{"id":42957,"date":"2020-07-02T15:27:16","date_gmt":"2020-07-02T18:27:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinergiacut.org.br\/?p=42957"},"modified":"2020-07-02T15:27:16","modified_gmt":"2020-07-02T18:27:16","slug":"fbi-atuou-na-lava-jato-quando-os-focos-da-operacao-eram-petrobras-e-odebrecht","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sistema.sinergiacut.org.br\/?p=42957","title":{"rendered":"FBI atuou na Lava Jato quando os focos da opera\u00e7\u00e3o eram Petrobras e Odebrecht"},"content":{"rendered":"<div class=\"dd-m-display dd-m-display--top-30 dd-m-background-stable\">\n<div class=\"wrap\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"dd-l-content dd-l-content--medium\">\n<div class=\"dd-m-editor\">\n<p class=\"caps\">S\u00e3o de dois tipos os agentes do FBI que atuaram na Lava Jato em solo brasileiro. Alguns s\u00e3o figuras p\u00fablicas, d\u00e3o entrevistas e aparecem cada vez mais frequentemente em eventos elogiando o trabalho da for\u00e7a-tarefa e dando conselhos a corpora\u00e7\u00f5es sobre como seguir a lei americana.<\/p>\n<p>Outros tiveram atua\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e s\u00e3o conhecidos por apelidos ou nomes t\u00e3o comuns que \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar algo sobre eles em fontes abertas na internet. Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica comum nos escrit\u00f3rios do FBI no exterior, para evitar a exposi\u00e7\u00e3o de agentes que realizam opera\u00e7\u00f5es secretas ou controversas em territ\u00f3rio estrangeiro. Hoje, a ag\u00eancia mant\u00e9m escrit\u00f3rios em embaixadas de 63 pa\u00edses e sub-escrit\u00f3rios em 27. Em 2011, o FBI empregava 289 agentes e pessoal de apoio nesses escrit\u00f3rios no exterior.<\/p>\n<p>Embora as duas maiores investiga\u00e7\u00f5es de casos de corrup\u00e7\u00e3o originados na Lava Jato pelo Departamento de Justi\u00e7a (DOJ) americano j\u00e1 tenham terminado, com os acordos bilion\u00e1rios da Odebrecht e Petrobras, o FBI ainda tem muito a fazer para investigar corrup\u00e7\u00e3o no Brasil, nas palavras do atual chefe do FBI no pa\u00eds, David Brassanini, em palestra no 7\u00ba Congresso Internacional de Compliance, em maio de 2019, em S\u00e3o Paulo. A coopera\u00e7\u00e3o foi descrita como \u201cfluida, sem problemas e transparente\u201d, pois seus agentes j\u00e1 tinham familiaridade com a cultura e a sociedade brasileiras. \u201cA habilidade de desenvolver e entender as peculiaridades locais \u00e9 grande. N\u00e3o s\u00f3 a quest\u00e3o da l\u00edngua, mas em entender realmente como o Brasil funciona, entender as nuances\u201d, afirmou. Brassanini relatou tamb\u00e9m, no mesmo evento, que agentes do FBI v\u00eam a S\u00e3o Paulo \u201ctoda semana para tratar de diferentes casos que envolvem FCPA e lavagem de dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Com base em documentos da Vaza Jato entregues ao The Intercept Brasil e apura\u00e7\u00e3o em fontes abertas, a Ag\u00eancia P\u00fablica localizou 12 nomes de agentes do FBI que investigaram os casos da Lava Jato lado a lado com a PF e a For\u00e7a-Tarefa, al\u00e9m da agente Leslie Backschies, que hoje comanda o esquadr\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o internacional do FBI. E descobriu que essas investiga\u00e7\u00f5es viraram s\u00edmbolo de parceria bem sucedida e levaram \u00e0 promo\u00e7\u00e3o diversos agentes americanos. Segundo um ex-promotor do Departamento de Justi\u00e7a americano contou \u00e0 P\u00fablica, a presen\u00e7a de agentes do FBI no Brasil foi fundamental para o governo americano concluir suas investiga\u00e7\u00f5es sobre corrup\u00e7\u00e3o de empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Com base na lei americana Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), o Departamento de Justi\u00e7a investigou e puniu com multas bilion\u00e1rias empresas brasileiras alvos da Lava Jato, entre elas a Petrobras e a Odebrecht.