{"id":6322,"date":"2008-08-27T10:00:51","date_gmt":"2008-08-27T10:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/terceirizacao-perde-espaco-nas-empresas\/"},"modified":"2008-08-27T10:00:51","modified_gmt":"2008-08-27T10:00:51","slug":"terceirizacao-perde-espaco-nas-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=6322","title":{"rendered":"Terceiriza\u00e7\u00e3o perde espa\u00e7o nas empresas"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>Por motivos diversos e em um movimento oposto \u00e0 tend\u00eancia de terceiriza\u00e7\u00e3o que ganhou for\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 90, empresas como Brasil Telecom, Avis e Getronics integraram \u00e0 folha de sal\u00e1rios profissionais que forneciam servi\u00e7os a empresas por elas contratadas &#8211; servi\u00e7os originalmente realizados por seu quadro funcional. A revers\u00e3o do modelo responde \u00e0 maior fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho, \u00e0 busca de ganhos de efici\u00eancia e ao crescimento da economia. <\/P><br \/>\n<P>Com base em acordo assinado com o Minist\u00e9rio do Trabalho, a Getronics, da \u00e1rea de inform\u00e1tica, assinou a carteira de 120 programadores e consultores da \u00e1rea de tecnologia e comunica\u00e7\u00e3o que antes trabalhavam como pessoas jur\u00eddicas. A locadora de ve\u00edculos Avis e o grupo Brasil Telecom integraram a seu quadro de funcion\u00e1rios os atendentes de call center, antes terceirizados. No caso da Avis foram 30 trabalhadores. Na operadora de telefonia, cerca de 10 mil trabalhadores foram contratados desde dezembro. As duas explicam que a iniciativa deve reduzir queixas no atendimento e elevar o volume de neg\u00f3cios fechados. <\/P><br \/>\n<P>O Minist\u00e9rio do Trabalho deflagrou no primeiro semestre, em S\u00e3o Paulo, um programa contra a terceiriza\u00e7\u00e3o. Atualmente h\u00e1 mais de 80 processos de fiscaliza\u00e7\u00e3o em andamento. O segmento de TI foi um dos primeiros a ser fiscalizados. <\/P><br \/>\n<P>Advogados, analistas de mercado e consultores na \u00e1rea de emprego acreditam que esteja ocorrendo numa esp\u00e9cie de revis\u00e3o cr\u00edtica do processo de terceiriza\u00e7\u00e3o. &#8216;H\u00e1 um amadurecimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 essa forma de contrata\u00e7\u00e3o, com a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o adianta reduzir custos imediatos, porque a conta pode ficar mais cara por quest\u00f5es trabalhistas e fiscais&#8217;, diz Nelson Mannrich, do Felsberg Associados. <\/P><br \/>\n<P>H\u00e1 ainda o reconhecimento de que a terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o garante o controle efetivo da produtividade e da qualidade, diz Clemente Ganz Lucio, diretor-t\u00e9cnico do Dieese. Al\u00e9m disso, companhias, como a Klabin, passaram a colocar a exig\u00eancia de que os profissionais de empresas terceirizadas que lhes prestam servi\u00e7os sejam contratados com carteira assinada pelas empresas fornecedoras. Ningu\u00e9m nega, por\u00e9m, que a terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento irrevers\u00edvel. <EM>(Marta Watanabe)<\/EM><BR><STRONG>&nbsp;<BR>&nbsp;Fiscaliza\u00e7\u00e3o e busca de efici\u00eancia tiram for\u00e7a da terceiriza\u00e7\u00e3o<\/STRONG> <BR>&nbsp;<BR>Adquirida em outubro do ano passado pela holandesa KPN, a Getronics contratou durante o primeiro semestre de 2008 cerca de 120 programadores e consultores na \u00e1rea de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Apesar de representar 15% do total dos 800 funcion\u00e1rios mantidos atualmente pela multinacional, a contrata\u00e7\u00e3o teve impacto relevante na folha de pagamentos da companhia porque esses consultores est\u00e3o entre os que recebem sal\u00e1rios m\u00e9dios mais altos na compara\u00e7\u00e3o com os demais trabalhadores da empresa. