{"id":50171,"date":"2021-06-08T09:49:14","date_gmt":"2021-06-08T12:49:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=50171"},"modified":"2021-06-08T09:49:16","modified_gmt":"2021-06-08T12:49:16","slug":"com-bolsonaro-brasileiros-ficam-dois-anos-ou-mais-procurando-emprego-sem-encontrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=50171","title":{"rendered":"Com Bolsonaro, brasileiros ficam dois anos ou mais procurando emprego sem encontrar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: Rosely Rocha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mariayde Veloso, de 38 anos, separada, m\u00e3e de dois filhos, de 18 e 15 anos, com curso superior de pedagogia incompleto, teve de deixar sua casa, na zona leste da capital de S\u00e3o Paulo, para morar de favor num quarto de uma ONG, na zona sul, ap\u00f3s as contas se acumularem e o aluguel deixar de ser pago por causa do desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo emprego com carteira assinada de Mary, como \u00e9 conhecida, foi como camareira do hospital Albert Einstein, em mar\u00e7o de 2019. Assim como ela, outras 3,487 milh\u00f5es de pessoas (23,6%) dos 14,805 milh\u00f5es de desempregados est\u00e3o h\u00e1 dois anos ou mais tentando se recolocar no mercado de trabalho sem \u00eaxito, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem em Domic\u00edlio (Pnad Cont\u00ednua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado o Brasil tinha 3,075 milh\u00f5es de pessoas procurando trabalho h\u00e1 mais de dois anos. Em 2021, 412 mil trabalhadores (13,4%) a mais passaram a fazer parte dessa triste estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>O recorde anterior havia sido registrado no segundo trimestre de 2019, quando 3,347 milh\u00f5es de trabalhadores estavam desocupados havia pelo menos dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O recorde atual demonstra mais uma vez que, apesar da pandemia, os governos liberais que lideraram o golpe contra Dilma Rousseff ( PT) em 2016, n\u00e3o entregaram a promessa de cria\u00e7\u00e3o de emprego. Ao contr\u00e1rio, de l\u00e1 para c\u00e1 o desemprego s\u00f3 aumenta, levando mais pobreza e mis\u00e9ria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que aconteceu com Mary. Desempregada e com seus dois filhos precisando de cuidados m\u00e9dicos \u2013 o mais velho tem problemas neurol\u00f3gicos e o mais novo sofre de obesidade m\u00f3rbida infantil e precisa de tratamentos fisioter\u00e1picos e de dieta para diminuir as sequelas da doen\u00e7a, ela n\u00e3o conseguiu este ano receber o aux\u00edlio emergencial e at\u00e9 agora n\u00e3o entende a recusa do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o recebi este ano e n\u00e3o consegui recorrer. O aplicativo do Caixa TEM diz que minha conta est\u00e1 vinculada a dois aparelhos celulares que n\u00e3o sei quais s\u00e3o. Estou vivendo da caridade dos outros\u201d, diz desolada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um reflexo das mudan\u00e7as de governo e da pr\u00f3pria sociedade brasileira que est\u00e1 menos sens\u00edvel ao sofrimento alheio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes a gente tinha mais oportunidades e at\u00e9 a empatia das pessoas era melhor. Hoje est\u00e1 muito mais dif\u00edcil e desafiador para quem est\u00e1 desempregada como eu\u201d, afirma, completando: \u201cCom a pandemia nem faxina me chamam pra fazer e nem d\u00e1 pra vender bala e \u00e1gua na rua. Minha vida se resume em sobreviver e manter a resist\u00eancia\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem investimento p\u00fablico e sem vacina n\u00e3o se gera emprego<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A dificuldade em se colocar no mercado de trabalho de Mary e de outros milh\u00f5es de brasileiros parece n\u00e3o ter solu\u00e7\u00e3o a curto prazo. Segundo o economista do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Gustavo Monteiro, sem investimentos p\u00fablicos, sem vacina\u00e7\u00e3o para a retomada da economia, o desemprego s\u00f3 tende a aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o recorde de tempo em procura de uma nova vaga tamb\u00e9m n\u00e3o surpreende Monteiro. Segundo ele, a pesquisa do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/analiseict\/2020\/072020.html\"><strong>\u00cdndice da Condi\u00e7\u00e3o do Trabalho (ICT-Dieese)<\/strong><\/a>&nbsp;, indicador que