do que se convencionou chamar de Quarto Poder, que se cr\u00ea acima dos demais, a quem tenta controlar e at\u00e9 mesmo subjugar. A tomada de consci\u00eancia de que h\u00e1 uma disputa de projetos em curso e que os meios de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam se alinhado historicamente contra a grande maioria, contra os interesses nacionais e populares, buscando manter os privil\u00e9gios de uma \u00ednfima minoria, nos impulsiona \u00e0 a\u00e7\u00e3o pela democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 essencial para o aprofundamento da pr\u00f3pria democracia no pa\u00eds. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Do ponto de vista pr\u00e1tico, o que a CUT vem fazendo para mudar esta realidade?<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>H\u00e1, naturalmente, uma a\u00e7\u00e3o interna e outra externa. Dentro, temos investido nos nossos instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o e na gera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, com abordagem sobre a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica-sindical da entidade, mas tamb\u00e9m abordando cultura, economia e pol\u00edtica internacional, particularmente atrav\u00e9s do Portal do Mundo do Trabalho e do Jornal da CUT. Al\u00e9m disso, podemos comemorar a conforma\u00e7\u00e3o da Rede Brasil Atual, onde al\u00e9m da Revista do Brasil, com seus 360 mil exemplares, temos a R\u00e1dio Brasil Atual e a p\u00e1gina da internet. Os companheiros do ABC conseguiram h\u00e1 pouco tempo a concess\u00e3o da sua TV. Colaboramos tamb\u00e9m para que v\u00e1rias CUTs estaduais estruturassem as suas p\u00e1ginas web e as mantenham atualizadas. No \u00e2mbito externo, a pr\u00f3pria convoca\u00e7\u00e3o da Confecom, que \u00e9 um marco na hist\u00f3ria brasileira, \u00e9 resultado da nossa a\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o ao lado de parceiros preciosos como os do F\u00f3rum Nacional pela Democratiza\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o, da Abra\u00e7o, da Fenaj, do Coletivo Intervozes e de tantos que v\u00eam lutando para que esta bandeira se torne realidade. Ao mesmo tempo estamos procurando incentivar os canais comunit\u00e1rios e a imprensa alternativa, que merecem muito mais apoio e aten\u00e7\u00e3o dos governos populares. No fundamental, estamos avan\u00e7ando. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>O que \u00e9 priorit\u00e1rio para democratizar a comunica\u00e7\u00e3o neste momento? <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>A democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o passa pelo controle social das concess\u00f5es p\u00fablicas, pela constru\u00e7\u00e3o de um novo marco regulat\u00f3rio que rompa de uma vez por todas com a ditadura de meia d\u00fazia de fam\u00edlias que controla o latif\u00fandio midi\u00e1tico em nosso pa\u00eds. Latif\u00fandio que \u00e9 improdutivo do ponto de vista da pluralidade, pois desrespeita o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o veraz ao mercantilizar a not\u00edcia, criminaliza os movimentos sociais, promove a baixaria, fecha espa\u00e7os para a diversidade regional, minimiza e empobrece a cultura nacional, aliena e deseduca.&nbsp; Nesta queda de bra\u00e7o, precisamos estar alertas quanto a tentativa reacion\u00e1ria de se sacramentar o controle dos monop\u00f3lios estrangeiros sobre as diversas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o, principalmente, atrav\u00e9s das teles. Vale lembrar que a comunica\u00e7\u00e3o vinha sendo tratado como tabu at\u00e9 bem pouco tempo, sendo vedada \u00e0 participa\u00e7\u00e3o popular. Da\u00ed a import\u00e2ncia de aproveitarmos esta oportunidade para romper os gargalos que asfixiam o sistema de comunica\u00e7\u00e3o brasileiro, apontando para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que o oxigenem, com fortalecimento de canais de r\u00e1dio e televis\u00e3o comunit\u00e1rios, p\u00fablicos e estatais, com descentraliza\u00e7\u00e3o das publicidades. O pr\u00f3prio tema da Confer\u00eancia, &#8216;Comunica\u00e7\u00e3o: meios para a constru\u00e7\u00e3o de direitos e de cidadania na era digital&#8217;, reflete o desafio do momento e as imensas possibilidades que se abrem a partir do desenvolvimento das novas tecnologias. Acima de tudo, dialoga com a inclus\u00e3o. J\u00e1 que temos por princ\u00edpio que o acesso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 direito humano, uma de nossas bandeiras \u00e9 que o acesso \u00e0 banda larga seja gratuito para todos. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E o projeto do deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o chamado AI-5 digital?