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Os rendimentos deles est\u00e3o na metade para cima da pir\u00e2mide de remunera\u00e7\u00f5es da companhia&#8217;, diz o vice-presidente da Getronics Am\u00e9rica Latina, Paulo Pichini. Isso elevou os custos da empresa e fez a companhia negociar os pre\u00e7os dos contratos com os clientes. &#8216;N\u00e3o zeramos o aumento, mas conseguimos repassar uma parte&#8217;, conta Pichini. <\/P><br \/>\n<P>A admiss\u00e3o dos profissionais foi resultado de um acordo assinado pela Getronics com o Minist\u00e9rio do Trabalho. A companhia, especializada no desenvolvimento e gerenciamento de redes tecnologia de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, comprometeu-se a admitir os 120 profissionais que trabalhavam como pessoas jur\u00eddicas e concordou em n\u00e3o voltar a contratar outros profissionais da \u00e1rea nesse modelo. <\/P><br \/>\n<P>O Minist\u00e9rio do Trabalho deflagrou no primeiro semestre, em S\u00e3o Paulo, um programa espec\u00edfico contra a terceiriza\u00e7\u00e3o que, segundo dados da superintend\u00eancia local, garantiu o registro de pouco mais de 1,2 mil trabalhadores e gerou oito autua\u00e7\u00f5es por falta de registro. Atualmente h\u00e1 mais de 80 processos de fiscaliza\u00e7\u00e3o em andamento. O segmento de TI foi um dos primeiros a ser fiscalizados. <\/P><br \/>\n<P>A Getronics faz parte de um universo de empresas que recentemente converteram trabalhadores terceirizados a empregados com carteira assinada com base na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT). Por motivos diversos e num movimento aparentemente inverso \u00e0 tend\u00eancia de terceiriza\u00e7\u00e3o que tomou corpo a partir da d\u00e9cada de 90, outras grandes companhias como Brasil Telecom e Avis, locadora de ve\u00edculos, integraram \u00e0 sua folha de sal\u00e1rios funcion\u00e1rios do call center. <\/P><br \/>\n<P>Desde o \u00faltimo trimestre do ano passado a Brasil Telecom trouxe para dentro de seu grupo mais de 10 mil atendentes de call center. A companhia fechou o primeiro semestre com um total de 17,82 mil trabalhadores, aumento de 203,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. O aumento foi principalmente resultado da internaliza\u00e7\u00e3o do call center da Brasil Telecom em dezembro de 2007 e do call center do Internet Group (iG), o segmento de internet da Brasil Telecom, em 2008. O balan\u00e7o do segundo trimestre indicava que a iniciativa elevou em 40,4% os custos e despesas com pessoal em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2007. <\/P><br \/>\n<P>Segundo o diretor de gest\u00e3o e recursos humanos da empresa, Giovani Foragi, a altera\u00e7\u00e3o deve-se ao interesse da Brasil Telecom em melhorar a efici\u00eancia, com maior produtividade das vendas e o grau de satisfa\u00e7\u00e3o no atendimento. Foragi lembra que a internaliza\u00e7\u00e3o acaba com diferen\u00e7as de cultura entre o tomador do servi\u00e7o e o terceirizado e permite uma resposta mais r\u00e1pida da empresa. <\/P><br \/>\n<P>A analista de investimento da Link, Maria Teresa Azevedo, acredita, por\u00e9m, que a mudan\u00e7a de modelo foi feita j\u00e1 tendo em vista a esperada fus\u00e3o de atividades com a Oi, operadora que comprou a Brasil Telecom. O call center da Oi, lembra Teresa, \u00e9 fornecido por empresa ligada \u00e0 operadora. &#8216;A eventual uni\u00e3o das duas empresas dever\u00e1 ter como preocupa\u00e7\u00e3o o ganho de efici\u00eancia e a redu\u00e7\u00e3o de custos operacionais&#8217;, lembra ela. &#8216;Provavelmente foi analisado o que vai ser mais eficiente e n\u00e3o s\u00f3 mais barato dentro de uma opera\u00e7\u00e3o conjunta.&#8217; <\/P><br \/>\n<P>Na Avis houve a contrata\u00e7\u00e3o direta dos 30 funcion\u00e1rios do call center que eram terceirizados at\u00e9 h\u00e1 cerca de um ano. Segundo o presidente da empresa, Afonso Celso de Barros Santos, a iniciativa fez dobrar a despesa com pessoal de call center, mas n\u00e3o se restringiu \u00e0 simples internaliza\u00e7\u00e3o. O atendimento, que antes funcionava somente de segunda a sexta at\u00e9 \u00e0s 20h, passou a operar sete dias por semana durante 24 horas. O volume de opera\u00e7\u00f5es da companhia aumentou e a locadora dobrou a equipe para 60 atendentes. <\/P><br \/>\n<P>Os exemplos da Getronics, Brasil Telecom e Avis n\u00e3o podem ser considerados exce\u00e7\u00e3o. O diretor-t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socio-Econ\u00f4micos (Dieese), Clemente Ganz Lucio, diz que o processo de expans\u00e3o do trabalho terceirizado come\u00e7ou a sofrer mudan\u00e7as