{"id":4525,"date":"2006-03-08T19:00:13","date_gmt":"2006-03-08T19:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.becodigital.com.br\/wordpress\/index.php\/classe-media-encolhe-e-empobrece-no-pais-2\/"},"modified":"2006-03-08T19:00:13","modified_gmt":"2006-03-08T19:00:13","slug":"classe-media-encolhe-e-empobrece-no-pais-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=4525","title":{"rendered":"Classe m\u00e9dia encolhe e empobrece no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\"><P>A classe m\u00e9dia brasileira diminuiu, empobreceu e mudou padr\u00e3o de gastos, segundo estudo que acaba de ser conclu\u00eddo e publicado em livro pelo economista Marcio Pochmann e outros tr\u00eas pesquisadores brasileiros.<\/P><br \/>\n<P>O auge da classe m\u00e9dia brasileira foi entre 1970, per\u00edodo do chamado milagre econ\u00f4mico, e 1980. Em 1980, participava com 31,7% da PEA (Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa) ocupada urbana, como reflexo do processo de industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Em 2000, esse percentual caiu para 27,1%. A expectativa dos economistas \u00e9 que esse n\u00famero, se n\u00e3o for menor, no m\u00e1ximo se mant\u00e9m hoje.<\/P><br \/>\n<P>Nos c\u00e1lculos de Pochmann, cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas deixaram de pertencer \u00e0 classe m\u00e9dia em 20 anos, considerando a ocupa\u00e7\u00e3o. Pelo menos 70% dessas pessoas passaram a ter um padr\u00e3o de vida pior. &#8216;A classe m\u00e9dia foi fortemente atingida com a onda neoliberal de promo\u00e7\u00e3o de abertura comercial, financeira, tecnol\u00f3gica e produtiva do pa\u00eds&#8217;, afirma o economista.<\/P><br \/>\n<P>A renda da classe m\u00e9dia-m\u00e9dia (com ocupa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, postos-chave nos setores p\u00fablico e privado) caiu de 32,2%, em 1980, para 23,1%, em 2000, sobre a renda total da classe m\u00e9dia assalariada urbana. A renda da classe m\u00e9dia-alta (executivos, gerentes, administradores) tamb\u00e9m diminuiu: de 23,3% para 22,8%, no per\u00edodo.<\/P><br \/>\n<P>A renda da classe m\u00e9dia-baixa (professores, lojistas) j\u00e1 ganhou participa\u00e7\u00e3o: subiu de 44,5% para 54,1%, no per\u00edodo. &#8216;Esses dados mostram claramente o empobrecimento da classe m\u00e9dia nos \u00faltimos anos&#8217;, diz Pochmann. Em valores de novembro de 2005, o estudo considera classe m\u00e9dia a fam\u00edlia que tem renda mensal entre R$ 1.556,30 (piso) e R$ 17.351,56 (teto).<\/P><br \/>\n<P>No livro &#8216;Classe M\u00e9dia &#8211; Desenvolvimento e Crise&#8217;, que acaba de ser lan\u00e7ado pela editora Cortez, Pochmann e equipe de economistas mostram que a classe m\u00e9dia brasileira, formada por 15,4 milh\u00f5es de fam\u00edlias (31,7% das fam\u00edlias existentes no pa\u00eds), tamb\u00e9m mudou o padr\u00e3o de consumo.<\/P><br \/>\n<P><STRONG>Mais habita\u00e7\u00e3o<\/STRONG><\/P><br \/>\n<P>Em 1987, os itens alimenta\u00e7\u00e3o e vestu\u00e1rio, por exemplo, tinham participa\u00e7\u00e3o de 24,5% e 11%, respectivamente, sobre as despesas do m\u00eas. Em 2003, ca\u00edram para 15,9% e 5%, respectivamente.<\/P><br \/>\n<P>A participa\u00e7\u00e3o dos itens habita\u00e7\u00e3o, transporte e educa\u00e7\u00e3o subiu de 17,6% para 29,5%, de 8,7% para 16,9% e de 2,2% para 3,6%, respectivamente, sobre as despesas do m\u00eas no per\u00edodo.<\/P><br \/>\n<P>&#8216;H\u00e1 mais op\u00e7\u00f5es hoje para a classe m\u00e9dia do que havia em 1987. Os carros, por exemplo, que est\u00e3o inclu\u00eddos no item transporte, est\u00e3o mais equipados, mais caros, assim como os alugu\u00e9is e a manuten\u00e7\u00e3o do lar [reformas], inclu\u00eddos no item habita\u00e7\u00e3o&#8217;, afirma Ricardo Amorim, um dos economistas que participaram do estudo realizado para o livro.<\/P><br \/>\n<P>Waldir Quadros, pesquisador do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), da Unicamp, que tamb\u00e9m faz estudo sobre o tema, afirma que a classe m\u00e9dia hoje est\u00e1 ref\u00e9m dos servi\u00e7os. Gasta cada vez mais com telefone, seguran\u00e7a, escola.<BR>&#8216;O que o Estado n\u00e3o proporciona a classe m\u00e9dia tem de bancar. Por isso, manter o padr\u00e3o de vida est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil.&#8217;<\/P><br \/>\n<P>O livro mostra ainda que a classe m\u00e9dia tamb\u00e9m mudou a forma de obter renda.<BR>Em 1980, 64,6% da classe m\u00e9dia era assalariada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PEA urbana. Esse percentual caiu para 55,8% em 2000.<\/P><br \/>\n<P>No mesmo per\u00edodo, aumentou a participa\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia propriet\u00e1ria sobre a PEA urbana, de 35,4% para 44,2%. &#8216;A classe m\u00e9dia hoje \u00e9 mais heterog\u00eanea. Nos anos 80, estava mais pr\u00f3xima do trabalhador oper\u00e1rio e era menos conservadora. Hoje, \u00e9 mais propriet\u00e1ria (de um bar, de uma padaria ou de uma consultoria)&#8217;, afirma Pochmann.<\/P><br \/>\n<P>O estudo tamb\u00e9m constatou que 57,2% das fam\u00edlias de classe m\u00e9dia est\u00e3o localizadas na regi\u00e3o Sudeste. No Estado de S\u00e3o Paulo, 46,9% das fam\u00edlias existentes s\u00e3o da classe m\u00e9dia. No Distrito Federal, esse percentual chega a 50,2%. O menor percentual entre os Estados brasileiros \u00e9 no Maranh\u00e3o, de 11,7%. (F\u00e1tima Fernandes)<BR><\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A classe m\u00e9dia brasileira diminuiu, empobreceu e mudou padr\u00e3o de gastos, segundo estudo que acaba de ser conclu\u00eddo e publicado em livro pelo economista Marcio Pochmann e outros tr\u00eas pesquisadores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0},"categories":[40],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4525"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4525"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4525\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}