<\/p>\n<p>Embora haja policiais lotados legalmente na embaixada em Bras\u00edlia e no consulado em S\u00e3o Paulo, \u00e9 proibido a qualquer pol\u00edcia estrangeira realizar investiga\u00e7\u00f5es em solo brasileiro sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa do governo brasileiro, j\u00e1 que pol\u00edcias estrangeiras n\u00e3o t\u00eam jurisdi\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o do FBI com a Lava Jato teve in\u00edcio em 2014 e foi fortalecida em 2015 e 2016, quando o foco da opera\u00e7\u00e3o eram Odebrecht e Petrobras. Em 2016, a Odebrecht aceitou pagar a maior multa global de corrup\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o: US$ 2,6 bilh\u00f5es a Brasil, Su\u00ed\u00e7a e EUA. A parcela devida \u00e0s autoridades americanas, no valor total de US$ 93 milh\u00f5es, foi paga \u00e0 vista. Hoje, a empresa est\u00e1 em processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Em 2018, a Petrobras aceitou pagar a maior multa cobrada de uma empresa pelo Departamento de Justi\u00e7a americano: US$ 1,78 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO que ocorre no Brasil est\u00e1 mudando o modo como olhamos os neg\u00f3cios e a corrup\u00e7\u00e3o no mundo inteiro\u201d, afirmou um dos maiores defensores da coopera\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, George \u201cRen\u201d McEachern, em entrevista \u00e0 Folha de S. Paulo em fevereiro de 2018, sob o t\u00edtulo \u201cCuritiba mandou a mensagem de que o Brasil est\u00e1 ficando limpo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cRen\u201d McEachern chefiou a Unidade de Corrup\u00e7\u00e3o Internacional do FBI at\u00e9 dezembro de 2017 e supervisionou o grosso das investiga\u00e7\u00f5es da Lava Jato em nome do Departamento de Justi\u00e7a americano. Segundo os documentos vazados ao The Intercept Brasil e analisados em parceria com a Ag\u00eancia P\u00fablica, ele esteve na primeira delega\u00e7\u00e3o de investigadores americanos que esteve em Curitiba em outubro de 2015, sem autoriza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, conforme revelamos nesta reportagem.<\/p>\n<p>Ren nunca escondeu sua participa\u00e7\u00e3o nos casos ligados \u00e0 Lava Jato. \u201cVoc\u00ea precisa compartilhar informa\u00e7\u00f5es [com outros pa\u00edses]. Porque agora todos os neg\u00f3cios s\u00e3o globais. Uma empresa que paga propina no Brasil paga tamb\u00e9m em outros pa\u00edses\u201d, disse \u00e0 Folha em fevereiro de 2018. Pouco antes, Ren deixara o FBI para passar ao setor privado. Na empresa de consultoria Exiger, ele viaja o mundo para ensinar m\u00e9todos de \u201ccompliance\u201d a leis anticorrup\u00e7\u00e3o para empresas evitarem investiga\u00e7\u00f5es como as que ele liderava no FBI.