{"id":46532,"date":"2020-12-10T11:41:32","date_gmt":"2020-12-10T14:41:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=46532"},"modified":"2020-12-10T11:41:34","modified_gmt":"2020-12-10T14:41:34","slug":"mais-de-7-em-cada-10-mulheres-ja-sofreram-violencia-no-trabalho-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=46532","title":{"rendered":"Mais de 7 em cada 10 mulheres j\u00e1 sofreram viol\u00eancia no trabalho, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"caps\"><strong>Escrito por: \u00c9rica Arag\u00e3o<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsnewseea59db70e86b5ec145-700x460xfit-9b7ff.jpeg\" alt=\"notice\" width=\"189\" height=\"124\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 uma triste realidade no pa\u00eds e afeta tamb\u00e9m as mulheres nos ambientes de trabalho. A pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/agenciapatriciagalvao.org.br\/violencia\/pesquisa-revela-76-das-mulheres-ja-sofreram-violencia-e-assedio-no-trabalho\/\">Percep\u00e7\u00f5es sobre a viol\u00eancia e o ass\u00e9dio contra mulheres no trabalho\u201d,<\/a>&nbsp;divulgada esta semana, mostra que 76%das trabalhadoras j\u00e1 sofreram viol\u00eancia no local de trabalho, isso \u00e9 mais de 7 em cada 10 mulheres. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, elaborado com o apoio da Laudes Foundation, quatro em cada dez mulheres foram alvo de xingamentos, insinua\u00e7\u00f5es sexuais ou receberam convites de colegas homens para sair.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as viol\u00eancias mais citadas pelas mulheres e pelos homens que responderam \u00e0 pesquisa entre os dias 7 a 20 de outubro de forma online est\u00e3o o trabalho excessivamente supervisionado, xingamentos ou constrangimentos com gritos, convites para sair e insinua\u00e7\u00f5es, opini\u00f5es n\u00e3o levadas em considera\u00e7\u00e3o e elogios constrangedores por atributos f\u00edsicos.<\/p>\n\n\n\n<p>36% das trabalhadoras dizem j\u00e1 ter sofrido preconceito ou abuso no trabalho simplesmente por serem mulheres<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 novidade para mim, que sofri viol\u00eancia no trabalho por no m\u00ednimo tr\u00eas vezes h\u00e1 quase 40 anos e eu nunca denunciei, eu pedi demiss\u00e3o. Isso acontece com muitas outras mulheres. Pelo simples fato de sermos mulheres somos perseguidas, sofremos viol\u00eancia e abusos emocionais\u201d, afirmou a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora na CUT, Juneia Batista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos reagir e mudar esta realidade e para isso acontecer precisaremos realizar juntas v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, mas a primordial delas \u00e9 denunciar!\u201d, completou a secret\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto emocional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A dirigente, que de entrevistada virou personagem, disse que as experi\u00eancias que ela viveu no trabalho foram motivos de crises de choro e medo. \u201cEu me lembro de cada ass\u00e9dio moral e sexual que vivi no trabalho e o quanto eu sofri\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo aponta que os sentimentos mais comuns entre as v\u00edtimas ap\u00f3s uma situa\u00e7\u00e3o de constrangimento ou ass\u00e9dio s\u00e3o tristeza, ofensa, humilha\u00e7\u00e3o e raiva. Apenas 16% disseram n\u00e3o se importar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tipos de viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Juneia explica que no mundo do trabalho, assim como na vida privada, h\u00e1 a viol\u00eancia sexual, a moral, a psicol\u00f3gica, a f\u00edsica e a patrimonial, que s\u00e3o praticadas em diversos n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 a viol\u00eancia vertical descendente, praticada do superior hier\u00e1rquico para a que realiza a tarefa, a viol\u00eancia horizontal, realizada de um colega para outro, e viol\u00eancia vertical ascendente \u2013 muito menos comum \u2013, praticada de um grupo para o chefe. Em todas elas, as mulheres s\u00e3o maioria\u201d, ressalta a dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA CUT sempre esteve junto das mulheres no mundo do trabalho, na luta contra desigualdade inclusive de oportunidades, orientando e buscando sa\u00edda para acabar com isso. Viol\u00eancia contra mulher n\u00e3o \u00e9 o mundo que a gente quer\u201d, ressaltou Juneia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rea\u00e7\u00e3o empresas e sindicatos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quarta, na reuni\u00e3o do Coletivo Nacional de Mulheres da CUT, as trabalhadoras constru\u00edram mais uma etapa do protocolo de preven\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia por raz\u00f5es de g\u00eanero para implementar internamente na Central.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento tamb\u00e9m ser\u00e1 compartilhado com sindicatos e entidades filiadas para que, em 2021, o movimento sindical provoque seus patr\u00f5es e empregadores a colocarem nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas cl\u00e1usulas sobre a quest\u00e3o do combate a viol\u00eancia no mundo do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 temos algumas entidades que fazem este trabalho, mas queremos que cada sindicato seja um espa\u00e7o de acolhimento e de den\u00fancias contra estes crimes trabalhistas. \u00c9 responsabilidade do sindicato combater viol\u00eancia contra mulher, de qualquer forma e em qualquer lugar\u201d, explicou Juneia.