{"id":44787,"date":"2020-09-18T10:40:33","date_gmt":"2020-09-18T13:40:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=44787"},"modified":"2020-09-18T10:41:59","modified_gmt":"2020-09-18T13:41:59","slug":"como-o-mst-consegue-vender-arroz-a-um-preco-justo-em-meio-a-alta-do-valor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=44787","title":{"rendered":"Como o MST consegue vender arroz a um pre\u00e7o justo em meio \u00e0 alta do valor?"},"content":{"rendered":"<p class=\"caps\">Em meio \u00e0 infla\u00e7\u00e3o acumulada no ano do arroz de 19,2%, Movimento dos Sem Terra (MST) continua a vender o produto a um pre\u00e7o justo. Hoje, em alguns estabelecimentos, o pacote de arroz de cinco quilos chega a custar R$40, enquanto a mesma quantidade da marca \u201cTerra Livre\u201d, do MST, sai por R$ 29,90. Mas o que isso significa? E como isso \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Um dos fatores que explicam a alta do pre\u00e7o no mercado \u00e9 o d\u00f3lar elevado, em torno de R$5,30. Isso faz com que os produtores brasileiros do agroneg\u00f3cio optem por vender o arroz no exterior, em d\u00f3lar e, por conseguinte, recebendo mais por isso. Essa l\u00f3gica, no entanto, n\u00e3o acontece nas produ\u00e7\u00f5es familiares e agroecol\u00f3gicas do MST.<\/p>\n<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<div class=\"dd-m-editor\">\n<p>Nelson Krupinski \u00e9 produtor de arroz org\u00e2nico no assentamento J\u00e2nio Guedes, em S\u00e3o Jer\u00f4nimo, no Rio Grande do Sul. Ele explica que uma das prerrogativas das grandes ind\u00fastrias \u00e9\u00a0estocar o alimento e n\u00e3o vender, for\u00e7ando o aumento dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Os pequenos produtores, contudo, sequer t\u00eam recursos para isso, e o objetivo nem mesmo \u00e9 esse. Os agricultores procuram distribuir os benef\u00edcios da cultura do arroz ao longo da cadeia de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse debate sobre a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel \u00e9 um debate humanit\u00e1rio. Quando fala se pre\u00e7o justo \u00e9 um pre\u00e7o que seja bom para todo mundo. N\u00e3o precisa o mercado especular ou explorar agricultor e cooperativa. Quando n\u00f3s falamos em pre\u00e7o justo, queremos distribuir isso com todos, queremos que chegue o alimento acess\u00edvel e de qualidade para todas as pessoas\u201d, explica Krupinski.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, Emerson Giacomelli, do Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, afirma que o que permite o pre\u00e7o justo \u00e9 a \u201cmanuten\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios\u201d, que tem sido mantida durante a alta do pre\u00e7o do arroz.<\/p>\n<p>\u201cQual \u00e9 a nossa compreens\u00e3o do pre\u00e7o justo? O pre\u00e7o justo \u00e9 quando a gente olha toda cadeia produtiva e todos conseguem ter viabilidade econ\u00f4mica na sua atividade. Estou falando do processo de produ\u00e7\u00e3o, no recebimento, secagem, armazenagem, no beneficiamento, na entrega, de chegar ao consumidor com um pre\u00e7o acess\u00edvel. Toda cadeia se viabiliza\u201d, afirma Giacomelli.<\/p>\n<p>Emerson e Nelson s\u00e3o s\u00f3cios da\u00a0Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Regi\u00e3o de Porto Alegre (Cootap), que atualmente re\u00fane 364 fam\u00edlias produtoras de arroz org\u00e2nico, de 14 assentamentos, em 11 munic\u00edpios do Rio Grande do Sul. Hoje, o estado tem o maior contingente de sem-terra produtores do alimento da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Existente desde 2000, a\u00a0cooperativa produziu 15 mil toneladas de arroz org\u00e2nico em 2019. Neste ano, a expectativa \u00e9 de 18 mil toneladas. O produto pode ser encontrado em 120 pontos de venda em todo o Brasil, como o\u00a0Armaz\u00e9m do Campo. Para saber com detalhes os locais, acesse as\u00a0redes sociais do \u201cTerra Livre Agroecol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>Na unidade de S\u00e3o Paulo, a procura\u00a0aumentou 30%\u00a0desde que os pre\u00e7os dispararam nos supermercados.