{"id":45435,"date":"2020-10-21T16:29:34","date_gmt":"2020-10-21T19:29:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=45435"},"modified":"2020-10-21T16:29:34","modified_gmt":"2020-10-21T19:29:34","slug":"classe-media-e-pobres-sentem-disparada-nos-precos-dos-alimentos-e-reduzem-consumo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=45435","title":{"rendered":"Classe m\u00e9dia e pobres sentem disparada nos pre\u00e7os dos alimentos e reduzem consumo"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<div class=\"dd-m-editor\">\n<p class=\"caps\">Os pre\u00e7os dos produtos vendidos nos supermercados de S\u00e3o Paulo registraram a maior alta para o m\u00eas de setembro, desde a cria\u00e7\u00e3o do Plano Real, em 1994, levando paulistanos de classe m\u00e9dia e pobres a mudar h\u00e1bitos, trocar marcas caras pelas mais baratas e at\u00e9 deixar de comprar alguns itens por falta de dinheiro.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os dos Supermercados (IPS), calculado pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Supermercados (Apas)&nbsp; e pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe ), registrou alta de 2,24% em setembro &#8211; um aumento de 1,34% em rela\u00e7\u00e3o a agosto que havia registrado&nbsp; alta de 0,90% nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Este \u00e9 mais um dado que comprova a disparada nos pre\u00e7os de alimentos e de outros produtos essenciais utilizados no dia a dia das fam\u00edlias brasileiras. A \u00faltima pesquisa do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) registrou <a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/admin\/news\/save\/%20https:\/www.cut.org.br\/noticias\/precos-da-cesta-basica-tem-alta-generalizada-em-setembro-e-pressionam-salario-mi-fce5\">alta de 4,33% nos pre\u00e7os dos alimentos que comp\u00f5em a cesta b\u00e1sica<\/a>, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A alta generalizada nos supermercados est\u00e1 obrigando o consumidor a mudar os h\u00e1bitos alimentares e de consumo, caso contr\u00e1rio n\u00e3o conseguem fechar o or\u00e7amento dom\u00e9stico no final do m\u00eas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o caso da banc\u00e1ria aposentada Maria Eug\u00eania Francisco, &nbsp;praticamente uma expert no acompanhamento de pre\u00e7os dos supermercados. Apesar dos seus rendimentos, somados aos dos outros dois membros adultos da sua fam\u00edlia, atingirem o que os economistas chamam de classe m\u00e9dia, ela percorre semanalmente de cinco a seis supermercados instalados perto da sua casa na zona oeste de S\u00e3o Paulo, para buscar os melhores pre\u00e7os. Se fossem distantes, segundo ela, n\u00e3o valeria o pre\u00e7o da gasolina. Ainda assim, a percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada boa.<\/p>\n<p>\u201cCada supermercado tem algum produto mais em conta. Em um compro \u00f3leo, azeite e leite, em outro sei que os produtos de limpeza s\u00e3o mais baratos; no terceiro compro carnes e aves, no quarto compro caf\u00e9, arroz e feij\u00e3o e ainda passo em outros dois vendo se h\u00e1 alguma oferta, que ali\u00e1s est\u00e3o cada vez mais escassas\u201d, diz Maria Eug\u00eania.<\/p>\n<p>Mesmo com tanta pesquisa, a aposentada conta que em janeiro deste ano a compra b\u00e1sica de supermercado da fam\u00edlia ficava em torno de R$ 1.800,00. Hoje est\u00e1 em R$ 2.300,00, apesar das mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos alimentares \u2013 deixa de comprar itens da alimenta\u00e7\u00e3o que subiram demais -, e de consumo, ou seja, troca de produtos de marca conhecida e mais caros por outros mais baratos de marcas que ela nem conhece.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s diminu\u00edmos muito o consumo da carne vermelha substituindo por frango, porco e aumentando a quantidade de legumes e gr\u00e3os&nbsp; como gr\u00e3o de bico e couve nos pratos. O peixe voc\u00ea n\u00e3o encontra por menos de R$ 30,00 o quilo e como n\u00e3o rende para uma fam\u00edlia grande, fica proibitivo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Maria Eug\u00eania chega a listar os pre\u00e7os de produtos que mais aumentaram nos supermercados da regi\u00e3o em que mora. De acordo com ela, n\u00e3o foram apenas o arroz e o \u00f3leo que subiram de pre\u00e7o assustadoramente.<\/p>\n<p>O molho de tomate custava em junho R$ 1,29, hoje est\u00e1 em R$ 1,89. O quilo do a\u00e7\u00facar org\u00e2nico de R$ 4,29 subiu para R$ 5,49. O espaguete de R$ 2,35 foi para R$ 3,39. No pacote de p\u00e3o de forma de sua prefer\u00eancia ela pagava R$ 5,99 &nbsp;e hoje quase R$ 9,00; o sab\u00e3o de coco em pedra, de &nbsp;R$ 2,39 a unidade subiu para R$ 3,69. Na feira, a d\u00fazia das laranjas lima e pera de R$ 5,00 passou a custar R$ 8,00.