{"id":52490,"date":"2021-08-30T09:38:46","date_gmt":"2021-08-30T12:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=52490"},"modified":"2021-08-30T09:39:42","modified_gmt":"2021-08-30T12:39:42","slug":"ha-60-anos-movimento-da-legalidade-sacudiu-o-brasil-e-impediu-golpe-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=52490","title":{"rendered":"H\u00e1 60 anos, Movimento da Legalidade sacudiu o Brasil e impediu golpe militar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: CUT-RS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento da Legalidade, um dos principais acontecimentos pol\u00edticos que sacudiram o Brasil ap\u00f3s a ren\u00fancia do presidente J\u00e2nio Quadros, completa 60 anos neste final de agosto. A mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa da Constitui\u00e7\u00e3o e da democracia impediu o golpe militar, que estava sendo tramado, e garantiu a posse do vice-presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o provocada pela recusa dos ministros militares em aceitar a investida de Jango na presid\u00eancia da Rep\u00fablica em 1961 quase levou o pa\u00eds a uma guerra civil. O levante iniciou no Rio Grande do Sul e foi liderado pelo governador Leonel Brizola, que contou com a for\u00e7a da Brigada Militar e o apoio de soldados e oficiais nacionalistas das For\u00e7as Armadas e de alguns setores da imprensa para deter o golpe. A resist\u00eancia durou 14 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos fatores importantes&nbsp;para o sucesso dessa mobiliza\u00e7\u00e3o popular e armada no Rio Grande do Sul, que passou a se chamar tamb\u00e9m Campanha da Legalidade, foi&nbsp;a posi\u00e7\u00e3o d\u00fabia do 3\u00ba Ex\u00e9rcito (atual Comando Militar do Sul), comandado pelo&nbsp;general Jos\u00e9 Machado Lopes, que se recusou a cumprir as ordens do alto comando em Bras\u00edlia para frear os movimentos de Brizola. Queria evitar que um prov\u00e1vel confronto levasse a um desfecho tr\u00e1gico, com mortos e feridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de ficar os tr\u00eas primeiros dias numa posi\u00e7\u00e3o contemplativa, permitindo que Brizola agisse livremente, Machado Lopes acabou se dirigindo at\u00e9 o Pal\u00e1cio Piratini no final da manh\u00e3 de 28 de agosto para prestar apoio ao movimento do governador, com o argumento de que a Constitui\u00e7\u00e3o precisava ser respeitada. Sua postura nunca foi assimilada pelo Ex\u00e9rcito, uma vez que o general havia quebrado a hierarquia ao descumprir uma ordem do ministro da Guerra, Od\u00edlio Denys.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Legalidade2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadscklegalidade2jpg-700x466xfit-ed1f5.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"417\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h4><strong>A for\u00e7a da rede de emissoras de r\u00e1dio<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O outro fator decisivo foi a iniciativa&nbsp;de Brizola de mandar soldados da Brigada Militar \u00e0 Ilha da Pintada, em Porto Alegre&nbsp;para guarnecer a torre de transmiss\u00e3o da r\u00e1dio Gua\u00edba e fazer a interven\u00e7\u00e3o na sede da emissora, na Rua Caldas J\u00fanior, transferindo os equipamentos do est\u00fadio para os por\u00f5es do pal\u00e1cio, onde seria criada a R\u00e1dio da Legalidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das emissoras de grande alcance, a Gua\u00edba era a \u00fanica que havia se recusado a divulgar o manifesto do marechal Henrique Teixeira Lott (candidato \u00e0 Presid\u00eancia derrotado por J\u00e2nio na elei\u00e7\u00e3o de 1960) denunciando a tentativa de golpe militar para impedir a posse de Jango.