{"id":6451,"date":"2008-10-09T19:04:04","date_gmt":"2008-10-09T19:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/artigo-a-vigorosa-atualidade-das-ideias-de-che-guevara-41-anos-depois\/"},"modified":"2008-10-09T19:04:04","modified_gmt":"2008-10-09T19:04:04","slug":"artigo-a-vigorosa-atualidade-das-ideias-de-che-guevara-41-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=6451","title":{"rendered":"Artigo: A vigorosa atualidade das id\u00e9ias de Che Guevara, 41 anos depois&#8230;"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>H\u00e1 41 anos, num 8 de outubro como hoje, a humanidade recebia a not\u00edcia da covarde execu\u00e7\u00e3o de Ernesto Guevara por um agente da CIA na Bol\u00edvia, horas ap\u00f3s ter sido aprisionado por uma patrulha do ex\u00e9rcito boliviano controlado pelo ex\u00e9rcito dos EUA. A troca r\u00e1pida de telefonemas entre os comandos militares de La Paz e Washington deixou antever a pressa em eliminar a presa, antes que todo um mundo de manifesta\u00e7\u00f5es gigantescas se levantassem mundo afora para exigir a liberta\u00e7\u00e3o de Che. J\u00e1 era prova do temor \u00e0s suas id\u00e9ias, ao seu exemplo, \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria. <\/P><br \/>\n<P>Hoje, toneladas de papel continuam sendo escritas sobre ele, o debate segue com vigor. O aparato ideol\u00f3gico capitalista \u00e9 obrigado a dar continuidade ao trabalho de demoli\u00e7\u00e3o da imagem hist\u00f3rica de Che, comprovando, contra a sua vontade, que seu exemplo e suas id\u00e9ias seguem amedrontando os donos do capital e do poder. Os publicit\u00e1rios capitalistas apenas superam-se na capacidade de insultos e ofensas \u00e0 personalidade do Che, revelando, involuntariamente, sua incapacidade de apagar da hist\u00f3ria este personagem, que, ao contr\u00e1rio, se agiganta. Especialmente agora, quando os fantasmas de uma nova crise do capitalismo especulativo baseado em moeda falsa desequilibra a mais potente economia capitalista do mundo, ramificando a crise por todos os lados, dada a extraordin\u00e1ria depend\u00eancia que a economia mundial construiu em torno de alguns destes p\u00f3los capitalistas, hoje em crise. O fantasma de Che tira o sono dos capitalistas, ele mesmo que deu continuidade \u00e0 abordagem te\u00f3rica de Marx e L\u00eanin sobre a inevitabilidade da crise do sistema do capital, e, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m desenvolveu importantes aspectos da cr\u00edtica que Trotsky fazia \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que, tal como fan\u00e1ticos religiosos, muitos partidos comunistas, entre eles um que traiu criminosamente ao Che, o boliviano, classificavam incorretamente como socialismo.<\/P><br \/>\n<P><BR>A previs\u00e3o de Trotsky, feita l\u00e1 em 1936, de que a URSS se desmoronaria n\u00e3o pela invas\u00e3o militar externa, mas pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna que retomasse a democracia sovi\u00e9tica vivida em plenitude nos sete primeiros anos revolucion\u00e1rios, &#8211; a \u00fanica forma de democracia livre da tirania do capital &#8211; s\u00f3 veio a ser cumprida, dramaticamente, em 1990, com a sua dissolu\u00e7\u00e3o. Quarenta anos depois, as cr\u00edticas de Che \u00e0quela estrutura burocratizada, distante dos ideais socialistas, degenerada na sua forma de funcionamento interno, tamb\u00e9m adquirem vigor e atualidade, como a cr\u00edtica de Trotsky; para desespero dos cat\u00e1logos publicit\u00e1rios a soldo do capital, como a Revista Veja aqui no Brasil. Estes, diante da monumental comprova\u00e7\u00e3o de toda uma an\u00e1lise hist\u00f3rica e um desenvolvimento te\u00f3rico magistral rigorosamente confirmado pelos acontecimentos, contra-atacam apenas com falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e insultos, chegando a ponto de usar como &#8216;argumento&#8217; contra Che&#8230; &#8216;que ele cheirava mal&#8217;, numa confiss\u00e3o de sua desqualificada estatura intelectual. Esta cr\u00edtica de Che \u00e0 economia sovi\u00e9tica burocratizada ganhou ampla divulga\u00e7\u00e3o recentemente &#8211; 40 anos depois de elaborada &#8211; por meio da publica\u00e7\u00e3o do indispens\u00e1vel livro &#8216;Apontamentos cr\u00edticos \u00e0 economia pol\u00edtica&#8217;, infelizmente, ainda n\u00e3o publicado no Brasil at\u00e9 hoje, desafiando o mundo editorial e em particular aos partidos de esquerda, inclusive alguns que elogiam religiosamente a Che, mas n\u00e3o o publicam. Por qu\u00ea?