{"id":49668,"date":"2021-05-19T16:14:57","date_gmt":"2021-05-19T19:14:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=49668"},"modified":"2021-05-19T16:14:59","modified_gmt":"2021-05-19T19:14:59","slug":"por-falta-de-oportunidades-cresce-o-numero-de-jovens-que-nem-trabalham-nem-estudam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=49668","title":{"rendered":"Por falta de oportunidades, cresce o n\u00famero de jovens que nem trabalham nem estudam"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\">Um levantamento feito pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) mostra que 25,5% dos jovens na faixa et\u00e1ria dos 15 aos 29 anos estavam fora do mercado de trabalho e sem estudar em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento no n\u00famero dos chamados de jovens \u2018nem-nem\u2019 &#8211; nem trabalham nem estudam \u2013 \u00e9 mais um reflexo da crise econ\u00f4mica, agravada pela pandemia do novo coronav\u00edrus e da falta de propostas efetivas do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) para aquecer a economia e tamb\u00e9m da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para atender os jovens que, desde o golpe de 2016, est\u00e3o sem oportunidades de forma\u00e7\u00e3o e renda. O governo Bolsonaro deu continuidade ao projeto pol\u00edtico do golpista Michel Temer (MDB-SP) de exclus\u00e3o social no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Como alertou a CUT na tramita\u00e7\u00e3o do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o golpe era contra o Brasil e contra a classe trabalhadora. E os dados comprovam a afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2016 para 2017, o Brasil come\u00e7ou a sofrer mais intensamente com as consequ\u00eancias da recess\u00e3o econ\u00f4mica que teve in\u00edcio em 2015, com a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao governo de Dilma. Os resultados mais evidentes foram o aumento do desemprego e a retirada de direitos dos trabalhadores no primeiro ano da gest\u00e3o de &nbsp;Temer. Assim que assumiu, Bolsonaro disse que ia manter e aprofundar essa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse per\u00edodo que n\u00famero de jovens \u2018nem-nem\u2019 cresceu ainda mais. O resultado apurado em 2018 foi de \u00edndice de 23,6% de pessoas que nem trabalhavam e nem estudavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, com a continuidade de pol\u00edticas de ataque aos direitos, o \u00edndice passou a 24% e em 2020, 25,5%.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Economista da FGV prop\u00f5e reduzir jornada para empregar os<\/strong> <strong>jovens<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O economista da FGV, Marcelo Neri, aponta no estudo que uma das alternativas para reverter o quadro seria a redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho para que os jovens pudessem dedicar mais tempo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o. Dessa forma, mais vagas poderiam ser criadas para um n\u00famero maior de pessoas nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa \u00e9 v\u00e1lida desde que aliada a outras pol\u00edticas p\u00fablicas, como a gera\u00e7\u00e3o de empregos propriamente dita, analisa a t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese da CUT, Adriana Marcolino.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe nada adiantaria reduzir jornada se n\u00e3o houver uma pol\u00edtica de gera\u00e7\u00e3o de emprego para todos, particularmente para as pessoas chefes de fam\u00edlia, reduzindo a press\u00e3o para que os jovens procurem uma ocupa\u00e7\u00e3o remunerada, al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade para a juventude\u201d, diz Adriana.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica do Dieese afirma ainda que uma redu\u00e7\u00e3o de jornada n\u00e3o poderia vir acompanhada de uma redu\u00e7\u00e3o salarial e, no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas de inclus\u00e3o dos jovens tamb\u00e9m teriam de ser priorizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO melhor seria ter uma pol\u00edtica adequada de educa\u00e7\u00e3o, incentivar o jovem a frequentar a universidade, ou mesmo retomar o Pronatec, com bolsas para que o jovem possa ter um valor, uma remunera\u00e7\u00e3o adequada e forma\u00e7\u00e3o de qualidade\u201d, explica a t\u00e9cnica do Dieese.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela refor\u00e7a ainda que iniciativas como a ideia do ministro Paulo Guedes, de criar um programa que aproveite m\u00e3o de obra jovem, com renda abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a pretexto de forma\u00e7\u00e3o profissional, na verdade \u00e9 desculpa para passar a carteira verde e amarela e retirar ainda mais direitos dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leia mais: <a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/plano-de-guedes-para-juventude-e-precarizacao-do-trabalho-com-baixa-remuneracao-2939\">Plano de Guedes para juventude \u00e9 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho com baixa remunera\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo quadro geral, \u00e9 a garantia de renda, a retomada sustent\u00e1vel do crescimento econ\u00f4mico que s\u00f3 v\u00e3o acontecer com a vacina\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira. At\u00e9 l\u00e1, garantir um aux\u00edlio emergencial digno \u00e9 fundamental para que todos, em especial os jovens, possam ter condi\u00e7\u00f5es de se manter e estudar\u201d,completa Adriana.