usa os \u00edndices de inser\u00e7\u00e3o ocupacional, desocupa\u00e7\u00e3o e rendimento dos trabalhadores j\u00e1 demonstrava que o quadro de procura por um emprego aumentou . &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando Bolsonaro assumiu, o n\u00famero de desocupados que estava \u00e0 procura por um emprego nos \u00faltimos cinco meses era de 53%. Hoje este \u00edndice chega a 61%. Para ser mais exato em dois anos de governo Bolsonaro, aumentou em 8,8% o n\u00famero de trabalhadores que est\u00e1 h\u00e1 pelo menos cinco meses procurando uma nova oportunidade\u201d, afirma Monteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros dados do IBGE confirmam a tend\u00eancia de mais tempo que o trabalhador passa em busca de um emprego. Segundo o \u00f3rg\u00e3o,&nbsp;<strong>existem<\/strong>&nbsp;<strong>1,8 milh\u00e3o de pessoas em busca de uma vaga h\u00e1 menos de um m\u00eas<\/strong>;&nbsp;<strong>acima de um m\u00eas a menos de um ano s\u00e3o<\/strong>&nbsp;<strong>7,0 milh\u00f5es; outras 2,6 milh\u00f5es est\u00e3o desempregadas, de um ano a menos de dois anos.<\/strong>&nbsp;Nesta \u00faltima faixa a alta foi de 58,4% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2020 (1,614 milh\u00e3o) \u2013 um aumento de 943 mil pessoas, durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsto s\u00f3 mostra que antes mesmo da pandemia n\u00e3o estava havendo uma&nbsp; recupera\u00e7\u00e3o. A resposta para a crise, as reformas Trabalhista [2017] e da Previd\u00eancia [2019], sequer resolveram a primeira crise de 2015\u201d, afirma o economista do Dieese, Gustavo Monteiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Economia n\u00e3o d\u00e1 sinais de que desemprego v\u00e1 diminuir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Monteiro, a economia n\u00e3o estava se recuperando pois melhorava um lado, piorava outro, tanto que houve um aumento no n\u00famero de desalentados. Segundo o levantamento PNAD Covid do IBGE, divulgado no final de maio, o n\u00famero de trabalhadores que deixaram de procurar emprego \u00e9 de seis milh\u00f5es e \u00e9 novo recorde.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cO n\u00famero de vagas abertas teve um pequeno aquecimento, mas n\u00e3o o suficiente para empregar esses milh\u00f5es de trabalhadores. Quando a gente olha de 2017, ano da reforma Trabalhista, &nbsp;para c\u00e1, &nbsp;teve alguns solavancos, mas se v\u00ea claramente&nbsp; que situa\u00e7\u00e3o do trabalho piorou muito, ainda mais com pandemia. O ICT mostra que a fila do desemprego est\u00e1 s\u00f3 engrossando\u201d, afirma Monteiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalhadores com maior qualifica\u00e7\u00e3o relatam desemprego<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora acredite que o trabalhador possa se qualificar para ter mais chances de conseguir um novo emprego, o economista do Dieese, diz que o problema do mercado de trabalho est\u00e1 na falta de recupera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem gente pegando qualquer trabalho mesmo com uma alta qualifica\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que sem investimentos p\u00fablicos para a retomada do crescimento, a crise para o trabalhador vai se estender por mais tempo\u201d, avalia Monteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que vem acontecendo com a assessora de imprensa Niobe Cunha, de 62 anos, que por ter trabalhado a maioria dos anos como pessoa jur\u00eddica (PJ) n\u00e3o contribuiu com a previd\u00eancia por tempo suficiente para se aposentar e est\u00e1 desempregada h\u00e1 seis anos, apesar da sua vasta experi\u00eancia profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobrevivendo com a ajuda da aposentadoria da m\u00e3e e do aux\u00edlio emergencial, Niobe conta que antes do governo de Bolsonaro ainda conseguia trabalhos como free lance, que a ajudavam a se manter economicamente, mas nos \u00faltimos dois anos a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piorou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes eu era indicada por amigos que trabalharam comigo e ex-chefes. Hoje eles est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o que eu e de certa forma estamos concorrendo pelas mesmas vagas que aparecem\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, essa situa\u00e7\u00e3o que considera indigna s\u00f3 tem piorado porque as exig\u00eancias profissionais s\u00e3o cada vez maiores e os sal\u00e1rios cada vez mais baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs empresas est\u00e3o pedindo ingl\u00eas fluente at\u00e9 para estagi\u00e1rios, mas os sal\u00e1rios oferecidos n\u00e3o pagam nem as presta\u00e7\u00f5es do curso do idioma\u201d, diz indignada.