{"id":6397,"date":"2008-09-25T18:07:10","date_gmt":"2008-09-25T18:07:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/ditadura-metalurgicos-obtem-reparacao-do-estado\/"},"modified":"2008-09-25T18:07:10","modified_gmt":"2008-09-25T18:07:10","slug":"ditadura-metalurgicos-obtem-reparacao-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=6397","title":{"rendered":"Ditadura: Metal\u00fargicos obt\u00e9m repara\u00e7\u00e3o do Estado"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>V\u00e1rias hist\u00f3rias de vidas interrompidas por pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e fugas dos agentes da ditadura militar foram lembradas ontem no plen\u00e1rio da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Bernardo, durante a sess\u00e3o especial realizada pela Comiss\u00e3o de Anistia do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. <\/P><br \/>\n<P>Ao longo do dia, a Comiss\u00e3o analisou 41 pedidos de metal\u00fargicos com as reivindica\u00e7\u00f5es de anistia e repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, j\u00e1 que perderam seus empregos ou foram prejudicados de outra forma entre 1964, ano do golpe militar, at\u00e9 1985, fim da ditadura. <\/P><br \/>\n<P>Ao abrir a sess\u00e3o, o presidente da Comiss\u00e3o de Anistia, Paulo Abr\u00e3o, disse que a maior parte dos casos referia-se a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nas chamadas greves hist\u00f3rias, nas d\u00e9cadas de 70 e 80. <\/P><br \/>\n<P>Ele alertou tamb\u00e9m que a Comiss\u00e3o est\u00e1 revendo os crit\u00e9rios para o c\u00e1lculo do benef\u00edcio. Antes, o c\u00e1lculo era feito com base nos valores pagos no topo de carreira da fun\u00e7\u00e3o do trabalhador perseguido, e agora passou a ser feito com base na m\u00e9dia dos sal\u00e1rios pagos naquela fun\u00e7\u00e3o. A sess\u00e3o foi aberta pela manh\u00e3 e se estendeu at\u00e9 \u00e0 noite. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>&#8216;Fui fazer bicos para sobreviver&#8217;<\/STRONG> <BR>Zoraide Gomes de Oliveira era militante da A\u00e7\u00e3o Popular (AP), grupo de esquerda que atuava na clandestinidade com conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores e, em 1969, foi trabalhar na Cofap. <\/P><br \/>\n<P>Entrar numa f\u00e1brica era uma das t\u00e1ticas da AP para fazer conscientiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a resistir \u00e0 ditadura e lutar pela democratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Depois que se casou com Luiz Henrique, que era da dire\u00e7\u00e3o da AP, Zoraide foi morar em Belo Horizonte, onde continuou a milit\u00e2ncia pol\u00edtica. <\/P><br \/>\n<P>Em dezembro de 1971, ela foi presa, acusada de distribuir panfletos subversivos. O marido, tamb\u00e9m procurado, conseguiu fugir. <\/P><br \/>\n<P>Ela ficou presa at\u00e9 dezembro de 72, depois foi condenada e passou mais seis meses na pris\u00e3o. &#8216;Tudo isso sem nenhuma prova&#8217;, conta ela. O pior, disse, foi o desaparecimento de sua filha, que na \u00e9poca tinha 1 ano e meio. &#8216;Fui v\u00ea-la meses depois, quando pedi para meus pais cuidarem dela&#8217;. <\/P><br \/>\n<P>A partir da pris\u00e3o, Zoraide teve dificuldade de encontrar servi\u00e7o. Viveu fazendo pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica e outros servi\u00e7os espor\u00e1dicos. Em 1981, foi morar em Bras\u00edlia e l\u00e1 refez sua vida. Hoje, ela trabalha na Secretaria de Trabalho do Distrito Federal. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>&#8216;Nunca mais consegui emprego com carteira assinada&#8217;<\/STRONG> <BR>L\u00facia Boaretto entrou na Volks em 1973 como auxiliar de escrit\u00f3rio e l\u00e1 ficou at\u00e9 1980, quando j\u00e1 trabalhava como secret\u00e1ria. <\/P><br \/>\n<P>Nascida em fam\u00edlia de oper\u00e1rios, com pai soldador e irm\u00e3o ferramenteiro, L\u00facia tinha trabalho no bairro onde morava, em Santo Andr\u00e9, com os movimentos de alfabetiza\u00e7\u00e3o e de oficinas comunit\u00e1rias. <\/P><br \/>\n<P>Envolvida com a luta dos trabalhadores, participava das greves e fazia arrecada\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es para o Fundo de Greve. Em 1980, ela foi demitida por justa causa. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Devem ter me visto em alguma mobiliza\u00e7\u00e3o e meu nome foi parar em alguma lista de pessoas indesejadas que circulavam nas empresas&#8217;, conta L\u00facia. Nunca mais conseguiu emprego com carteira assinada. Na \u00e9poca, vendeu o carro, mudou-se para uma casa modesta e passou a fazer bicos. Entre 1984 e 87 trabalhou de zeladora e depois montou um pequeno com\u00e9rcio, que tem at\u00e9 hoje. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Parece que ficou uma marca na minha vida, pois nunca mais consegui emprego com carteira assinada&#8217;, comentou. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>&#8216;Estava numa lista com mais 150 trabalhadores&#8217;<BR><\/STRONG>Keiji Kanashiro entrou para a Juventude Estudantil Cat\u00f3lica (JEC) aos 16 anos e depois passou a militar na A\u00e7\u00e3o Popular (AP). Participou do movimento estudantil e, em seguida, foi trabalhar na periferia da capital. Em 1971, ainda como militante da AP, foi trabalhar como analista na Mercedes Benz, participando das greves e ajudando no Fundo de Greve. <\/P><br \/>\n<P>Em 1980, mesmo com estabilidade negociada pelo Sindicato, foi demitido da montadora. A partir da\u00ed, passou a ter dificuldade de conseguir emprego pois seu curr\u00edculo era rejeitado em todas as empresas. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Anos depois, fiquei sabendo de uma lista com cerca de 150 trabalhadores que circulava entre o pessoal de Recursos Humanos aqui da regi\u00e3o&#8217;, comentou.Ele disse que passou a ter uma vida de altos e baixos. Continuou a estudar e depois de formado foi lecionar.<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rias hist\u00f3rias de vidas interrompidas por pris\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e fugas dos agentes da ditadura militar foram lembradas ontem no plen\u00e1rio da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Bernardo, durante a sess\u00e3o especial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6397"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6397\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}