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Por que os jovens est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para a secret\u00e1ria de Juventude da CUT, Cristiana Paiva, para al\u00e9m dos dados da pesquisa existe um universo formado por jovens que travam a batalha da sobreviv\u00eancia di\u00e1ria em atividades informais, precarizadas, espor\u00e1dicas, ou seja, \u201cd\u00e3o um jeitinho\u201d para conseguir ter alguma renda e ajudar no sustento da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO jovem quer trabalhar, estudar e ter um futuro, mas n\u00e3o se v\u00ea representado em nossa sociedade. Cada vez mais, eles t\u00eam essa nova vis\u00e3o sobre o trabalho. Acreditam que ser Uber \u00e9 ser empreendedor\u201d, diz a dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que est\u00e1 havendo uma mudan\u00e7a de vis\u00e3o sobre o que \u00e9 ter uma profiss\u00e3o, uma carreira. O resultado \u00e9 que o jovem est\u00e1 perdendo refer\u00eancias. Uma delas \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente v\u00ea cada vez mais jovens desanimados e sem perspectivas porque hoje um diploma n\u00e3o significa mais a seguran\u00e7a de ter um empego. A gente v\u00ea motorista de aplicativo com ensino superior, a gente v\u00ea professor com doutorado dando aula de refor\u00e7o para crian\u00e7as\u201d, diz Cristiana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso faz com que o jovem desista mais f\u00e1cil dos estudos e tente apenas &nbsp;sobreviver. Aliado ao desemprego, teremos um grande n\u00famero de pessoas nem-nem\u201d, ela afirma.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Jovens \u2018sem-sem\u2019<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Estudos feitos pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) sobre essa parcela da popula\u00e7\u00e3o apontam para a realidade descrita pela secret\u00e1ria de Juventude da CUT.<\/p>\n\n\n\n<p>O correto, diz um desses estudos, seria chamar esses jovens de \u201csem-sem\u201d, ou seja, sem emprego, sem estudo, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 por vontade pr\u00f3pria que est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o, e sim porque h\u00e1 um descaso completo do governo em rela\u00e7\u00e3o a eles. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte desses jovens, na verdade, est\u00e1 \u00e0 procura de trabalho, exerce atividades prec\u00e1rias ou ent\u00e3o, lida com afazeres dom\u00e9sticos. H\u00e1 ainda aqueles que est\u00e3o em cursos n\u00e3o regulares.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um levantamento do Dieese, feito em 2018, apenas 8% dos mais de 41 milh\u00f5es de jovens estavam fora das duas atividades. Somente 5% disseram que realmente n\u00e3o queriam nem trabalhar e nem estudar. E desses 8%, vale lembrar, muitos podem estar na informalidade, sem aparecer em estat\u00edsticas de ocupa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Adriana Marcolino, t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese na CUT Nacional, a condi\u00e7\u00e3o \u201cnem&#8211;nem\u201d, realmente, n\u00e3o \u00e9 um problema do jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam oportunidades por uma s\u00e9rie de fatores que n\u00e3o se configuram exatamente como uma op\u00e7\u00e3o pessoal e sim por causa da falta de condi\u00e7\u00f5es para trabalhar e estudar. \u00c9 o Estado que n\u00e3o oferece essas condi\u00e7\u00f5es\u201d, diz Adriana.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Dados da FGV<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dia de &nbsp;jovens nem-nem de 2020, de 25,5%, teve seus momentos de pico. No segundo trimestre do ano passado per\u00edodo que coincide com os primeiros meses de pandemia no Brasil, o percentual chegou a 29,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os recortes da pesquisa escancaram ainda mais aquilo que v\u00e1rias outras pesquisas v\u00eam demonstrando sobre o aumento da desigualdade social. Na an\u00e1lise por g\u00eanero, as mulheres foram mais impactadas. No quarto trimestre do ano passado, o \u00edndice chegou a 31,29%, enquanto para os homens os \u00edndices foram de 19,7%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cCerca de 31 a cada 100 mulheres com idade entre 15 e 29 n\u00e3o trabalhavam e n\u00e3o estudavam no quatro trimestre de 2020\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o recorte por ra\u00e7a mostrou que maior parte (57,5%) dos \u2018nem-nem\u2019 \u00e9 de jovens negros. Brancos s\u00e3o 21,26%<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sob o aspecto de forma\u00e7\u00e3o, 40% t\u00eam ensino m\u00e9dio completo e 20,2% t\u00eam ensino superior completo.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dos nem-nem est\u00e1 concentrada entre a faixa et\u00e1ria de 20 a 24 anos. Eles s\u00e3o 31,51%. Entre 15 e 19 anos, s\u00e3o 14,74%.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o desemprego, a pesquisa mostra que a pandemia causou impacto acentuado no mercado de trabalho para os jovens &#8211; subiu de 49,37% em 2019 para 56,34% em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados levantados pela FGV t\u00eam base na Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad-Cont\u00ednua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Escrito por: Andre Accarini<\/strong> <strong>| CUT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um levantamento feito pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) mostra que 25,5% dos jovens na faixa et\u00e1ria dos 15 aos 29 anos estavam fora do mercado de trabalho e sem estudar<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":49669,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49668"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49668"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49668\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/49669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}