<\/P><br \/>\n<P>De sua personalidade enriquecida pela intelig\u00eancia, pelo estudo persistente, pela bravura desprendida e infinita e pela \u00e9tica revolucion\u00e1ria haveria muito sobre o que escrever, estudar, aprender, desenvolver, e, sobretudo, aplicar dialeticamente para as contradi\u00e7\u00f5es da luta de classes atual. Mas, num artigo limitado no espa\u00e7o e no tempo, mencionemos apenas algumas destas caracter\u00edsticas que confirmam aquela vigorosa atualidade reivindicada ao in\u00edcio: o Che comunicador revolucion\u00e1rio, o Che m\u00e9dico-revolucion\u00e1rio e o Che ministro-revolucion\u00e1rio.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>O comunicador Che Guevara<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Uma das facetas desta extraordin\u00e1ria personalidade \u00e9 o jornalista Che Guevara. N\u00e3o \u00e9 o caso de detalhar aqui sobre suas atividades como foto-jornalista e seus escritos denunciando as injusti\u00e7as das veias hemorragicamente abertas da Am\u00e9rica Latina antes mesmo de vincular-se ao movimento revolucion\u00e1rio cubano no M\u00e9xico, ap\u00f3s escapar da invas\u00e3o ianque \u00e0 Guatemala rebelde do coronel Jacob Arbenz. Mas, o organizador revolucion\u00e1rio tamb\u00e9m na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o logo se expressou quando, ainda durante os combates em Sierra Maestra, Che organizou a funda\u00e7\u00e3o de um peri\u00f3dico, cuja impress\u00e3o foi poss\u00edvel em gr\u00e1fica montada com equipamentos levados a lombo de burro e em v\u00e1rias viagens clandestinas para o quartel-general da guerrilha comandada por Fidel. Logo depois, um passo ainda mais audaz: a funda\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Rebelde, tamb\u00e9m em territ\u00f3rio liberado de Sierra Maestra. Os transmissores foram igualmente para l\u00e1 conduzidos em lombo de burro e as emiss\u00f5es puderam ser captadas por r\u00e1dios venezuelanas que, por sua vez, retransmitiam muitas dessas alocu\u00e7\u00f5es de Fidel e de Che, poss\u00edveis de serem captadas por r\u00e1dios da Argentina. A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana come\u00e7ava a construir seu sistema de comunica\u00e7\u00e3o social revolucion\u00e1rio.<\/P><br \/>\n<P>A R\u00e1dio Rebelde desceu da Sierra Maestra na ponta do fuzil e existe atualmente, continua coerentemente fazendo jornalismo revolucion\u00e1rio. Ap\u00f3s a tomada do poder, Che continuou tomando iniciativas como comunicador, era extraordinariamente consciente da imperiosa necessidade de travar a batalha das id\u00e9ias contra o dil\u00favio de manipula\u00e7\u00e3o e mentiras que at\u00e9 hoje se lan\u00e7am contra Cuba Socialista. Baseado numa iniciativa de um seu conterr\u00e2neo, o general Juan Domingos Per\u00f3n, outro dirigente igualmente atento para a necessidade de enfrentar o sistema imperialista de desinforma\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o pela qual criou na Argentina uma Ag\u00eancia Latina de Not\u00edcias, Che Guevara foi um dos principais respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Prensa Latina, ainda hoje desempenhando imprescind\u00edvel papel nesta luta de classes ideol\u00f3gica e informativa, especialmente revelando as maquina\u00e7\u00f5es do terrorismo midi\u00e1tico incessante contra Cuba e contra todos os governos e povos que adotam posi\u00e7\u00f5es de transforma\u00e7\u00e3o social, soberania e independ\u00eancia ante o imp\u00e9rio.. Che, sempre organizador, foi ainda o criador da Verde Olivo, revista das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias de Cuba, no que se revela a import\u00e2ncia da quest\u00e3o militar e da nova fun\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria atribu\u00edda aos militares. Um detalhe: na sua primeira edi\u00e7\u00e3o, a Verde Olivo trazia na capa o pr\u00f3prio Che. Informado, enfureceu-se, foi at\u00e9 a gr\u00e1fica e determinou a inutiliza\u00e7\u00e3o de todas aquelas capas e a reimpress\u00e3o de outra capa, sem qualquer possibilidade de que se algu\u00e9m insinuasse culto \u00e0 personalidade.