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da crise, Niobe afirma que tem feito planos A, B, C e D para sobreviver. Por enquanto faz da paix\u00e3o pelo jornalismo um hobby ao ser apresentar um programa pelo YouTube e ser comentarista em outros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExer\u00e7o jornalismo por prazer porque os canais n\u00e3o s\u00e3o monetizados, \u00e9 um trabalho volunt\u00e1rio \u201c, diz Niobe.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho voluntariado \u00e9 o que d\u00e1 for\u00e7as a Patr\u00edcia Alves de Almeida, 48 anos Sem filhos e solteira, ela mora num conjunto do CDHU em S\u00e3o Paulo, cujas presta\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo pagas por outra pessoa, gra\u00e7as, segundo ela, pelo conhecimento que fez durante os seus 26 anos de trabalho volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia teve seu \u00faltimo emprego com carteira assinada de agosto de 2018 a maio de 2019, como auxiliar administrativa na empresa Chocol\u00e2ndia. Ela pediu demiss\u00e3o porque a sede mudou para a Via Anchieta, longe de onde mora na Mooca, zona leste de S\u00e3o Paulo. Ela s\u00f3 n\u00e3o esperava que o tempo para conseguir uma nova oportunidade demoraria tanto, mesmo tendo diploma superior em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas e de ter estudado sem concluir o curso de Gest\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcia que tem uma defici\u00eancia f\u00edsica chegou a trabalhar numa outra empresa, mas foi demitida em um m\u00eas. Ela acredita que sua vaga foi usada apenas para que a empresa cumprisse a cota de trabalhadores deficientes definida em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar sua situa\u00e7\u00e3o, o governo federal est\u00e1 cobrando dela a devolu\u00e7\u00e3o dos R$ 1.800,00 que recebeu no ano passado de aux\u00edlio emergencial. Conta que ela contesta, j\u00e1 que o emprego que teve no per\u00edodo foi de apenas um m\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu pedi o aux\u00edlio eu n\u00e3o estava trabalhando. Infelizmente este governo n\u00e3o pensa nos mais carentes que precisam da ajuda do Estado. A maioria vai pro olho da rua, sem condi\u00e7\u00f5es de pagar um lugar digno. \u00c9 um mundo em que a gan\u00e2ncia impera\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto n\u00e3o consegue uma nova coloca\u00e7\u00e3o, Patr\u00edcia n\u00e3o desiste de se qualificar e &nbsp;j\u00e1 fez seis cursos voltados \u00e0 tecnologia para ter melhores oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c Continuo mandando curr\u00edculos &nbsp;apesar do Brasil passar por uma fase dif\u00edcil, sem resultados positivos na economia, mas n\u00e3o posso me dar ao luxo de desanimar, de escolher servi\u00e7o\u201d, finaliza Patr\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>*Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ADesemprego%22\">Desemprego<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+DIEESE%22\">DIEESE<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3AGustavo+Monteiro+economista+do+dieese%22\">Gustavo Monteiro economista do dieese<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+Auxilio+Emergencial%22\">Auxilio Emergencial<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Atempo+de+procura+por+emprego%22\">tempo de procura por emprego<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Rosely Rocha Mariayde Veloso, de 38 anos, separada, m\u00e3e de dois filhos, de 18 e 15 anos, com curso superior de pedagogia incompleto, teve de deixar sua casa,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":50172,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/50171"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=50171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/50171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/50172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=50171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=50171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=50171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}