recentemente por tr\u00eas raz\u00f5es principais: aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o por \u00f3rg\u00e3os de governo, perda de efici\u00eancia econ\u00f4mica pelas empresas e a perspectiva de crescimento sustentado da economia. Em muitos casos o processo \u00e9 acompanhado de precariza\u00e7\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es do trabalho, fator que estimulou o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Minist\u00e9rio do Trabalho a refor\u00e7ar o trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o nas empresas. <\/P><br \/>\n<P>O reconhecimento de que a terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o garante controle efetivo da produtividade e da qualidade do trabalho \u00e9 outro fator que tem estimulado a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores, segundo Lucio. &#8216;Algumas empresas perceberam que o custo caiu, mas o retorno econ\u00f4mico n\u00e3o foi t\u00e3o grande quanto esperavam, ou a terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ofereceu garantia de ganho de competitividade.&#8217; <\/P><br \/>\n<P>Ningu\u00e9m nega, por\u00e9m, que a terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia crescente e irrevers\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 no Brasil como em todo o mundo. Recente pesquisa do Ipea mostra que dos 98 milh\u00f5es de funcion\u00e1rios contratados pelas corpora\u00e7\u00f5es transnacionais atualmente, 39,3 milh\u00f5es (40%) exercem atividades terceirizadas. Dos 52 milh\u00f5es de empregos novos gerados por essas companhias entre 1978 a 2006, 40 milh\u00f5es resultaram de terceiriza\u00e7\u00e3o transnacional do trabalho. <\/P><br \/>\n<P>A id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 acabar com a terceiriza\u00e7\u00e3o, mas corrigir exageros e repensar a forma de contrata\u00e7\u00e3o de forma mais cuidadosa. &#8216;H\u00e1 um amadurecimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o, com a percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o adianta reduzir custos imediatos, porque a conta pode ficar mais cara por quest\u00f5es trabalhistas e fiscais&#8217; diz, Nelson Mannrich, do Felsberg Associados. <\/P><br \/>\n<P>Na mira de fiscaliza\u00e7\u00f5es, a terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9, muitas vezes, fonte de conting\u00eancia para as empresas. A Datasul levou ao Judici\u00e1rio uma a\u00e7\u00e3o para declarar a nulidade de autua\u00e7\u00e3o com base na responsabilidade solid\u00e1ria pelo recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias dos funcion\u00e1rios das prestadoras terceirizadas de servi\u00e7os. Pela legisla\u00e7\u00e3o, o tomador de servi\u00e7os assume a responsabilidade de encargos fiscais e trabalhistas n\u00e3o cumpridos pelos prestadores de servi\u00e7os. <\/P><br \/>\n<P>A a\u00e7\u00e3o foi extinta por decis\u00e3o da Justi\u00e7a, porque a Datasul resolveu fazer o parcelamento do d\u00e9bito, o que foi interpretado como uma confiss\u00e3o da d\u00edvida. O parcelamento, segundo a empresa, foi feito para obter certid\u00f5es negativas. A empresa tenta derrubar a decis\u00e3o que deu fim ao processo porque ainda quer a nulidade da autua\u00e7\u00e3o. O valor envolvido na a\u00e7\u00e3o \u00e9 de R$ 1,6 milh\u00e3o. A companhia apresentou no primeiro semestre do ano lucro de R$ 19,6 milh\u00f5es. <\/P><br \/>\n<P>Segundo o diretor de recursos humanos da Datasul, Paulo Caputo, as terceiriza\u00e7\u00f5es envolvidas no caso eram da \u00e1rea t\u00e9cnica, de profissionais ligados a projetos de desenvolvimento e implanta\u00e7\u00e3o de software. A empresa tamb\u00e9m chegou a ser alvo de execu\u00e7\u00e3o fiscal no valor de R$ 3,9 milh\u00f5es, porque o INSS considerou que os profissionais terceirizados tinham v\u00ednculo empregat\u00edcio com a companhia. Nessa discuss\u00e3o, diz Caputo, a empresa saiu vitoriosa. <\/P><br \/>\n<P>Mesmo com as discuss\u00f5es, diz o diretor da empresa, a Datasul manteve o modelo pelo qual contrata o servi\u00e7o de franqueados que desenvolvem e vendem software. Segundo a companhia, as franquias tiveram origem em antigos funcion\u00e1rios que se desligaram da empresa e queriam maior autonomia de trabalho. Segundo