{"id":4737,"date":"2006-06-13T10:10:42","date_gmt":"2006-06-13T10:10:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/ildo-sauer-da-petrobras-gas-natural-e-oportunidade-de-mercado-2\/"},"modified":"2006-06-13T10:10:42","modified_gmt":"2006-06-13T10:10:42","slug":"ildo-sauer-da-petrobras-gas-natural-e-oportunidade-de-mercado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=4737","title":{"rendered":"Ildo Sauer, da Petrobras: G\u00e1s natural \u00e9 oportunidade de mercado"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>Em meio ao impasse iniciado com a decis\u00e3o do presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales, de nacionalizar as reservas de \u00f3leo e g\u00e1s, a Petrobras avalia que o mercado de g\u00e1s natural brasileiro representa uma boa oportunidade para investimentos. A aposta da estatal na gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica tem como objetivo reverter os preju\u00edzos obtidos no segmento, quando decidiu assumir os riscos dos empreendimentos. Com o plano em curso, a estatal mant\u00e9m em seu portf\u00f3lio 14 usinas, nas quais possui participa\u00e7\u00f5es ou o controle integral.<\/P><br \/>\n<P>E \u00e9 exatamente com a inten\u00e7\u00e3o de aproveitar o momento atual que a Petrobras pretende se mobilizar, de acordo com o diretor de G\u00e1s &amp; Energia da estatal, Ildo Sauer. Principal player da explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do insumo no pa\u00eds, planeja garantir o fornecimento atual de 30 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios da Bol\u00edvia e alcan\u00e7ar em 2010, no Brasil, a meta de 70 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios.<\/P><br \/>\n<P>Sauer ressalta, no entanto, que a estrat\u00e9gia no setor envolve a ado\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis alternativos ao g\u00e1s num plano que foca a seguran\u00e7a e o abastecimento, que tem como epicentro a implanta\u00e7\u00e3o de infra-estrutura para o g\u00e1s natural liq\u00fcefeito. Para o setor de G\u00e1s &amp; Energia como um todo, a expectativa \u00e9 de investimentos de, pelo menos, US$ 16 bilh\u00f5es at\u00e9 2010. <\/P><br \/>\n<P>Ele alerta, por\u00e9m, para o fato de que a empresa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica respons\u00e1vel pelo mercado de g\u00e1s. Enquanto recha\u00e7a a afirma\u00e7\u00e3o de que o impasse com o pa\u00eds vizinho n\u00e3o \u00e9 uma crise, mas uma oportunidade que a empresa enxerga desde que entrou nesse nicho, o executivo destaca que as a\u00e7\u00f5es da empresa est\u00e3o programadas dentro de um plano cujos cen\u00e1rios s\u00e3o considerados vi\u00e1veis. <\/P><br \/>\n<P>&#8216;Quem quiser investir, ser\u00e1 bem-vindo ao mercado que ajudamos a consolidar&#8217;, diz. Na entrevista \u00e0 Ag\u00eancia CanalEnergia, Sauer conta qual ser\u00e1 a estrat\u00e9gia da companhia no leil\u00e3o de energia nova A-3, diz quais as li\u00e7\u00f5es a empresa teve com o Programa Priorit\u00e1rio de Termeletricidade e manifesta-se contra a implanta\u00e7\u00e3o de uma lei espec\u00edfica para o g\u00e1s natural. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; O que muda na estrat\u00e9gia da Petrobras para a \u00e1rea de G\u00e1s &amp; Energia com as recentes decis\u00f5es do governo da Bol\u00edvia?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; A rela\u00e7\u00e3o da Petrobras, como investidora na Bol\u00edvia, foi afetada profundamente em termos de rentabilidade devido \u00e0s decis\u00f5es soberanas do governo boliviano. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o normal, que ser\u00e1 resolvida dentro do processo de negocia\u00e7\u00e3o &#8211; tanto no \u00e2mbito nacional da Bol\u00edvia quanto no \u00e2mbito internacional, de prote\u00e7\u00e3o aos investimentos. A Petrobras sabia que estava sujeita \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o boliviana, que prev\u00ea a nacionaliza\u00e7\u00e3o mediante pr\u00e9via e justa indeniza\u00e7\u00e3o.<\/P><br \/>\n<P>Quanto \u00e0 \u00e1rea de G\u00e1s &amp; Energia no Brasil, muito pouco se alterou, a n\u00e3o ser o humor da opini\u00e3o p\u00fablica, agitado pela imprensa. Confundiu-se aumento de impostos da Bol\u00edvia com aumento do pre\u00e7o do g\u00e1s extra\u00eddo. A rela\u00e7\u00e3o do Brasil com a Bol\u00edvia \u00e9 uma coisa; entre a YPFB e a Petrobras \u00e9 outra, regida por contrato internacional. O que muda neste momento \u00e9 a revis\u00e3o da previs\u00e3o de trazer mais quatro milh\u00f5es em 2009 e aumentar a produ\u00e7\u00e3o em mais 11 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos, chegando a 15 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios at\u00e9 2013. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; A Petrobras prev\u00ea alguma altera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os por parte da Bol\u00edvia?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Embora tenha ouvido pleitos dos dirigentes da YPFB pela imprensa, at\u00e9 o momento n\u00e3o existiu nada formal nesse sentido. Cabe \u00e0 Bol\u00edvia e \u00e0 YPFB o direito de mandar uma nota fidedigna \u00e0 Petrobras, pedindo mudan\u00e7as, se julgar necess\u00e1rio. O contrato prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de comiss\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o que cuidar\u00e1 do tema por 45 dias. Se n\u00e3o houver acordo, assiste \u00e0 parte insatisfeita o direito de recorrer ao tribunal, a ser constitu\u00eddo segundo os crit\u00e9rios da American Arbitration Association, e seguir o ritual da lei em Nova Iorque. Agora, eu duvido que isso venha a acontecer.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Por qu\u00ea?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; O g\u00e1s natural est\u00e1 vinculado a uma cesta de \u00f3leos. Hoje, o contrato QDCP, tem pre\u00e7o de US$ 3,43 por milh\u00e3o de BTU, base em 1\u00b0 de abril. O QDCA (adicional assinado em 98 e 2000) est\u00e1 em US$ 4,21 por milh\u00e3o de BTU. Com mais US$ 1,70 de transporte, tem-se a\u00ed o pre\u00e7o m\u00e9dio de US$ 5,50 por milh\u00e3o de BTU. Acrescido da margem da distribuidora e impostos, esse pre\u00e7o faz com que o g\u00e1s seja marginalmente competitivo ou n\u00e3o, de acordo com cada cliente. Em compara\u00e7\u00e3o com baga\u00e7o de cana, lenha, biomassa, carv\u00e3o mineral e coque, por exemplo, o g\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 mais caro. <\/P><br \/>\n<P>Num mercado competitivo, n\u00e3o h\u00e1 mais o que fomentar, o contrato est\u00e1 relativamente equilibrado. Essa ser\u00e1 a nossa linha de racioc\u00ednio, que ser\u00e1 levada \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o. Acho que contaremos com a compreens\u00e3o da YPFB de que \u00e9 melhor buscar outro caminho. Pag\u00e1vamos inicialmente US$ 1 por milh\u00e3o de BTU e agora pagamos US$ 3,43 ou US$ 4,21. H\u00e1 um ganho enorme na cadeia de produ\u00e7\u00e3o deles. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; H\u00e1 possibilidade de aumento de pre\u00e7os no Brasil?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; N\u00e3o vai ter aumento, a n\u00e3o ser o normal, a cada tr\u00eas meses. Pelo crit\u00e9rio do contrato, os dois trimestres anteriores ao \u00faltimo definem qual \u00e9 o valor da cesta de \u00f3leo, que por sua vez, define o pre\u00e7o do g\u00e1s. Esses n\u00fameros que te dei tem data base de primeiro de abril. Eu nem vou discutir isso, n\u00e3o vai acontecer. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Num discurso recente, o presidente Lula disse que se ocorresse aumento nos pre\u00e7os do g\u00e1s pela Bol\u00edvia, a Petrobras absorveria.<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Estive em duas reuni\u00f5es para tratar desse assunto e ele nunca me falou nada nesse sentido. O que o governo brasileiro tem dito sistematicamente \u00e9 que as quest\u00f5es da Petrobras s\u00e3o negociadas pela Petrobras. Certamente, esse assunto foi tratado fora de contexto do presidente da Rep\u00fablica, que deu uma opini\u00e3o e surgiram ila\u00e7\u00f5es. Quem negocia pre\u00e7o \u00e9 a Petrobras. Indeniza\u00e7\u00f5es da Bol\u00edvia ficam com a Petrobras Internacional. O governo brasileiro, por\u00e9m, tem tido papel extraordinariamente positivo de manter o di\u00e1logo aberto. Os dois pa\u00edses s\u00e3o vizinhos, amigos, que querem e precisam cooperar. A atitude serena, tranq\u00fcila, cooperativa, de di\u00e1logo tem ajudado muito nas negocia\u00e7\u00f5es. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Como ser\u00e1 a convers\u00e3o de t\u00e9rmicas, conforme anunciado recentemente?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Estamos discutindo o processo de seguran\u00e7a, redund\u00e2ncia e aumento da confiabilidade no suprimento para o mercado de g\u00e1s natural, baseado em tr\u00eas pontos. Al\u00e9m da importa\u00e7\u00e3o boliviana, plenamente em vigor, temos agora um programa ainda mais acentuado de investimentos em descobertas recentes, confirmadas em abril. N\u00e3o foi em fun\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia que anunciamos o plano de aumentar a produ\u00e7\u00e3o, entre 2006 e 2008, em 24 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios.<\/P><br \/>\n<P>Segundo ponto \u00e9 a convers\u00e3o das termel\u00e9tricas. Elas v\u00e3o operar sempre flexfuel. Ou g\u00e1s natural-\u00e1lcool, ou g\u00e1s natural &#8211; g\u00e1s liq\u00fcefeito de petr\u00f3leo, ou g\u00e1s natural &#8211; diesel. O projeto j\u00e1 est\u00e1 em andamento, mas os testes est\u00e3o previstos para come\u00e7ar em setembro, na usina Barbosa Lima Sobrinho, ex-Eletrobolt (RJ, 386 MW), cujas turbinas j\u00e1 est\u00e3o sendo convertidas. Algo semelhante ser\u00e1 feito com o GLP na Maca\u00e9 Merchant (RJ, 896 MW). A usina de Canoas (RS, 161 MW) j\u00e1 obteve a licen\u00e7a e a convers\u00e3o para diesel est\u00e1 sendo contratada.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; O GNL entra onde?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; A grande solu\u00e7\u00e3o, cujos estudos tamb\u00e9m estavam em andamento, \u00e9 a do GNL. A princ\u00edpio, uma das plantas ser\u00e1 instalada em Pec\u00e9m (CE); uma segunda, provavelmente na Ba\u00eda de Guanabara (RJ); e ainda estamos estudando uma terceira em S\u00e3o Francisco do Sul (SC). No atendimento ao despacho t\u00e9rmico, uma fra\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser atendida por GNL permitindo que o g\u00e1s firme v\u00e1 para o mercado firme. A flexibilidade das t\u00e9rmicas permitir\u00e1 o cumprimento dos contratos em qualquer anormalidade, como acidente na produ\u00e7\u00e3o ou atraso de obras.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 risco de suprimento de g\u00e1s para as t\u00e9rmicas?