{"id":5578,"date":"2007-09-03T13:52:28","date_gmt":"2007-09-03T13:52:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/preocupante-cresce-alcoolismo-entre-mulheres-2\/"},"modified":"2007-09-03T13:52:28","modified_gmt":"2007-09-03T13:52:28","slug":"preocupante-cresce-alcoolismo-entre-mulheres-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=5578","title":{"rendered":"Preocupante: cresce alcoolismo entre mulheres"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, aumentou em 78% o n\u00famero de mulheres que procuram tratamento em SP<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Por natureza, a mulher \u00e9 mais vulner\u00e1vel ao \u00e1lcool e apresenta problemas de sa\u00fade mais precocemente do que o homem<\/EM><\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>O n\u00famero de mulheres dependentes do \u00e1lcool que procuram tratamento cresceu 78% nos \u00faltimos tr\u00eas anos no Estado de S\u00e3o Paulo, segundo levantamento em unidades p\u00fablicas de sa\u00fade.<\/P><br \/>\n<P>Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que, em 20 anos, aumentou muito a propor\u00e7\u00e3o de mulheres alco\u00f3latras no pa\u00eds. Era uma mulher para cada dez homens. Agora \u00e9 uma para tr\u00eas.<\/P><br \/>\n<P>Para especialistas, uma das explica\u00e7\u00f5es \u00e9 a mesma que levou ao aumento dos problemas cardiovasculares nesse p\u00fablico: a mudan\u00e7a do estilo de vida da mulher, que a deixa sobrecarregada de trabalho e estressada.<\/P><br \/>\n<P>O fen\u00f4meno preocupa por dois motivos: a) a mulher \u00e9 mais vulner\u00e1vel ao \u00e1lcool e tem problemas mais cedo; b) a ind\u00fastria de bebida tem investido em propagandas para elas.<\/P><br \/>\n<P>Estudo da Secretaria Estadual da Sa\u00fade mostra que o n\u00famero de mulheres dependentes nos Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial passou de 17.816 (2004) para 31.674 (2006). Representam 11,8% dos atendimentos (267.582, em 2006).<\/P><br \/>\n<P>Para Luiezemir Lago, do Centro de Refer\u00eancia de \u00c1lcool, que coordenou o estudo, o aumento se deve ao crescimento real do alcoolismo feminino e \u00e0 maior oferta de servi\u00e7os especializados (de 27 unidades, em 2004, para 41, em 2006).<\/P><br \/>\n<P>&#8216;Havia uma demanda reprimida. Antes, a mulher era internada. Hoje, com o tratamento ambulatorial, ela se sente mais estimulada a buscar ajuda.&#8217; Em 2006, o custo do tratamento ambulatorial de mulheres foi de R$ 820 mil no Estado.<\/P><br \/>\n<P>As bebidas ocupam a quarta posi\u00e7\u00e3o no ranking de interna\u00e7\u00e3o. Em primeiro vem gravidez\/parto, seguido de doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio e das doen\u00e7as respirat\u00f3rias.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;A mulher ganhou b\u00f4nus [maior inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, por exemplo], mas tamb\u00e9m teve o \u00f4nus&#8217;, diz Jo\u00e3o Carlos Dias, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.<\/P><br \/>\n<P>Ele explica que o organismo feminino metaboliza o \u00e1lcool de forma diferente da dos homens e, por isso, elas sofrem mais r\u00e1pido os efeitos nocivos da bebida -t\u00eam maior propor\u00e7\u00e3o de tecido gorduroso e um d\u00e9ficit de enzimas que atuam na metaboliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool. Situa\u00e7\u00f5es que desfavorecem a &#8216;dilui\u00e7\u00e3o&#8217; da bebida no corpo.<\/P><br \/>\n<P>O psiquiatra S\u00e9rgio Ramos, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do \u00c1lcool e outras Drogas, diz que os homens levam 15 anos para ter problemas no f\u00edgado. &#8216;As mulheres, cinco.&#8217; As alco\u00f3latras tamb\u00e9m sofrem mais riscos de desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares, c\u00e2ncer da mama, osteoporose e dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos, entre outros.<\/P><br \/>\n<P>E n\u00e3o s\u00f3 isso. Paulina Duarte, da Secretaria Nacional Antidrogas, diz que a mulher alco\u00f3latra, mais estigmatizada, tende a beber escondida e tarda em buscar ajuda. &#8216;Chega numa condi\u00e7\u00e3o mais grave e com menos chances de recupera\u00e7\u00e3o.&#8217; <EM>(CL\u00c1UDIA COLLUCCI)<\/EM><\/P><br \/>\n<P align=center><BR><STRONG>Consumidoras s\u00e3o novo alvo da propaganda <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Cerveja lan\u00e7ada pela Ambev, com foco espec\u00edfico no p\u00fablico feminino, tem comercial de TV exclusivo para mulheres<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG><EM>Pesquisa mostra que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a estat\u00edstica na taxa de consumo de cerveja -62% entre os homens e 58% entre as mulheres<\/EM><\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>As mulheres j\u00e1 bebem cerveja na mesma freq\u00fc\u00eancia que os homens e se tornaram o novo alvo da ind\u00fastria de bebidas, inclusive, com comerciais de TV exclusivamente para elas.<\/P><br \/>\n<P>Pesquisa da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) e da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo), divulgada semana passada, mostra que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a estat\u00edstica na taxa de consumo de cerveja entre os g\u00eaneros (62% entre homens e 58% entre as mulheres). O estudo ouviu 3.007 pessoas em 143 cidades brasileiras.