<\/p>\n<p>Em 2015, \u201cRen\u201d foi o grande respons\u00e1vel pela amplia\u00e7\u00e3o do foco do FBI em corrup\u00e7\u00e3o internacional, com a abertura de tr\u00eas esquadr\u00f5es dedicados a isso, em Nova York, Washington e Los Angeles. No seu perfil no site da Exiger, \u00e9 descrito como aquele que \u201cdesenvolveu e implementou uma nova estrat\u00e9gia global proativa no FBI para investigar crimes financeiros complexos e temas de corrup\u00e7\u00e3o. Essa nova estrat\u00e9gia foi coordenada proximamente com o DOJ e a SEC [a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios dos EUA]. Al\u00e9m disso, representou um aumento de quase 300% em novos recursos anticorrup\u00e7\u00e3o para o FBI\u201d. O plano misturava investiga\u00e7\u00f5es proativas por parte de pol\u00edcias dedicadas a decifrar a corrup\u00e7\u00e3o internacional com tecnologia e an\u00e1lises de ponta sobre temas financeiros.<\/p>\n<p>\u201cPor volta de 2014, 2015, o FBI estava buscando maneiras de ser mais proativo nas investiga\u00e7\u00f5es sobre corrup\u00e7\u00e3o internacional\u201d, disse ele em uma confer\u00eancia em Nova York sobre \u201co mundo ap\u00f3s a Lava Jato\u201d, em novembro de 2019. \u201cEnt\u00e3o come\u00e7amos a olhar para pa\u00edses que poderiam convidar agentes do FBI at\u00e9 o pa\u00eds para analisar investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o que tivessem um nexo com os Estados Unidos, em jurisdi\u00e7\u00f5es como FCPA e lavagem de dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Foi assim que o FBI se engajou na Lava Jato.<\/p>\n<p>\u201cO timing foi simplesmente perfeito\u201d, disse ele. \u201cN\u00f3s est\u00e1vamos ajudando em casos que tinham uma conex\u00e3o com os EUA, mas eles [os procuradores da Lava Jato] eram realmente muito avan\u00e7ados e estavam usando t\u00e9cnicas muito sofisticadas e inteligentes\u201d.<\/p>\n<p>Uma das maiores li\u00e7\u00f5es que Ren diz ter adotado ap\u00f3s a parceria com a Lava Jato foi a cria\u00e7\u00e3o de equipes com agentes especializados que trabalham \u201cproativamente\u201d em casos de corrup\u00e7\u00e3o internacional. O caso da Petrobras, segundo ele, marcou um n\u00edvel sem precedentes de \u201ccompartilhamento de intelig\u00eancia, compartilhamento de evid\u00eancia certificada\u201d. \u201cAquilo foi uma grande mudan\u00e7a\u201d, diz.<\/p>\n<p>Fora do FBI, a agenda de \u201cRen\u201d est\u00e1 cheia de eventos sobre \u201ccompliance\u201d contra corrup\u00e7\u00e3o \u2013 muitos deles financiados por empresas que vendem ou compram tais servi\u00e7os. Desde 2015, ele esteve em simp\u00f3sios em Hong Kong, Pol\u00f4nia, China, Noruega, Holanda, Espanha, Inglaterra e Brasil. Entre os patrocinadores destes eventos est\u00e3o a consultoria PriceWaterhouse Coopers, a associa\u00e7\u00e3o de importadores e exportadores de armas Fair Trade Group, o conglomerado de m\u00eddia Warner Brothers, as m\u00e9dico-farmac\u00eauticas Pfizer e Johnson&amp;Johnson e a fabricante de armas militares Raytheon.<\/p>\n<p>No Brasil, o ex-agente especial foi palestrante no 4o Annual International Compliance Congress and Regulator Summit, financiado pela ag\u00eancia de not\u00edcias Thomson Reuters em S\u00e3o Paulo em maio de 2016. Aproveitou a vinda ao pa\u00eds para dar uma palestra a 90 membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal de S\u00e3o Paulo. Na ocasi\u00e3o, enalteceu a coopera\u00e7\u00e3o internacional e explicou que, no Brasil, o FBI \u201coferece suporte t\u00e9cnico a investiga\u00e7\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o a criptografia, telefonia m\u00f3vel e dados em nuvem, com um analista cibern\u00e9tico sediado em Bras\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>O escrit\u00f3rio do FBI fica na embaixada americana, na capital brasileira.