{"id":6613,"date":"2009-01-16T13:26:00","date_gmt":"2009-01-16T13:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/emprego-e-salario-em-primeiro-lugar\/"},"modified":"2009-01-16T13:26:00","modified_gmt":"2009-01-16T13:26:00","slug":"emprego-e-salario-em-primeiro-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=6613","title":{"rendered":"Emprego e sal\u00e1rio em primeiro lugar"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>&#8216;Reduzir jornada semanal de trabalho sim. Reduzir sal\u00e1rio, n\u00e3o&#8217;, refor\u00e7a a dire\u00e7\u00e3o da CUT&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>A CUT, como vem fazendo h\u00e1 pelo menos seis anos, quando deu in\u00edcio a uma campanha nacional, tem defendido a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas. Mas sem a hip\u00f3tese de reduzir os sal\u00e1rios dos trabalhadores. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;At\u00e9 mesmo porque os lucros acumulados pelos setores econ\u00f4micos e as taxas de produtividade registraram crescimento expressivo nos \u00faltimos anos, o que cria larga margem para a redu\u00e7\u00e3o da jornada e a prote\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios sem preju\u00edzo para a competitividade ou perdas econ\u00f4micas para os empregadores. Temos n\u00fameros consistentes que comprovam isso&#8217;, diz o secret\u00e1rio geral da CUT, Quintino Severo. <\/P><br \/>\n<P>Essa lembran\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria diante de posicionamento manifestado esta semana pela Fiesp, que atrav\u00e9s de seu presidente Paulo Skaf defendeu a redu\u00e7\u00e3o da jornada como forma de manter o n\u00edvel de emprego, mas com uma diferen\u00e7a importante em rela\u00e7\u00e3o ao que pensa a CUT. Paulo Skaf diz que o sal\u00e1rio tamb\u00e9m deveria ser diminu\u00eddo.<\/P><br \/>\n<P>Quintino lembra que a produtividade da ind\u00fastria brasileira cresceu 150% em per\u00edodo de 15 anos compreendido at\u00e9 2001, segundo pesquisa realizada pelo economista C\u00e1ssio Calvete, do Dieese, em tese de mestrado defendida junto \u00e0 Unicamp em 2006. &#8216;Este j\u00e1 \u00e9 um indicativo e tanto sobre o excedente de capital acumulado por este setor&#8217;, diz o secret\u00e1rio-geral. <\/P><br \/>\n<P>Dados mais recentes levantados pelo IBGE, relativos ao per\u00edodo entre os anos 2000 e 2006, apontam em igual dire\u00e7\u00e3o, registrando crescimento da produtividade industrial em 30%. <\/P><br \/>\n<P>J\u00e1 em 2007, segundo o &#8216;Anu\u00e1rio dos Trabalhadores 2008&#8217;, publicado pelo Dieese, o crescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira foi de 6% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, o que representa um outro indicador importante. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Custo &#8211;<\/STRONG> Para o dirigente da CUT, \u00e9 fundamental tamb\u00e9m mencionar que o custo da m\u00e3o de obra industrial brasileira, por hora, \u00e9 de US$ 4,9. Na Dinamarca, numa ponta, esse custo \u00e9 de US$ 35,5. Na outra ponta, s\u00f3 o custo hor\u00e1rio do trabalho industrial mexicano \u00e9 menor do que o do Brasil, entre 19 pa\u00edses selecionados pelo mesmo &#8216;Anu\u00e1rio dos Trabalhadores&#8217;. No M\u00e9xico, pa\u00eds que tristemente tem registrado deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria de sua popula\u00e7\u00e3o, em especial por ter aderido quase cegamente ao receitu\u00e1rio de Washington, esse custo \u00e9 de US$ 2,8. &#8216;N\u00e3o podemos nem imaginar algo parecido no Brasil&#8217;, rejeita Quintino. <\/P><br \/>\n<P>O economista C\u00e1ssio Calvete lembra ainda que a redu\u00e7\u00e3o da jornada sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio aumentaria o custo da m\u00e3o de-obra em 2%, o que seria absorvido em apenas seis meses, frente ao ritmo de crescimento da produtividade. Calvete adverte que uma poss\u00edvel redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o significa necessariamente queda da produtividade. &#8216;Na d\u00e9cada de 1990&#8217;, lembra o economista, &#8216;houve forte desacelera\u00e7\u00e3o e, mesmo assim, a produtividade industrial cresceu a fortes taxas, em m\u00e9dia 8% ao ano&#8217;. Os dados s\u00e3o baseados em informa\u00e7\u00f5es do IBGE. <\/P><br \/>\n<P>Debate estrutural, n\u00e3o conjuntural &#8211; Quintino tamb\u00e9m frisa que a CUT defende a redu\u00e7\u00e3o da jornada desde muito antes que os temores provocados pela crise financeira internacional come\u00e7assem. &#8216;Nosso objetivo sempre foi o de gerar novos empregos e, com isso, distribuir um pouco melhor a renda e aumentar a participa\u00e7\u00e3o do trabalho no PIB nacional. Agora, vem a Fiesp pegar essa bandeira na esteira da crise e da possibilidade de demiss\u00f5es, o que n\u00e3o deixa de ser oportunismo. E mais ainda: quando fala em redu\u00e7\u00e3o de jornada com redu\u00e7\u00e3o proporcional dos sal\u00e1rios, o que a Fiesp pretende \u00e9 nada mais nada menos que manter margens de lucro, ou at\u00e9 mesmo ampli\u00e1-las. \u00c9 preciso ter claro que isso nada tem a ver com preocupa\u00e7\u00e3o social, como pode parecer&#8217;, analisa o secret\u00e1rio-geral da CUT. <\/P><br \/>\n<P>Lembrando tamb\u00e9m a recente propaganda institucional de TV estrelada por Paulo Skaf, Quintino destaca a frase com que o presidente da Fiesp encerra o comercial: &#8216;\u00c9 preciso exigir e respeitar direitos&#8217;. Dando cr\u00e9dito \u00e0 veracidade dessa inten\u00e7\u00e3o, Quintino refor\u00e7a a disposi\u00e7\u00e3o da CUT para negociar. &#8216;Mas sem essa de redu\u00e7\u00e3o de direitos, nem mesmo temporariamente&#8217;, garante. O secret\u00e1rio geral avalia que a negocia\u00e7\u00e3o deve ser vista de forma estrutural, e n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o apenas da conjuntura atual, e que um dos espa\u00e7os para essa discuss\u00e3o \u00e9 a reforma tribut\u00e1ria e as c\u00e2maras setoriais, propostas pela CUT ao governo federal e ao empresariado. <EM>(Isa\u00edas Dalle)<\/EM> <BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Reduzir jornada semanal de trabalho sim. 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