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora executiva do Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, Jacira Melo, falou num trecho do estudo que \u201ca pesquisa revela a urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es pr\u00f3-ativas por parte das empresas para o enfrentamento das situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o, constrangimento e ass\u00e9dio contra mulheres no ambiente de trabalho. \u00c9 preciso que as empresas reconhe\u00e7am a gravidade dessas situa\u00e7\u00f5es e respondam com a\u00e7\u00f5es concretas e efetivas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reconhecer e denunciar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT-DF, Tha\u00edsa Magalh\u00e3es, em um dos Webn\u00e1rios que a entidade est\u00e1 veiculando nos canais de m\u00eddia da entidade sobre os 21 dias de ativismo pela elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra mulher, que termina nesta quinta-feira (10), disse que o local de trabalho \u00e9 uma inst\u00e2ncia da vida, que acontece concord\u00e2ncias, discord\u00e2ncias, diverg\u00eancias e converg\u00eancias. \u201cComo saber quando uma diverg\u00eancia extrapola e vira ass\u00e9dio?\u201d, questiona ela, que complementou: \u201cO ass\u00e9dio n\u00e3o acontece igual para todo mundo, assedio \u00e9 caracterizado por um constante diminuir para que a pessoa perca fun\u00e7\u00e3o, gratifica\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 para que pe\u00e7a demiss\u00e3o ou seja demitida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tha\u00edsa tamb\u00e9m orienta no v\u00eddeo sobre alguns passos para as mulheres fazerem as den\u00fancias. \u201cPrimeiro passo \u00e9 reconhecer que est\u00e1 sofrendo ass\u00e9dio, perceber que o limite das diverg\u00eancias foi ultrapassado. Depois, junte provas e ou testemunhas e grave o fato. Denunciar o ass\u00e9dio \u00e9 importante para cuidar da sa\u00fade do trabalhador e da trabalhadora e garante um trabalho decente\u201d, destacou a dirigente na CUT-DF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conven\u00e7\u00e3o 190<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o 190 foi assinada em 2019, no anivers\u00e1rio de 100 anos da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), durante sua 108\u00aa Confer\u00eancia, realizada em Genebra (Su\u00ed\u00e7a), e reconheceu que a viol\u00eancia e o ass\u00e9dio no mundo do trabalho levam \u00e0 viola\u00e7\u00e3o ou abuso dos direitos humanos e s\u00e3o amea\u00e7a \u00e0 igualdade de oportunidades e, por isso, incompat\u00edveis com o trabalho decente.<\/p>\n\n\n\n<p>O instrumento jur\u00eddico internacional, debatido por mais de quatro anos, \u00e9 o primeiro da hist\u00f3ria a proteger os trabalhadores de todas as formas de ass\u00e9dio e viol\u00eancia no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto Juneia, que participou bem de perto da constru\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o, quanto Thaisa lembram da import\u00e2ncia da conven\u00e7\u00e3o ser ratificada no Brasil. E afirmam que esta \u00e9 uma pauta das mulheres trabalhadoras como forma de combater a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a conven\u00e7\u00e3o define viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o 190 define viol\u00eancia e ass\u00e9dio como comportamentos, pr\u00e1ticas ou amea\u00e7as que visem e resultem em danos f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos, sexuais ou econ\u00f4micos para os trabalhadores atingidos por essas graves pr\u00e1ticas, registrando que os Estados-membros t\u00eam a responsabilidade de promover um ambiente geral de toler\u00e2ncia zero contra atitudes patronais prejudiciais aos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ass\u00e9dio e a viol\u00eancia nos ambientes do trabalho n\u00e3o interessam aos trabalhadores nem aos empregadores, uma vez que tais pr\u00e1ticas corroem de forma indel\u00e9vel as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e causam preju\u00edzos econ\u00f4micos, financeiros, sociais e humanos a todos, inclusive \u00e0 sociedade\u201d, diz trecho do texto da OIT sobre a conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>*Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3AMais+de+7+em+cada+10+mulheres+j%C3%A1+sofreram+viol%C3%AAncia+no+trabalho%22\">Mais de 7 em cada 10 mulheres j\u00e1 sofreram viol\u00eancia no trabalho<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+pesquisa%22\">pesquisa<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aestudo%22\">estudo<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Amundo+do+trabalho%22\">mundo do trabalho<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aass%C3%A9dio+no+trabalho%22\">ass\u00e9dio no trabalho<\/a><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aviol%C3%AAncia+no+trabalho%22\">viol\u00eancia no trabalho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: \u00c9rica Arag\u00e3o\u00a0 A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 uma triste realidade no pa\u00eds e afeta tamb\u00e9m as mulheres nos ambientes de trabalho. 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