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 mesmo o pre\u00e7o da ra\u00e7\u00e3o da nossa cachorra aumentou absurdamente. O pacote de 15 quilos da org\u00e2nica custava R$ 189,00, agora est\u00e1 em R$ 226,00. A desculpa \u00e9 que a ra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de arroz. Mas, se n\u00f3s mudamos nossos h\u00e1bitos alimentares, a cachorra tamb\u00e9m pode e agora ela come ra\u00e7\u00e3o transg\u00eanica\u201d, conta rindo, apesar da preocupa\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os e com a sa\u00fade do seu animal de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este \u201cluxo\u201d de comer produtos org\u00e2nicos n\u00e3o tem e nunca teve a faxineira Cl\u00e9cia de Oliveira Santos, de 46 anos. Para n\u00e3o sair do &nbsp;seu or\u00e7amento de R$ 2.000,00 mensais pagando todas as contas, sem estourar, ela simplesmente deixa de comprar.<\/p>\n<p>Em seu dia a dia, Cl\u00e9cia n\u00e3o tem tempo de percorrer diversos supermercados em busca de pre\u00e7os melhores. Do lado oposto da cidade, em S\u00e3o Miguel Paulista, na zona leste, a faxineira conta que vai a apenas dois supermercados com a lista de compras que faz quinzenalmente.<\/p>\n<p>\u201cEu levo a lista, mas o custo tem de caber nos R$ 600,00 que tenho para gastar. Quando eu vejo que n\u00e3o vai dar&nbsp; porque os pre\u00e7os est\u00e3o altos, simplesmente n\u00e3o compro e vou a outro supermercado, mas nem sempre d\u00e1 para fazer isso. Na feira \u00e9 a mesma coisa. Levo R$ 30,00 para comprar legumes e frutas. Gasto o que tenho, mas n\u00e3o compro a mesma quantidade de antes. No m\u00ednimo s\u00e3o 10% a menos do que comprava\u201d, diz Cl\u00e9cia.<\/p>\n<p>Divorciada e tendo de custear as despesas da filha ca\u00e7ula de 15 anos, pois o ex-marido n\u00e3o paga pens\u00e3o, a faxineira tem substitu\u00eddo a carne vermelha por frango e cortado pequenos prazeres como guloseimas: biscoitos, sucrilhos e iogurtes.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o aguento mais ver frango na minha frente, mas \u00e9 o que d\u00e1 pra pagar. E se eu quiser um requeij\u00e3o ou tomar um iogurte, vou ao centro da cidade onde tem uma loja que vende produtos prestes a vencer a validade. Um litro do que eu gosto custa em torno de R$ 10,00. L\u00e1, eu pago a metade, R$ 5,00 porque vai vencer em 15 dias. Nesse tempo eu consigo consumir e n\u00e3o desperdi\u00e7ar\u201d, conta a faxineira.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Cl\u00e9cia com os pre\u00e7os dos supermercados pode se tornar uma dor de cabe\u00e7a ainda maior. O governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) cortou a quantidade de pessoas que receberia do aux\u00edlio emergencial e ela n\u00e3o vai receber os R$ 300,00, que diz ter direito.<\/p>\n<p>\u201cEu recebi os R$ 600,00 e agora o governo corta, sem dizer o motivo. Eu n\u00e3o tenho carteira assinada, n\u00e3o tenho comprova\u00e7\u00e3o de renda, n\u00e3o recebo pens\u00e3o, n\u00e3o entendo os crit\u00e9rios do corte no aux\u00edlio emergencial\u201d, diz Cl\u00e9cia que viu seus rendimentos ca\u00edrem com a perda de clientes de faxina, e que sem o aux\u00edlio emergencial vai ficar ainda menores.<\/p>\n<p><strong>Varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os nos supermercados paulistas<\/strong><\/p>\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os dos Supermercados (IPS) acumula alta de 8,30% entre janeiro e setembro e de 12,01% em 12 meses, bem acima da infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O \u00edndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Aplicado (IPCA) registrou alta de 1,34 no ano e 3,14% nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>Nos supermercados o maiores respons\u00e1veis pela alta de pre\u00e7os s\u00e3o o \u00f3leo de soja que acumula alta de 61,75% e de 72,31% em 12 meses e o arroz, que subiu respectivamente 47,04% e 51,26%, nos mesmos per\u00edodos.<\/p>\n<p>Em setembro, tamb\u00e9m ficaram mais caros o leite (7,26%) e derivados como a mu\u00e7arela (7,73%), queijo prato (5,8%) e leite condensado (3,19%). Al\u00e9m das carnes bovina (4,77%), su\u00edna (6,96%) e de frango (1,67%), com avan\u00e7o em cortes populares como contrafil\u00e9 (7,81%), ac\u00e9m (6,68%) e cox\u00e3o duro (9,7%).<\/p>\n<p>Os produtos que baixaram de pre\u00e7o foram o chuchu (-20,25%), mam\u00e3o (-18,3%) e batata (-11,89%). O feij\u00e3o tamb\u00e9m registrou queda de 1,78%.<\/p>\n<div class=\"dd-more\">\n<header>\n<h3>Saiba Mais<\/h3>\n<\/header>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/oleo-de-cozinha-aumenta-62-no-ano-e-pressiona-renda-dos-mais-pobres-e-informais-ced5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/oleo-de-cozinha-aumenta-62-no-ano-e-pressiona-renda-dos-mais-pobres-e-informais-ced5<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escrito por: Rosely Rocha, da CUT, e&nbsp; Edi\u00e7\u00e3o: Marize Muniz<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pre\u00e7os dos produtos vendidos nos supermercados de S\u00e3o Paulo registraram a maior alta para o m\u00eas de setembro, desde a cria\u00e7\u00e3o do Plano Real, em 1994, levando paulistanos de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":45436,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45435"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45435\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/45436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}