{"id":4906,"date":"2006-08-28T17:28:00","date_gmt":"2006-08-28T17:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/empregos-terceirizados-crescem-127-em-dez-anos-2\/"},"modified":"2006-08-28T17:28:00","modified_gmt":"2006-08-28T17:28:00","slug":"empregos-terceirizados-crescem-127-em-dez-anos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=4906","title":{"rendered":"Empregos terceirizados crescem 127% em dez anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P><STRONG>De 1995 a 2005, um ter\u00e7o das vagas criadas no setor privado \u00e9 de subcontratados<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Segundo especialistas, redu\u00e7\u00e3o de custo via sal\u00e1rios menores explica fen\u00f4meno; associa\u00e7\u00e3o diz que objetivo \u00e9 aumentar efici\u00eancia<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>A m\u00e3o-de-obra terceirizada avan\u00e7a em v\u00e1rios setores da economia e j\u00e1 corresponde a um ter\u00e7o das vagas criadas nas empresas privadas do pa\u00eds.<BR>Dos 6,9 milh\u00f5es de postos de trabalho abertos pelo setor privado de 1995 at\u00e9 2005, 2,3 milh\u00f5es foram ocupados por terceirizados -que executam uma fun\u00e7\u00e3o numa empresa, mas recebem sal\u00e1rio por outra.<\/P><br \/>\n<P>\u00c9 o que constata levantamento feito pelo Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), da Unicamp, a partir de informa\u00e7\u00f5es da Rais (Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), ambos do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/P><br \/>\n<P>Em 1995, havia 1,8 milh\u00e3o de terceirizados formais no pa\u00eds. No ano passado, eram 4,1 milh\u00f5es -uma expans\u00e3o de 127%.<BR>Desses 4,1 milh\u00f5es de terceirizados, 1,47 milh\u00e3o de trabalhadores s\u00e3o microempreendedores -os chamados PJs (pessoas jur\u00eddicas), que prestam servi\u00e7os \u00e0s empresas. Os PJs preencheram, portanto, 36% das vagas ocupadas por terceirizados no ano passado.<\/P><br \/>\n<P>Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, existiam 169 mil subcontratados (terceirizados) em 1995. Esse n\u00famero passou para 309 mil no ano passado. Os subcontratados j\u00e1 representam 3,7% do total de ocupados na Grande S\u00e3o Paulo. &#8216;Chama a aten\u00e7\u00e3o o ritmo de crescimento dos subcontratados. O assalariamento direto [trabalha para uma empresa e recebe dela] aumentou 15,2% entre 1995 e 2005. A subcontrata\u00e7\u00e3o cresceu 82,8% no mesmo per\u00edodo&#8217;, diz Alexandre Loloian, coordenador da Funda\u00e7\u00e3o Seade.<\/P><br \/>\n<P>Antes restrita \u00e0s atividades de limpeza, vigil\u00e2ncia, alimenta\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, a m\u00e3o-de-obra terceirizada se expande para os mais diversos setores (telefonia, automobil\u00edstico, eletroeletr\u00f4nico, supermercados) e \u00e1reas (como telemarketing). At\u00e9 o departamento de RH, considerado o &#8216;cora\u00e7\u00e3o&#8217; de uma empresa, est\u00e1 hoje nas m\u00e3os de terceirizados.<\/P><br \/>\n<P>A Philips, que chegou a ter cerca de 20 mil funcion\u00e1rios no final da d\u00e9cada de 80, por exemplo, emprega hoje 6.000 pessoas e contrata servi\u00e7os de mais 5.000. No setor automobil\u00edstico, n\u00e3o \u00e9 diferente. A Fiat empregou 25 mil trabalhadores nos anos 80. Hoje, considerada uma das empresas mais enxutas do setor, tem 9.000 funcion\u00e1rios diretos e 7.000 indiretos (prestadores de servi\u00e7o e fornecedores) em Betim (MG).<\/P><br \/>\n<P>Em conflito com os trabalhadores desde maio, quando anunciou seu plano de reestrutura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, a Volkswagen quer cortar custos com medidas que tamb\u00e9m incluem a terceiriza\u00e7\u00e3o de alguns setores da unidade de S\u00e3o Bernardo.<BR>No pa\u00eds, a VW emprega de forma direta 21,5 mil em cinco f\u00e1bricas e utiliza m\u00e3o-de-obra indireta de ao menos 5.000.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;O que faz a terceiriza\u00e7\u00e3o se expandir \u00e9, muitas vezes, a op\u00e7\u00e3o das empresas pela redu\u00e7\u00e3o de custos por meio de sal\u00e1rios. No Brasil, em geral, a terceiriza\u00e7\u00e3o virou sin\u00f4nimo de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho&#8217;, diz Marcio Pochmann, economista do Cesit que participou do estudo.