{"id":48645,"date":"2021-04-06T12:59:12","date_gmt":"2021-04-06T15:59:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=48645"},"modified":"2021-04-06T13:01:52","modified_gmt":"2021-04-06T16:01:52","slug":"sem-politica-publica-fome-atinge-19-milhoes-de-brasileiros-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=48645","title":{"rendered":"Sem pol\u00edtica p\u00fablica, fome atinge 19 milh\u00f5es de brasileiros durante a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>116,8 milh\u00f5es n\u00e3o se alimentaram como deveriam. Por todo o Brasil, nas comunidades e favelas, s\u00e3o as mulheres negras, chefes de cozinha, que se viram como podem para levar alimentos \u00e0 fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Roberto Parizotti (Sap\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsnews47907bc6293783a7a0f-700x460xfit-53c71.jpg\" alt=\"notice\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No Brasil, 116,8 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o se alimentaram como deveriam, com qualidade e em quantidade suficiente, durante o primeiro ano da pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19) em 2020. Isso significa que todas essas pessoas&nbsp;conviveram com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar. Deste total, 19 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o tiveram o que comer.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o do Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), em dezembro do ano passado, em 2.180 domic\u00edlios nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>E a fome est\u00e1 piorando em 2021 com o agravamento da crise sanit\u00e1ria, a <a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/desemprego-bate-recorde-e-atinge-14-3-milhoes-de-trabalhadores-segundo-o-ibge-0bcbhttps:\/www.cut.org.br\/noticias\/desemprego-bate-recorde-e-atinge-14-3-milhoes-de-trabalhadores-segundo-o-ibge-0bcb\">alta do desemprego, que atinge mais de 14,3 milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras<\/a> e a disparada dos pre\u00e7os dos alimentos, que veem subindo mais do que a infla\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/auxilio-emergencial-compra-meio-bife-meio-copo-de-leite-tres-colheres-de-arroz-5525\">Em meio a esse caos, depois de tr\u00eas meses, o novo aux\u00edlio emergencial, com valor de, em m\u00e9dia, R$ 250, que volta a ser pago, vai comprar apenas meio bife, meio copo de leite, tr\u00eas colheres de arroz, segundo o Dieese.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com o auxilio de R$ 600 pago no ano passado, 28% dos domic\u00edlios onde as pessoas haviam recebido o benef\u00edcio, conviveram com inseguran\u00e7a alimentar grave &#8211; passaram fome \u2013, ou moderada \u2013 comeram menos do que precisavam. Em outros 37,6%, as pessoas viveram inseguran\u00e7a alimentar de forma leve. J\u00e1 entre os que n\u00e3o receberam o aux\u00edlio, 10,2% passaram por inseguran\u00e7a grave ou moderada, e a maior parte deles, 60,3% viveram em seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 fome como as que foram implantadas durante o governo do ex-presidente Lula, que assumiu em 2003 com um percentual de 8,6% da popula\u00e7\u00e3o vivendo com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar e baixou o \u00edndice para 3,6% at\u00e9 2013, e, em 2014, tirou oficialmente o Brasil do Mapa da Fome, os mais pobres agora dependem apenas da solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>No desgoverno de Jair Bolsonaro (ex-PSL), \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o social pelo pa\u00eds em busca comida para as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social.<\/p>\n\n\n\n<p>Por todo o Brasil, nas comunidades e favelas, s\u00e3o as mulheres negras, chefes de cozinha, que se viram como podem para levar alimentos \u00e0 fam\u00edlia. A maioria delas dependem de doa\u00e7\u00f5es de cesta b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito da Penssan mostra que a fome atingiu 11,1% das casas chefiadas por mulheres e 7,7% nas casas chefiadas por homens. &nbsp;A diferen\u00e7a na seguran\u00e7a alimentar entre os g\u00eaneros tamb\u00e9m \u00e9 grande: nas casas com m\u00e3e solo, 35,9% das fam\u00edlias t\u00eam a alimenta\u00e7\u00e3o garantida, j\u00e1 no caso dos homens s\u00e3o mais que a metade, 