{"id":45397,"date":"2020-10-19T16:59:43","date_gmt":"2020-10-19T19:59:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=45397"},"modified":"2020-10-19T17:00:41","modified_gmt":"2020-10-19T20:00:41","slug":"seminario-da-cut-debatera-saude-mental-da-mulher-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=45397","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio da CUT debater\u00e1 sa\u00fade mental da mulher durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<p class=\"dd-m-image__group__by-whom\">&nbsp;Um <a href=\"https:\/\/care.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/RGA_SheToldUsSo_9.18.20.pdf\">estudo realizado pela ONG Care Internacional<\/a>, publicado em setembro deste ano, mostrou que as mulheres apresentaram tr\u00eas vezes mais chances de adoecimento mental durante a pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19), em decorr\u00eancia dos impactos na renda e na alimenta\u00e7\u00e3o, que atingiu mais a popula\u00e7\u00e3o feminina, al\u00e9m de da sobrecarga emocional por serem elas, na grande maioria dos casos, as respons\u00e1veis por ter que cuidar da casa e da fam\u00edlia.<\/p>\n<div class=\"dd-m-editor\">\n<p class=\"caps\">Com escolas e creches fechadas, elas tamb\u00e9m viraram orientadoras e ajudam os filhos maiores nas aulas virtuais e tarefas escolares e os menores que querem brincar e n\u00e3o entendem que muitas t\u00eam trabalho remoto, com tarefas, metas e cobran\u00e7as.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio levou a CUT planejar, organizar e realizar, nesta quarta-feira (21), o <strong>Semin\u00e1rio \u201cOs Impactos da Pandemia na Sa\u00fade Mental das Trabalhadoras\u201d. <\/strong>O evento, que ser\u00e1 transmitido pelas redes sociais da Central a partir das 14h, tem como objetivo conhecer mais a fundo a realidade das mulheres durante a pandemia e debater a\u00e7\u00f5es para proteg\u00ea-las.<\/p>\n<p>Participam do semin\u00e1rio a pesquisadora do Centro de Estudos em Sa\u00fade do Trabalhador e Ecologia Humana da Funda\u00e7\u00e3o Osvaldo Cruz (Cesth\/Fiocruz), Dra. F\u00e1tima Rangel e a Prof\u00aa. Dra. Thais Augusta Cunha de Oliveira M\u00e1ximo, da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB).<\/p>\n<p>No centro do debate, temas como os problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental das trabalhadoras em ocupa\u00e7\u00f5es feminizadas, como trabalho dom\u00e9stico e na \u00e1rea da sa\u00fade, e quais pol\u00edticas p\u00fablicas poderiam minimizar os impactos para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p>Outros temas que ser\u00e3o tratados pelas especialistas s\u00e3o o desemprego, o trabalho em home office, ass\u00e9dio e os efeitos desses fatores na sa\u00fade mulher.<\/p>\n<p><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/WhatsApp%20Image%202020-10-19%20at%2016.38.18.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadsckwhatsapp20image2020-800x800xfit-35056.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Sa\u00fade em quest\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Para a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, a desigualdade de g\u00eaneros e o predom\u00ednio do machismo na estrutura da sociedade trouxeram como consequ\u00eancia uma sobrecarga emocional \u00e0s mulheres que contribuiu para o crescimento de casos de sa\u00fade mental. &nbsp;<\/p>\n<p>A realidade delas envolve diferentes situa\u00e7\u00f5es e todas com preju\u00edzo para a sa\u00fade das mulheres, diz a dirigente, que explica: <strong>todas as mulheres trabalham<\/strong>, de uma forma ou de outra. Aquelas que trabalham fora fazem parte de um grupo chamado produtivo. As outras mulheres est\u00e3o no chamado trabalho reprodutivo porque cuidam da casa, da fam\u00edlia e at\u00e9 de idosos.<\/p>\n<h4><strong>Em casa<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cEm geral, as mulheres que n\u00e3o trabalham fora, apesar de j\u00e1 estarem mais acostumadas, tamb\u00e9m tiveram de enfrentar a nova realidade de ficarem confinadas, respeitando o isolamento social, cuidando da casa, dos filhos, organizando os equipamentos que t\u00eam em casa (celular e computador) para as aulas virtuais, cuidando &nbsp;de idosos, porque a nossa sociedade patriarcal ainda imp\u00f5e essas condutas\u201d, afirma Juneia.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria tamb\u00e9m aponta que a falta de perspectiva de uma sustenta\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 motivo para agravar quadros de adoecimento mental nesses casos. \u201cAinda que necess\u00e1rio, \u00e9 um cerceamento da liberdade, mas que no caso das mulheres, causa um impacto emocional maior. Elas est\u00e3o presas dentro de casa, com filhos, com o companheiro e com a preocupa\u00e7\u00e3o de ter o que comer amanh\u00e3\u201d, diz.<\/p>\n<h4><strong>Home office<\/strong><\/h4>\n<p>Outro grupo, prossegue Juneia, \u00e9 o das mulheres que t\u00eam um emprego e acabaram sendo colocadas em home office. Para elas, estar em casa o tempo todo, junto dos filhos, que poderiam estar na escola ou nas creches, significa necessariamente ter um aumento das responsabilidades e da carga de trabalho.