Caputo, a Datasul considera que a terceiriza\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o viola a lei e nem cria o v\u00ednculo empregat\u00edcio alegado pela Previd\u00eancia. Nesse sentido, diz, h\u00e1 decis\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 companhia em processos administrativos e judiciais. <\/P><br \/>\n<P>\u00c1lvaro Leal, consultor de &#8216;outsourcing&#8217; da IT Data, diz que ainda existe muita terceiriza\u00e7\u00e3o no segmento, mas h\u00e1 empresas que est\u00e3o no caminho inverso. Os motivos s\u00e3o variados. V\u00e3o desde fiscaliza\u00e7\u00e3o, reestrutura\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria e abertura de capital, at\u00e9 a tentativa de garantir uma seguran\u00e7a maior das redes e evitar quest\u00f5es relacionadas \u00e0 responsabilidade civil no caso de uso indevido de dados. <\/P><br \/>\n<P>Pichini, da Getronics, diz que o menor risco para os tomadores de servi\u00e7o foi argumento importante para conseguir negociar os contratos e reduzir uma parte do impacto que traria a contrata\u00e7\u00e3o direta de 120 profissionais que trabalhavam antes como pessoas jur\u00eddicas. Ele conta que a eleva\u00e7\u00e3o de custos fez com que seu pre\u00e7o chegue a ser 40% superior a de concorrentes que ainda n\u00e3o fizeram a contrata\u00e7\u00e3o de terceirizados. Sua expectativa \u00e9 que, aos poucos, outras empresas se ajustem ao novo modelo. <\/P><br \/>\n<P>A favor das empresas que adotaram a CLT est\u00e3o as companhias que resolveram colocar em licita\u00e7\u00f5es ou em pedidos de propostas a exig\u00eancia de que os profissionais de empresas terceirizadas sejam contratados com carteira assinada pelos prestadores de servi\u00e7os. A Klabin \u00e9 uma delas. A empresa diz que o procedimento faz parte de sua pr\u00e1tica formal. <EM>(Marta Watanabe, com colabora\u00e7\u00e3o de Cibelle Bou\u00e7as) <\/EM><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Crescimento d\u00e1 impulso ao emprego formal <BR><\/STRONG>&nbsp;<BR>O cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico tamb\u00e9m favorece a contrata\u00e7\u00e3o com carteira assinada, avaliam o professor do Instituto de Economia da Unicamp Cl\u00e1udio Dedecca, e o diretor-t\u00e9cnico do Dieese, Clemente Ganz Lucio. Lucio observa que no in\u00edcio da d\u00e9cada a taxa m\u00e9dia de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 2,3%, e, a partir de 2004, subiu para 4,5% ao ano. &#8216;At\u00e9 2004 era comum o pa\u00eds crescer 2,5% e, no ano seguinte, decrescer 1,5%. Hoje, a economia est\u00e1 mais est\u00e1vel e a perspectiva de crescimento sustentado trouxe seguran\u00e7a \u00e0s empresas, que passaram a contratar mais e fazer planejamentos de longo prazo.&#8217; <\/P><br \/>\n<P>Alguns indicadores confirmam essa tese. De janeiro de 2004 at\u00e9 julho deste ano, foram criadas 8,79 milh\u00f5es de novas vagas de trabalho com carteira assinada no pa\u00eds, saindo de um estoque de 29,5 milh\u00f5es de empregos formais para 38,3 milh\u00f5es, de acordo com dados do Minist\u00e9rio do Trabalho. O tempo m\u00e9dio de perman\u00eancia do trabalhador no emprego aumentou de 140 para 149 semanas, segundo dados do IBGE, um indicativo de que houve menos interesse das empresas em cortar postos de trabalho. Segundo Dedecca, a expans\u00e3o do setor de servi\u00e7os e a concorr\u00eancia entre empresas por trabalhadores com melhor qualifica\u00e7\u00e3o contribu\u00edram para acelerar as contrata\u00e7\u00f5es com carteira &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o mais comuns na ind\u00fastria. <\/P><br \/>\n<P>E a perspectiva \u00e9 que o mercado de trabalho siga em expans\u00e3o no m\u00e9dio e longo prazos, ainda que em ritmo inferior ao de 2007, prev\u00ea Dedecca. Ele observa que a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa cresce 2,5% ao ano, menos que o PIB. Ou seja, a oferta de profissionais expande-se menos que a demanda. &#8216;Se a economia crescer 3% ao ano j\u00e1 teremos um mercado de trabalho mais atraente no futuro.