<\/p>\n\n\n\n<p>As r\u00e1dios Ga\u00facha e Farroupilha, que haviam lido o documento, foram tiradas do ar pelo general Ant\u00f4nio Muricy, chefe do Estado-Maior do 3\u00ba Ex\u00e9rcito, militar contr\u00e1rio ao posicionamento de Machado Lopes e alinhado ao ministro da Guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em quest\u00e3o de horas, a R\u00e1dio da Legalidade virou a Rede da Legalidade, com&nbsp;104 emissoras ga\u00fachas, catarinenses e paranaenses que projetaram&nbsp;o movimento de resist\u00eancia para outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Funcionou 24 horas, durante 12 dias. A primeira transmiss\u00e3o ocorreu \u00e0s 15 horas do dia 27 de agosto, com um discurso inflamado e com dedo em riste do governador.<\/p>\n\n\n\n<p>Arma admirada por estrategistas como Winston Churchill e Charles de Gaulle, o r\u00e1dio deu a Brizola a superioridade sobre os advers\u00e1rios num terreno decisivo: o cora\u00e7\u00e3o dos ga\u00fachos. Durante a crise de 1961, o governador uniu o Estado por meio dos microfones com mensagens pol\u00edticas dirigidas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e ao Ex\u00e9rcito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foram 13 dias em que Brizola transformou o Pal\u00e1cio Piratini em QG de resist\u00eancia. A Pra\u00e7a da Matriz virou arena pol\u00edtica, reunindo multid\u00f5es. Os munic\u00edpios do Interior organizaram suas trincheiras e caravanas rumo a Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Brizola1.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckbrizola1jpeg-556x565xfit-3a464.jpeg\" alt=\"\" width=\"509\" height=\"517\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h4><strong>&#8220;Ningu\u00e9m dar\u00e1 o golpe por telefone&#8221;, disse Brizola<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m dar\u00e1 o golpe por telefone. O Rio Grande n\u00e3o aceita o golpe e a ele n\u00e3o se submeter\u00e1!&#8221; A frase \u00e9 uma das centenas que a imprensa reproduziu das declara\u00e7\u00f5es de Brizola no decorrer daqueles dias finais de agosto de 1961, ap\u00f3s J\u00e2nio Quadros recusar por telefone seu convite para governar, provisoriamente, a partir da capital ga\u00facha.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu manifesto mais famoso foi o de despedida. J\u00e2nio se dizia &#8220;esmagado&#8221; por &#8220;for\u00e7as terr\u00edveis&#8221; e pelas &#8220;ambi\u00e7\u00f5es de grupos dirigidos, inclusive do exterior, que o impediram de exercer o poder em favor dos interesses nacionais. O governo J\u00e2nio-Jango, apelidado de Jan-Jan, durou apenas sete meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Porto Alegre, Brizola percebeu que algo muito grave havia ocorrido quando na metade da manh\u00e3 de sexta-feira, dia 25 de agosto, militares retiraram-se no meio dos desfiles pelo Dia do Soldado, no Parque Farroupilha. Logo, o jornalista Hamilton Chaves, seu assessor de imprensa, informou sobre a ren\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Jango estava em Cingapura, quando foi avisado dos acontecimentos na madrugada do dia 26. Ele presidia uma miss\u00e3o comercial e passara pela China antes de chegar naquele pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico. Informado de que seria preso no instante em que desembarcasse no Brasil, foi orientado a aguardar em Montevid\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os ministros militares, em Bras\u00edlia, determinavam a posse, na presid\u00eancia, do deputado Ranieri Mazzilli, presidente da C\u00e2mara, trabalhistas instalavam o Comit\u00ea Popular Pr\u00f3-Legalidade, no Mata-Borr\u00e3o, um pr\u00e9dio de madeira na esquina da Borges de Medeiros com a Andrade Neves, que seria usado para alistar volunt\u00e1rios e distribuir armas.