{"id":56353,"date":"2022-03-21T09:24:42","date_gmt":"2022-03-21T12:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=56353"},"modified":"2022-03-21T09:24:44","modified_gmt":"2022-03-21T12:24:44","slug":"violencia-policial-contra-negros-e-racismo-institucional-pioram-com-crise-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=56353","title":{"rendered":"Viol\u00eancia policial contra negros e racismo institucional pioram com crise no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: Walber Pinto<\/strong>\u00a0|\u00a0<strong>Editado por: Marize Muniz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta segunda-feira (21) se celebra o Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, institu\u00eddo pela ONU. \u00c9 um dia importante que refor\u00e7a a luta contra o racismo e lembra o Massacre de Sharpeville, em Joanesburgo, na \u00c1frica do Sul, no qual negros e negras de diversas idades foram assassinados sem compaix\u00e3o durante o regime do apartheid, no dia 21 de mar\u00e7o de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta data, aproximadamente vinte mil pessoas protestavam contra a \u201clei do passe\u201d, em Joanesburgo. A lei obrigava negros a andarem com identifica\u00e7\u00f5es que limitavam os locais por onde poderiam circular dentro da cidade. As tropas militares do apartheid atacaram os manifestantes e mataram 69 pessoas, al\u00e9m de ferir uma centena de outras.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, s\u00e3o as balas perdidas e a viol\u00eancia policial que separam negros de brancos ao sempre ir de encontro aos corpos negros. Um quadro duro que se agravou com o desemprego recorde em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica que atinge pretos e pardos de forma mais intensa do que brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo estrutural e institucional se expressa, especialmente, na viol\u00eancia policial escancarada contra a juventude negra que passou a ser denunciada e reverberada ao mundo pelo movimento negro, inclusive no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nomes como os de Yago Macedo, de 21 anos, Yago Corr\u00eaa de Souza, de 21 anos, Alexandre dos Santos, 20 anos, Patrick Sapucaia, 16, e Cau\u00ea Guimar\u00e3es, que n\u00e3o teve a idade divulgada, se somam aos milhares de casos de racismo institucional no pa\u00eds. Todos eles foram v\u00edtimas de uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica falha e excludente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>As v\u00edtimas t\u00eam cor e endere\u00e7o, mas \u00e9 no Rio de Janeiro que a escalada de viol\u00eancia policial que reverbera no pa\u00eds contra a popula\u00e7\u00e3o negra des\u00e1gua. De acordo com o levantamento do Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (Cesec), divulgado em fevereiro deste ano, houve um agravamento do racismo nas abordagens policiais e, por consequ\u00eancia, em todo o ciclo da justi\u00e7a criminal, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa intitulada \u201cnegro trauma, racismo e abordagem policial na cidade do&nbsp;Rio\u201d, mostra que 63% das abordagens policiais na cidade t\u00eam como alvo pessoas negras. Os dados in\u00e9ditos revelam o car\u00e1ter racista como centro da atividade policial do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o levantamento, um quinto (17%) dessas pessoas j\u00e1 foi abordada pela pol\u00edcia mais de 10 vezes. Diz ainda que negros correspondem a 68% das pessoas abordadas andando a p\u00e9 na rua ou na praia, enquanto apenas 25% dos brancos s\u00e3o parados pela pol\u00edcia nas mesmas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente percebe o quanto que essa quest\u00e3o de ra\u00e7a ainda \u00e9 operante na nossa sociedade porque falar de racismo e combater o racismo vai demandar uma reestrutura\u00e7\u00e3o de toda uma perspectiva de educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia que foram pautadas a partir da perspectiva de ra\u00e7a\u201d, afirma Aline Martinells, pesquisadora sobre assist\u00eancia social e ra\u00e7a e membra da rede de mulheres negras evang\u00e9licas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-default\" style=\"border-color:#cf2e2e\"><blockquote class=\"has-text-color has-vivid-red-color\"><p><strong>Na criminologia [conjunto de conhecimentos a respeito do crime], as teorias de ra\u00e7a embasam essa perspectiva quando cria o perfil dos sujeitos que tinham predisposi\u00e7\u00e3o ao crime<\/strong>&#8211; Aline Martinells<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa viol\u00eancia atinge principalmente as mulheres negras, ressalta a secret\u00e1ria-Adjunta de Combate ao Racismo da CUT, Rosana Fernandes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres negras muitas vezes n\u00e3o conseguem nem dormir porque ficam preocupadas se seus companheiros e filhos v\u00e3o voltar para casa\u201d, afirma a dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses \u00edndices [de viol\u00eancia] trazem uma discuss\u00e3o muito grande que a popula\u00e7\u00e3o tem que come\u00e7ar a debater que \u00e9 qual o sistema de seguran\u00e7a que a gente quer\u201d, prop\u00f5e Rosana, que acrescenta: \u201cE n\u00e3o \u00e9 esse sistema de seguran\u00e7a onde as pessoas s\u00e3o avaliadas e julgadas simplesmente pela cor da sua pele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Algumas das v\u00edtimas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Yago Macedo, de 21 anos, era vendedor de balas e foi morto por um policial militar em Niter\u00f3i, na regi\u00e3o metropolitana do Tio de Janeiro. Yago teria se aproximado do agente, identificado como sargento Carlos Arnaud Silva J\u00fanior, que reagiu e alegou que pensava se tratar de um assalto.