{"id":52697,"date":"2021-09-09T11:54:40","date_gmt":"2021-09-09T14:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=52697"},"modified":"2021-09-09T11:54:42","modified_gmt":"2021-09-09T14:54:42","slug":"sem-politica-economica-26-dos-brasileiros-ficam-desempregados-2-anos-ou-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=52697","title":{"rendered":"Sem pol\u00edtica econ\u00f4mica, 26% dos brasileiros ficam desempregados 2 anos ou mais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: Reda\u00e7\u00e3o CU<\/strong>T<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 6 milh\u00f5es de&nbsp;<strong>trabalhadores<\/strong>&nbsp;e trabalhadoras perderam o&nbsp;<strong>emprego<\/strong>&nbsp;no Brasil h\u00e1 mais de um ano. Destes, 3,8 milh\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o sem trabalho h\u00e1 mais de dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O total de&nbsp;<strong>trabalhadores<\/strong>&nbsp;em busca de coloca\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de um ano subiu de 6,7% para 15,1%. E o total daqueles que buscam h\u00e1 mais de dois anos subiu de 23,9% para 26,1%. Ou seja, quanto mais tempo o trabalhador fica&nbsp;<strong>desempregado<\/strong>, menor \u00e9 a chance de recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de&nbsp;<strong>trabalho<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Manchetes de alguns jornais, baseadas em an\u00e1lises de consultorias econ\u00f4micas, dizem que esse quadro \u00e9 uma das consequ\u00eancia da pandemia do novo coronav\u00edrus. Isso \u00e9 uma&nbsp;fal\u00e1cia, diz&nbsp;o&nbsp;<strong>presidente nacional da CUT<\/strong>,&nbsp;<strong>S\u00e9rgio Nobre.<\/strong>&nbsp;Para ele, a necess\u00e1ria paralisa\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas para conter a dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 n\u00e3o \u00e9 a principal causa do alto \u00edndice de&nbsp;<strong>desemprego<\/strong>&nbsp;no pa\u00eds, como afirma o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde que assumiu o governo, Bolsonaro n\u00e3o apresentou nenhuma proposta efetiva para&nbsp;<strong>gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda<\/strong>. Suas escolhas erradas na pol\u00edtica econ\u00f4mica resultaram em&nbsp;<strong>desemprego<\/strong>&nbsp;<strong>recorde e aumento da fome<\/strong>\u201d, afirma o dirigente, acrescentando que somente com investimento do Estado \u00e9 poss\u00edvel enfrentar de forma eficaz o&nbsp;<strong>desemprego<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO governo Bolsonaro desmontou instrumentos de desenvolvimento do pa\u00eds e a iniciativa privada n\u00e3o tem, historicamente, condi\u00e7\u00f5es de exercer o papel de indutor da economia, como quer [Paulo] Guedes [ministro da Economia] e Bolsonaro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para S\u00e9rgio Nobre, os n\u00fameros de hoje seriam melhores se o governo n\u00e3o tivesse reduzido investimentos e quadro de pessoal para privatizar estatais como Eletrobras e tentado vender os Correios e a Petrobras, al\u00e9m de desmontar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), que abandonou o financiamento industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSem as estatais, o BNDES e os bancos p\u00fablicos fazendo investimentos n\u00e3o tem Minist\u00e9rio do Trabalho que consiga promover mais empregos\u201d, diz o<strong>&nbsp;presidente da CUT<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio atual \u00e9 de desemprego prolongado, que tem consequ\u00eancias tr\u00e1gicas para a classe trabalhadora e para a economia do pa\u00eds, de acordo com o diretor-t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (<strong>Dieese<\/strong>), Fausto Augusto Jr.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma pessoa que fica dois anos sem emprego sofre algumas consequ\u00eancias. Ela vai mais r\u00e1pido ao desalento porque procurar trabalho significa tamb\u00e9m ter custos\u201d, diz Fausto, lembrando que o n\u00famero dos j\u00e1 desalentados, ou seja, aqueles que desistiram de procurar emprego por n\u00e3o conseguir uma oportunidade depois de muito tentar, j\u00e1 \u00e9 alto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica ainda que \u00e9 mais dif\u00edcil o retorno ao mercado de trabalho por diversos motivos, entre eles, a dificuldade de o trabalhador se manter tanto atualizado na quest\u00e3o profissional como manter sua capacidade de rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA qualifica\u00e7\u00e3o profissional se altera. Vai aumentando a dificuldade em se manter atualizado para as demandas dos empregos. Isso faz com que ou ele n\u00e3o consiga emprego ou tenha de se sujeitar a trabalhos aqu\u00e9m de sua qualifica\u00e7\u00e3o, de sua experi\u00eancia e de sua trajet\u00f3ria\u201d, afirma o diretor-t\u00e9cnico do&nbsp;<strong>Dieese<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a economia como um todo tamb\u00e9m h\u00e1 preju\u00edzos porque o pa\u00eds \u201cperde sua capacidade produtiva porque perde a compet\u00eancia desses profissionais por incapacidade do pr\u00f3prio mercado de trabalho\u201d, diz Fausto Augusto Jr.