{"id":48620,"date":"2021-04-05T10:09:26","date_gmt":"2021-04-05T13:09:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=48620"},"modified":"2021-04-05T10:09:28","modified_gmt":"2021-04-05T13:09:28","slug":"quem-esta-morrendo-na-pandemia-e-a-classe-trabalhadora-diz-sergio-nobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=48620","title":{"rendered":"Quem est\u00e1 morrendo na pandemia \u00e9 a classe trabalhadora, diz S\u00e9rgio Nobre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/operamundi.uol.com.br\/politica-e-economia\/69176\/quem-esta-morrendo-na-pandemia-e-a-classe-trabalhadora-diz-sergio-nobre\" target=\"_blank\">Camila Alvarenga-Opera Mundi<\/a><\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>No programa&nbsp;<em>20Minutos Entrevistas<\/em>&nbsp;desta sexta-feira (02\/04), o jornalista Breno Altman entrevistou S\u00e9rgio Nobre, presidente nacional da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), sobre o movimento sindicalista no Brasil em tempos de pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, as principais bandeiras do movimento atualmente s\u00e3o a luta pela vacina e por um aux\u00edlio emergencial digno. \u201cO nosso principal objetivo agora \u00e9 a defesa da vida porque quem est\u00e1 morrendo na pandemia \u00e9 a classe trabalhadora\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator que preocupa o movimento sindical \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do sistema produtivo. Ele explicou que os pequenos fornecedores est\u00e3o quebrando, o que, em consequ\u00eancia, afetar\u00e1 grandes empresas que dependem dos componentes que produzem. \u201cSem falar nos pequenos com\u00e9rcios que est\u00e3o fechando porque n\u00e3o t\u00eam apoio financeiro. E apoio financeiro n\u00e3o \u00e9 empr\u00e9stimo, porque o dono do boteco n\u00e3o consegue pagar empr\u00e9stimo\u201d, exemplificou.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o presidente da CUT lamentou n\u00e3o poder convocar grandes mobiliza\u00e7\u00f5es por conta da pandemia. Neste momento, um dos principais instrumentos de luta dos sindicatos s\u00e3o as redes sociais, para divulgar informa\u00e7\u00f5es e se aproximar da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO nosso principal desafio \u00e9 melhorar a comunica\u00e7\u00e3o nas redes sociais. Principalmente pensando nas elei\u00e7\u00f5es de 2022. \u00c9 muito importante derrubar Bolsonaro e, pela caracter\u00edstica dele, vai ser uma elei\u00e7\u00e3o de baix\u00edssimo n\u00edvel, de muita baixaria nas redes, ent\u00e3o temos que estar muito ligados ao nosso povo. N\u00e3o sou otimista a ponto de pensar que, antes do meio do ano que vem, vamos poder fazer manifesta\u00e7\u00f5es em massa para derrub\u00e1-lo antes disso\u201d, argumentou Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho da CUT, entretanto, n\u00e3o se limita ao universo online. A Central vem percorrendo os bairros para poder conversar com a popula\u00e7\u00e3o, \u201cporque n\u00e3o podemos mais atuar s\u00f3 no local de trabalho, boa parte da categoria n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1, trabalha de casa\u201d. Sem aglomera\u00e7\u00f5es, a organiza\u00e7\u00e3o leva carros de som para perto dos edif\u00edcios e conversa com as pessoas pelas janelas, pelos port\u00f5es das casas ou mesmo nas portas das esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sa\u00edda para a situa\u00e7\u00e3o que estamos vivendo tem que ser progressista, pela esquerda, e s\u00f3 o ser\u00e1 se estiver sob nossa dire\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o precisamos fazer isso porque precisamos de legitimidade para dar essa dire\u00e7\u00e3o quando surgir a oportunidade\u201d, defendeu.<\/p>\n\n\n\n<h2>Desmonte do movimento sindical<\/h2>\n\n\n\n<p>A luta, contudo, fica cada vez mais dif\u00edcil de se fazer, n\u00e3o apenas por conta da pandemia, mas por conta de todo o desmonte que vem sendo promovido pelo governo federal, desde 2016, a fim de enfraquecer o movimento sindical, como explicou S\u00e9rgio Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sabe que a classe trabalhadora s\u00f3 avan\u00e7a em direitos durante democracias. Quando voc\u00ea tem um governo que aplica golpe, o primeiro alvo \u00e9 o movimento sindical e popular: inviabilizaram o financiamento da estrutura sindical\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal forma de financiamento sindical era por meio do imposto sindical, algo a que a CUT sempre se op\u00f4s, como explicou o presidente, \u201cpor ser algo imposto. Os trabalhadores devem financiar o sindicato por acreditar no projeto\u201d. Por\u00e9m, em 2017, com a reforma trabalhista, ele deixou de ser obrigat\u00f3rio. Em 2019, Bolsonaro proibiu o desconto em folha da contribui\u00e7\u00e3o sindical. E, em 2020, o Minist\u00e9rio do Trabalho proibiu \u00f3rg\u00e3os federais de recolher o imposto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA direita acabou com o imposto sindical, que a gente n\u00e3o quer de volta, mas n\u00e3o colocou outra coisa no lugar. Ent\u00e3o a gente perde toda a capacidade de financiamento\u201d, refor\u00e7ou Nobre. \u201cEstamos desde 2016 trabalhando em capacidade total e sem poder nos financiar, porque o sindicato n\u00e3o \u00e9 como uma empresa. Nas crises, as empresas fecham, mas o sindicato tem que ativar toda a sua estrutura. Mas n\u00e3o \u00e9 porque tiraram nosso dinheiro que vamos deixar de cumprir nosso papel\u201d, garantiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o presidente da CUT citou outras mudan\u00e7as que foram feitas com a reforma trabalhista que enfraqueceram a luta dos trabalhadores e removeram direitos. A possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o