<\/p>\n<p>Procurado pela P\u00fablica, Ren afirmou que decidiu n\u00e3o falar mais publicamente sobre sua carreira no FBI e seu trabalho no Brasil.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/quem-sao-os-agentes-do-fbi-que-atuaram-na-lava-jato-img5-747x1200.jpg\"><\/p>\n<h3>Agentes quase an\u00f4nimos<\/h3>\n<p>Quando veio na primeira delega\u00e7\u00e3o para negociar com os delatores das Lava Jato, em outubro de 2015, Ren estava acompanhado pela tradutora Tania Cannon e por outros agentes do FBI. Um deles, Jeff Pfeiffer, veio de Washington, onde \u00e9 lotado desde 2002 e trabalha em casos de corrup\u00e7\u00e3o, segundo seu perfil no LinkedIn.<\/p>\n<p>Formado em contabilidade e administra\u00e7\u00e3o, o agente foi designado dois anos depois, em 2017, como assistente do procurador Robert Mueller na investiga\u00e7\u00e3o sobre interfer\u00eancia russa nas elei\u00e7\u00f5es americanas. Pfeiffer investigou o chefe da campanha de Donald Trump, Paul Manafort, acusado de esconder contas banc\u00e1rias no exterior, fraude banc\u00e1ria e conspira\u00e7\u00e3o para lavar mais de 30 milh\u00f5es de d\u00f3lares, al\u00e9m de tentar obstruir a Justi\u00e7a, segundo o policial afirmou perante um tribunal em 2019.<\/p>\n<p>Outro agente que esteve na comitiva de 2015 foi apresentado oficialmente \u00e0 Lava Jato como Carlos Fernandes, um nome t\u00e3o comum que \u00e9 imposs\u00edvel encontrar refer\u00eancias a ele.<\/p>\n<p>O FBI ainda enviou para Curitiba dois membros do escrit\u00f3rio em Bras\u00edlia, o adido legal Steve Moore e o adido-adjunto David F. Williams.<\/p>\n<p>Williams aparece algumas vezes em comunica\u00e7\u00e3o direta com procuradores da Lava Lato nos di\u00e1logos vazados ao The Intercept Brasil. Foi ele quem atendeu ao pedido feito, em setembro de 2016, pelos procuradores Paulo Roberto Galv\u00e3o de Carvalho e Carlos Bruno Ferreira da Silva, para verificar se o FBI conseguiria quebrar o sistema MyWebDay atrav\u00e9s do qual os funcion\u00e1rios da Odebrecht administravam as propinas pagas em diversos pa\u00edses, conforme revelamos na reportagem \u201co FBI e a Lava Jato\u201d.<\/p>\n<h3>Olimp\u00edadas de 2016 e Copa do Mundo em 2014<\/h3>\n<p>J\u00e1 Steve Moore foi o chefe do escrit\u00f3rio do FBI no Brasil entre agosto de 2014 e agosto de 2017, comandando a equipe de agentes lotados em S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia. De acordo com sua p\u00e1gina do LinkedIn, aposentou-se em 2018, ap\u00f3s 22 anos trabalhando no FBI, onde obteve \u201cextensa experi\u00eancia internacional em fraudes internacionais complexas, corrup\u00e7\u00e3o, FCPA, antitruste, AML, investiga\u00e7\u00f5es internas sens\u00edveis, e investiga\u00e7\u00f5es cibern\u00e9ticas\u201d. No seu perfil profissional ele declara ter \u201cexperi\u00eancia significativa\u201d em planejamento de seguran\u00e7a para megaeventos.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia foi adquirida no Brasil. Steve chegou ao pa\u00eds no final da Copa do Mundo e coordenou o FBI durante as Olimp\u00edadas do Rio de Janeiro em 2016, desenvolvendo uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com alguns agentes da pol\u00edcia federal. Certa feita, questionado pelo jornal USA Today sobre como o FBI treinava uma pol\u00edcia que \u201ch\u00e1 muito tempo \u00e9 maculada com corrup\u00e7\u00e3o e la\u00e7os com organiza\u00e7\u00f5es criminosas em todo o pa\u00eds\u201d, ele respondeu que trabalhava com brasileiros \u201ccuidadosamente selecionados e treinados pelos EUA h\u00e1 muitos anos\u201d, reduzindo o risco de informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis ca\u00edrem em m\u00e3os erradas. \u201cA chave para isso \u00e9 que n\u00f3s trabalhamos proximamente com a Pol\u00edcia Federal brasileira e compartilhamos informa\u00e7\u00f5es com as suas unidades especializadas\u201d, afirmou ao jornal.