{"id":47529,"date":"2021-02-18T09:16:03","date_gmt":"2021-02-18T12:16:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=47529"},"modified":"2021-02-18T09:16:41","modified_gmt":"2021-02-18T12:16:41","slug":"taxar-lucro-cobrar-divida-e-melhorar-isencao-fiscal-pagariam-auxilio-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=47529","title":{"rendered":"Taxar lucro, cobrar d\u00edvida e melhorar isen\u00e7\u00e3o fiscal pagariam aux\u00edlio maior"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: Rosely Rocha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um levantamento da economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, feito com exclusividade para o Portal CUT, mostra que o governo tem diversos mecanismos que poderiam pagar um valor maior do que a proposta de tr\u00eas a quatro parcelas de R$ 250, de um novo aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo estima que gastaria R$ 30 bilh\u00f5es com o novo aux\u00edlio a ser destinado a 32 milh\u00f5es de pessoas (menos da metade dos 67,9 milh\u00f5es que receberam o benef\u00edcio de R$ 600, em 2020). Tamb\u00e9m ficar\u00e3o de fora desta nova rodada do benef\u00edcio os benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Denise Gentil enumera algumas das medidas que pagariam com sobra de dinheiro, o novo aux\u00edlio: um crit\u00e9rio mais justo para a desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, a cobran\u00e7a de d\u00edvidas bilion\u00e1rias de devedores da Uni\u00e3o e a taxa\u00e7\u00e3o sobre lucro e dividendos de empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente em ren\u00fancias fiscais, em 2020, o governo abriu m\u00e3o de R$ 330,85 bilh\u00f5es, representando 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB) e 21,78% das receitas administradas pela Receita Federal. Esse valor equivale a uma eleva\u00e7\u00e3o nominal de 7,98% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as ren\u00fancias fiscais, quando o governo isenta de impostos alguns produtos ou diminui o valor a ser cobrado para incentivar a economia ou programas sociais, sejam bem vindas, em muitos casos, o que se v\u00ea \u00e9 um privil\u00e9gio a determinados setores que n\u00e3o precisariam pagar menos impostos, prejudicando a arrecada\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNuma pandemia, as ren\u00fancias fiscais deveriam ser revisadas com urg\u00eancia e dirigidas para setores estrat\u00e9gicos da ind\u00fastria e para as pequenas e micro empresas, mas, o que se verifica \u00e9 que o governo deixa de tributar megacorpora\u00e7\u00f5es e os super ricos\u201d, diz Denise Gentil.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), cinco setores concentram cerca de 80% dos &#8216;privil\u00e9gios tribut\u00e1rios&#8217;. Os mais beneficiados s\u00e3o: Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (28,4%); Trabalho (15,78%); Sa\u00fade (14,02%); Ind\u00fastria (11,8%) e Agricultura (10,7%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma parte importante das desonera\u00e7\u00f5es \u00e9 de privil\u00e9gios a antigos e bem sedimentados setores econ\u00f4micos, como o setor exportador\u201d, afirma Denise.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo, segundo a economista, tamb\u00e9m poderia operar com maior efici\u00eancia a cobran\u00e7a da d\u00edvida ativa das empresas para com a Uni\u00e3o, que alcan\u00e7ou R$2,4 trilh\u00f5es em 2019, segundo dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de 2020. A d\u00edvida de templos religiosos, a t\u00edtulo de exemplo, j\u00e1 soma R$ 1,5 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o que se v\u00ea, de tempos em tempos, s\u00e3o renegocia\u00e7\u00f5es com perd\u00f5es, descontos e parcelamentos. Um privil\u00e9gio dado a grandes devedores de tributos que n\u00e3o \u00e9 estendido, na mesma propor\u00e7\u00e3o, em forma de al\u00edvio aos indigentes que necessitam do aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA cada dois, tr\u00eas anos h\u00e1 rodadas de perd\u00e3o de d\u00edvidas por parte do governo, sem nenhuma sele\u00e7\u00e3o para resolver a vida das pessoas mais humildes. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea nenhum argumento sobre necessidade de se fazer ajuste fiscal quando o assunto \u00e9 a arrecada\u00e7\u00e3o com cobran\u00e7a de d\u00edvidas tribut\u00e1rias e previdenci\u00e1rias dos setores patrimonialistas da nossa economia. O ajuste fiscal s\u00f3 tem um lado: o corte de gastos, principalmente na educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social, ci\u00eancia e tecnologia\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Denise Gentil, isto \u00e9 injustific\u00e1vel, principalmente numa \u00e9poca em que a aus\u00eancia de perspectivas de emprego e o enorme atraso na vacina\u00e7\u00e3o est\u00e3o tornando o pa\u00eds num caldeir\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00f5es e viol\u00eancia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA fome est\u00e1 fustigando os 68 milh\u00f5es de brasileiros que dependiam do aux\u00edlio emergencial e agora n\u00e3o t\u00eam mais como viver. Foram 2,95 milh\u00f5es de domic\u00edlios a sobreviver apenas com os rendimentos recebidos do aux\u00edlio emergencial que custou ao pa\u00eds R$ 293 bilh\u00f5es em 2020. Apesar desta trag\u00e9dia, o Minist\u00e9rio da Economia acha insustent\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o do mesmo patamar de ajuda para 2021, o que serve para mostrar a resist\u00eancia em se fazer o que todos os pa\u00edses est\u00e3o fazendo, o de socorrer suas popula\u00e7\u00f5es e lutar por suas vidas\u201d, critica a professora de economia da UFRJ.<\/p>\n\n\n\n<p>As regras fiscais s\u00e3o mecanismos autorit\u00e1rios feitos para alcan\u00e7ar os trabalhadores e os mais pobres, para fazer descarte populacional dos que excedem as necessidades do capital e para disciplinar o ex\u00e9rcito de desempregados- Denise Gentil<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tributar os mais ricos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma receita de mais de R$ 43 bilh\u00f5es ao ano poderia ser gerada se o governo cobrasse a al\u00edquota de 15% sobre lucros e dividendos recebidos por donos e acionistas de empresas, argumenta a professora da UFRJ, com base nas estimativas dos economistas do Ipea, Sergio Gobetti e Rodrigo Orair Gobetti, em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A renda dos mais ricos, que prov\u00e9m predominantemente de dividendos e lucros distribu\u00eddos \u00e0s pessoas f\u00edsicas, \u00e9 inacreditavelmente isenta do imposto de renda pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Em todo o mundo, somente o Brasil e a Est\u00f4nia n\u00e3o tributam a distribui\u00e7\u00e3o de lucros e dividendos, afirma Denise Gentil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe ainda assim, a soma de tudo isso n\u00e3o pagar, n\u00e3o tem problema nenhum, o governo pode emitir t\u00edtulos p\u00fablicos e pagar um aux\u00edlio, como fizeram a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos\u201d, pondera a economista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Setor agr\u00edcola e de pesticidas tem isen\u00e7\u00f5es question\u00e1veis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As empresas que produzem e vendem agrot\u00f3xicos recebem um pacote de benef\u00edcios, com isen\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00f5es de impostos, que chegaram a quase R$ 10 bilh\u00f5es ao ano em 2020, segundo estudo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco), feito por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).<\/p>\n\n\n\n<p>O valor que o governo federal e os estados deixam de arrecadar com a isen\u00e7\u00e3o fiscal aos pesticidas \u00e9 o equivalente a quase quatro vezes o or\u00e7amento total previsto para o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente , em 2020, (R$ 2,7 bilh\u00f5es) e mais que o dobro do que o SUS gastou em 2017 para tratar pacientes com c\u00e2ncer (R$ 4,7 bilh\u00f5es), revelou o&nbsp;<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/02\/bolsa-agrotoxico-inclui-isencoes-de-impostos-que-somam-r-10-bilhoes-ao-ano\/\"><strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong><\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a ren\u00fancia fiscal da Uni\u00e3o com agricultura e agroind\u00fastria, em 2020, representou R$ 29,2 bilh\u00f5es (8,84%) dos R$ 331,18 bilh\u00f5es em arrecada\u00e7\u00e3o de impostos a que o Governo Federal abriu m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O pacote de maldades da dupla Jair Bolsonaro \/ Paulo Guedes em troca do aux\u00edlio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O banqueiro e ministro da Economia, Paulo Guedes, com aval de Jair Bolsonaro, quer ainda, em troca do novo aux\u00edlio que os servidores p\u00fablicos fiquem tr\u00eas anos sem reajuste salarial, diz o jornal Folha de S\u00e3o Paulo, que teria tido acesso a conversas entre membros do Congresso Nacional e &nbsp;do Executivo federal. Outros ataques aos servidores est\u00e3o contidos na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/reforma-administrativa-vai-ser-paga-pelo-povo-que-ficara-sem-servicos-publicos-ef46\"><strong>Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n\u00ba 32, da reforma Administrativa.