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio desde m\u00eas, na comunidade Gamboa, em Salvador, tr\u00eas jovens negros foram mortos numa opera\u00e7\u00e3o policial. As v\u00edtimas eram Alexandre dos Santos, 20 anos, Patrick Sapucaia, 16, e Cau\u00ea Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Moradores e familiares denunciaram a a\u00e7\u00e3o, mas a pol\u00edcia afirmou que houve confronto e por isso chegou na comunidade atirando.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o jovem Yago Corr\u00eaa, morador do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, foi preso por engano na comunidade onde morava ap\u00f3s ter ido comprar p\u00e3o para um churrasco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO racismo \u00e9 exatamente a compreens\u00e3o de uma ra\u00e7a superior \u00e0 outra e da ra\u00e7a como fator determinante dos sujeitos\u201d, pontua Aline.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para a secret\u00e1ria-Geral da CUT, Carmen Foro, o Brasil vive uma situa\u00e7\u00e3o de invisibilidade e que precisa ser revelada e precionar o Estado brasileiro a mudar essa realidade. &#8220;O 21 de mar\u00e7o se configura num momernto importante de enfrentamento, de press\u00e3o social, para que possamos alterar essa dura realidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Racismo institucional e estrutural<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os casos de viol\u00eancia apontados na reportagem praticada por agentes do Estado contra pessoas negras s\u00e3o exemplos de racismo estrutural, denunciado h\u00e1 d\u00e9cadas pelo movimento negro e intelectuais negros.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a chance de uma pessoa negra ser assassinada \u00e9 2,6 vezes superior \u00e0quela de uma pessoa n\u00e3o negra.&nbsp;Segundo os dados da pesquisa Atlas da Viol\u00eancia 2021 e elaborado por meio de uma parceria entre o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), a taxa de homic\u00eddios por 100 mil habitantes negros em 2019&nbsp;foi de 29,2,&nbsp;enquanto a da soma dos amarelos, brancos e ind\u00edgenas foi de&nbsp;11,2.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, os negros representaram 77% das v\u00edtimas de assassinato no pa\u00eds em 2019. Essa preval\u00eancia \u00e9, historicamente, um dado frequente em estudos sobre a viol\u00eancia no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando Nina Rodrigues [escritor] desenha o perfil dos sujeitos criminosos que t\u00eam predisposi\u00e7\u00e3o ao crime, e isso ainda continua operante, essas s\u00e3o as ra\u00edzes do racismo institucional, e ele \u00e9 institucional porque \u00e9 estrutural\u201d, reitera a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-default\" style=\"border-color:#cf2e2e\"><blockquote class=\"has-text-color has-vivid-red-color\"><p><strong>Quando a gente fala que o racismo \u00e9 estrutural, a gente afirma que, na literatura, na ci\u00eancia de forma geral, todos esses saberes reproduzem o racismo. Todas.<\/strong><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Anatalina Louren\u00e7o, secret\u00e1ria nacional de Combate ao Racismo da CUT, \u00e9 a chamada necropol\u00edtica, uma a\u00e7\u00e3o do Estado de forma pensada a partir das suas pol\u00edticas que determinam quem vive e quem morre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA luta contra o racismo deve ser constru\u00edda por todos e todas, n\u00e3o pode ser algo secund\u00e1rio a outras lutas. Somos mais 50% da popula\u00e7\u00e3o preta e parda desse pa\u00eds, logo devemos nos perguntar, quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es efetivas para a elimina\u00e7\u00e3o do racismo?\u201d, questiona a dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo estrutural \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, institucionais, hist\u00f3ricas, culturais dentro de uma sociedade que frequentemente privilegia algumas ra\u00e7as em detrimento de outras.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u00e9 usado para refor\u00e7ar o fato de que h\u00e1 sociedades estruturadas com base no racismo, que favorecem pessoas brancas e desfavorecem negros e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>__________________________________________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?subdomain=www&amp;busca=%22tag%3AContra+o+racismo%22\">Contra o racismo<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?subdomain=www&amp;busca=%22tag%3ARacismo+estrutural%22\">Racismo estrutural<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?subdomain=www&amp;busca=%22tag%3Aracismo+institucional%22\">racismo institucional<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?subdomain=www&amp;busca=%22tag%3A21+de+mar%C3%A7o%22\">21 de mar\u00e7o<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?subdomain=www&amp;busca=%22tag%3ACombate+ao+Racismo%22\">Combate ao Racismo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Walber Pinto\u00a0|\u00a0Editado por: Marize Muniz Nesta segunda-feira (21) se celebra o Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, institu\u00eddo pela ONU. \u00c9 um dia importante que refor\u00e7a a<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":56354,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/56353"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=56353"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/56353\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/56354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=56353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=56353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=56353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}