<\/p>\n<p>Tudo indica que foi Moore quem escreveu o memorando que iniciou a Opera\u00e7\u00e3o Hashtag, deflagrada pela PF apenas 15 dias antes da Olimp\u00edada. A Opera\u00e7\u00e3o Hashtag acabou com a pris\u00e3o de oito suspeitos de planejar um atentado que jamais chegou a ser planejado, conforme mostrou uma reportagem da Ag\u00eancia P\u00fablica. As pris\u00f5es demonstraram for\u00e7a do governo de Michel Temer (MDB) logo ap\u00f3s o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Um dos suspeitos morreu linchado no pres\u00eddio, acusado de terrorista.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o FBI deu a dica \u00e0 PF, mas n\u00e3o detalhou como obteve as informa\u00e7\u00f5es \u2013 se foram investiga\u00e7\u00f5es realizadas dentro ou fora do territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>O memorando de 6 de maio de 2016 vazado ao Blog do jornalista Fausto Macedo n\u00e3o traz o nome de Steve Moore, mas descreve a autoria: \u201cadido legal do FBI\u201d. O documento traz nomes e detalhes sobre os suspeitos que seriam depois investigados pela PF e gerariam a \u00fanica condena\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje pelo crime de terrorismo no Brasil.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m presente na comitiva sigilosa do FBI a Curitiba, em Outubro de 2015, \u201cChris\u201d Martinez voltava ao Brasil depois de um per\u00edodo de aus\u00eancia, j\u00e1 que ela tamb\u00e9m atuou na Copa do Mundo. Christina Martinez \u2013 seu nome completo \u2013 ocupou o cargo tempor\u00e1rio de Especialista em Treinamento e Rela\u00e7\u00f5es C\u00edvicas, em Bras\u00edlia, no per\u00edodo anterior \u00e0 Copa do Mundo de 2014.<\/p>\n<p>Christina foi a respons\u00e1vel pelo programa de treinamento do FBI, ministrado com outras ag\u00eancias americanas, a 837 policiais das 12 cidades-sede. Os cursos iam de investiga\u00e7\u00e3o digital a relacionamento com a m\u00eddia e como lidar com protestos, segundo revelou a Ag\u00eancia P\u00fablica em 2014. Antes disso, entre outubro de 2010 e mar\u00e7o de 2013, ela foi assistente de opera\u00e7\u00f5es do Adido Legal na embaixada em Bras\u00edlia, fun\u00e7\u00e3o que ocupava quando visitou, em mar\u00e7o de 2012, centros de treinamento da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo, ao lado de Leslie Rodrigues Backshies, hoje chefe da Unidade de Corrup\u00e7\u00e3o Internacional do FBI.<\/p>\n<p>Christina Martinez tamb\u00e9m tem uma p\u00e1gina no LinkedIn, onde lista sua experi\u00eancia em realizar treinamentos em nome do FBI h\u00e1 mais de 17 anos \u2013 al\u00e9m do Brasil, teve cargos tempor\u00e1rios na Cidade do M\u00e9xico e em Buenos Aires. Antes de vir ao Brasil pela primeira vez, Chris havia sido t\u00e9cnica do FBI em vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica em local n\u00e3o especificado durante mais de 8 anos.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/o-fbi-e-a-lava-jato-img7.jpg\"><\/p>\n<p>Outro integrante da comitiva que foi \u00e0 sede da For\u00e7a-Tarefa da Lava Jato em Curitiba em outubro de 2015 foi Mark Schweers. Mark retornou no ano seguinte, em julho de 2016, em uma nova comitiva do DOJ ao Brasil para conduzir interrogat\u00f3rios em Curitiba e no Rio de Janeiro. Na sede da Procuradoria da Rep\u00fablica, no centro do Rio, essa comitiva interrogou os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerver\u00f3 e Paulo Roberto Costa durante nove horas cada. Em Curitiba, inquiriram o doleiro Alberto Yousseff ao longo de seis horas.