{"id":5172,"date":"2007-03-06T15:28:03","date_gmt":"2007-03-06T15:28:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/nepotismo-deputados-empregam-68-parentes-por-r-36-milhoes-2\/"},"modified":"2007-03-06T15:28:03","modified_gmt":"2007-03-06T15:28:03","slug":"nepotismo-deputados-empregam-68-parentes-por-r-36-milhoes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=5172","title":{"rendered":"Nepotismo: Deputados empregam 68 parentes por R$ 3,6 milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>Ao completar o primeiro m\u00eas da nova legislatura, a C\u00e2mara contabiliza ao menos 68 casos de familiares de deputados rec\u00e9m-nomeados ou que mantiveram seus empregos nos gabinetes. <\/P><br \/>\n<P>Com sal\u00e1rios que variam de R$ 720 a R$ 8.040, os &#8216;assessores-parentes&#8217; representam um gasto anual de R$ 3,6 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos. Levantamento da Folha nos boletins administrativos da Casa revela a prefer\u00eancia de 52 deputados em empregar os filhos, que representam 40% do total de familiares lotados nos gabinetes. Mas h\u00e1 de quase tudo: irm\u00e3os, mulheres, primos, sobrinhos, cunhados e at\u00e9 concunhada e ex-cunhada. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Enquanto houver possibilidade, estou dando a oportunidade a eles. Depois que for proibido, tudo bem&#8217;, avalia \u00c1tila Lins (PMDB-AM), que emprega dois filhos e patrocinava o cargo de outra filha, exonerada em outubro. Cada um dos 513 deputados pode contratar at\u00e9 25 assessores sem concurso p\u00fablico. A C\u00e2mara reserva, por parlamentar, R$ 50,8 mil ao m\u00eas para o pagamento desses assessores.<\/P><br \/>\n<P>O n\u00famero de familiares localizado pela Folha nos boletins da C\u00e2mara \u00e9 subestimado por dois motivos: a pesquisa s\u00f3 rastreou sobrenomes similares ao do parlamentar, e a maioria dos deputados que assumem o primeiro mandato ainda n\u00e3o nomeou nem metade dos 25 assessores a que t\u00eam direito.<\/P><br \/>\n<P>Houve ainda casos de servidores que carregam sobrenomes id\u00eanticos ao do parlamentar, mas, pelo fato de o parlamentar n\u00e3o ter sido localizado pela reportagem, esses nomes n\u00e3o foram contabilizados.<\/P><br \/>\n<P>\u00c9 o caso de Mussa Demes (PFL-PI), que possui uma filha de nome &#8216;Simone Maria&#8217;. H\u00e1 uma &#8216;Simone Maria Demes Jereissati&#8217; empregada na C\u00e2mara, mas, como a Folha n\u00e3o conseguiu confirmar o parentesco, o caso n\u00e3o entrou na contagem.<\/P><br \/>\n<P>Al\u00e9m disso, muitos familiares de deputados que estavam empregados na Casa como CNEs (Cargo de Natureza Especial) &#8211; com lota\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos, ou seja, fora dos gabinetes- foram exonerados no final de 2006 por decis\u00e3o do ex-presidente da Casa Aldo Rebelo (PC do B-SP). Mais de mil dos cerca de 3.000 CNEs foram definitivamente extintos neste ano por Arlindo Chinaglia (PT-SP), sucessor de Aldo.<\/P><br \/>\n<P>O nepotismo &#8211; usar a influ\u00eancia p\u00fablica para privilegiar familiares &#8211; n\u00e3o \u00e9 ilegal no Congresso, mas enfrenta duras cr\u00edticas do Minist\u00e9rio P\u00fablico e de setores da sociedade. A C\u00e2mara tem uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que trata do assunto engavetada h\u00e1 cerca de dois anos.<\/P><br \/>\n<P>O ex-presidente da C\u00e2mara Severino Cavalcanti (PP-PE) empregou mais de cinco parentes e era aberto defensor da medida. Jos\u00e9 M\u00facio Monteiro (PTB-PE), principal cotado para ser o novo l\u00edder do governo na C\u00e2mara, patrocinava o emprego de duas filhas &#8211; uma delas, Marina, foi exonerada h\u00e1 menos de um m\u00eas.<\/P><br \/>\n<P>Outros indicaram a mulher e o filho para trabalharem juntos, como Wellington Roberto (PR-PB) e Zonta (PP-SC). O deputado Roberto Balestra (PP-GO) emprega dois irm\u00e3os e um parente de terceiro grau.<\/P><br \/>\n<P>Nessa lista, destaca-se ainda o caso de um empregado no gabinete que doou dinheiro para bancar a campanha do futuro chefe. \u00c9 o caso de Roberto Tejadas, cunhado do deputado Marco Maia (PT-RS), que contribuiu com R$ 7.000. Ele foi indicado pelo PT para o cargo. &#8216;Sou contra o nepotismo, mas o nepotismo em excesso. A lei n\u00e3o pode ser discriminat\u00f3ria com parentes, h\u00e1 casos e casos&#8217;, afirma Maia.<\/P><br \/>\n<P>Assim como \u00c1tila Lins, h\u00e1 parlamentares que nomearam dois filhos no gabinete, como Arnon Bezerra (PTB-CE), \u00c1tila Lira (PSDB-PI), Jos\u00e9 Santana de Vasconcellos (PR-MG) e Vicente Arruda (PSDB-CE).<\/P><br \/>\n<P>O deputado Vilson Covatti (PP-RS), que assume seu primeiro mandato, levar\u00e1 para Bras\u00edlia seus dois cunhados. O tamb\u00e9m novato Luiz Carlos Setim (PFL-PR) nomeou a mulher, Neide Maria, para um dos maiores sal\u00e1rios do gabinete.<\/P><br \/>\n<P>Procurados pela Folha na sexta-feira, alguns dos parlamentares reagiram com irrita\u00e7\u00e3o. &#8216;Voc\u00eas s\u00f3 fazem mat\u00e9ria para f&#8230; a gente. N\u00e3o quer saber se \u00e9 competente, se n\u00e3o \u00e9. S\u00f3 quer saber se \u00e9 parente. Se \u00e9 parente, \u00e9 f.d.p. E esculacha o nome do parlamentar (&#8230;) Pode escrever isso a\u00ed&#8217;, afirmou em entrevista gravada Jair Bolsonaro (PP-RJ), que emprega familiares da mulher. Minutos depois, sua assessoria telefonou para se desculpar.<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao completar o primeiro m\u00eas da nova legislatura, a C\u00e2mara contabiliza ao menos 68 casos de familiares de deputados rec\u00e9m-nomeados ou que mantiveram seus empregos nos gabinetes. 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