<\/P><br \/>\n<P>Hoje, seguindo o rastro de iniciativas organizativas revolucion\u00e1rias de Che no campo da comunica\u00e7\u00e3o libertadora e confirmando a atualidade de seu pensamento em torno de uma informa\u00e7\u00e3o anti-hegem\u00f4nica temos a Telesur. A emissora televisiva multi-estatal demonstra a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias \u00e1reas, inclusive na informa\u00e7\u00e3o e na cultura, e vai consolidando-se a passos largos permitindo que se tenha nas telas o protagonismo dos povos do sul, divulgando amplamente o processo de transforma\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia, no Equador, Nicar\u00e1gua, Venezuela, nacionalizando suas riquezas, derrotando o analfabetismo, realizando a integra\u00e7\u00e3o social e energ\u00e9tica, comunicando aos quatro ventos que a ALBA \u00e9 uma realidade. Nas telas de Telesur pela primeira vez se mostrou o bombardeio da direita contra a Casa Rosada em 1955, se contou a verdadeira hist\u00f3ria do que foi o processo de transforma\u00e7\u00e3o social na era peronista, assim como se contam hist\u00f3rias dos processos revolucion\u00e1rios dirigidos por Pancho Villa e Zapata, retira do ostracismo com toda for\u00e7a a personalidade de Eliecer Gaitan, se divulgam os filmes latino-americanos, inacess\u00edveis nas telas gringas e colonizadas. Trata-se de vigorosa atualidade do pensamento de Che. Que deveria servir de reflex\u00e3o e est\u00edmulo, por exemplo, ao PT que, at\u00e9 hoje, com v\u00e1rios anos de governo, ainda n\u00e3o tem imprensa pr\u00f3pria de circula\u00e7\u00e3o nacional, embora prometida na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o de sua dire\u00e7\u00e3o nacional.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Medicina e revolu\u00e7\u00e3o<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>O Che m\u00e9dico j\u00e1 atendia aos camponeses nas zonas liberadas de Sierra Maestra. A consulta gratuita era acompanhada de fervorosa e apaixonada argumenta\u00e7\u00e3o em defesa da revolu\u00e7\u00e3o cubana, na qual, tamb\u00e9m se explicava o peso das condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas na causa e determina\u00e7\u00e3o das enfermidades. A tal ponto que um menino campon\u00eas que observava atentamente as consultas de Che disse a sua m\u00e3e: n\u00e3o leve a s\u00e9rio este m\u00e9dico, ele diz para todos que a culpa dos problemas \u00e9 do capitalismo&#8230;<\/P><br \/>\n<P>Seguindo aquele exemplo do m\u00e9dico revolucion\u00e1rio, milhares de m\u00e9dicos cubanos est\u00e3o espalhados hoje por 77 pa\u00edses dos v\u00e1rios continentes prestando servi\u00e7o m\u00e9dico solid\u00e1rio, levando o exemplo revolucion\u00e1rio humanista do povo cubano, alcan\u00e7ando as zonas mais in\u00f3spitas, nas quais a medicina capitalista n\u00e3o chega, demonstrando assim todo o seu desprezo pelas camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>Para ilustrar a presen\u00e7a do exemplo do m\u00e9dico Che no profissionalismo solid\u00e1rio dos m\u00e9dicos de Cuba, conto que em visita recente ao Timor Leste, rigorosamente do outro lado do mundo, deparei-me com a presen\u00e7a de 350 m\u00e9dicos cubanos. Inclusive, foram os m\u00e9dicos cubanos os que ofereceram os primeiros-socorros ao presidente timorense Ramos-Horta, v\u00edtima de atentado terrorista em fevereiro deste ano, epis\u00f3dio ainda envolto em dram\u00e1ticas interroga\u00e7\u00f5es, sobretudo a partir das inevit\u00e1veis ramifica\u00e7\u00f5es que pode ter com a imensa e cobi\u00e7ada riqueza petroleira que aquela jovem na\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica \u00e9 possuidora. O presidente Ramos-Horta me