<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>Sem d\u00favida, \u00e9 bastante preciso o apelido, identificando a medida com o instrumento utilizado pela ditadura para cercear as liberdades democr\u00e1ticas no pa\u00eds. Porque \u00e9 um mecanismo excludente, que vem na contram\u00e3o de tudo o que estamos construindo para uma rede de comunica\u00e7\u00e3o aberta. \u00c9 uma tentativa inadmiss\u00edvel de censura \u00e0 internet, cada vez mais uma express\u00e3o plural da liberdade na era da informa\u00e7\u00e3o mercantilizada, onde poucas empresas concentram o fluxo da comunica\u00e7\u00e3o. Com seu projeto, o deputado tucano coloca obst\u00e1culos ao livre interc\u00e2mbio de mensagens e torna suspeitos de pr\u00e1tica criminosa todos os usu\u00e1rios. Entre tantos abusos, transforma os provedores de acesso em pol\u00edcia privada, atentando contra a privacidade dos internautas, justificando ainda por cima a eleva\u00e7\u00e3o dos j\u00e1 absurdos custos. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>De um lado, o projeto policialesco para asfixiar a internet, do outro a decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal de acabar com a Lei de Imprensa, facilitando a vida dos monop\u00f3lios privados. O que fazer?<\/STRONG>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/P><br \/>\n<P>Avaliamos que o STF imp\u00f4s ao pa\u00eds a mesma l\u00f3gica do faroeste, conferindo carta branca aos monop\u00f3lios de comunica\u00e7\u00e3o, que dominam quase completamente o espectro audiovisual e a formata\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias e informa\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. Aquela era uma lei dos tempos da ditadura militar, que tanto combatemos, e precisava ser completamente reformulada. Mas, infelizmente, o que o STF fez foi conferir aos meios de comunica\u00e7\u00e3o os mesmos poderes discricion\u00e1rios da \u00e9poca. A Lei de Imprensa determinava penas maiores para os crimes de cal\u00fania e difama\u00e7\u00e3o do que o c\u00f3digo penal, sendo um anteparo contra os abusos dos donos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que, agora, se veem sem freios. Na pr\u00e1tica, ficaram ainda mais vulner\u00e1veis os que s\u00e3o bombardeados cotidianamente pelos m\u00edsseis dos anti-valores pol\u00edticos, ideol\u00f3gicos e culturais, via r\u00e1dio, televis\u00e3o, revista e jornal. Uniformizando o discurso, nos imp\u00f5em padr\u00f5es de comportamento que exacerbam a viol\u00eancia, o consumismo e o preconceito. Desta forma, ao contr\u00e1rio de se investir no fortalecimento de uma imprensa livre, diversa e plural, a decis\u00e3o do STF fomenta ainda mais os v\u00ednculos pol\u00edtico-financeiros entre os donos dos meios e seus financiadores, ao negar o direito de resposta a quem \u00e9 atacado. Uma luta &#8216;livre&#8217; entre um peso pesado e um mini-mosca, a quem \u00e9 conferido o direito de apanhar e ser hospitalizado. Agora, os pedidos de resposta &#8211; mais do que necess\u00e1rios diante dos reiterados abusos praticados cotidianamente por uma m\u00eddia que reduziu a informa\u00e7\u00e3o a um neg\u00f3cio qualquer &#8211; ficar\u00e3o \u00e0 merc\u00ea da interpreta\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes, \u00e0 luz do par\u00e1grafo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, que assegura muito genericamente o &#8216;direito de resposta, proporcional ao agravo&#8217; e indeniza\u00e7\u00e3o por eventuais danos. A CUT defende a aprova\u00e7\u00e3o de uma nova lei que regulamente o setor, pondo freio a eventuais abusos. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>E, mais recentemente, tivemos o fim da obrigatoriedade do diploma para os jornalistas&#8230;<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>Exato. S\u00e3o medidas arbitr\u00e1rias do STF, que se somam num retrocesso institucional que exp\u00f5e o vergonhoso atrelamento da mais alta corte do pa\u00eds aos interesses da elite (anti) brasileira, ao seleto grupo de novos coron\u00e9is que controlam a m\u00eddia. Na verdade, como diz a nossa Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas, o fim do diploma consolida o cen\u00e1rio dos sonhos dos que por serem donos de meios de comunica\u00e7\u00e3o se cr\u00eaem donos da verdade, amea\u00e7ando as bases da pr\u00f3pria democracia brasileira. A Fenaj alerta que, ao contr\u00e1rio do que querem fazer crer, a desregulamenta\u00e7\u00e3o total das atividades de imprensa no Brasil n\u00e3o atende aos princ\u00edpios da liberdade de express\u00e3o e de imprensa consignados na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira nem aos interesses da sociedade, mas \u00e9, na verdade, uma amea\u00e7a a esses princ\u00edpios e, inequivocamente, uma