<\/p>\n\n\n\n<p>No domingo, o governador consegue publicar nos jornais locais, como mat\u00e9ria paga, dois manifestos \u2013 o do marechal Lott, que foi censurado no Rio de Janeiro, e um outro escrito por Hamilton Chaves, retocado por ele, Brizola, ambos repudiando o golpe:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Na defesa do regime, na defesa da ordem legal e das liberdades p\u00fablicas, acredito que n\u00f3s, ga\u00fachos, pelo nosso passado, pelas nossas tradi\u00e7\u00f5es, saberemos nos inspirar, esquecendo nossas diferen\u00e7as. O Rio Grande do Sul comparece perante a Federa\u00e7\u00e3o como uma unidade. O governo do Estado n\u00e3o pactuar\u00e1 com qualquer golpe nas institui\u00e7\u00f5es e que venha a acarretar o cerceamento das liberdades p\u00fablicas&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O jornal \u00daltima Hora lan\u00e7ou edi\u00e7\u00e3o extra, com um editorial na primeira p\u00e1gina, sob o t\u00edtulo&nbsp;<em>Constitui\u00e7\u00e3o ou Guerra Civil<\/em>: &#8220;Nem que seja para ser esmagado o Rio Grande do Sul reagir\u00e1. Mas n\u00e3o ser\u00e1 esmagado porque todo o Brasil est\u00e1 pronto para repelir o golpe&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Legalidade1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadscklegalidade1jpg-700x466xfit-18acf.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"427\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h4><strong>Amea\u00e7a de bombardeio a\u00e9reo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio era de guerra na sede do governo ga\u00facho e arredores. Barricadas de sacos de areia e rolos de arame farpado guarnecidos por brigadianos protegiam as entradas e o terra\u00e7o da sede do governo, j\u00e1 sob amea\u00e7a de bombardeio a\u00e9reo. A tentativa s\u00f3 foi frustrada porque sargentos da Aeron\u00e1utica retiraram pe\u00e7as e furaram os pneus dos avi\u00f5es na Base A\u00e9rea de Canoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Brizola atrai pol\u00edticos, religiosos e militares simp\u00e1ticos ao seu governo e multid\u00f5es \u00e0 Pra\u00e7a da Matriz com seus discursos. \u00c0s tr\u00eas da madrugada de segunda-feira, 28, o governador ainda d\u00e1 uma entrevista coletiva, movimentando-se no pal\u00e1cio com uma metralhadora a tiracolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela manh\u00e3, o comandante do III Ex\u00e9rcito recebe uma mensagem do ministro da Guerra. Considera que &#8220;o governador colocou-se fora da legalidade&#8221; e ordena que, se necess\u00e1rio, fa\u00e7a &#8220;convergir sobre Porto Alegre toda a tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente&#8221;, e que &#8220;empregue a Aeron\u00e1utica, realizando inclusive bombardeio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O governador volta ao microfone:&nbsp;<em>&#8220;Aten\u00e7\u00e3o, meus patr\u00edcios, democratas e independentes, aten\u00e7\u00e3o para minhas palavras! Em primeiro lugar, nenhuma escola deve funcionar em Porto Alegre. Fechem todas as escolas! Se alguma estiver aberta, fechem e mandem as crian\u00e7as para junto de seus pais! Tudo em ordem! Tudo em calma! Com serenidade e frieza! Mas mandem as crian\u00e7as para casa! Quanto ao trabalho, \u00e9 uma iniciativa que cada um deve tomar, de acordo com o que julgar conveniente. Quanto \u00e0s reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas estaduais, nada h\u00e1 de anormal! Os servi\u00e7os p\u00fablicos ter\u00e3o seu in\u00edcio normal e os funcion\u00e1rios devem comparecer como habitualmente, muito embora o Estado tolerar\u00e1 qualquer falta que, porventura, se verificar no dia de hoje. Hoje, nesta minha alocu\u00e7\u00e3o tenho os fatos mais graves a revelar&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h4><strong>At\u00e9 o arcebispo de Porto Alegre defendeu a posse de Jango<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A estas alturas, at\u00e9 o arcebispo de Porto Alegre, Dom&nbsp;Vicente Scherer, percebendo que a situa\u00e7\u00e3o se radicalizava, procura o comandante do III Ex\u00e9rcito para manifestar sua preocupa\u00e7\u00e3o e se posicionar pela posse de Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>A reuni\u00e3o de Brizola com o general Machado Lopes aconteceu a portas fechadas no Piratini pouco antes do meio-dia e durou 10 minutos. Brizola relatou mais tarde que os generais do III Ex\u00e9rcito haviam decidido s\u00f3 aceitar solu\u00e7\u00e3o para a crise dentro da Constitui\u00e7\u00e3o. Com uma condi\u00e7\u00e3o: a Brigada Militar e a Pol\u00edcia Civil passariam a subordinar-se ao comando do III Ex\u00e9rcito, ficando Brizola com o comando pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista a Paulo Markun, 40 anos depois, Brizola contou que se levantou, apertou a m\u00e3o do militar e disse: &#8220;General, n\u00e3o esperava outra decis\u00e3o. O III Ex\u00e9rcito vai ser reconhecido por toda a na\u00e7\u00e3o, est\u00e1 cumprindo um papel hist\u00f3rico&#8221;. Pouco depois, os dois ergueram os bra\u00e7os na sacada do Pal\u00e1cio Piratini, aplaudidos pela multid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Brizola ainda buscou convencer os militares, segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/blog\/seu-general-golpista-fdp-de-brizola-ao-gal-costa-e-silva-na-rebeliao-da-legalidade-60-anos-atras\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo publicado nesta semana pelo ex-deputado federal\u00a0Vivaldo Barbosa no Brasil 247<\/a>. &#8220;Brizola tentou falar com os pr\u00f3prios ministros militares, mas n\u00e3o foi atendido. Tentou outros generais. Conseguiu falar com Costa e Silva, comandante do Ex\u00e9rcito em Recife, que era ga\u00facho. Pediu para o General ponderar junto aos Ministros \u00a0para se cumprir a Constitui\u00e7\u00e3o. Costa e Silva refutou, que s\u00f3 atenderia as ordens do Ministro. Brizola insistiu, Costa e Silva respondeu r\u00edspido: Governador n\u00e3o me telefone s\u00f3 atendo ao Ministro. Brizola lhe devolveu: \u201cseu General golpista, fdp\u201d, e bateu o telefone&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Brizola2.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckbrizola2jpeg-690x551xfit-f20be.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"479\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A crise s\u00f3 terminaria com uma solu\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria:&nbsp;a ado\u00e7\u00e3o do parlamentarismo como contrapeso ao poder de Jango. Articulada pelo ent\u00e3o deputado mineiro Tancredo Neves, a proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional&nbsp;com a anu\u00eancia das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jango desembarcou em solo brasileiro praticamente decidido a aceitar governar o pa\u00eds com poderes limitados. Foi convencido por Tancredo na sua escala em Montevid\u00e9u, a \u00faltima antes de pisar em solo ga\u00facho.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se encontrou com Brizola, ainda com o Estado mobilizado, Jango ouviu os apelos do cunhado, para que resistisse, pois tinha a Carta Magna ao seu lado. O plano de Brizola era reeditar a Revolu\u00e7\u00e3o de 30, desta vez seguindo com os militares que estavam ao lado da causa at\u00e9 a capital federal para garantir que Jo\u00e3o Goulart fosse empossado. O vice-presidente alegou que n\u00e3o queria ser o respons\u00e1vel por uma guerra civil, que inevitavelmente levaria o pa\u00eds ao derramamento de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>O protagonismo no Movimento da Legalidade projetou Brizola nacionalmente. No final de 1962, elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara. Participou ativamente da campanha pela volta ao regime presidencialista, plebiscito antecipado em um ano e tr\u00eas meses.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que, em 1964, com o golpe militar, foi para o ex\u00edlio, primeiro no Uruguai, depois nos Estados Unidos. E s\u00f3 retornaria ao Brasil em 1979, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da lei da anistia, fixando resid\u00eancia no Rio de Janeiro, onde foi eleito governador por dois mandatos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Legalidade3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadscklegalidade3jpg-700x466xfit-d5dcb.