contou que quando se anunciou a chegada dos 350 m\u00e9dicos cubanos \u00e0quela ilha, o embaixador dos EUA ali n\u00e3o teve vergonha em manifestar sua insatisfa\u00e7\u00e3o, pressionando para que os cubanos n\u00e3o fossem aceitos. Em resposta, Ramos-Horta perguntou ao embaixador quando m\u00e9dicos dos EUA atuavam no Timor. Diante da resposta &#8216;nenhum&#8217; &#8211; reveladora do mais alto grau de desprezo social &#8211; Ramos-Horta lhe disse: Cuba nos oferece uma ajuda desinteressada, al\u00e9m de oferecer bolsas para 600 timorenses estudarem medicina na Escola Latino-Americana de Medicina. Gratuitamente, tal como estudam l\u00e1 aproximadamente 500 jovens pobres norte-americanos, em sua maioria negros, oriundos dos bairros prolet\u00e1rios do Harlem e do Brooklin. Um deles me contou que se tivesse ficado nos EUA jamais teria a possibilidade de tornar-se um m\u00e9dico, e que, muito provavelmente, estaria com v\u00ednculos ao tr\u00e1fico de drogas, como muitos de seus amigos que l\u00e1 ficaram&#8230;<\/P><br \/>\n<P>Esta vigorosa atualidade do pensamento de Che, encarnado em pol\u00edtica do Estado Socialista de Cuba, \u00e9 uma consci\u00eancia que se espalha pelo mundo, fruto da generosidade de uma revolu\u00e7\u00e3o que, apesar dos limitados recursos de que disp\u00f5e, faz da partilha de seus recursos humanos com outros povos uma raz\u00e3o de estado, uma \u00e9tica de na\u00e7\u00e3o, transformando em realidade concreta um pensamento infinitas vezes repetido pelo pr\u00f3prio Guevara: tremeremos de indigna\u00e7\u00e3o por qualquer ser humano oprimido, onde quer que ele esteja. Materializando este pensamento revolucion\u00e1rio, Cuba desenvolveu um m\u00e9todo de alfabetiza\u00e7\u00e3o para ind\u00edgenas da Nova Zel\u00e2ndia, e outro, para ser operado por meio do r\u00e1dio, para alfabetizar em dialeto creolo, que nem escrita possui, ponder\u00e1veis parcelas da popula\u00e7\u00e3o da Haiti. Isto desenvolvido por pedagogos de uma Ilha que j\u00e1 vendeu o analfabetismo h\u00e1 d\u00e9cadas!!!. Est\u00e3o vivas ou n\u00e3o as id\u00e9ias de Che?<\/P><br \/>\n<P><STRONG>O Ministro revolucion\u00e1rio e vision\u00e1rio<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Os 350 mil homens e mulheres cubanos que foram a Angola para lutar em defesa do bravo povo de Agostinho Neto, agredido pelo ex\u00e9rcito nazista do apartheid sul-africano, era um prolongamento l\u00f3gico e inevit\u00e1vel do pensamento internacionalista de Che Guevara, alma da consci\u00eancia internacionalista prolet\u00e1rio do povo cubano e uma decis\u00e3o de estado, comandada diretamente por Fidel Castro. Como disse Mandela, foi na Batalha de Cuito Cuanavale, no sul de Angola, em 1988, &#8216;o come\u00e7o do fim do apartheid&#8217;, abrindo uma nova era para o sul do continente africano, cujo mapa pol\u00edtico registra governos progressistas e antiimperialistas que desenvolvem a coopera\u00e7\u00e3o para enfrentar a heran\u00e7a nefasta do colonialismo. O internacionalismo prolet\u00e1rio, a solidariedade internacionalista, s\u00e3o pol\u00edticas do estado socialista cubano, em cuja fase inicial tinha um Che como ministro, infatig\u00e1vel na luta contra a falta de especialistas, agravada pela fuga de c\u00e9rebros, o terrorismo lan\u00e7ado contra Cuba, as limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, a heran\u00e7a colonial e, a seguir, o bloqueio. Ali estava um exemplo vivo de administrador socialista, sempre incorporando a participa\u00e7\u00e3o coletiva, considerando respeitosamente a diferen\u00e7a de opini\u00f5es, mas, intransigente na defesa da estatiza\u00e7\u00e3o, do monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior, da planifica\u00e7\u00e3o estatal. N\u00e3o \u00e9 que Che fosse um rom\u00e2ntico que desprezasse o poder, ao contr\u00e1rio, desprezava sim o poder pessoal, era atento aos perigos profissionais do poder, mas era, sobretudo, um intransigente construtor do poder prolet\u00e1rio, lutou incansavelmente pela tomada do poder das m\u00e3os dos capitalistas, pela destrui\u00e7\u00e3o de todo poder do capital.