amea\u00e7a a outras profiss\u00f5es regulamentadas que poder\u00e3o passar pelo mesmo ataque, agora perpetrado contra os jornalistas. O STF agrediu a mem\u00f3ria de gera\u00e7\u00f5es de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revogou uma conquista social de mais de 40 anos. Em seu pronunciamento, o ministro Gilmar Mendes transferiu exclusivamente aos patr\u00f5es a condi\u00e7\u00e3o de definir crit\u00e9rios de acesso \u00e0 profiss\u00e3o. Da mesma forma como o Supremo fez no julgamento da Lei de Imprensa, confundiu liberdade de express\u00e3o e de imprensa com o exerc\u00edcio de uma atividade profissional altamente especializada, que exige in\u00fameros conhecimentos te\u00f3ricos e t\u00e9cnicos, al\u00e9m de s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o humana e \u00e9tica. Nosso compromisso \u00e9 seguir batalhando ao lado da Fenaj em defesa da regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e da qualifica\u00e7\u00e3o do jornalismo, mobilizando a sociedade brasileira contra os reiterados ataques de empres\u00e1rios que tentam desqualificar a profiss\u00e3o para impor a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e ampliar o arrocho salarial existente. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>A CUT j\u00e1 se manifestou contr\u00e1ria ao PL-29. Agora, est\u00e1 para ser votada uma nova vers\u00e3o, que \u00e9 ainda pior, cujo relat\u00f3rio \u00e9 do deputado Vital do R\u00eago Filho (PMDB\/PB), na Comiss\u00e3o de Defesa do Consumidor da C\u00e2mara. E agora?<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>No fundamental, como j\u00e1 denunciamos, o PL-29 &#8216;escancara as portas para o oligop\u00f3lio estrangeiro das telecomunica\u00e7\u00f5es, desnacionalizando ainda mais o setor&#8217;, como afirmou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) sobre o substitutivo proposto pelo deputado Bittar. Agora, o deputado Vital Rego Filho retira os pretensos&nbsp; &#8216;avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos&#8217; e at\u00e9 mesmo as inexpressivas cotas propostas para a produ\u00e7\u00e3o nacional e nacional independente. \u00c9, sem d\u00favida, ainda pior do que a anterior, pois suprime o princ\u00edpio de &#8216;promo\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e cultura brasileiras&#8217;, ao mesmo tempo em que sublinha a &#8216;liberdade de iniciativa, m\u00ednima interven\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, modicidade de pre\u00e7os e defesa da concorr\u00eancia&#8217;. Isso tudo para jogar \u00e1gua no moinho das tr\u00eas empresas que monopolizam o mercado de TV por assinatura no pa\u00eds, atendendo uma parcela extremamente restrita da popula\u00e7\u00e3o devido aos pre\u00e7os elevados: a espanhola Telef\u00f4nica, dona da TVA; da Telmex, dona da NET; e da Sky, pertencente ao grande bar\u00e3o da m\u00eddia Rudolf Murdoch. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Em vez de se avan\u00e7ar, dando vida aos artigos da Constitui\u00e7\u00e3o de 88 que n\u00e3o foram regulamentados, o PL-29 aposta em um retrocesso ainda maior&#8230;<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>O fato \u00e9 que a duas d\u00e9cadas,n\u00e3o t\u00ednhamos nem TV a cabo nem internet. Da\u00ed a necessidade de que elas se submetam ao que estabelece&nbsp; a Constitui\u00e7\u00e3o, expressos nos artigos 221, 222 e 223, justamente os que n\u00e3o est\u00e3o regulamentados e que estabelecem claramente prefer\u00eancia a finalidades educativas, art\u00edsticas, culturais e informativas; promo\u00e7\u00e3o da cultura nacional e regional e est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o independente; regionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cultural&#8230; Agora, em vez de servir para atualizar a legisla\u00e7\u00e3o e estabelecer normas onde existem &#8216;v\u00e1cuos&#8217;, como o da TV por assinatura via sat\u00e9lite, o PL 29 vem para socorrer a ind\u00fastria de entretenimento dos monop\u00f3lios estrangeiros, legalizando a burla da Lei do Cabo. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ou seja,&nbsp; o que vem sendo praticado&nbsp; hoje na&nbsp; TV a cabo \u00e9 exatamente o oposto do estabelecido como princ\u00edpio na Constitui\u00e7\u00e3o Federal? <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Exato. Como diz a propaganda de uma destas companhias estrangeiras: &#8216;nestas f\u00e9rias, assine a TV X e deixe seus filhos em boa companhia&#8217;. S\u00e3o canais do estilo Discovery Kids, Warner, Cartoon Networks, Disney, Nickelodeon, Fox, Telecines, que passam exclusivamente produtos enlatados, sem qualquer identidade com a cultura brasileira, injetando preconceitos, padr\u00f5es de comportamento e consumo a crian\u00e7as e jovens, tendo a viol\u00eancia como a principal est\u00e9tica e o lucro como objetivo central. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Caminh\u00f5es de d\u00f3lares&#8230;<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>Os neg\u00f3cios da ind\u00fastria do entretenimento&nbsp; somam mais de US$ 1,5 trilh\u00e3o, sendo US$ 260 bilh\u00f5es s\u00f3 nos EUA. Al\u00e9m disso, existe um v\u00ednculo comprovado com a ind\u00fastria b\u00e9lica e os interesses nacionais norte-americanos. Desta forma \u00e9 natural que os generosos agentes da CIA e os rambos da vida enfrentem vietnamitas torturadores, palestinos terroristas, cubanos traficantes e outras invencionices. A batalha da m\u00eddia virou uma guerra de posi\u00e7\u00f5es, como j\u00e1 nos ensinava Gramsci, e n\u00e3o se d\u00e1 bem quem entrega a pr\u00f3pria trincheira ao inimigo. Elevo o tom do debate pois o fato \u00e9 que se n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o ao contradit\u00f3rio na TV comercial, h\u00e1 ainda menos na TV paga, completamente loteada entre os estrangeiros. A quest\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima. O que est\u00e1 sendo inteiramente desconsiderado, para n\u00e3o dizer apagado e mutilado, somos n\u00f3s: nossa cultura, nossas ra\u00edzes, nossa m\u00fasica, nossos desenhos, nossos her\u00f3is, nossos valores, nossa auto-estima, a forma como nos vemos e vemos aos outros&#8230; Como j\u00e1 nos alertou Marx, os meios &#8216;recolhem, produzem e distribuem conhecimento e ideologia&#8217;. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Estamos falando sobre algo que dialoga com a soberania nacional, com a forma\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, de car\u00e1ter, do presente e futuro de gera\u00e7\u00f5es. Como o tema das outorgas \u00e9 ser\u00edssimo, n\u00e3o deveria ser submetido a crit\u00e9rios mais duros?<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>Evidentemente. S\u00f3 que o substitutivo do deputado Vital do Rego Filho assinala que as outorgas de redes ser\u00e3o dadas por simples autoriza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por concess\u00e3o. Foi o que ocorreu quando da implanta\u00e7\u00e3o de TV por assinatura via sat\u00e9lite, que sequer passou pelo Congresso. Assim, com uma portaria do Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, foram distribu\u00eddas autoriza\u00e7\u00f5es para Globo (Sky\/News Corp.\/Televisa) e Abril (DirecTV\/Hughes Eletronics\/grupo Cisneros) antes mesmo de regulamenta\u00e7\u00e3o. O nome pomposo em que foi enquadrada a medida, &#8216;Servi\u00e7o Especial de Telecomunica\u00e7\u00f5es&#8217;,serviu para mascarar a entrega, sem restri\u00e7\u00e3o, ao capital estrangeiro. Posteriormente, a transa\u00e7\u00e3o foi regulamenta\u00e7\u00e3o com uma Norma 08\/97, contida na Portaria 321, de 25 de maio de 1997, quando mudou de nome para Servi\u00e7o de Distribui\u00e7\u00e3o de Sinais de Televis\u00e3o e de \u00c1udio por Sat\u00e9lite (DTH). S\u00e3o quest\u00f5es como estas que est\u00e3o em jogo e que deveriam sensibilizar os setores governamentais para a libera\u00e7\u00e3o imediata dos recursos para a Confecom. Afinal, este \u00e9 um debate que interessa a toda sociedade, diz respeito a um projeto de pa\u00eds e que confronta soberania e submiss\u00e3o, desenvolvimento e atraso, consci\u00eancia e aliena\u00e7\u00e3o. Por isso n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>A partir do seu Encontro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o, a CUT sair\u00e1 ainda mais preparada para o embate&#8230;<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>Evidentemente. Ser\u00e1 um debate amplo, livre e que, com certeza, produzir\u00e1 bons frutos, contribuindo para o intenso processo de mobiliza\u00e7\u00e3o que desejamos desencadear pelo pa\u00eds afora, aproveitando ao m\u00e1ximo o processo da Confer\u00eancia Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o. No nosso Enacom, al\u00e9m das interven\u00e7\u00f5es de especialistas e dirigentes das diversas entidades representativas do segmento, teremos o envolvimento de companheiros e companheiras que colocam a CUT na vanguarda do sindicalismo brasileiro, justamente pela sua capacidade de elabora\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais. Estamos otimistas. <EM>(Leonardo Severo)<BR><\/EM><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De quarta (15) a sexta (17), Sinergia CUT participa do Encontro Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT. Pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o! A Central \u00danica dos Trabalhadores de in\u00edcio na noite de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}