<\/p>\n<h4><strong>Trabalho presencial<\/strong><\/h4>\n<p>Mulheres que continuaram trabalhando presencialmente em seus empregos, ainda enfrentam os riscos da contamina\u00e7\u00e3o em transportes p\u00fablicos e at\u00e9 nos locais de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cE se voc\u00ea olhar para esse grupo, h\u00e1 um grande n\u00famero de trabalhadoras dom\u00e9sticas, por exemplo, que j\u00e1 n\u00e3o tem com quem deixar os filhos e v\u00e3o para o trabalho com medo de serem contaminas transmitirem A Covid-19 para seus familiares\u201d, diz Juneia.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda as mulheres que perderam o emprego. Al\u00e9m de sofrerem o impacto n\u00e3o ter mais uma renda, tamb\u00e9m tiveram que ficar em casa e com as responsabilidades dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>\u201cDe qualquer jeito, a vida das mulheres durante a pandemia, com a situa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica que vivemos, piorou muito\u201d, afirma a dirigente.<\/p>\n<h4><strong>Panorama<\/strong><\/h4>\n<p>Neste cen\u00e1rio de adoecimento das mulheres, de acordo com Juneia Batista, surgiu a necessidade de um debate sobre o tema para detectar mais causas e pensar em a\u00e7\u00f5es para proteger as mulheres.<\/p>\n<p>De acordo com a dirigente, a quest\u00e3o da sa\u00fade mental, na verdade, afetou pessoas ao redor do mundo, sem olhar g\u00eanero, cor, ra\u00e7a ou idade, mas as mulheres foram as mais afetadas.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rias quest\u00f5es afetaram. Primeiro o isolamento social, depois a falta de renda, com m\u00e3es olhando para os filhos sem condi\u00e7\u00f5es de dar comida. Ela n\u00e3o tem emprego, tem crian\u00e7a pequena que n\u00e3o est\u00e1 na escola por causa do isolamento, enfim, tudo isso acaba sobrecarregando a mulher\u201d, afirma a dirigente.<\/p>\n<h4><strong>Viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/strong><\/h4>\n<p>Christiane Ribeiro, m\u00e9dica psiquiatra, membro da Comiss\u00e3o de Estudos e Pesquisa da Sa\u00fade Mental da Mulher, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta como causa de adoecimentos a viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>De acordo com a psiquiatra, as mulheres est\u00e3o mais expostas a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica, traumas e, tamb\u00e9m, a casos de abuso sexual, em tempos de pandemia. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 comprovada pelo estudo Viol\u00eancia Dom\u00e9stica durante a Pandemia de Covid-19, realizado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP).<\/p>\n<p>O estudo indica que os casos de feminic\u00eddio cresceram 22,2%, entre mar\u00e7o e abril deste ano, em 12 estados do pa\u00eds, comparativamente ao ano passado.<\/p>\n<h4><strong>Doen\u00e7as <\/strong><\/h4>\n<p>O estudo realizado pela ONG Care Internacional ouviu mais de 4 mil homens e 6 mil mulheres de 38 pa\u00edses diferentes da Am\u00e9rica, da \u00c1sia e do Oriente M\u00e9dio. O objetivo era entender como a Covid-19 impactou suas vidas e como eles estavam enfrentando os desafios que surgiram com o isolamento social. Os principais transtornos psiqui\u00e1tricos relatados foram o stress, a depress\u00e3o e a ansiedade.<\/p>\n<p>Emily Janoch, uma das autoras do relat\u00f3rio afirma que desde o in\u00edcio da pandemia a desigualdade entre g\u00eaneros aumentaria e traria problemas. \u201cSeis meses atr\u00e1s, alertamos que a crise global de sa\u00fade apenas aumentaria a lacuna de g\u00eanero e regrediria d\u00e9cadas de progresso na sa\u00fade, nutri\u00e7\u00e3o e estabilidade econ\u00f4mica das mulheres. E, agora, nosso alarme est\u00e1 tocando mais alto do que nunca\u201d, ela diz.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, o motivo para tanta diferen\u00e7a entre os resultados das popula\u00e7\u00f5es masculina e feminina (mulheres adoecem tr\u00eas vezes mais) acontece porque as mulheres s\u00e3o submetidas a estressores espec\u00edficos que a maioria dos homens n\u00e3o precisa enfrentar. Um deles est\u00e1 relacionado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e a trabalhos n\u00e3o remunerados, por exemplo, o dom\u00e9stico.&nbsp;<\/p>\n<p>Outro estudo, realizado pela ONG Kaiser Family Foundation, dos Estados Unidos, aponta que as mulheres se sentem emocionalmente mais abaladas em meio \u00e0 pandemia do que os homens. O levantamento mostra que 53% das mulheres, que responderam \u00e0 pesquisa, declararam que o estresse e a preocupa\u00e7\u00e3o, neste per\u00edodo, t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o novo coronav\u00edrus. Entre os homens, esse \u00edndice chega a 37%.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escrito por: Andre Accarini, da CUT<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Um estudo realizado pela ONG Care Internacional, publicado em setembro deste ano, mostrou que as mulheres apresentaram tr\u00eas vezes mais chances de adoecimento mental durante a pandemia do novo coronav\u00edrus<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":45398,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45397"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=45397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/45397\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/45398"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=45397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=45397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=45397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}