<\/P><br \/>\n<P>Entre os adolescentes, acontece a mesma tend\u00eancia de consumo: 53% dos garotos declaram tomar cerveja, contra 50% das meninas.<BR>A diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros (adultos e adolescentes) ainda est\u00e1 na quantidade ingerida: 38% dos homens consomem cinco doses de bebida alco\u00f3lica (fermentadas ou destiladas) contra 17% das mulheres.<BR>Mas, a depender da ind\u00fastria da cerveja, esse padr\u00e3o de consumo tamb\u00e9m poder\u00e1 ser mudado. Uma cerveja voltada para mulheres, a Porto (Ambev), acaba de ser lan\u00e7ada.<\/P><br \/>\n<P>No comercial de TV sobre a cerveja, a velha f\u00f3rmula sexista, agora ao inverso: em um bar lotado de belas garotas bebendo cerveja, ao som de m\u00fasica latina, um gar\u00e7om mais velho \u00e9 trocado por um jovem bonit\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>Para a psic\u00f3loga Ilana Pinsky, do departamento de psiquiatria da Unifesp, o foco de propagandas de bebidas nas minorias \u00e9 uma tend\u00eancia nos EUA e pode se tornar uma estrat\u00e9gia no Brasil, um mercado com potencial de crescimento.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;No Brasil, a mulher ainda bebe muito menos do que potencialmente poderia beber. \u00c9 esperto da parte das ind\u00fastrias focarem nas mulheres jovens e em jovens em geral porque \u00e9 esse p\u00fablico que pode mudar o padr\u00e3o de consumo, n\u00e3o vai ser o cara de 40 anos.&#8217;<\/P><br \/>\n<P>S\u00e9rgio Ramos, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do \u00c1lcool e outras Drogas, tem a mesma preocupa\u00e7\u00e3o: &#8216;Est\u00e3o querendo agora ampliar o mercado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres jovens. E fazem propaganda enganosa. Mulher que bebe freq\u00fcentemente engorda, tem barriga, n\u00e3o tem a exuber\u00e2ncia da TV&#8217;.<\/P><br \/>\n<P>Para Marcos Mesquita Coelho, presidente do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria da Cerveja, \u00e9 natural ocorrer uma mudan\u00e7a no direcionamento da propaganda devido ao aumento do consumo da bebida e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho e na renda nacional.<\/P><br \/>\n<P>Segundo ele, n\u00e3o tem sentido uma propaganda focada apenas na motiva\u00e7\u00e3o do homem se a mulher consome a bebida quase na mesma propor\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;O problema dessa propaganda [da cerveja Porto] \u00e9 que ela est\u00e1 voltada para a mulher, mas ainda usando o mesmo padr\u00e3o de publicidade usado para o p\u00fablico masculino. Trocar esse [gar\u00e7om] por outro mais bonito n\u00e3o me parece um padr\u00e3o esperado das mulheres.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;Segundo ele, as pesquisas de mercado demonstram que as mulheres cada vez mais consomem cerveja e decidem pela marca de prefer\u00eancia. &#8216;Nada mais adequado do que trabalhar conceitos mais presentes na decis\u00e3o da mulher.&#8217; <EM>(DA REPORTAGEM LOCAL)<\/EM><\/P><br \/>\n<P align=center><STRONG>Frases<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>&#8216;Homens demoram 15 anos para apresentar problemas no f\u00edgado. Mulheres, cinco&#8217;. <EM>S\u00c9RGIO RAMOS, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do \u00c1lcool e outras Drogas<\/EM><\/P><br \/>\n<P>&#8216;Antes, a mulher era internada. Hoje, com o tratamento ambulatorial, ela se sente mais estimulada a buscar ajuda.&#8217; <EM>LUIEZEMIR LAGO, <BR>diretora do Centro de Refer\u00eancia de \u00c1lcool, que coordenou o estudo<\/EM><\/P><br \/>\n<P>&#8216;No Brasil, a mulher ainda bebe muito menos do que potencialmente poderia beber. \u00c9 esperto da parte das ind\u00fastrias focarem nas jovens&#8217; <EM>ILANA PINSKY, psic\u00f3loga<\/EM><\/P><br \/>\n<P>&#8216;A mulher ganhou b\u00f4nus [maior inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, por exemplo, mas tamb\u00e9m teve \u00f4nus importantes&#8217;. <EM>JO\u00c3O CARLOS DIAS, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria<\/EM><\/P><br \/>\n<P align=center><BR><STRONG>PRESEN\u00c7A DAS MULHERES \u00c9 SIMILAR \u00c0 DOS HOMENS<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>A presen\u00e7a de mulheres nos bares \u00e9 cen\u00e1rio comum e n\u00e3o fica muito atr\u00e1s da dos homens em estabelecimentos visitados pela Folha. A estudante Cristiane Paludetto, 30, afirma que come\u00e7ou a consumir bebidas alc\u00f3olicas aos 14 anos. &#8216;Achava que tinha gra\u00e7a. Tive amigas que tomaram glicose na veia&#8217;. Hoje, ela diz beber menos.<\/P><br \/>\n<P>Outra estudante, Paula Rodrigues, 21, diz que bebe mais que alguns amigos homens e que costuma misturar bebidas na &#8216;balada&#8217;, como vodca e energ\u00e9tico, mas que n\u00e3o chega a passar mal.<\/P><br \/>\n<P>A rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e mulheres pode ser vista no site de relacionamentos Orkut, em grupos como &#8216;Sou Mulher e Bebo Mesmo&#8217; e &#8216;Mulheres Total Flex&#8217;.<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, aumentou em 78% o n\u00famero de mulheres que procuram tratamento em SP Por natureza, a mulher \u00e9 mais vulner\u00e1vel ao \u00e1lcool e apresenta problemas de sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5578\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}