<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o governo espera aprovar a PEC do Pacto Federativo, com uma cl\u00e1usula de calamidade p\u00fablica, numa estrat\u00e9gia semelhante ao Or\u00e7amento de Guerra, aprovado em 2020 \u2013 o que retira o aux\u00edlio emergencial das restri\u00e7\u00f5es impostas pelo teto dos gastos. A aprova\u00e7\u00e3o do novo benef\u00edcio s\u00f3 poder\u00e1 acontecer dentro de tr\u00eas semanas, no m\u00eas de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gastos injustific\u00e1veis do governo Bolsonaro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A economista Denise Gentil tamb\u00e9m lista outros fatores, que segundo ela, s\u00e3o gastos desnecess\u00e1rios do governo Bolsonaro que poderiam ser utilizados para atender a popula\u00e7\u00e3o mais pobre e reaquecer a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs gastos com juros da d\u00edvida p\u00fablica, por exemplo, que alcan\u00e7aram 4,22% do PIB em 2020, equivalentes a R$ 312,4 bilh\u00f5es do or\u00e7amento p\u00fablico, segundo Banco Central, n\u00e3o merecem qualquer resist\u00eancia do governo\u201d, critica.<\/p>\n\n\n\n<p>Denise aponta, citando o&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/gastanca-amazonica-dos-militares\/\">artigo da Revista Piau\u00ed de Marta Salomon<\/a><\/strong>&nbsp;, como dinheiro usado inadequadamente, a compra, na virada do ano, pelo Minist\u00e9rio da Defesa de um sat\u00e9lite (de utilidade e qualidade question\u00e1veis), ao custo de R$179 milh\u00f5es e, no entanto, a devasta\u00e7\u00e3o ambiental criminosa na Amaz\u00f4nia atingiu patamares recordes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo ela, nenhum gasto superou em indigna\u00e7\u00e3o aquele apontado pelo Portal Metr\u00f3poles &nbsp;que usou dados do Portal de Compras do Minist\u00e9rio da Economia para revelar que, no meio da terr\u00edvel pandemia,<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/admin\/news\/save\/(https:\/www.metropoles.com\/brasil\/mais-de-r-18-bilhao-em-compras-carrinho-do-governo-federal-tem-de-sagu-a-chicletes),\"><strong>&nbsp;o gasto com alimenta\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os do governo federal<\/strong><\/a>, no ano passado, superou em 20% a quantia de 2019 \u2013 um total de R$1,8 bilh\u00e3o (com surpreendentes R$15 milh\u00f5es em leite condensado e R$2 milh\u00f5es em gomas de mascar), a maior parte destinada ao Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses exemplos de estrat\u00e9gias de gastos deixam evidente que o enxugamento do Estado e a autorregula\u00e7\u00e3o do mercado \u00e9 um dogma que deve ser aplicado apenas para trabalhadores e fam\u00edlias pobres, e isso n\u00e3o mudou mesmo diante de uma trag\u00e9dia humanit\u00e1ria- Denise Gentil<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Anovo+aux%C3%ADlio+de+R%24+250%22\">novo aux\u00edlio de R$ 250<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3ADenise+Gentil%22\">Denise Gentil<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+governo+bolsonaro%22\">governo bolsonaro<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Adesonera%C3%A7%C3%A3o+tribut%C3%A1ria%22\">desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aren%C3%BAncias+fiscais%22\">ren\u00fancias fiscais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Rosely Rocha Um levantamento da economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, feito com exclusividade para o Portal CUT, mostra que o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":47531,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47529"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=47529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/47529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/47531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=47529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=47529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=47529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}