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"402\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o de Leonel Brizola para defender a legalidade constitucional ia al\u00e9m do fato de Jo\u00e3o Goulart ser seu cunhado. Eles iniciaram a vida pol\u00edtica praticamente juntos, em 1945, na ala mo\u00e7a do Partido Trabalhista Brasileiro, e dois anos depois, j\u00e1 dividiam a bancada estadual do PTB na Assembleia Constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, incorporaram a ideologia trabalhista de Alberto Pasqualini e Get\u00falio Vargas que, certa vez, previu um futuro promissor para um jovem Brizola, com 20 e poucos anos. &#8220;Esse guri vai longe&#8221;, vaticinou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nunca me senti comprometido com nada que n\u00e3o se conformasse com aqueles valores \u00e9ticos que marcaram a minha forma\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, o meu inconformismo e possivelmente at\u00e9 alguns exageros na minha linguagem e no meu comportamento. Tinha necessidade de acordar, sacudir a opini\u00e3o p\u00fablica, que me parecia amortecida, para uma situa\u00e7\u00e3o social injusta e, naturalmente, inaceit\u00e1vel (\u2026) Assumi, em 1961, uma posi\u00e7\u00e3o radical em defesa da legalidade e da Constitui\u00e7\u00e3o (\u2026) Distribu\u00ed, inclusive, armas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, num momento de desespero&#8221;, declarou Brizola em entrevista ao jornalista Moniz Bandeira, em julho de 1978, no ex\u00edlio em Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>O menino de fam\u00edlia pobre de Carazinho, no interior ga\u00facho, s\u00f3 n\u00e3o alcan\u00e7ou a presid\u00eancia do Pa\u00eds. Ele disputou as elei\u00e7\u00f5es de 1989, ficando em terceiro lugar, e apoiou Lula no segundo turno. Mas deixou um legado de muitas lutas e realiza\u00e7\u00f5es,&nbsp;que s\u00e3o lembradas na semana do dia 22 de janeiro do pr\u00f3ximo ano, no centen\u00e1rio de nascimento do l\u00edder trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Li\u00e7\u00f5es para derrotar golpismo&nbsp;Bolsonaro<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O movimento de 1961 aponta tamb\u00e9m para a import\u00e2ncia da mobiliza\u00e7\u00e3o popular, que aconteceu principalmente no Rio Grande do Sul, uma vez que foi reprimida em v\u00e1rios estados, como no Rio de Janeiro, governado por Carlos Lacerda, apoiador do golpe de 1964 e que depois foi alijado e partiu para o ex\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o do povo nas ruas impediu o golpe em 1961 e poder\u00e1 ser decisiva para derrotar o golpismo e a&nbsp;pol\u00edtica neoliberal,&nbsp;genocida e entreguista de Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCOS MAGESTEIN \/ ARQUIVO \/ JC<a href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Est%C3%A1tua.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fotos:&nbsp;Dom\u00ednio p\u00fablico e Arquivo Museu Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>*com informa\u00e7\u00f5es do Brasil de Fato, Jornal do Com\u00e9rcio e Zero Hora<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Agolpe%22\">golpe<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ABrizola%22\">Brizola<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Amovimento+legalidade%22\">movimento legalidade<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3APorto+Alegre%22\">Porto Alegre<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: CUT-RS O Movimento da Legalidade, um dos principais acontecimentos pol\u00edticos que sacudiram o Brasil ap\u00f3s a ren\u00fancia do presidente J\u00e2nio Quadros, completa 60 anos neste final de agosto.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":52491,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/52490"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=52490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/52490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/52491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=52490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=52490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=52490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}