{"id":48082,"date":"2021-03-15T08:48:56","date_gmt":"2021-03-15T11:48:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=48082"},"modified":"2021-03-15T08:48:57","modified_gmt":"2021-03-15T11:48:57","slug":"alimentos-sobem-mais-do-que-a-inflacao-e-reajustes-salariais-tem-media-negativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=48082","title":{"rendered":"Alimentos sobem mais do que a infla\u00e7\u00e3o e reajustes salariais t\u00eam m\u00e9dia negativa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: Rosely Rocha<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O prato preferencial da maioria dos brasileiros, que tamb\u00e9m \u00e9 recomendado por nutricionistas, composto por arroz, feij\u00e3o, carne, legumes e salada, est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de ser colocado \u00e0 mesa da popula\u00e7\u00e3o por causa da disparada dos pre\u00e7os.&nbsp;Nos \u00faltimos 12 meses, o custo da comida aumentou 19,4% &#8211; mais do que triplo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds (5,20%). \u00c9 a maior onda de alta dos alimentos nos \u00faltimos 18 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida os sal\u00e1rios dos trabalhadores e das trabalhadoras tiveram varia\u00e7\u00e3o real m\u00e9dia de menos 0,53%, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados dos reajustes salariais s\u00e3o do Departamento de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) que tamb\u00e9m observou que reajustes iguais ao INPC ficaram em cerca de 29% das negocia\u00e7\u00f5es salariais analisadas, e apenas 10% das negocia\u00e7\u00f5es resultaram em ganhos reais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais a infla\u00e7\u00e3o cresce, no contexto de crise econ\u00f4mica, maior \u00e9 a dificuldade das negocia\u00e7\u00f5es coletivas conseguirem repor a infla\u00e7\u00e3o, e esta crise econ\u00f4mica com infla\u00e7\u00e3o crescente \u00e9 o pior dos cen\u00e1rios para os trabalhadores\u201d, diz a t\u00e9cnica do Dieese Adriana Marcolino.&nbsp;\u201cO resultado \u00e9 uma queda brutal no poder de compra dos brasileiros\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento do Dieese sobre os pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica tamb\u00e9m mostra o quanto o poder de compra do trabalhador est\u00e1 corrompido. O rendimento m\u00e9dio de todos os trabalhos efetivamente recebidos pelas pessoas ocupadas de 14 anos ou mais, no 4\u00ba trimestre de 2020, foi de apenas R$ 2.482,00. Se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que uma cesta b\u00e1sica para uma \u00fanica pessoa em S\u00e3o Paulo, em fevereiro deste ano, custou R$ 639,47 e que o sal\u00e1rio m\u00ednimo, segundo o Dieese, deveria ser de R$ 5.375,05, pode-se imaginar o tamanho do rombo nos or\u00e7amentos das fam\u00edlias que t\u00eam de pagar ainda aluguel, tarifas de \u00e1gua e luz e demais despesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, com crise econ\u00f4mica e menor demanda, o pre\u00e7o cai, mas o que estamos vivendo \u00e9 a soma de crise econ\u00f4mica e infla\u00e7\u00e3o crescente, o que s\u00f3 demonstra o tamanho do desajuste da economia brasileira- Adriana Marcolino<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O drama de quem luta para p\u00f4r comida \u00e0 mesa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O resultado deste descompasso entre reajustes de pre\u00e7os e os sal\u00e1rios \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o dos produtos que o brasileiro compra e leva para a casa. A cuidadora de idosos, M\u00f4nica Santos, sabe bem como est\u00e1 dif\u00edcil ajudar na alimenta\u00e7\u00e3o de seis pessoas da sua fam\u00edlia: seus pais, dois sobrinhos, um irm\u00e3o especial e a sua filha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que sua m\u00e3e aposentada ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 1.100), mas com os empr\u00e9stimos consignados que fez sobram apenas R$ 600. O pai, tamb\u00e9m aposentado, ganha cerca de R$ 1.300, mas o que sobra,&nbsp; tamb\u00e9m por causa de cr\u00e9ditos consignados, \u00e9 em torno de R$ 800. Por isso, M\u00f4nica&nbsp; precisa levar carne para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeus pais precisam de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, e eles gostam de carne e o jeito \u00e9 comprar de segunda. A alcatra e o contra fil\u00e9 est\u00e3o com pre\u00e7os imposs\u00edveis e sou obrigada a levar um bife duro, que, ou eu cozinho, ou dou uma \u2018surra\u2019 nele at\u00e9 amolecer, antes de fritar\u201d, conta M\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>A cuidadora de idosos faz a conta: no m\u00eas de janeiro gastou R$ 450,00, entre carnes e um pouco de g\u00eaneros de primeira necessidade. Em fevereiro foram R$ 560,00. Mas no in\u00edcio deste m\u00eas de mar\u00e7o gastou R$ 215,00 s\u00f3 em carnes e ainda, segundo ela, vieram apenas seis pacotinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sorte \u00e9 que onde meu irm\u00e3o faz tratamento \u00e9 dada uma cesta de feira com muitos legumes, e meus pais conseguiram comprar uma casinha na zona leste de S\u00e3o Paulo, pelo CDHU e n\u00e3o precisamos pagar aluguel\u201d, diz M\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de se alimentar fora por morar na casa de uma idosa que cuida em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, M\u00f4nica passa quatro dias por m\u00eas, durante suas folgas com a fam\u00edlia, e \u00e9 ela quem leva o que chama de \u201cpesado\u201d das compras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO arroz est\u00e1 t\u00e3o caro, e eu adoro, sou viciada, mas fui obrigada a reduzir o meu pr\u00f3prio consumo. Acabei fazendo dieta tirando o arroz do card\u00e1pio\u201d, conta indignada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produtos que mais subiram de pre\u00e7os&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os produtos aliment\u00edcios que mais subiram, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), foram: o \u00f3leo de soja (87,89%), o arroz (69,80%), a batata (47,84%) e o leite longa vida (20,52%). J\u00e1 entre os grupos de alimentos pesquisados pelo IBGE, as maiores altas ocorreram em cereais, leguminosas e oleaginosas (57,83%), \u00f3leos e gorduras (55,98%), tub\u00e9rculos, ra\u00edzes e legumes (31,62%), carnes (29,51%) e frutas 27,09%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os reajustes da gasolina tamb\u00e9m pressionam o IPCA que voltou a acelerar e fechou o m\u00eas de fevereiro em 0,86% contra 0,25% e janeiro \u2013 \u00e9 a maior taxa para o m\u00eas desde 2016, segundo o IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>*Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz<\/p>\n\n\n\n<p>____________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aalta+dos+pre%C3%A7os+dos+alimentos%22\">alta dos pre\u00e7os dos alimentos<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+DIEESE%22\">DIEESE<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3AAdriana+Marcolino%22\">Adriana Marcolino<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aalimentos+sobem+3+vezes+mais+do+que+a+infla%C3%A7%C3%A3o%22\">alimentos sobem 3 vezes mais do que a infla\u00e7\u00e3o<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Anegocia%C3%A7%C3%B5es+salariais%22\">negocia\u00e7\u00f5es salariais<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+INPC%22\">INPC<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Rosely Rocha\u00a0 O prato preferencial da maioria dos brasileiros, que tamb\u00e9m \u00e9 recomendado por nutricionistas, composto por arroz, feij\u00e3o, carne, legumes e salada, est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":48083,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48082"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48082"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48082\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/48083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}