{"id":4797,"date":"2006-07-07T15:28:39","date_gmt":"2006-07-07T15:28:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/hora-extra-prejudica-saude-de-433-2\/"},"modified":"2006-07-07T15:28:39","modified_gmt":"2006-07-07T15:28:39","slug":"hora-extra-prejudica-saude-de-433-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=4797","title":{"rendered":"Hora extra prejudica sa\u00fade de 43,3%"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>Longas jornadas de trabalho atingem fortemente a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica dos brasileiros. Estudo in\u00e9dito da CUT (Central \u00danica dos Trabalhadores) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos) aponta que 43,3% dos empregados dos ramos Metal\u00fargico, Qu\u00edmico, Vestu\u00e1rio, Transporte e Com\u00e9rcio apresentam algum problema de sa\u00fade em fun\u00e7\u00e3o do trabalho. Ao longo de 2005, a central e o instituto consultaram mais de 3 mil trabalhadores para mapear a pr\u00e1tica das horas extras no pa\u00eds, incluindo assalariados do Grande ABC.<\/P><br \/>\n<P>Do total de trabalhadores que relacionam dist\u00farbios f\u00edsicos e mentais ao trabalho, 61,9% disseram ter dores musculares. Logo atr\u00e1s vem o estresse &#8211; conjunto de patologias, sinais e sintomas diversos relacionados ao sofrimento mental &#8211; com 53,7% das respostas. Em seguida, aparecem dist\u00farbios do sono (29,5%), les\u00f5es (17,1%), depress\u00e3o (16%) e outros problemas (5,6%). A soma das respostas ultrapassa 100% porque os trabalhadores podem reclamar mais de um transtorno.<\/P><br \/>\n<P>Embora os dados demandem an\u00e1lises mais aprofundadas &#8211; como aponta o relat\u00f3rio final da CUT e do Dieese -, a pesquisa revela que os entrevistados t\u00eam n\u00edtida percep\u00e7\u00e3o dos agravos \u00e0 sa\u00fade provocados pelo trabalho. Para comprovar, basta observar que 67,3% dos trabalhadores associam os problemas f\u00edsicos ou mentais ao ritmo de trabalho, 37,6% \u00e0 press\u00e3o da chefia, 24,5% ao excesso de horas trabalhadas e 11,6% remetem os problemas de sa\u00fade ao ass\u00e9dio moral.<\/P><br \/>\n<P>Segundo avalia\u00e7\u00e3o do estudo, os resultados mostram tamb\u00e9m que o diagn\u00f3stico de enfermidades relacionadas ao mundo trabalho caminha para propor\u00e7\u00f5es epid\u00eamicas. Ilustram essa realidade os casos de LER-DORT (Les\u00f5es por Esfor\u00e7os Repetitivos\/Dist\u00farbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) &#8211; decorrentes de sobrecarga do sistema m\u00fasculo-esquel\u00e9tico &#8211; e os transtornos mentais, com efeitos psicossociais. Nesse contexto, as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas.<\/P><br \/>\n<P>Ao esmiu\u00e7ar alguns dados da pesquisa, a diferen\u00e7a entre g\u00eaneros &#8211; masculino e feminino -, al\u00e9m de salarial, tamb\u00e9m se revela acentuada em quest\u00e3o de sa\u00fade. Enquanto 55,7% dos homens apresentam dores musculares, a queixa atinge 70,2% das mulheres. Elas tamb\u00e9m est\u00e3o mais deprimidas: 20,4%; contra 12,8% dos homens. An\u00e1lise de t\u00e9cnicos do Dieese explica as discrep\u00e2ncias nos \u00edndices com base na precariza\u00e7\u00e3o do trabalho nos setores majoritariamente femininos, como Com\u00e9rcio, Servi\u00e7o e Vestu\u00e1rio.<\/P><br \/>\n<P>Preconceito &#8211; Resgatando o car\u00e1ter epid\u00eamico das doen\u00e7as do trabalho, a assessora da Secretaria de Organiza\u00e7\u00e3o Sindical da CUT e psic\u00f3loga especializada em sa\u00fade do trabalhador Claudia Rejane de Lima destaca os transtornos mentais como dist\u00farbios ocultos nas estat\u00edsticas oficiais. &#8216;O termo estresse est\u00e1 menos carregado de preconceito e abrange, no senso comum, sintomas como tristeza, depress\u00e3o e nervosismo&#8217;, explica.<\/P><br \/>\n<P>A assessora da CUT aponta tamb\u00e9m que a l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o &#8216;enxuta&#8217; apresenta elevadas exig\u00eancias aos trabalhadores. &#8216;Hoje, o trabalhador tem de ser polivalente e propositivo. O tempo todo tem de agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o constantemente&#8217;, acrescenta a psic\u00f3loga. Segundo Claudia, quanto mais tempo no ambiente de trabalho mais propenso o empregado ficar\u00e1 aos fatores de risco para o adoecimento.<\/P><br \/>\n<P>Al\u00e9m de problemas que afetam diretamente a sa\u00fade tanto f\u00edsica como mental, os trabalhadores tamb\u00e9m indicaram na pesquisa que as horas extras e as longas jornadas acarretam problemas pessoais para 28% dos entrevistados. Do total, 19,1% afirmam ter problema no conv\u00edvio familiar e o restante &#8211; 7,1% &#8211; diz ter os estudos prejudicados por conta do trabalho em excesso.<\/P><br \/>\n<P>Com a limita\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica das horas extras, conforme prop\u00f5e o projeto de lei elaborado pela CUT, os trabalhadores, segundo Claudia, passariam menos tempo expostos \u00e0s press\u00f5es, como ass\u00e9dio moral, al\u00e9m de protegidos de intensas jornadas di\u00e1rias, semanais ou mensais. &#8216;No tempo livre, os trabalhadores poderiam dar vaz\u00e3o a atividades culturais ou de lazer com a fam\u00edlia ou com os amigos.&#8217; (William Glauber)<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longas jornadas de trabalho atingem fortemente a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica dos brasileiros. 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