{"id":5659,"date":"2007-10-16T09:42:19","date_gmt":"2007-10-16T09:42:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/professor-de-sp-ganha-39-menos-que-do-ac-2\/"},"modified":"2007-10-16T09:42:19","modified_gmt":"2007-10-16T09:42:19","slug":"professor-de-sp-ganha-39-menos-que-do-ac-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=5659","title":{"rendered":"Professor de SP ganha 39% menos que do AC"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Ranking dos sal\u00e1rios de docentes da rede estadual em in\u00edcio de carreira traz SP, que tem o maior Or\u00e7amento entre os Estados, em 8\u00ba lugar. <\/STRONG><STRONG>Se for levado em conta o custo de vida, a diferen\u00e7a entre S\u00e3o Paulo e Acre, que lidera a lista de melhores sal\u00e1rios, aumenta para 60%<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P>Os professores em in\u00edcio de carreira da rede estadual paulista recebem sal\u00e1rio 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com forma\u00e7\u00e3o superior e piso inicial de S\u00e3o Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o colega acreano recebe R$ 13,16. Se levado em conta que o custo de vida l\u00e1 \u00e9 menor, a diferen\u00e7a aumenta para 60%.<\/P><br \/>\n<P>O ranking dos sal\u00e1rios do pa\u00eds mostra que o Acre lidera a lista dos Estados que pagam melhor seus professores em in\u00edcio de carreira, seguido por Roraima, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso. S\u00e3o Paulo vem em oitavo lugar, apesar de ter o maior Or\u00e7amento do pa\u00eds. Pernambuco tem o pior sal\u00e1rio.<\/P><br \/>\n<P>A remunera\u00e7\u00e3o acreana, por\u00e9m, ainda n\u00e3o \u00e9 a ideal para especialistas. &#8216;O baixo sal\u00e1rio dos docentes \u00e9 uma quest\u00e3o hist\u00f3rica no pa\u00eds. Basta ver o de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como Chile e Argentina, que s\u00e3o maiores&#8217;, afirma C\u00e9lio da Cunha, assessor especial da Unesco no Brasil. Para ele, o sal\u00e1rio baixo \u00e9 uma das explica\u00e7\u00f5es para a m\u00e1 qualidade do ensino. &#8216;Um sal\u00e1rio justo motiva os professores.&#8217;<\/P><br \/>\n<P>O sal\u00e1rio um pouco melhor no Acre come\u00e7a a dar resultado. Prova disso pode ser a an\u00e1lise do Saeb (exame do MEC que avalia estudantes), divulgada em fevereiro. Na compara\u00e7\u00e3o entre 2003 e 2005, o Acre foi onde as m\u00e9dias dos alunos de 4\u00aa s\u00e9rie mais evolu\u00edram. Em portugu\u00eas, houve aumento de 13,8 pontos (de 156,2 para 170). J\u00e1 S\u00e3o Paulo melhorou 1,1 ponto (de 176,8 para 177,9).<\/P><br \/>\n<P>&#8216;Um docente bem pago trabalha melhor, sem d\u00favida&#8217;, diz a professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP Lisandre Maria Castello Branco. Para ela, os governos continuam mais preocupados em melhorar a estrutura das escolas do que em investir no docente.<\/P><br \/>\n<P>No Acre, os professores se organizaram para pressionar o governo, que criou um plano de carreira. &#8216;Houve tamb\u00e9m uma reorganiza\u00e7\u00e3o que tirou docentes de fun\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e os colocou na sala de aula, permitindo melhor uso dos recursos&#8217;, diz Mark Clark Assem de Carvalho, da Universidade Federal do Acre. A maioria \u00e9 formada no Estado e n\u00e3o h\u00e1 falta de docentes. Mas eles reclamam de salas lotadas.<\/P><br \/>\n<P>Em S\u00e3o Paulo, a situa\u00e7\u00e3o se agrava se levado em conta o custo de vida. Um professor que trabalha 120 horas por m\u00eas (30 por semana) tem sal\u00e1rio de R$ 966 e consegue comprar 4,9 cestas b\u00e1sicas. J\u00e1 o do Acre recebe R$ 1.580 e compra 12,6. Ou seja, a diferen\u00e7a do sal\u00e1rio\/ poder de compra chega a 60%.<\/P><br \/>\n<P>Para compara\u00e7\u00e3o, a reportagem considerou a cesta b\u00e1sica de setembro. A paulista tinha 13 itens e custava R$ 194,34. A do Acre -com um item a mais, a carne de frango-, R$ 124,47.