individual dos trabalhadores com os patr\u00f5es, a autoriza\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade fim de empresas e a introdu\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00f5es generalizadas por tempo parcial foram alguns dos exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Nobre, todos esses fatores fazem com que a popula\u00e7\u00e3o brasileira esteja vivendo \u201cuma trag\u00e9dia\u201d, mas \u201ch\u00e1 uma luz no fim do t\u00fanel\u201d. Segundo ele, o retorno de Lula est\u00e1 animando a popula\u00e7\u00e3o, \u201cparece que a gente tem condi\u00e7\u00f5es reais de uma vit\u00f3ria, de que ganhe algu\u00e9m l\u00facido, com condi\u00e7\u00f5es de governar o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2>PEC 196<\/h2>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel institucional, a CUT luta por uma reforma estrutural dos sindicatos. Segundo S\u00e9rgio Nobre, o neoliberalismo, o mercado globalizado e as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas fazem com que o modelo sindical criado em 1983 n\u00e3o d\u00ea mais conta de responder \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, as seis principais centrais dos trabalhadores do pa\u00eds, junto com sindicatos do setor empresarial, est\u00e3o construindo o Projeto de Emenda Constitucional 196, para introduzir um novo modelo sindical. Nobre detalhou os elementos fundamentais da reforma.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o da liberdade sindical. Atualmente no Brasil,&nbsp; existe a unicidade sindical. Isto \u00e9, n\u00e3o se permite a exist\u00eancia de mais de um sindicato de uma mesma categoria na mesma base territorial. A norma foi criada para evitar a pulveriza\u00e7\u00e3o sindical, que enfraqueceria a luta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParece contraproducente, mas a gente introduz essa medida apontando para a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos mais amplos e impedindo a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos por local de trabalho, justamente para evitar a cria\u00e7\u00e3o de muitos pequenos sindicatos\u201d, explicou o presidente da CUT.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se posicionou contra a unicidade por ser algo imposto e n\u00e3o ser uma medida que efetivamente previne a fragmenta\u00e7\u00e3o sindical: \u201cHoje temos 12.500 sindicatos e o maior problema \u00e9 a baixa representatividade. Os sindicatos t\u00eam um alto custo, n\u00e3o tem efetividade, nem lideran\u00e7a\u201d, argumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a PEC 196 tamb\u00e9m visa conferir mais representatividade para os sindicatos, de forma que as pessoas queiram financi\u00e1-lo, \u201cporque luta e traz conquistas\u201d. E, segundo Nobre, \u00e9 mais f\u00e1cil fortalecer sindicatos quando s\u00e3o menos e mais amplos, sem competir entre si. Nesse sentido, ele afirmou que a liberdade sindical reduziria o n\u00famero de sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>A PEC tamb\u00e9m promove a autorregula\u00e7\u00e3o do sistema: \u201cN\u00e3o existe nenhum pa\u00eds no mundo onde o Estado interfira tanto no movimento sindical, interferem nas greves e como realiz\u00e1-las. Isso \u00e9 um absurdo. Propomos a cria\u00e7\u00e3o de uma c\u00e2mara, composta pelas principais centrais de maneira proporcional, que regule o funcionamento do sistema, regrando a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos, seus registros, como agir em per\u00edodos eleitorais, sem o Estado\u201d, explicou Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, o Estado seria considerado um empregador como outro qualquer. Fora isso, teria a fun\u00e7\u00e3o de mediador quando de interesse das partes em momentos de conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>O financiamento dos sindicatos nesse novo modelo \u00e9 o \u00fanico ponto ainda em discuss\u00e3o, segundo Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos agrada a ideia da mensalidade e de uma contribui\u00e7\u00e3o de n\u00e3o associados que se beneficiam da atua\u00e7\u00e3o sindical. Ou seja, quando o sindicato traga uma conquista para o conjunto da categoria, independentemente de o trabalhador ser s\u00f3cio, os que se beneficiam dela devem fazer uma contribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que chamamos de taxa negocial\u201d, contou. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe  id=\"_ytid_50221\"  width=\"900\" height=\"506\"  data-origwidth=\"900\" data-origheight=\"506\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RNu3Fkd_Qzc?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;modestbranding=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Apandmeia%22\">pandmeia<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+covid-19%22\"> covid-19<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Amortes+por+covid%22\">mortes por covid<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3AS%C3%A9rgio+Nobre%22\">S\u00e9rgio Nobre<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Apresidente+da+CUT%22\">presidente da CUT<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Camila Alvarenga-Opera Mundi No programa&nbsp;20Minutos Entrevistas&nbsp;desta sexta-feira (02\/04), o jornalista Breno Altman entrevistou S\u00e9rgio Nobre, presidente nacional da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), sobre o movimento sindicalista no<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":48621,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48620"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48620\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/48621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}