<\/p>\n<p>Mark Schweers n\u00e3o tem p\u00e1gina no LinkedIn. A \u00fanica refer\u00eancia a um agente do FBI com o mesmo nome encontrada pela reportagem refere-se a um agente especializado em investigar gangues em Oklahoma nos anos 90.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dele, participaram dos interrogat\u00f3rios no Rio de Janeiro em julho de 2016 uma agente cujo nome est\u00e1 registrado como Becky Nguyen. Trata-se de nome comum, de origem vietnamita. H\u00e1 pelo menos tr\u00eas pessoas com o mesmo nome nas redes sociais \u2013 nenhuma \u00e9 a agente do FBI.<\/p>\n<p>Duas int\u00e9rpretes, Tania Cannon e Elaine Nayob, tamb\u00e9m participaram das comitivas que vieram ao Brasil em 2015 e 2016. T\u00e2nia esteve nas duas. Na sua p\u00e1gina do LinkedIn, ela se descreve como tradutora e int\u00e9rprete do Departamento de Justi\u00e7a americano.<\/p>\n<h3>Patrick Kramer, her\u00f3i de intelig\u00eancia na guerra do Golfo, tamb\u00e9m atuou na Lava Jato<\/h3>\n<p>Os documentos entregues ao The Intercept Brasil mencionam ainda dois agentes especiais do FBI que atuaram proximamente com investigadores brasileiros a partir do consulado em S\u00e3o Paulo em 2016: June Drake e Patrick T. Kramer.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouca informa\u00e7\u00e3o sobre a agente June. Segundo os di\u00e1logos vazados, o adido-adjunto do FBI David Williams buscou mais informa\u00e7\u00f5es com June para discutir a possibilidade do FBI ajudar a quebrar a criptografia do sistema MyWebDay, que reunia contabilidade de propinas da Odebrecht. \u201cAtrav\u00e9s de explica\u00e7\u00f5es adicionais fornecidos pelo Patrick e June (do FBI em S\u00e3o Paulo) eu acho que entendemos bem a situa\u00e7\u00e3o e j\u00e1 passei a pergunta para alguns peritos de ciber no FBI. Carlos, se voc\u00ea gostaria de fazer uma reuni\u00e3o em Brasilia comigo (ou nosso Adido Steve Moore, dependendo da data da reuni\u00e3o) nos podemos encontrar rapidinho para conversar mais\u201d, escreveu o adido legal, por email, ao procurador Carlos Bruno Ferreira da Silva, em setembro daquele ano.<\/p>\n<p>J\u00e1 a trajet\u00f3ria de Patrick T. Kramer revela um super agente que desde muito jovem atuou em miss\u00f5es de intelig\u00eancia e investiga\u00e7\u00f5es complexas. A se considerar o seu perfil p\u00fablico no LinkedIn, sua vida daria um filme.<\/p>\n<p>Durante os anos universit\u00e1rios, Patrick se graduou em espanhol e estudou portugu\u00eas do Brasil na Universidade de San Diego, na Calif\u00f3rnia. No final da d\u00e9cada de 80, come\u00e7ou sua carreira como marinheiro da II For\u00e7a Expedicion\u00e1ria, tendo atuado na Opera\u00e7\u00e3o Tempestade no Deserto, na Ar\u00e1bia Saudita, durante a Guerra do Golfo nos anos de 1990 e 1991, como oficial de comunica\u00e7\u00e3o. Nos anos seguintes, fez parte da 300\u00aa brigada de Intelig\u00eancia Militar e do Special Forces Group (Airborne) em Camp Williams, Utah, capitaneando uma equipe de an\u00e1lise lingu\u00edstica em espanhol para apoiar investiga\u00e7\u00f5es anti-narc\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Em 2002, j\u00e1 no FBI, investigou cart\u00e9is de drogas mexicanos pr\u00f3ximos \u00e0 fronteira do Texas. Depois, debru\u00e7ou-se sobre membros de gangues em Porto Rico. A partir de 2008, passou a investigar crimes financeiros como fraudes e lavagem de dinheiro, e em 2010 assumiu durante dois meses uma posi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria na capital da Ge\u00f3rgia, ex-integrante da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Pouco antes, estudara russo na Universidade de San Diego.