52,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a pessoa de refer\u00eancia nas resid\u00eancias \u00e9 negra, a fome est\u00e1 presente em 10,7% das casas, enquanto se ela \u00e9 branca, 7,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da pesquisa da Penssan, realizada em 128 munic\u00edpios, entre os dias 5 e 24 de dezembro do ano passado, a pandemia de Covid-19 acelerou um processo que o pa\u00eds j\u00e1 estava enfrentando depois do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo questionou os moradores sobre os tr\u00eas meses anteriores, no momento em que o aux\u00edlio emergencial caiu de R$ 600, como aprovou o Congresso Nacional, para R$ 300, em setembro do ano passado, por decis\u00e3o de Bolsonaro, que justificou falta de dinheiro quando ampliou o pagamento at\u00e9 dezembro de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Norte e Nordeste est\u00e3o as regi\u00f5es que registraram os maiores percentuais de perda de emprego, redu\u00e7\u00e3o de rendimento familiar e corte de despesas. Quase 60% dos entrevistados dessas regi\u00f5es contaram com auxilio emergencial para sobreviver com o m\u00ednimo de dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, todos dependem de doa\u00e7\u00f5es. E as filas para receber &nbsp;doa\u00e7\u00f5es dobram os quarteir\u00f5es onde tem distribui\u00e7\u00e3o em todo o &nbsp;pa\u00eds. A iniciativa de v\u00e1rias ONGs sociais prop\u00f5e a levar insumos e alimentos a fam\u00edlias vulnerabilidades em todas as regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde doar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo de S\u00e3o Paulo lan\u00e7ou uma campanha: doe um quilo de alimento n\u00e3o perec\u00edvel quando for se vacinar.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>MTST<\/strong> criou o Cozinhas solid\u00e1rias para combater a fome nas periferias durante a pandemia. As doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas por meio de p\u00e1gina de&nbsp;<a href=\"https:\/\/apoia.se\/cozinhasolidaria\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">financiamento coletivo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Coaliz\u00e3o Negra Por Direitos<\/strong>, em parceria com a Anistia Internacional, Oxfam Brasil, Redes da Mar\u00e9, A\u00e7\u00e3o Brasileira de Combate \u00e0s Desigualdades, 342 Artes, Nossas &#8211; Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Org\u00e2nico Solid\u00e1rio e Grupo Prerr\u00f4, mobilizam suas for\u00e7as junto com coletivos para arrecadar fundos para a\u00e7\u00f5es emergenciais de enfrentamento \u00e0 fome, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 viol\u00eancia na pandemia de Covid-19. Site e doa\u00e7\u00f5es:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.temgentecomfome.com.br\/\">https:\/\/www.temgentecomfome.com.br\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3es de Favela<\/strong>: Objetivo do projeto \u00e9 ajudar mulheres que criam fam\u00edlia sozinhas em comunidades carentes. As doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas atrav\u00e9s do site:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.maesdafavela.com.br\/\">https:\/\/www.maesdafavela.com.br\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Adote uma fam\u00edlia em Parais\u00f3polis,<\/strong> em S\u00e3o Paulo, tem uma iniciativa que lidera uma comunidade de profissionais humanit\u00e1rios para criar um futuro onde todos possam prosperar com entrega de cestas b\u00e1sicas, marmitas, kits de higiene e m\u00e1scaras. Para mais informa\u00e7\u00f5es pelo site:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.novaparaisopolis.com.br\/\">www.novaparaisopolis.com.br\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Central \u00danica das Favelas (Cufa) <\/strong>tamb\u00e9m distribui&nbsp;alimentos em \u00e1reas carentes por todo o pa\u00eds.&nbsp;O objetivo \u00e9 ajudar m\u00e3es que n\u00e3o tem como garantir comida em casa durante a pandemia do coronav\u00edrus. Quem quiser doar, basta acessar o link.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cufa.org.br\/\">https:\/\/www.cufa.org.br\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Walber Pinto, da CUT Brasil. Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>116,8 milh\u00f5es n\u00e3o se alimentaram como deveriam. 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