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Todas as termel\u00e9tricas com contrato t\u00eam seu suprimento assegurado. N\u00f3s n\u00e3o vamos garantir g\u00e1s para quem n\u00e3o assinou contrato. E os que compraram eletricidade da Petrobras com base em g\u00e1s natural receber\u00e3o sua eletricidade, seja queimando g\u00e1s natural, seja combust\u00edvel alternativo, ou mesmo GNL. Hoje, s\u00f3 quatro usinas no Brasil t\u00eam contrato firme com a Petrobras &#8211; Termopernambuco (PE), Termofortaleza (CE), Norte Fluminense (RJ) e Juiz de Fora (MG). \u00c9 verdade que n\u00f3s estamos enfrentando algumas dificuldades no Nordeste, o que est\u00e1 sendo resolvido com aumento da produ\u00e7\u00e3o, da malha de gasodutos e do GNL de Fortaleza. Mas era previs\u00edvel que haveria problemas, pois colocaram termel\u00e9trica onde n\u00e3o havia g\u00e1s. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; O programa n\u00e3o visa a atender, ent\u00e3o, a uma crise do g\u00e1s?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; O an\u00fancio do programa, que j\u00e1 estava em curso, apenas coincidiu com a efervesc\u00eancia da opini\u00e3o p\u00fablica, motivada pela imprensa, para uma crise que n\u00e3o existe no Brasil. A crise do g\u00e1s \u00e9 a &#8221;crise de Itarar\u00e9&#8221; &#8211; igual \u00e0quela batalha que n\u00e3o houve. Existe um ambiente extremamente favor\u00e1vel, uma enorme oportunidade de se investir adicionalmente na produ\u00e7\u00e3o, em volumes e limites que achamos rent\u00e1veis. At\u00e9 2003, nunca se falou tanto em g\u00e1s natural no Brasil. De l\u00e1 para c\u00e1 houve um extraordin\u00e1rio esfor\u00e7o para desenvolver o mercado. <\/P><br \/>\n<P>Quem fala em apag\u00e3o do g\u00e1s, fala bobagem. Noto com absoluta perplexidade que alguns analistas n\u00e3o compreenderam a l\u00f3gica do g\u00e1s e querem confundi-la com a do setor el\u00e9trico, um monop\u00f3lio natural forte. N\u00e3o se compara g\u00e1s natural com eletricidade, que \u00e9 um servi\u00e7o insubstitu\u00edvel, ou com muita dificuldade de substitui\u00e7\u00e3o. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Qual a estimativa de custo de gera\u00e7\u00e3o, tanto para \u00e1lcool quanto para GLP e diesel?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Isso \u00e9 um problema empresarial da Petrobras, de maximizar seu resultado e garantir a confiabilidade de seus contratos para seus clientes. S\u00f3 vou cobrar o pre\u00e7o de venda da eletricidade que est\u00e1 nos contratos &#8211; cujos pre\u00e7os s\u00e3o do leil\u00e3o de dezembro do ano passado. Achamos que \u00e9 uma boa oportunidade, especialmente como reserva energ\u00e9tica, j\u00e1 que esses combust\u00edveis alternativos ser\u00e3o usados em usinas com baixa probabilidade de despacho. \u00c9 melhor vender esse g\u00e1s natural ao mercado firme, industrial, onde terei renda permanentemente, e ter op\u00e7\u00f5es de backup para as termel\u00e9tricas. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Como a empresa se prepara para uma entrada em vigor da Lei do G\u00e1s e a eventual cria\u00e7\u00e3o de um mercado secund\u00e1rio? <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; N\u00e3o conhe\u00e7o Lei do G\u00e1s nem mercado secund\u00e1rio, para mim n\u00e3o existe. O que existe \u00e9 a flexibilidade nos combust\u00edveis e seus substitu\u00edveis. Estamos usando a flexibilidade que a natureza t\u00e9cnica e econ\u00f4mica dos combust\u00edveis permite. O g\u00e1s substitui muitos derivados e alguns derivados substituem o g\u00e1s, dependendo das circunst\u00e2nicas t\u00e9cnicas. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; A Lei do G\u00e1s voltou \u00e0 discuss\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do debate sobre o g\u00e1s boliviano. Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre este projeto?