<\/p>\n<p>Promovido, Patrick passou a ser supervisor do FBI em Washington, onde coordenou investiga\u00e7\u00f5es sobre fraudes em seguros de sa\u00fade, tornando-se especialista no tema.<\/p>\n<p>Em 2016, o agente foi enviado para uma posi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria durante 6 meses como adido-adjunto no consulado de S\u00e3o Paulo, \u201cfacilitando e coordenando\u201d temas para a Unidade de Corrup\u00e7\u00e3o Internacional do FBI chefiados por Ren McEachern. Neste cargo, ele \u201cconduziu extensiva coordena\u00e7\u00e3o e relacionamento com a Pol\u00edcia Federal brasileira, Minst\u00e9rio P\u00fablico Federal, a Unidade de Corrup\u00e7\u00e3o e o Departamento de Justi\u00e7a americano temas de preocupa\u00e7\u00e3o m\u00fatua no aprofundamento dos interesses do Brasil\/EUA\u201d, segundo sua descri\u00e7\u00e3o no LinkedIn. Era respons\u00e1vel pelo \u201cgerenciamento, coordena\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias operacionais e investigativas sob responsabilidade do adido legal de Bras\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>Sua passagem foi t\u00e3o bem sucedida que em junho do ano passado ele retornou ao pa\u00eds, mas desta vez como adido legal na embaixada em Bras\u00edlia, cargo que ocupa at\u00e9 o momento. Patrick passou os primeiros meses fazendo contatos com agentes de seguran\u00e7a. Foi convidado a falar, por exemplo, no dia 29 de agosto de 2018 na inaugura\u00e7\u00e3o da nova sede da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), no Lago Sul, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>No dia 19 de outubro do mesmo ano, participou do II Semin\u00e1rio Nacional dos Agentes de Seguran\u00e7a do Poder Judici\u00e1rio Federal, em Macei\u00f3.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/quem-sao-os-agentes-do-fbi-que-atuaram-na-lava-jato-img3.jpg\"><\/p>\n<p>E no dia 28 de outubro visitou, ao lado do assessor Jur\u00eddico do Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Rodrigo Dias, o Departamento de Recupera\u00e7\u00e3o de Ativos e Coopera\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica Internacional (DRCI), do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por assinar os acordos de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica com o Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos. O objetivo do encontro foi apresentar uma nova lei americana, recentemente promulgada, Cloud Act, que prev\u00ea acordos bilaterais com pa\u00edses para a troca de informa\u00e7\u00f5es coletadas no ambiente virtual.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Escrito por: <a class=\"dd-m-color-assertive\" href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/justica\/fbi-atuou-na-lava-jato-quando-os-focos-da-operacao-eram-petrobras-e-odebrecht\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Natalia Viana e Rafael Neves, da Ag\u00eancia P\u00fablica\/The Intercept Brasil <\/a>\/reproduzida no site da CUT<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o de dois tipos os agentes do FBI que atuaram na Lava Jato em solo brasileiro. 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