<\/P><br \/>\n<P>A secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o Jos\u00e9 Serra (PSDB), Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro, n\u00e3o deu entrevista sobre o assunto. Sua assessoria pediu que fosse procurada a Secretaria de Gest\u00e3o, respons\u00e1vel pelos sal\u00e1rios dos docentes. Esta tamb\u00e9m n\u00e3o se pronunciou.<\/P><br \/>\n<P>A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o dada pela Educa\u00e7\u00e3o foi a de que, em S\u00e3o Paulo, os professores j\u00e1 iniciam a carreira recebendo gratifica\u00e7\u00f5es. Mas no Acre, assim como em boa parte dos Estados, tamb\u00e9m \u00e9 assim. Para calcular os sal\u00e1rios por Estado, nenhuma gratifica\u00e7\u00e3o foi contabilizada, pois a maioria pode ser cancelada e n\u00e3o \u00e9 incorporada no c\u00e1lculo da aposentadoria.<\/P><br \/>\n<P>O levantamento considerou o piso inicial de um professor estadual com licenciatura plena (ensino superior). Conforme a CNTE (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o), 25% dos docentes do pa\u00eds est\u00e3o em in\u00edcio de carreira. Em S\u00e3o Paulo, segundo a secretaria, s\u00e3o 26%.<\/P><br \/>\n<P>Os sal\u00e1rios foram fornecidos pela CNTE, e a reportagem procurou todos os Estados para checar as informa\u00e7\u00f5es. Dezessete retornaram o contato. Quatro tinham dados diferentes (BA, PE, PR e SP), que foram corrigidos para o c\u00e1lculo.<EM> (Daniela T\u00f3foli)<\/EM> <\/P><br \/>\n<P align=center><BR><STRONG>Jornada em SP inclui dez aulas di\u00e1rias em 2 escolas <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>S\u00e3o dez aulas de matem\u00e1tica por dia para turmas que n\u00e3o t\u00eam menos do que 35 alunos. \u00c0 noite, quando o trabalho nas escolas acaba, mais duas horas em casa preparando aulas e corrigindo provas. Sem contar as reuni\u00f5es e pesquisas que ficam para os s\u00e1bados e domingos. No fim do m\u00eas, R$ 2.500 entram na conta de Lu\u00eds Henrique da Costa, 45.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;\u00c9 pouco, muito pouco. Mas o pior n\u00e3o \u00e9 nem esse sal\u00e1rio baixo, \u00e9 a quantidade de horas que tenho de trabalhar para receb\u00ea-lo&#8217;, diz o professor de matem\u00e1tica de quinta a oitava s\u00e9ries, que atua em duas escolas. &#8216;S\u00f3 continuo porque \u00e9 compensador quando a classe vai bem. Ver os alunos aprendendo \u00e9 minha \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o.&#8217;<\/P><br \/>\n<P>O problema \u00e9 que nem sempre isso acontece. &#8216;Tenho turmas de 40 alunos, fica quase imposs\u00edvel ensinar. Acabo o dia desgastado e, quando chego em casa, ainda tenho mais trabalho&#8217;, diz. Para ele, um sal\u00e1rio justo seria o dobro do que ganha hoje. &#8216;Ser professor \u00e9 muito cansativo e, financeiramente, pouco compensador. Mas \u00e9 o que eu gosto de fazer.&#8217;<BR>Professor de hist\u00f3ria no ensino m\u00e9dio na rede estadual do Acre, Alex Barbosa, 35, est\u00e1 dando apenas aulas complementares atualmente. &#8216;O docente em in\u00edcio de carreira ganha cerca de R$ 1.500 para 30 horas semanais, sem as gratifica\u00e7\u00f5es. Eu, por estar em jornada complementar, recebo pouco mais de R$ 700.&#8217;<\/P><br \/>\n<P>Em compensa\u00e7\u00e3o, ele d\u00e1 apenas dez aulas por semana -duas por dia. &#8216;Comparado com outras redes, at\u00e9 que ganhamos bem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o ideal&#8217;, afirma. &#8216;O problema por aqui \u00e9 a lota\u00e7\u00e3o das salas. S\u00e3o de 35 a 40 alunos e fica mais dif\u00edcil trabalhar.&#8217; <EM>(DT)<BR><\/EM><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ranking dos sal\u00e1rios de docentes da rede estadual em in\u00edcio de carreira traz SP, que tem o maior Or\u00e7amento entre os Estados, em 8\u00ba lugar. 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