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; A Petrobras n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o de produzir ou transportar g\u00e1s. Fazemos porque \u00e9 um bom neg\u00f3cio. No Brasil, o mercado \u00e9 inteiramente aberto, a partir da lei 9.478\/97. Quem quiser investir em produ\u00e7\u00e3o e transporte, ser\u00e1 bem-vindo, como parceiro ou concorrente da Petrobras. Quem quiser consumir g\u00e1s, ser\u00e1 bem atendido. Ter\u00e1 um excelente produto, desde que se previna e assine o contrato de suprimento. \u00c9 um enorme equ\u00edvoco achar que no Brasil o problema \u00e9 falta de lei. A legisla\u00e7\u00e3o vigente \u00e9 favor\u00e1vel para novos investimentos, embora possa ser aperfei\u00e7oada, sim. O ambiente regulat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 problema. O que falta \u00e9 investimento, empreendedores que queiram correr riscos para investir. \u00c9 importante avisar aos que acham que uma lei permitir\u00e1 que os gasodutos feitos pela Petrobras sejam utilizados por terceiros: podem tirar o cavalo da chuva. S\u00f3 fazemos gasodutos que nascem cheios, t\u00eam garantia de carregamento e proced\u00eancia da pr\u00f3pria Petrobras. Se a lei est\u00e1 sendo feita para tentar garantir livre acesso aos gasodutos da Petrobras, \u00e9 mais uma ilus\u00e3o. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEneregia &#8211; Relembrando o caso das merchants, qual a li\u00e7\u00e3o que fica para a Petrobras e para o setor?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Isso vale para a Bol\u00edvia e para as merchants. \u00c9 preciso aprender que o preju\u00edzo com as merchants e o g\u00e1s boliviano derivam da mesma realidade, a hegemonia do neoliberalismo que privatizou todo o g\u00e1s da Bol\u00edvia e deixou os bolivianos sem nada, nem a ver navios, porque n\u00e3o tem mar (risos). Isso explica a rea\u00e7\u00e3o forte que surgiu por l\u00e1. Para desenvolver e monetizar as reservas da Bol\u00edvia, criou-se um enorme encargo para a Petrobras, que tem apenas 51% de um gasoduto de US$ 2 bilh\u00f5es, mas assuniu o risco de 100% da venda e transporte do g\u00e1s. Al\u00e9m disso, ficou associada a uma carteira de projetos onde o risco foi inteiramente repassado, seja como offtaker de energia el\u00e9trica ou vapor seja como offtaker de garantidor da energia el\u00e9trica das merchants ou de distribuidoras de g\u00e1s. A Petrobras assumiu o risco de empreendedores como a Enron, cujos dirigentes, hoje, est\u00e3o presos. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o: a Petrobras nunca mais ser\u00e1 utilizada como \u00e2ncora deste tipo de aventura. Aceitar neg\u00f3cios f\u00e1ceis, com assimetria total de riscos. \u00c9 preciso ter serenidade e seriedade, al\u00e9m de saber que there&#8221;s no free lunch (n\u00e3o existe almo\u00e7o gratuito).<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; E a li\u00e7\u00e3o sobre o PPT?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Em 2003, j\u00e1 t\u00ednhamos um contrato em vigor com a Bol\u00edvia, mesmo com fracasso do PPT. O racionamento reduziu o consumo de eletricidade, que inviabilizou as t\u00e9rmicas. Nenhuma usina quis assinar os contratos de g\u00e1s adicionais depois disso e muitas devolveram contratos, como Arauc\u00e1ria (PR, 484 MW). Ca\u00edram no nosso colo a participa\u00e7\u00e3o em 11 termel\u00e9ticas, n\u00e3o porque a Petrobras quis. Para reduzir preju\u00edzos, assumimos as usinas junto com a aus\u00eancia de contratos de venda de eletricidade e de contratos de g\u00e1s. Desenvolvemos o mercado de g\u00e1s no Brasil, um enorme sucesso, ao inv\u00e9s de ficar pagando take or pay, ship or pay, sem perspectiva de vender o g\u00e1s. O consumo passou de 10 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos por dia para 24, 25 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos por dia, com chance de subir para 30 milh\u00f5es. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; A \u00e1rea de G\u00e1s &amp; Energia, depois de operar durante bom tempo no vermelho, vem apresentando resultados positivos. A que se deve esse cen\u00e1rio?<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Positivos ainda n\u00e3o, estamos zerando. Estamos jogando o Grenal. Em geral no azul, mas \u00e0s vezes aparece um &#8216;vermelhinho&#8217; num trimestre ou outro (risos). Acho que \u00e9 o esfor\u00e7o de partir para as auditorias jur\u00eddicas e econ\u00f4micas dos tr\u00eas contratos merchants, com arbitragem e negocia\u00e7\u00e3o direta. Reduzimos um preju\u00edzo, s\u00f3 em t\u00e9rmicas, de US$ 1,5 bilh\u00e3o para US$ 500 milh\u00f5es. Para o Tesouro Nacional, o preju\u00edzo que seria de US$ 700 milh\u00f5es, em impostos que n\u00e3o receberia, caiu para US$ 250 milh\u00f5es. Isso \u00e9 resultado de uma negocia\u00e7\u00e3o dura e \u00e1rdua, pela qual fomos duramente criticados, mas que nossos investidores reconheceram. Quando encerr\u00e1vamos uma negocia\u00e7\u00e3o, as a\u00e7\u00f5es subiam. <\/P><br \/>\n<P>Al\u00e9m disso, quando desenvolvemos o mercado, seguramos o pre\u00e7o do g\u00e1s entre 2003 e meados de 2005, ao chegar a 24 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios. Adotamos a mesma estrag\u00e9gia que a Espanha utilizou ao longo de nove anos. Ela segurou os pre\u00e7os at\u00e9 criar um mercado de g\u00e1s natural, para normalizar depois. \u00c9 bem verdade que &#8211; fa\u00e7amos justi\u00e7a &#8211; fomos muito ajudados por George Bush, Saddam Hussein, Bin Laden, e pela pr\u00f3pria conjuntura externa, que contribu\u00edram para um aumento mais r\u00e1pido dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e diminu\u00edram a chance de preju\u00edzo. Criou uma press\u00e3o positiva na busca do g\u00e1s. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Qual a estrat\u00e9gia da Petrobras para G\u00e1s &amp; Energia para os pr\u00f3ximos anos? <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Para termel\u00e9tricas, a estrat\u00e9gia \u00e9 consolidar o portf\u00f3lio existente, reduzindo os custos e riscos e racionalizando os contratos herdados. Assumimos a Maca\u00e9 Merchant, a Eletrobolt e a Termocear\u00e1 (CE, 220 MW). Convertemos um neg\u00f3cio escandaloso num mau neg\u00f3cio. Assumimos tamb\u00e9m o controle da TermoRio (RJ, 1.038 MW), TermoBahia (BA, 178 MW) e Fafen (RJ, 133 MW). Estamos negociando com Ibiritermo (MG, 228 MW) e Cubat\u00e3o (SP, 208 MW), em constru\u00e7\u00e3o. Todas t\u00eam s\u00f3cios que sa\u00edram do neg\u00f3cio. A \u00e1rea de E&amp;P prev\u00ea investimentos de US$ 10,5 bilh\u00f5es at\u00e9 2010; na \u00e1rea de G\u00e1s &amp; Energia, prevemos investimentos de US$ 5,5 bilh\u00f5es em gasodutos at\u00e9 2010, para construir uma grande malha integrada, conforme nosso plano estrat\u00e9gico, entre outros pontos.<\/P><br \/>\n<P>Na \u00e1rea de energias renov\u00e1veis, a Petrobras j\u00e1 inaugurou duas plantas com duas tecnologias distintas de fazer biodiesel em Guamar\u00e9 (RN) e o desenvolvimento do H-Bio, a convers\u00e3o direta de \u00f3leo vegetal em diesel nas refinarias. N\u00e3o desistimos inteiramente de participar do Programa de Incentivo \u00e0s Fontes Alternativas de Energia El\u00e9trica. Estamos buscando oportunidades rent\u00e1veis. T\u00ednhamos plano de ter entre 100 MW e 300 MW em usinas e\u00f3licas, mas nada p\u00f4de ser materializado neste momento em raz\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do custo do investimento vis-a-vis receita esperada e custo de aquisi\u00e7\u00e3o. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; Quais a estrat\u00e9gia para o leil\u00e3o de energia nova A-3, marcado para o dia 29 de junho, via internet? <\/STRONG><\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; S\u00f3 venderemos no leil\u00e3o A-3 o resto que falta de Eletrobolt. As demais usinas n\u00e3o est\u00e3o inteiramente contratadas, mas temos uma estrat\u00e9gia de contrata\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos contratos bilaterais, do mercado regulado e do mercado livre. Fizemos uma parti\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios em cima da nossa conveni\u00eancia. Vendemos cerca de 1.400 MW no leil\u00e3o passado. O resto de nossos contratos s\u00e3o bilaterais. O maior contrato que tenho \u00e9 com a CPFL Energia, de quase 800 MW. <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ag\u00eancia CanalEnergia &#8211; O senhor acredita em maior participa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural na matriz energ\u00e9tica?<\/STRONG> <\/P><br \/>\n<P><STRONG>Ildo Sauer<\/STRONG> &#8211; Eu n\u00e3o acredito que a ind\u00fastria de t\u00e9rmicas a g\u00e1s natural v\u00e1 expandir muito al\u00e9m das t\u00e9rmicas existentes, a n\u00e3o ser que algu\u00e9m queira fazer com GNL no futuro. A energia h\u00eddrica custa de US$ 30 a US$ 40 por MWh. Para ser competitivo, o g\u00e1s precisa entrar com pre\u00e7o entre US$ 3 e US$ 4 o milh\u00e3o de BTU. O g\u00e1s boliviano custa em m\u00e9dia US$ 5,50 por milh\u00e3o de BTU e substitui gasolina e GLP, que est\u00e3o por cerca de US$ 10 por milh\u00e3o de BTU. \u00d3leo combust\u00edvel vale US$ 7, US$ 8. Por que queimar g\u00e1s no lugar da \u00e1gua? Desvalorizar o g\u00e1s para valer US$ 3 a US$ 4 o milh\u00e3o de BTU, quando substitui derivados de petr\u00f3leo que est\u00e3o extremamente valorizados? N\u00e3o seria uma decis\u00e3o sensata sob o ponto de vista econ\u00f4mico e ambiental. <\/P><br \/>\n<P>J\u00e1 as t\u00e9rmicas a \u00f3leo s\u00e3o op\u00e7\u00f5es inteligentes porque nas \u00e9pocas de baixa hidrologia podem usar \u00f3leo combust\u00edvel, que \u00e9 uma commodity internacional. Al\u00e9m de poder atuar como bicombust\u00edveis, t\u00eam baixo custo fixo e de capital. T\u00eam combust\u00edvel de m\u00e9dio custo, mas dispon\u00edvel no mercado internacional, ao contr\u00e1rio das usinas a g\u00e1s. Essa foi a vis\u00e3o da Canambra nos anos 60\/70, com o primeiro grande plano brasileiro de recursos h\u00eddricos. <\/P><br \/>\n<P>Naquele tempo surgiram Piratininga, Santa Cruz, Cama\u00e7ari, Bongi, Campos, Carioba, Igarap\u00e9, entre outras. A adequada orienta\u00e7\u00e3o de planejamento e neg\u00f3cios em energia el\u00e9trica t\u00eam uma l\u00f3gica que n\u00e3o mudou nos \u00faltimos 50 anos. Houve um enorme equ\u00edvoco na concep\u00e7\u00e3o do PPT em tentar inverter essa l\u00f3gica natural, de base t\u00e9cnica e econ\u00f4mica. Demos com os burros n&#8221;\u00e1gua, mas estamos voltando \u00e0 realidade. (F\u00e1bio Couto)<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao impasse iniciado com a decis\u00e3o do presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales, de nacionalizar as reservas de \u00f3leo e g\u00e1s, a Petrobras avalia que o mercado de g\u00e1s<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4737"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4737"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4737\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}