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade na mesa: como o arroz org\u00e2nico \u00e9 produzido?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Giacomelli, todo arroz agroecol\u00f3gico, por uma quest\u00e3o de manejo t\u00e9cnico, \u00e9 produzido por meio sistema pr\u00e9 germinado. \u201cEnt\u00e3o \u00e9 feito o preparo do solo, j\u00e1 se coloca uma l\u00e2mina de \u00e1gua. A semente \u00e9 pr\u00e9 germinada, colocada na \u00e1gua por cerca de 30 horas e depois \u00e9 retirada da \u00e1gua para um lugar que consiga ter ventila\u00e7\u00e3o e uma determinada temperatura para poder germinar\u201d, explica o produtor.<\/p>\n<p>E continua: \u201cQuando ela est\u00e1 iniciando a \u00a0germina\u00e7\u00e3o \u00e9 feito o semeio dela na \u00e1gua ap\u00f3s o semeio \u00e9 retirada a \u00e1gua para ela se fixar e criar ali. E a partir da\u00ed \u00e9 feito o manejo t\u00e9cnico para evitar as plantas indesejadas\u201d. Quando se fala em manejo t\u00e9cnico dentro da agroecologia significa que o produto \u00e9 isento de agroqu\u00edmicos, ou seja, os agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>De acordo com Nelson Krupinski, h\u00e1 sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de manejar o solo a fim de utilizar os nutrientes que est\u00e3o na terra para gerar a efic\u00e1cia da produ\u00e7\u00e3o do arroz org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Depois de colhido, o arroz \u00e9 levado para a sele\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, classifica\u00e7\u00e3o do produto, armazenagem e beneficiamento. Este \u00faltimo passo \u00e9 a divis\u00e3o do arroz em tr\u00eas tipos: o polido, conhecido como arroz branco, integral e parbolizado. \u201cDa mesma mat\u00e9ria prima n\u00f3s fizemos esses tr\u00eas tipos de arroz atualmente.\u201d<\/p>\n<p>Para o agricultor do MST,\u00a0a ideia \u00e9 promover sa\u00fade na mesa e justi\u00e7a social\u00a0\u201cVamos distribuir terra na pr\u00e1tica, fazer reforma agr\u00e1ria na pr\u00e1tica, vamos dar condi\u00e7\u00f5es para essas fam\u00edlias produzirem, vamos valorizar quem produz alimento org\u00e2nico, agroecol\u00f3gico, em todos os aspectos\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Escrito por:\u00a0<a class=\"dd-m-color-assertive\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/17\/como-o-mst-consegue-vender-arroz-a-um-preco-justo-em-meio-a-alta-do-valor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caroline Oliveira &#8211; Brasil de Fato<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"dd-m-tag\"><a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aalta+do+arroz%22\">alta do arroz<\/a>\u00a0<a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+MST%22\">MST<\/a>\u00a0<a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Apre%C3%A7o+do+arroz%22\">pre\u00e7o do arroz<\/a>\u00a0<a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A%23agricultura%22\">#agricultura<\/a>\u00a0<a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3A+agricultura+familiar%22\">agricultura familiar<\/a>\u00a0<a class=\"dd-m-tag__button dd-m-tag__button-assertive\" href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/busca?busca=%22tag%3Aalta+de+alimentos%22\">alta de alimentos<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 infla\u00e7\u00e3o acumulada no ano do arroz de 19,2%, Movimento dos Sem Terra (MST) continua a vender o produto a um pre\u00e7o justo. 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