&#8217; <EM>(Cibelle Bou\u00e7as)<\/EM><BR>&nbsp;<BR><STRONG>Hospitais ter\u00e3o m\u00e9dicos com carteira assinada <BR><\/STRONG>&nbsp;<BR>Em maio, o Sindicato dos Hospitais sem Fins Lucrativos (Sindhosfil) e a Superintend\u00eancia Regional do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego em S\u00e3o Paulo assinaram um pacto pelo qual os hospitais se comprometeram a contratar, com carteira de trabalho assinada, os m\u00e9dicos que antes prestavam atendimento por meio do que a fiscaliza\u00e7\u00e3o trabalhista considerou como cooperativas irregulares. A superintend\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o em S\u00e3o Paulo calcula que cerca de 10 mil profissionais ser\u00e3o contratados at\u00e9 maio do ano que vem. <\/P><br \/>\n<P>O pacto \u00e9 resultado de um programa espec\u00edfico da superintend\u00eancia paulista no combate \u00e0 terceiriza\u00e7\u00e3o, colocado nas ruas no primeiro semestre do ano. J\u00e1 foram fiscalizados os setores de constru\u00e7\u00e3o civil, sa\u00fade, comunica\u00e7\u00e3o e inform\u00e1tica e condom\u00ednios. Outra fiscaliza\u00e7\u00e3o prestes a ser deflagrada atingir\u00e1 a contrata\u00e7\u00e3o de cooperativas de motoqueiros. <\/P><br \/>\n<P>A id\u00e9ia, diz Luc\u00edola Rodrigues Jaime, superintendente do Minist\u00e9rio do Trabalho em S\u00e3o Paulo, \u00e9 levantar, os casos em que h\u00e1 falta de carteira assinada. &#8216;O trabalhador que est\u00e1 contratado com carteira, seja pelo prestador de servi\u00e7os ou pela companhia na qual atua, n\u00e3o \u00e9 atualmente nosso alvo&#8217;, diz Luc\u00edola. O \u00f3rg\u00e3o tem notificado empresas que possuem profissionais fora do regime da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), principalmente aqueles que prestam servi\u00e7os por cooperativas ou como pessoas jur\u00eddicas. Nessas duas formas de contrata\u00e7\u00e3o o foco s\u00e3o os trabalhadores que exercem fun\u00e7\u00f5es de forma pessoal, com habitualidade e subordinados \u00e0s ordens da tomadora de servi\u00e7os. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Decidimos n\u00e3o entrar na pol\u00eamica discuss\u00e3o da atividade fim e da atividade meio&#8217;, explica Luc\u00edola, referindo se \u00e0 s\u00famula 331, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Para a corte, \u00e9 il\u00edcita a terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade fim, ou seja, a atividade preponderante do tomador de servi\u00e7os. Por exemplo, uma confec\u00e7\u00e3o que contrata costureiras terceirizadas. &#8216;Queremos evitar essa discuss\u00e3o. Simplesmente analisamos se o trabalhador est\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de empregado e se h\u00e1 registro em carteira.&#8217; <\/P><br \/>\n<P>A fiscaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 garantiu a regulariza\u00e7\u00e3o de 1,2 mil trabalhadores e rendeu 83 processos de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Luc\u00edola diz que a superintend\u00eancia tem buscado a assinatura de acordos, com prazos para adapta\u00e7\u00e3o das empresas, sem cobrar o passado. &#8216;Os autos de infra\u00e7\u00e3o tendem a ser alt\u00edssimos, porque incluem todo o recolhimento de FGTS que deixou de ser feito durante o per\u00edodo de contrata\u00e7\u00e3o irregular&#8217;, diz ela. <\/P><br \/>\n<P>O advogado Marcel Cordeiro, do Pompeu, Longo, Kignel &amp; Cipullo, explica que a terceiriza\u00e7\u00e3o vem sendo atacada em pelo menos duas frentes: uma pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, que exige a regulariza\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio, e pela Receita Federal, que cobra a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre a remunera\u00e7\u00e3o paga aos trabalhadores que considera como empregados. O tomador de servi\u00e7os ainda responde solidariamente por encargos trabalhistas e fiscais do prestador de servi\u00e7os. <EM>(Marta Watanabe)<\/EM><\/P><br \/>\n<P>&nbsp;<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por motivos diversos e em um movimento oposto \u00e0 tend\u00eancia de terceiriza\u00e7\u00e3o que ganhou for\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 90, empresas como Brasil Telecom, Avis e Getronics integraram \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6322"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6322\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}