<\/P><br \/>\n<P>Todos estes exemplos est\u00e3o cada vez mais vivos na hist\u00f3ria revolucion\u00e1ria mundial e encontram resson\u00e2ncia em muitos lados, como, por exemplo, nas diretrizes adotadas pela Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, comandada por Ch\u00e1vez, uma delas na preocupa\u00e7\u00e3o pela diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, pela industrializa\u00e7\u00e3o, pela crescente interven\u00e7\u00e3o do estado, pelo desenvolvimento de la\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com pa\u00edses que afirmem a integra\u00e7\u00e3o latino-americana, com o sentido de reduzir a depend\u00eancia da economia capitalista mundial, hoje afetada por uma crise ainda sem controle. Estes foram temas tratados \u00e0 exaust\u00e3o pelo Ministro da Ind\u00fastria Che Guevara. E agora, diante desta crise financeira capitalista, da fal\u00eancia sucessiva de bancos, da nacionaliza\u00e7\u00e3o de bancos que se procedeu, por exemplo, na Inglaterra, n\u00e3o vemos mais do que outra vez confirmar a vig\u00eancia das id\u00e9ias de Che Guevara, intransigente defensor da estatiza\u00e7\u00e3o, da economia real produtiva, cr\u00edtico severo e mordaz dos arranjos criados pelos pa\u00edses imperialistas para seguir com sua rapina e sua acumula\u00e7\u00e3o usurpadora, em nome de uma financeiriza\u00e7\u00e3o virtual e artificial, \u00e0s custas da economia produtiva e dos que produzem, os trabalhadores, sempre atirados nos abismos mais profundos da mis\u00e9ria e da opress\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>O Che ministro era tamb\u00e9m exemplo de criatividade: fundou o Instituto de Investiga\u00e7\u00f5es dos Derivados da Cana-de-a\u00e7\u00facar, e , no discurso no dia inaugura\u00e7\u00e3o fez uma previs\u00e3o vision\u00e1ria que al\u00e9m de indicar sua insaci\u00e1vel curiosidade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, encontra hoje ampla confirma\u00e7\u00e3o. Disse o Che: chegar\u00e1 o dia em que o a\u00e7\u00facar ser\u00e1 apenas um dos derivados da cana e n\u00e3o o mais importante. Atualmente, da cana j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel produzir medicamentos, o etanol, a \u00e1lcool-qu\u00edmica, com seus pl\u00e1sticos biodegrad\u00e1veis e fertilizantes org\u00e2nicos que tornar\u00e3o poss\u00edvel a liberta\u00e7\u00e3o da agricultora de petro-depend\u00eancia atual, cara, insustent\u00e1vel ambientalmente e tamb\u00e9m para a sa\u00fade dos povos. Relativizando a import\u00e2ncia do a\u00e7\u00facar ao longo do tempo, inclusive em raz\u00e3o de seus complexos v\u00ednculos com um sistema de com\u00e9rcio internacional no qual Cuba n\u00e3o tinha e ainda n\u00e3o tem controle dos pre\u00e7os, Che nada mais fez que se antecipar a uma situa\u00e7\u00e3o que de fato tornou-se realidade. Hoje Cuba desmantelou praticamente metade de sua produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira e, segundo informa o Granma, d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de 11 centros de produ\u00e7\u00e3o de etanol em territ\u00f3rio venezuelano, num projeto binacional que confirma, uma vez mais, a import\u00e2ncia das iniciativas em curso para a integra\u00e7\u00e3o latino-americana. Combinada com a coopera\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em curso entre Brasil, Venezuela, e Cuba, iniciativas como esta, impulsionadora do desenvolvimento de energia renov\u00e1vel num mundo com restri\u00e7\u00e3o de energia f\u00f3ssil, viabilizam novas op\u00e7\u00f5es produtivas, colaborando com esfor\u00e7o j\u00e1 em curso para a transforma\u00e7\u00e3o da agricultura dos dois pa\u00edses, e, fundamentalmente, revelando, novamente, a vigorosa atualidade das id\u00e9ias de Che Guevara.<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 41 anos, num 8 de outubro como hoje, a humanidade recebia a not\u00edcia da covarde execu\u00e7\u00e3o de Ernesto Guevara por um agente da CIA na Bol\u00edvia, horas ap\u00f3s ter<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6451"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}