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Economia de R$ 26 bi<BR><\/STRONG>A terceiriza\u00e7\u00e3o, em seus c\u00e1lculos, resulta hoje numa economia de R$ 26 bilh\u00f5es por ano para as empresas -R$ 20 bilh\u00f5es deixam de ir para o bolso dos trabalhadores, e R$ 6 bilh\u00f5es, para os cofres do governo. O Minist\u00e9rio do Trabalho informa que n\u00e3o h\u00e1 dados oficiais que mostrem o impacto da terceiriza\u00e7\u00e3o na arrecada\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>Para calcular quanto as empresas economizam com a terceiriza\u00e7\u00e3o, o estudo comparou a soma de sal\u00e1rios pagos aos terceirizados (com base no sal\u00e1rio m\u00e9dio pago a cada terceiro) com a soma de sal\u00e1rios que eles receberiam se trabalhassem diretamente para as empresas (com base no sal\u00e1rio m\u00e9dio pago ao n\u00e3o-terceirizado), nas mesmas fun\u00e7\u00f5es.<\/P><br \/>\n<P>O estudo mostra que a diferen\u00e7a salarial pode chegar quase \u00e0 metade entre um efetivo e um terceirizado. Um seguran\u00e7a contratado diretamente por uma empresa teve rendimento m\u00e9dio mensal de R$ 1.692 em 2005. Um subcontratado, R$ 789. Na \u00e1rea de limpeza, os sal\u00e1rios eram de R$ 670 (efetivo) e de R$ 445 (terceirizado).<\/P><br \/>\n<P>&#8216;A terceiriza\u00e7\u00e3o chegou a lugares que nem sequer imagin\u00e1vamos. Uma pessoa que serve o caf\u00e9 em um supermercado n\u00e3o \u00e9 contratada nem do supermercado nem da ind\u00fastria que produz o caf\u00e9. E, sim, de uma terceira empresa&#8217;, afirma Fausto Augusto Jr., t\u00e9cnico do Dieese, que iniciou um trabalho para mapear a terceiriza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Boa e m\u00e1 terceiriza\u00e7\u00e3o<BR><\/STRONG>Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, existe hoje no Brasil a m\u00e1 e a boa terceiriza\u00e7\u00e3o. Faz sentido, diz, a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de uma empresa especializada, por exemplo, na cimenta\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o de petr\u00f3leo devido \u00e0 complexidade desse servi\u00e7o.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;No Brasil, entretanto, isso \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. A terceiriza\u00e7\u00e3o veio para precarizar. Alguns setores que n\u00e3o podem pagar sal\u00e1rio menor do que o piso de determinada categoria acabam contratando empresa de fora s\u00f3 para escapar de acordos coletivos e de passivos trabalhistas&#8217;, diz.<\/P><br \/>\n<P>A terceiriza\u00e7\u00e3o eleva a efici\u00eancia das empresas que buscam cortar custos e aumentar a competitividade, avalia Jan Wiegerinck, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Servi\u00e7os Terceiriz\u00e1veis de Trabalho Tempor\u00e1rio, que agrupa 200 empresas. &#8216;N\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de informalidade.&#8217;<\/P><br \/>\n<P>Vander Morales, diretor do sindicato das empresas paulistas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a terceiros, afirma que hoje os tomadores de servi\u00e7os est\u00e3o mais exigentes, o que diminuiu o risco de contratar terceiros que descumprem direitos.<\/P><br \/>\n<P>A lei prev\u00ea dois casos em que pode ocorrer terceiriza\u00e7\u00e3o: trabalho tempor\u00e1rio (lei 6.019\/74) e servi\u00e7os de vigil\u00e2ncia e transporte de valores (7.102\/83). Por meio do enunciado 331, o TST passou a admitir a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os especializados ligados \u00e0 atividade-meio da empresa tomadora de servi\u00e7os. (Cl\u00e1udia Rolli e F\u00e1tima Fernandes)<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 1995 a 2005, um ter\u00e7o das vagas criadas no setor privado \u00e9 de subcontratados Segundo especialistas, redu\u00e7\u00e3o de custo via sal\u00e1rios menores explica fen\u00f4meno; associa\u00e7\u00e3o diz que objetivo \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4906"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4906"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4906\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}