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 perigoso do ponto de vista do futuro. Isso sinaliza a necessidade de pol\u00edticas ativas de emprego &#8211; uma pol\u00edtica econ\u00f4mica voltada para a gera\u00e7\u00e3o de emprego. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava ruim antes e piorou com a pandemia\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/brasil-tem-14-4-milhoes-de-desempregados-e-43-5-milhoes-milhoes-sem-direitos-7ac5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia mais: Brasil tem 14,4 milh\u00f5es de desempregados e 43,5 milh\u00f5es sem direitos\u00a0\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros de desemprego prolongado, que se referem ao primeiro trimestre deste ano, s\u00e3o de levantamento da consultoria Idados, que fez uma an\u00e1lise com exclusividade para o jornal Valor Econ\u00f4mico, baseada na Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad-Cont\u00ednua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>O desemprego prolongado atinge trabalhadores que mesmo antes da pandemia j\u00e1 vinham sofrendo as consequ\u00eancias da crise econ\u00f4mica, que foi aprofundada pela crise sanit\u00e1ria e pela falta de pol\u00edtica econ\u00f4mica e social do governo&nbsp; Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o ter pol\u00edtica de gera\u00e7\u00e3o de emprego, este governo n\u00e3o tem pol\u00edtica de requalifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o diretor-t\u00e9cnico do Dieese, para a atender a necessidade constante de atualiza\u00e7\u00e3o profissional e assim permitir que trabalhadores se adaptem \u00e0s novas realidades impostas pelo avan\u00e7o da tecnologia, e consigam uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, \u00e9 essencial haver qualifica\u00e7\u00e3o profissional. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio haver um programa\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para al\u00e9m disso, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio um sistema de regula\u00e7\u00e3o pelo poder p\u00fablico que possibilite equilibrar as taxas de desemprego. N\u00e3o pode deixar para o mercado definir, de acordo com Fausto.<\/p>\n\n\n\n<p>Significa que o Estado brasileiro tem que qualificar, gerar oportunidades e promover intermedia\u00e7\u00e3o entre o desempregado e o empregador. Exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 o Programa Nacional de Acesso ao Ensino T\u00e9cnico e Emprego (Pronatec), criado em 2011 para capacitar os jovens brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciativas como Pronatec e outras a\u00e7\u00f5es dos governos Lula e Dilma como acordos com o Sistema S (Sesc, Sesi, Senai, Senast e Senac) garantiram a cria\u00e7\u00e3o de 20 milh\u00f5es das vagas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses \u2018sistemas\u2019, que n\u00e3o s\u00e3o prioridade para o atual governo, v\u00eam sendo desmontados desde 2016 e contribuem de forma severa para o desemprego. O Sistema Nacional de de Emprego (SINE), por exemplo, desde o governo de Michel Temer (MDB-SP) j\u00e1 vem sofrendo cortes no or\u00e7amento. Em 2019, foram R$ 9,6 milh\u00f5es que seriam destinados \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da rede de atendimento do programa do seguro-desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Texto: Andr\u00e9 Accarini<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>__________________________________________________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ADesemprego%22\">Desemprego<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aempregos%22\">empregos<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Atrabalho%22\">trabalho<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Atrabalhadores%22\">trabalhadores<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ADIEESE%22\">DIEESE<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Reda\u00e7\u00e3o CUT Cerca de 6 milh\u00f5es de&nbsp;trabalhadores&nbsp;e trabalhadoras perderam o&nbsp;emprego&nbsp;no Brasil h\u00e1 mais de um ano. 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